Girassóis

4 Sonho ou realidade?


Notas iniciais
Oiii. Espero que gostem de mais esse cap.

O dia seguinte chegou ensolarado, tive um bom pressentimento. Me arrumei e desci para tomar café. Estava fazendo meu leite com torradas quando a minha irmã chegou.

— Como pode estar tão desperta logo de manhã?

— Bom dia Chris, sei lá. Hoje acordei disposta. Acho que será um bom dia.

— Que esteja certa.

Eu ri e comemos, quando terminamos escovei os dentes, peguei minha bolsa e fomos para o ponto de ônibus. Quando chegamos lá encontramos o Pietro já esperando.

— Bom dia Garotas.

— Bom dia Pietro. “disse minha irmã toda tímida”

— Bom dia!

— Está de melhor humor hoje Olivia.

— E que sinto que hoje será um dia mais calmo. “ele então deu um pequeno sorriso”

Nisto o ônibus chegou e entramos. Sentei o mais depressa que pude ao lado da Anna. E fomos conversando tranquilamente até a escola.

Chegamos e já fui logo para a sala, queria me arrumar na minha carteira de sempre. Quando tudo estava pronto ainda faltava uns dez minutos para começar a aula, então coloquei meus fones e fiquei ouvindo Outro lugar do Detonautas e olhando para a janela. Escutei alguém sentando do meu lado, achei que Charles ou Anna, mas quando vi era Pietro.

— Oi de novo “tirei um fone e olhei para ele”.

— Oi.

— Se quiser posso fazer isso. “olhei para ele interrogativa” Te levar pra outro lugar.

— Como? “ele então apontou para a tela”.

— Gosto da música também.

— Pietro o nosso acordo.

— Calma “ele então levantou a mão” só estamos conversando. Como bons amigos que somos.

— Ok “ele estava certo, não estava forçando a barra hoje”

— Do que é a aula mesmo?

— Química.

— Vishi. Posso ficar do seu lado pra você me dar um help caso precise?

— Sério “ele então sorriu de lado, não posso recusar isso” Claro.

Começou a tocar Quando o sol se por então voltei pra minha música. Encostei no banco e fechei os olhos me concentrando nela.

— Para, por favor. “abri os olhos e ele estava me encarando”.

— Ahn?

— Não fica assim, tão vulnerável de olhos fechados e concentrada na musica. Já disse que fica sexy assim, não força a barra comigo. “nisto me endireitei e tirei os fones”

— Desculpa.

— Você realmente quer fazer isso né?

— Pietro você precisa disso, por você também, pra você ter certeza do que quer.

— Você realmente acha que vou desistir.

— Sim.

— Por quê?

— Porque você e eu somos quase de mundos diferentes. Sou super discreta e você não chega em um lugar sem ser notado, e gosta disso. Não sou a garota pra você. Não saberia acompanhar seu ritmo e nem você o meu. “ele parou para refletir um pouco”

— Bom logo saberemos quem esta com a razão.

— Sim saberemos.

O professor chegou e os outros alunos que estavam no corredor começaram a entrar. A aula foi tranquila. Depois mudamos para a aula de arte. A professora estava organizando um teatro. E como sempre eu queria ser dos bastidores. O máximo que posso ser em um teatro é a arvore. Ela já estava sentada no palco toda animada. Quando todos sentamos no palco ela levantou e começou a falar, Anylee ou Lee como a chamávamos era alta, loira, na casa dos cinquenta, com uma disposição de tirar o fôlego e um gosto para roupas excêntricas que me intrigava.

— Bom dia meus queridos, como vocês sabem semana que vem começamos realmente os ensaios. E por voto esse ano vamos interpretar Branca de Neve. “devo lembrar que a maioria da sala é feminina” e hoje é um dia muito importante. Hoje iremos escolher o elenco e os substitutos. E para isso será feito um tipo de sorteio e se caso você não queira o papel é só dizer. Os que não forem escolhidos ficaram nos bastidores.

