Girl In Luv
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Notas iniciais
SunHee buscava uma forma de concluir seus deveres, mas como sempre sua cabeça era turbilhão de pensamentos..
Toc.Toc.
O som de alguém a porta despertou sua atenção.
–Pode entrar. – falou antes que Jin entrasse em seu quarto.
–Como foi seu primeiro dia de aula? – perguntou sentando-se na beirada da cama.
–Normal.
–Em que sentido?
–No sentido que nada de extraordinário aconteceu.
–Hum... Suponho que isso exclua uma vasta gama de coisas então.
SunHee suspirou diante da insitência do irmão. Ele parecia capaz de adivinhar acontecimentos imprevistos na sua vida.
–Reencontrei um amigo de infância. – soltou por fim.
–Devo ficar preocupado?
–Apenas se planeja ter rugas precoces. – brincou.
Jin permaneceu no seu quarto por mais um tempo fazendo perguntas sobre o seu dia e outras coisas sem importância. Assim que saiu SunHee pegou o celular para checar as mensagens, havia duas. A primeira era de Hyun:
– “Como você está? Desculpe, não pude te ver hoje porque estava fazendo um trabalho na biblioteca. Yang-mi disse que te mostrou a escola, mas sabe com ela é avuada. Teve dificuldades para achar as salas? ”
SunHee sorriu diante da preocupação da garota. Não era como se fosse dever delas se preocuparem com sua estadia na escola. Pensou por um momento antes de responder.
– “Estou bem. Não precisa se preocupar. Yang-mi não fez um trabalho tão ruim assim. Com o tempo acho que vou me acostumar com o lugar.”
A resposta foi quase que imediata. Um dos pontos positivos de Hyun é que ela sempre era disposta a dar respostas diretas e rápidas. Fez uma anotação mental para se lembrar de agradecer-lhe por isso.
– “Que bom. Sinceramente, na primeira vez que pisei naquela escola pensei que nunca mais acharia a porta de saída. Tenho certeza que você vai se dar bem lá. Fighting.”
Depois de ler, SunHee passou para a próxima mensagem, essa era um pouco mais complicada.
– “Pensei que tivessemos chegado a um acordo depois da minha visita... Por que você insiste em me deixar de lado? ”
Era Yoongi. Até suas mensagens soavam como sua personalidade. Levou um minuto inteiro até responder.
– “Só queria te fazer ceder primeiro. Parece que consegui.”
Aquilo era mentira, na verdade ela não teve tempo para pensar nele com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Não havia pensado que talvez Yoongi ainda se importasse com o que fazia ou deixava de fazer. Para ser exata, desde a morte de sua amiga sentiasse bastante desligada quanto a assuntos do coração.
Como sabia que Yoongi raramente mandava respostas imediatas optou por tomar banho enquanto esperava. Achou seu pijama amarelo do Pikachu e segiu para o banheiro. Tinha ganhado aquele pijama de presente de aniversário de Sarah em seu primeiro ano nos Estados Unidos. Estranhamente era uma das suas peças favoritas no guarda-roupas.
Vinte minutos depois estava de volta ao quarto com a tela do celular piscando em sua cabeceira. Parece que finalmente ele tinha decidido responder.
–“Há! Boa tentativa. Como se eu não percebesse que você não está nem aí. Muita audácia a sua tentar dispensar um bom partido como eu. Contudo, em nome dos velhos tempos, vou te dar uma última chance de redenção. Saiu um filme novo e sábado a noite vou estar te esperando em frente ao cinema para assistirmos juntos. Não me decepcione.”
SunHee riu ao ler aquilo. E depois ela que seria acusada de ser audaciosa. Era impressionante o quão arrogante aquele rapaz poderia ser.
Cansada, deitou-se na cama e refletiu sobre o convite. Se não aceitasse ele provavelmente ficaria um pouco chateado, mas iria superar e não a importunaria mais. Seria como o último basta em sua relação, apesar que talvez isso arruinasse o que sobrou de sua amizade. No entanto, se aparecesse por lá talvez ele criasse expectativas quanto aos seus sentimentos. Embora nunca tivesse sido muito claro a respeito da existência deles, SunHee sabia que houve um tempo em que ele realmente gostava dela. Mas será que os sentimentos dele haviam resistido ao tempo? E os dela? Será que já estava pronta para retomar a sua vida e superar o luto?
Pensar naquilo tudo servia apenas para lhe deixar mais confusa. Sentiu o sono tomar conta do seu corpo aos poucos e antes que adormecesse estendeu a mão para seu diário embaixo do travesseiro. Havia um ritual que vinha cumprindo todas as noites já há um mês. Era como uma punição para si mesma, algo para que não se esquecesse do seu egoísmo. Cuidadosamente tirou a carta de seu envelope cor-de-rosa e a abriu dando de cara com a caligrafia de Sarah. E mais uma vez voltou a reler avidamente aquelas linhas há muito decoradas. Pelo visto a última das perguntas já estava respondida: não seria tão fácil assim deixar o passado para trás.
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