Girl In Luv

7 As namoradas de Namjoon


SunHee não sabia explicar o que a fez tomar aquela atitude. Talvez tivesse sido o ronronar irritante que a garota usou para provocar Min-Suh, ou, quem sabe, simplesmente não pudesse mais suportar aquela discussão tola a respeito de alguém que nem estava ali. De qualquer forma, quando deu por si o estrago já estava feito.

–Eu vou matar você! – gritou a outra garota ao se recuperar do choque.

De repente mãos envolveram seus braços. Hyun e Yang-mi a puxaram com força em direção a saída. Os gritos de raiva às perseguiram enquanto corriam sem rumo o mais rápido que podiam. Ao que parecia era oficial: Estava na Coréia apenas por um dia e já havia conquistado uma inimiga.

UMA HORA ANTES...

POVs Yang-mi On

Senti os olhares que me lançaram mesmo de costas. Era como se minha nuca estivesse queimando sob seu julgo. Eu não era culpada, fiz por impulso, confesso, mas tive boas intenções. Foi apenas uma ideia louca que pensei que talvez funcionasse. Quem saberia se não tentássemos?

–Vocês não precisam sair comigo. É sério. Eu posso ficar sentada aqui mais um pouco e só contar pra minha avó que nos divertimos. – disse SunHee com um pequeno sorriso de desculpas assim que ficamos nós quatro sozinhas.

–Nem pensar! — falei com entusiasmo. Quase era possível ouvir a consternação nos pensamentos de Hyun e Min-Suh. -Eu a convidei para tomar sorvete e é isso que faremos.

Engatei meu braço no de SunHee e praticamente a arrastei pela calçada antes que ela começasse a inventar desculpas. Eu tinha meus motivos para querer leva-la conosco, mesmo que Hyun e Min-Suh ainda não soubessem.

Seguimos caminho até uma pequena sorveteria ali perto onde serviam o mais delicioso sorvete de flocos que já provei. Tentei introduzir alguns assuntos para criar algum diálogo de conexão entre SunHee e minhas amigas. Felizmente, Hyun, que era bem mais receptiva que Min-Suh, começou a me ajudar.

–Você quer dizer que viveu nos Estados Unidos, mas nunca esteve em Los Angeles? — questionou Hyun sem acreditar no que ouvira de SunHee.

–É, mas se serve de consolo eu visitei o Central Park algumas vezes.

–Ah, mas não é nem de longe a mesma coisa. Se eu tivesse uma chance dessas teria me preocupado mais em ver Hollywood.- respondeu convicta.

Claro que teria. Hyun era do tipo de pessoa que prefere enxergar a vida apenas pelo seu lado mais belo. Sempre esta mais interessada em moda e novos estilos de maquiagem do que arte ou coisas do gênero. As sacolas que Min-Suh estava carregando na verdade pertenciam todas a ela. O tamanho de seu consumismo estava estampado em suas roupas de marca e sapatos de grife. No entanto, ao contrário do que se esperaria de uma garota com perfil de modelo, Hyun tentava realmente ser gentil. Tinha o cuidado de prestar atenção ao que as outras falavam e analisava a situação antes de soltar alguma piada. Era bem mais do que eu podia dizer de SunHee com seus comentários ácidos e evidente falta de interesse em manter uma conversa decente.

Aquela situação já começava a me incomodar. Não sei de onde tirei a ideia que talvez ela fosse como seu irmão. Eu não conhecia Jin muito bem, mas qualquer um que os comparasse perceberia em menos de dois minutos que eram completos opostos. Enquanto ele tinha um sorriso fácil e modos afáveis, sua irmã se esquivava do mais ínfimo contato com tanto empenho que eu já a tomava por uma esgrimista. Era difícil acreditar que compartilhavam do mesmo sangue.

–Hyun, você às vezes fala como se fosse uma caipira que nunca saiu da cidade. – comentou Min-Suh. Sua maior contribuição para um diálogo até o momento.

–Isso aí. Nem parece que já esteve em quase todos os países da Ásia. – emendei.

–Aish, não é a mesma coisa.

–Todos os países da Ásia? — perguntou SunHee.

–Não todos literalmente. Só uns quatro ou cinco quando estava de férias com meus pais.

–Ainda assim é impressionante.

Quando chegamos a sorveteria escolhemos uma mesa na calçada para que pudéssemos observar o movimento do anoitecer. SunHee aproveitou para ir no banheiro me deixando sozinha para explicar à minhas amigas o por quê de tê-la convidado.