— E ai ansiosa? “era Anna me perguntando”

— Não já sei o que vou fazer, luz ou som de fundo, talvez maquiadora “ela riu e eu acompanhei”

— Você não participa nunca do elenco? “dessa vez foi Pietro”

— A única que participa as vezes e arrasa é a Anna. E falando nisso Anna você pretende entrar desta vez?

— A só se for escalada para ser um dos sete anões.

— Tua cara!

— E você Pietro? “dessa vez foi Charles”

— A por mim tanto faz. “nessa Anna solta”

— Acho que seria um ótimo príncipe. “olhamos para ela incrédulos ela então olhou de volta pra gente” Que foi? Potencial físico pra isso ele tem.

Então todos começamos a rir. Lee passou uma caixa com papeis em branco e logo que escrevíamos os nossos nomes passávamos a caixa para outro. Tudo pronto ela pegou a caixa e olhou para Pietro.

— Pietro certo? O aluno novo?

— Sim. “ele respondeu prontamente”

— Bom seja bem vindo. E Pietro poderia fazer o favor de tirar os nomes?

— Sem problemas.

— Bom vamos começar com os figurantes.

— Lacaio? “nisto Pietro tirou um papel e deu pra ela” Bruno?

Bruno então concordou e foi se seguindo até que todos os figurantes foram escolhidos sem nenhum problema. Então começou a escalação para os anões e Anna acabou sendo escalada para interpretar o dunga, acho que ela vai arrasar. E foram dando todos os papeis até que só sobrou o príncipe e a Branca de Neve.

— Bom alunos agora será um pouco diferente para esses dois papeis, vocês colocaram o nome em um papel das duas pessoas que querem que sejam os protagonistas.

A caixa então foi passada e ouve todo o processo de escrita de nomes. Então o Pietro pegou a caixa e entregou a Lee.

— Bem e o príncipe será? Que rufem os tambores. “nisso ela estendeu a caixa para Pietro”. E então.

— Bom professora o sortudo da vez é o Rodrigo.

Nisto ouve alguns assobios e risadas.

— E você topa Rodrigo?

— Pode ser.

— Então já vamos sortear seu substituto. “Pietro pegou outro papel”.

— Rodrigo é bom não acontecer nada com você, porque o escolhido fui eu. “Nisto Rodrigo riu e respondeu”

— Prometo que vou me esforçar. “alguns riram e começaram a conversar, mas Lee já cortou eles falando”

— E o momento mais esperado pelas meninas. A Branca de Neve será?

— Paola “nisto olhei para Paola e ela estava com uma cara de já sabia” E ai Paola vai topar?

— Seria a única coisa a qual faria nesta peça. “aff desnecessário”

— E a substituta será? “nisto Pietro pegou a folha e começou a rir” Quem Pietro?

— Olivia “todos olharam para mim incrédulos” E ai topa?

— Professora acho que prefiro ficar nos bastidores.

— Ok, sem problemas poderia escolher outro nome Pietro?

— Tudo bem. E a escolhida é Paola de novo. Vamos tentar mais uma vez.

E nisto foi todos os papeis, TODOS, sendo que tirando um com o meu nome estavam todos com o nome da Paola escrito, sinto que sei quem escreveu.

— Bom Olivia acho que você é a segunda mais votada, tem certeza que não quer fazer o papel? “nisto Paola falou”

— Pode ficar tranquila e aceitar nerd, não precisará fazer o papel. “então engolindo a raiva falei”

— Já que insistem.

— Ótimo então por hoje é só, estão liberados.

Quando estávamos saindo Charles fala.

— Parabéns pelo papel. “olhei para ele”

— Oh minha realização. Mas como a outra disse nem preciso me preocupar, ela não abre mão desse papel nem morta.

— Nisto você tem razão.

O resto das aulas foi tranquilo e do dia também. Já era noite quando recebo uma mensagem do Pietro.

“e ai? Como me sai no meu primeiro dia de acordo”

“devo dizer que tirando por meu nome na caixa você está de parabéns”

“e como vc sabe que fui eu?”