–O que você estava pensando?- perguntou Min-Suh em um sussurro mal-humorado. Ainda me impressionava com o quanto suas atitudes mudavam perto de estranhos. Dentre nós três, era ela a mais fechada. Mantinha-se quase sempre em silêncio junto a desconhecidos, mas quando estava entre amigos esquecia qualquer pudor chegando perto de ser uma irritante tagarela sabe-tudo.

–Você precisa se aproximar dela. – disse enigmática, ao que Hyun respondeu com um pequeno tapa no meu braço – Ai!

–Responda direito. E sem desvios. – avisou. Tão sem senso de humor...

–Ok. SunHee é irmã do Jin, o meu vizinho.

–O amigo de Namjoon?- questionou Min-Suh subitamente interessada. Como sempre a menção ao seu namorado dava uma guinada no seu estado de espírito. Ultimamente as coisas entre eles não andavam muito bem e ela começava a desconfiar de traição.

Afirmei com um aceno.

–Então você quer que nos aproximemos de SunHee porque...- começou Hyun ainda achando minhas atitudes estranhas.

–Porque ela pode agir como uma espiã ou algo do tipo. Todos sabem que Jin e seu namorado vivem um na casa do outro, quem sabe em alguma dessas visitas ele deixa escapar alguma coisa. Coisa essa que SunHee poderia extrair do irmão e passar para a gente. — disse entusiasmada com a magnitude da minha própria ideia.

–Hum, parece ótimo não fosse o fato que...

–Ela não vai querer fazer isso. – concluímos juntas ao mesmo tempo em que SunHee voltava do banheiro encerrando o nosso assunto.

Compramos uma casquinha de sorvete cada e voltamos a nos sentar. Era uma noite fresca e as luzes da cidade me faziam lembrar de vagalumes sob a luz da lua cheia.

Depois que contei meus planos Min-Suh e Hyun passaram a se esforçar mais para fazer amizade com nossa convidada. Teria sido algo cômico de se analisar. Eu ainda não sabia que juízo fazer dela. Com certeza era uma garota bonita, com seus cabelos castanhos caindo em cascata até o meio das costas e seus lábios rosados em contraste com a pele clara. De certa forma parecia uma boneca, só que meio misteriosa. Ela não negava respostas as nossas perguntas, mas também não falava muito sobre si. Era como se escondesse um grande segredo. O que só serviu para me deixar ainda mais motivada a desvenda-la. Minhas amigas sabiam o quão determinada eu podia ser para conseguir o que desejava.

–Ora, ora, se não são as duas patetas e um dos sete anões.- a voz antipática me atingiu como um soco no estômago. Não precisei me virar para ver quem estava falando. De todas as infinitas possibilidades de desfechos para aquela estranha noite certamente aquele era o mais desagradável. Na minha frente vi Min-Suh se encolher na cadeira levando uma mecha de seus cabelos negros para atrás da orelha.

–Ora, ora se não é a velha megera. — disse Hyun empinando o nariz com toda a dignidade que lhe era possível.

–É meio tarde para crianças como vocês estarem sozinhas tomando sorvete. — disse isso com ar de superioridade. Adorava esfregar na nossa cara que já era uma universitária enquanto nós ainda estávamos no ensino médio.

–E é meio cedo para as solteironas saírem da toca. – Hyun sempre tinha uma resposta na ponta da língua, era o que eu mais admirava nela, sua habilidade de sair por cima em todas as situações.

–Não diria que sou uma solteirona. Não é mesmo, Min-Suh?

Cretina. Estava demorando para começar a provocar. Danbi era a ex-namorada de Namjoon, porém estava sempre a cerca-lo buscando reatar o romance. Evidentemente ela sabia que Min-Suh era muito insegura sobre a relação e tirava proveito da situação sempre que possível.

–Não sei do que você esta falando. – respondeu ajeitando sua postura na cadeira. Ela se abalava fácil perto da rival. Talvez fosse por causa das longas pernas que fazia questão de deixar a amostra usando um vestido justo. O que eu não daria para vê-la tropeçar naquele salto...

–Nesse caso lamento. Provavelmente você e suas coleguinhas devem ser as únicas criaturas desse mundo que acreditam piamente que Namjoon é fiel a você. – de alguma forma maligna sua voz conseguia ser ainda mais adocicada que seu perfume.

–Isso não é verdade!- exclamou Min-Suh deixando-se cair na armadilha. Já tinha se levantado e se colocado à frente dela com firmeza, porém pude perceber que seus olhos já estavam marejados. Ela era muito sensível quando o assunto envolvia o namorado.