“porque você é o único que faria isso”

“ta fui eu mesmo, mas não sabia que a influência da Paola era tanta, porem admita... foi engraçado”

“tudo bem, foi, mas to de boa, ela não largará esse papel por nada”

“bem que podíamos ensaiar a parte do beijo né, sabia que é muito difícil se fingir de morto? E vc tem que estar pronta pra qquer ocasião”

“Pietro”

“não resisti... kkkkk”

“vai dormir”

“é sexta e são dez da noite, vc já vai dormir?”

“talvez ou ver um filme”

“ok não vou te atrapalhar mais, mas só por causa do acordo”

“isso mesmo, lembra do acordo”

“até amanhã”

“até mais”

Desliguei o celular e acabei optando por um filme, assisti O Fantasma da Ópera, amo esse filme, e dormi. Finalmente um sono calmo nesses últimos dias. Acho que agora tudo esta se ajeitando.

O final de semana passou tranquilo, basicamente fiquei em casa assistindo TV e mexendo no computador. O Charles veio aqui e passamos a tarde inteira vendo filme e comendo doces. Viva a gordice! E depois para completar passei o domingo inteiro morgando entre sofá, cama e cozinha. Quando era noite recebo outra mensagem do Pietro.

“senti sua falta esses dias”

“até amanhã Pietro”

“nossa que grossa, mas entendi, até amanhã Nervosinha! Bem cedinho”

“até”

Fiquei olhando para o celular e acabei rindo. Depois fui tomar um banho e dormi. No dia seguinte encontramos ele no ponto de ônibus. Ele nos cumprimentou com um beijo. E ficamos conversando até o ônibus chegar. As aulas de Geografia foram normais. E a seguinte era de Psicologia. O professor estava falando de sentimentos representados pela arte. Grandes mentes artísticas que marcaram o mundo. O que se passava na mente deles. Ele falou que provavelmente iríamos fazer um trabalho conjunto com a aula de Artes. A educação física foi queimada para as meninas e bola para os garotos, foi divertido até. A tarde passou bem rápida e logo chegou a terça e os outros dias, a semana foi bem tranquila como qualquer outra pré Pietro.

Era quarta-feira e já estávamos terminando nossa última aula do dia, era Biologia, e estávamos estudando morfologia vegetal, e a professora estava dando como um tipo de reforço, um trabalho valendo nota onde teríamos que catalogar que tipo de planta, sua forma de reprodução e principais agentes polinizadores de cada uma. Terminado de dar os nomes das plantas ela nos dispensou e saiu da sala porque tinha sido chamada, nos deixando livres para arrumarmos nossas coisas e sair. O Pietro estava sentado atrás de mim arrumando suas coisas também quando a Paola apareceu.

— Nossa que trampo esse trabalho né? E já é pra semana que vem. “ele então parou de arrumar suas coisas e olhou pra ela”

— Um pouco, mas nada impossível. Acho que vou fazer isso hoje mesmo.

— Bem que podíamos fazer juntos que tal? “ele então olhou para mim.”

— Hum tudo bem. “então ela colocou a mão na cabeça”

— Bosta, hoje eu não posso fazer, tenho ensaio com as meninas, vai ter um jogo em breve. Podemos fazer sexta Pe? “ele então coçou a cabeça e sorriu”

— Ta. Tudo bem.

— Ótimo combinado. Sexta a tarde na sua casa.

Ela então deu um selinho nele e saiu saltitando da sala. Como assim? ELA DEU UM SELINHO NELE? Terminei de pegar minhas coisas com pressa e sai da sala batendo o pé. Entrei no ônibus estava vazio, sentei e coloquei o fone bem alto numa música, mas estava tão nervosa que nem prestei atenção em qual música era, só fechei os olhos e esperei o tempo passar, um tempo depois senti alguém do meu lado, Charles.

—Nem vem, não tô de bom humor hoje.

— Eu sei, por isso sentei aqui. Não quero que mate ninguém hoje. E vai que ele da uma de idiota e senta aqui.

— É bom ele não aparecer na minha frente por um bom tempo.

Coloquei os fones de novo e voltei a minha antiga tarefa. Quando chegou ao meu ponto Charles me cutucou.

— Obrigada Charles, por tudo.

Ele não tinha culpa, não precisava descontar nele. Desci do ônibus e quando ia entrar no quintal de casa, o portão já estava aberto, pois a Cristina tinha entrado correndo, certeza que ela queria ir ao banheiro, sinto uma mão puxando meu braço com força. Viro-me e olho para Pietro com uma raiva gritante, ele deve ter percebido, pois me soltou.

— Olivia.

— Pietro não tô a fim de conversar com você agora. Me deixa.

— O que foi? O que eu fiz agora.

— Ahhh você não sabe? Claro que não né?

— Não estou te entendendo? Foi por causa da Paola?

— O que você acha?

— Pelo fogo saindo dos seus olhos deve ser.

— E eu estou errada né? Afinal quem está com voto de castidade aqui sou eu, não você. Você pode ficar com quem você quiser. A ideia era essa.

— Foi ela quem me beijou, se é que pode chamar aquilo de beijo. Está com ciúmes?

— Não é questão de ciúmes Pietro, mas tinha que ser justo a Paola? Achei que você seria mais esperto.

— Quer que eu desmarque?

— Faça o que você quiser Pietro! Eu não tenho nada a ver com a sua vida. Que saco.

Ele então sorriu.

— Eu sabia!

— Sabia o que?

— Que você estava gostando de mim também.

— Que conversa é essa?

— Olha pra você? Só se tem ciúmes de quem esta a fim.

Empurrei ele.

— Está louco? Era só preocupação de amiga, afinal você está a pouco tempo aqui, não conhece a fama da Paola, você será o novo brinquedinho dela “ele então riu”.

— Sei, mas se é isso, relaxa. Eu sei me cuidar.

— Já que diz!

Me virei e sai dali indo pra minha casa. Depois do almoço pensei em dormir, mas não consegui, ainda via aquela cena na minha cabeça. Não acredito que estou com ciúmes do Pietro, mas por que ela? Eu deveria saber que isso ia acabar acontecendo. Para distrair minha cabeça acabei fazendo meu trabalho de Biologia, deu certo, precisei me concentrar para termina-lo e foi quase a tarde inteira. Quando terminei era umas cinco horas então decidir sair para correr, precisava me cansar o máximo possível para dormir rápido hoje e correr é uma forma de aliviar a tensão. Acho que nunca corri tanto, mas funcionou, quando cheguei estava tão cansada que tomei um banho rápido comi e capotei até o dia seguinte.

No dia seguinte o Pietro teve o bom senso de se manter longe de mim. E de diferente só teve o pedido da Jasmine para cuidar da Jéssica na sexta à noite, pois ela e seu marido iam jantar fora sexta e só iam voltar sábado de manhã. Mas ai pensei no outro filho do casal.

— E então Olivia? Você concorda? Claro que vamos lhe pagar.

— Não sei se é uma boa ideia Jasmine. “ela detestava que a chamássemos de senhora”

— Por favor, perguntamos para os vizinhos e eles indicaram você, tirando que já te conhecemos e confiamos em você, e Jessica já te ama. Não confiaríamos a nossa filha a mais ninguém, e Pietro irá viajar na sexta para ver os tios e passar o final de semana lá. “dessa informação eu não sabia”

— Jasmine você faz ficar impossível recusar. “ela então sorriu e me abraçou”

— Obrigada querida. Ficarei mais tranquila agora.

— Que horas devo ir?

— Pode ser umas seis? Ai dará tempo de me arrumar tranquila.

— Ok. Sem problemas.

— Então até amanhã querida!

— Até.

Já era umas duas horas da tarde de sexta e estava na minha varanda. As aulas passaram devagar naquele dia. Então estava aproveitando o calor da tarde para ouvir uma música e relaxar um pouco. O som vinha do meu rádio que se conectava ao meu Ipod e podia controlar as músicas do mesmo, estava tomando um suco de laranja. Uma tarde definitivamente gostosa, até que vejo a porta do quarto de Pietro sendo aberta e Paola entrando, senti aquela raiva de quarta voltando. Mas como a burra que sou continuei na varanda observando a cena. Logo depois ele chega e ambos sobem a escada para seu mini escritório, ficando ainda mais fácil de ver e ouvir, abaixei meu som, encostei no banco e fiquei atrás do meus óculos escuros fingindo que não estava nem ai, mas com os ouvidos atentos.