–Será? Então por que não nos conta o que ele fez noite passada?

–Namjoon não é esse tipo de homem.

–Querida, no mundo só existe dois tipos de homem: aqueles que se contentam com os restos e aqueles que buscam o melhor pra si. E convenhamos, ambas sabemos a qual categoria Namjoon pertence.- disse isso com um sorriso malicioso. Era como se dedicasse cada suspiro de sua vida a tentar seduzir o mundo.

– E o melhor seria você suponho?- perguntei também me levantando e pondo-me entre as duas. Tentei agir como alguém durona. Eu queria ser alguém assim. Esse tipo de pessoa que emana uma aura poderosa e sempre tem o que dizer como Hyun. No entanto, eu era Yang-mi. A garota simpática e brincalhona que só sabia fazer seu melhor para defender suas amigas e dessa vez a maneira que encontrei para fazer isso foi me pondo na frente de Min-Suh tentando esconder as pequenas lágrimas que ameaçavam escorrer pelo seu rosto. Infelizmente a mulher a minha frente era uma cobra e como tal não deixou-se distrair.

–Certamente não seria uma garota franzina e sem potencial como essa garotinha. Namjoon precisa de uma mulher e não de uma menina que poderia ser sua irmãzinha mais nova.

– Como você pode dizer uma coisa dessas!?-gritei tomada pela raiva. Min-Suh era magra, mas não franzina. E era acima de tudo muito madura para a sua idade.

–Não faça esse escândalo quando todos sabem que é verdade. – rebateu alisando a parte da frente da saia vermelha. Sua atitude calma e arrogante despertou consternação mesmo nas demais que observavam a cena com um espanto mudo ainda sentadas.

–Yang-mi, você não precisa...- murmurou Min-Suh com a voz trêmula encolhida atrás de mim. Ela odiava conflitos, mas por azar sempre que esbarrávamos em nossos dias acabavam daquela mesma maneira. Ela já não conseguia conter as lágrimas e o rosto lívido parecia papel em contraste com seus cabelos escuros.

–Sim, eu preciso. – respondi com voz firme mantendo os olhos fixos na garota à frente. Mesmo que ela fosse alguns anos mais velha não deixaria com que me intimidasse mesmo que internamente eu estivesse implorando pelo apoio de Hyun e sua língua afiada. – Ela não tem o direito de dizer essas coisas a você.

Danbi apenas me ignorou e continuou a destilar seu veneno.

–Já disse que não importa se ele esta com você agora. Namjoon inevitavelmente sempre volta pra mim. –manteve a atenção nas lágrimas de Min-Suh como que alimentando seu ego a partir da fraqueza dela. – Talvez ele até goste de você com esse seu estilo nerd intelectual, mas não se engane. No fundo, o que todos os homens querem é beleza. E no caso dele, a encontra em mim.

Tudo aconteceu num piscar de olhos a partir daí. Com o canto dos olhos notei SunHee levantar-se segurando firme seu sorvete quase intocado. Hyun devia estar com a mesma expressão que eu enquanto a víamos caminhar até a minha frente. É como aquela famosa sensação de ver as coisas passarem em câmera lenta quando algo ruim esta acontecendo.

Ela pareceu não hesitar nem por um segundo quando parou em frente a e levou o sorvete ao seu rosto. Usou a casquinha como um pincel deixando sua cara lambuzada com creme e chocolate.

Ao falar sua expressão era neutra e seu tom terrivelmente calmo.

–Desculpe, acho que todo o brilho da sua sensualidade deve ter me cegado.

Eu queria rir. Não. Eu queria gargalhar até começar a chorar. Foi um daqueles momentos em que se deve cantar We are the champions. No entanto, tudo o que fiz foi encarar embasbacada o rosto de Danbi todo coberto de sorvete. Ela fez. Realmente tinha feito aquilo que por milhares de vezes minhas mãos tinham formigado para fazer.

Felizmente Hyun era muito mais ágil e num passe de mágica agarrou nossas bolsas e sacolas enquanto começava a nos empurrar em direção a rua. Inconscientemente agarrei uma das mãos de Min-Suh e um dos braços de SunHee e comecei a puxa-las em disparada. Atrás de nós pude ouvir as ameaças de vingança, mas estava muito perplexa para dizer qualquer coisa.

Arrisquei uma olhada para ver como estava SunHee, mas não consegui ler sua expressão. Quem era aquela figura que corria ao meu lado?

Notas finais
Mais capítulos na semana q vem