— Nossa Pietro, como seu quarto é legal.

— Valeu, também curti muito ele. “ela então foi para a janela”

— Aquela ali é a Olivia?

— Sim é o quarto dela, ela deve estar dormindo. Ela costuma cochilar ali ouvindo música.

— Bom não se podia ter uma vista surpreendente também. Ai seria demais. Hahahaha “idiota”

— Já que esta dizendo “mais idiota que ela”

— E então o que quer fazer? “ela foi chegando perto dele cheia de segundas-intenções”

— Bom “ele deu um passo discreto para trás” acho melhor começarmos logo, afinal esse trabalho vai ser meio demorado.

— É verdade “ficou obvio que essa não era a resposta que ela queria.”

Eles sentaram e começaram a fazer o trabalho, mas o tempo todo ela ficava jogando indiretas de que poderiam estar fazendo outra coisa para ele. E ele toda vez que isso acontecia percebia e sorria, mas se fingia de trouxa. Era umas quatro horas quando recebo uma mensagem.

“ainda feliz com o acordo? Ou já quer desistir.”

Ignorei a mensagem e fui para o quarto, já chega, se ele quer ela, que fique com ela, os dois se merecem. Fui comer alguma coisa, assisti um pouco de TV e então fui tomar um banho e preparar a minha bolsa para passar a noite cuidando da Jéssica. Às seis horas chegou rápido e fui para a casa dos Martiones. Quem abriu a porta foi a Jessica, vestida de fada, assim que me viu gritou.

— Mamãe ela chegou!

Entrei e fomos para a cozinha. Lá Jasmine estava terminando de lavar a louça. Ela me viu e sorriu.

— Pontual como suspeitei. Seja bem vinda, sinta-se em casa. Pode pegar o que quiser da cozinha ok. E o quarto de hospedes já esta arrumado para você.

— Muito obrigada Jasmine. “ela já estava saindo quando lembrei”

— Jasmine, esqueci-me de perguntar, tenho alguma regra? Remédio, comida, hora de dormir?

— Nossa realmente você é muito atenciosa “nisto ela sorriu de novo”. Bom nenhum, só não a deixe andar descalço porque ela pega gripe fácil e ela costuma dormir cedo. Agora eu vou me cuidar e você cuida da minha princesinha.

Ela então beijou a testa de Jéssica e saiu da cozinha. Logo a Jéssica pegou a minha mão e disse.

— Estou feliz que seja a minha babá. Vamos nos divertir bastante juntas.

— Claro que vamos. E o que você quer fazer primeiro?

— Você gosta de boneca?

— Claro. Tinha um monte quando era mais nova “ela então abriu um sorriso gigante”

— Vem aqui no meu quarto “estávamos no segundo andar quando disse”.

— Jéssica vai indo para o quarto que já vou, só vou colocar minha bolsa no quarto de hóspedes.

Ela acenou com a cabeça e correu pro seu quarto. Quando cheguei ao quarto de hospedes coloquei minhas coisas numa poltrona e estava saindo quando vejo Pietro na porta do seu quarto com a Paola, ela estava falando.

— Foi divertida a tarde.

— É foi legal, valeu a ajuda.

— Mas você sabe que poderia ser mais né? Mas que tal a gente melhorar essa tarde?

Ela então foi se aproximando dele e pondo a mão na sua nuca, aí não quero ver isso, mas não consigo sair daqui, ela então o beijou e ele correspondeu, eles ainda estavam se beijando quando Jéssica sai do quarto gritando meu nome e os dois pareceram me notar ali. Sem graça falo.

— Oi.

— O que você esta fazendo aqui? “os dois falaram juntos”

— Ela é a minha babá hoje maninho, já que você não quis ficar comigo. “ela fez biquinho então depois sorriu” Melhor pra mim, porque ela brinca de boneca comigo e você não. Essa menina é sua namorada? “nisto Paola sorriu”

— Quem sabe um dia pequenininha. “ela disse”

— Não sou pequena! Sou a maior da minha sala!!

— Você vai ficar aqui esta noite? “Pietro me olhava confuso”

— Jasmine me pediu.

— E ainda bem que ela aceitou, não sei onde arranjaria uma babá tão boa e recomendada bem encima da hora. “Jasmine apareceu no corredor” E vocês terminaram o trabalho?

— Terminamos sim mãe. Estava levando Paola até a porta, o motorista dela já chegou.

— Que bom, obrigada por ajudar meu filho Paola.

— Foi um prazer senhora. “vixi perdeu ponto, hahaha”

— Vamos? “Pietro parecia com pressa”

— Vamos.

Eles então desceram e eu fui para o quarto com a Jéssica. Brincamos de bonecas, depois de um jogo de tabuleiro, acabei rindo muito com as suas palhaçadas. Ajudei-a a tomar banho e fomos para a cozinha fazer uns sanduíches. Ela não parava quieta um minuto, mas era obediente e estava uma fofa com seu pijama rosa de gatinhos e sua pantufa da Minnie. Amei cuidar dela, acho que acabaria fazendo isso de graça. Depois de comer assistimos desenhos na TV e quando vi que ela já estava caindo de sono falei.

— Vamos subir pra você deitar?

— Não estou com sono. "nisto ela coçou os olhinhos com a mão”

— Tem certeza? Vamos fazer assim, subimos, eu te conto uma história e amanhã assim que acordar você vai lá no meu quarto me acordar também e brincamos mais, e no jardim!

— Promete?

— Claro.

Ela então subiu, escovou os dentes e antes da história acabar já tinha desmaiado de sono. Era umas dez e meia então decidi tomar um banho, por meu pijama e descer para lavar a louça dos sanduíches. Quando estava terminando de lavar a louça escuto a TV sendo ligada, Jéssica deve ter acordado, terminei a louça e fui pra sala já falando.

— Que foi meu amor? Perdeu o sono?

— É difícil dormir sabendo quem está na cama ao lado. E eu sei que sou seu amor.

Pietro olhava pra mim sério, estava sentado no sofá e estava usando só uma calça de moletom, os seus cabelos estavam molhados e algumas gotas escorreram pelo seu tronco. Mano, ele tava muito gostoso.

— Pietro?!

— Buu! “ele então riu”

— O que você está fazendo aqui? E só falei aquilo porque achei que fosse a Jéssica.

— Eu moro aqui sabia?

— Mas você ia ver seus tios hoje.

— Pois é, mas ouve contratempos.

— Quais?

— Não consegui comprar a passagem.

— Ônibus lotado?

— Serve.

— Você nem tentou comprar não é?

— E você não me contou que era babá e que ia dormir aqui em casa, ou seja, que ia passar a noite toda debaixo do meu teto e sozinha.

— Primeiro não teria porque te contar. Segundo, não estou sozinha, estou aqui para cuidar da sua irmã. “comecei a andar”

— Ta brava comigo?

— Não “tâ puta mesmo”

— Por causa da Paola.

— Quer mesmo falar dela comigo?

— Não prefiro fazer outra coisa com você.

— Se é o que estou pensando não vai rolar.

— Por quê?

— Porque não estou afim. Chama a Paola, aposto que ela aceita.

Me virei quase bufando e comecei a andar em direção a escada.

— Onde pensa que vai?

— Pro quarto. Onde mais iria?

— Nossa conversa não terminou. “olhei pra ele, sentindo a raiva a ponto de explodir”

— Ela não devia nem ter começado.

Virei e voltei a andar em direção ao quarto, mas antes passei no quarto da Jéssica só para dar uma checada. Depois me arrumei e cai na cama, mas não conseguia dormir, só depois de um tempo ouvindo música fui para a terra dos sonhos.

Ouvi a porta do quarto de hóspedes se abrindo, Pietro entrou, ele então delicadamente se deitou ao meu lado.

— O que você está fazendo aqui? ‘sussurrei com voz de sono’

— Vim dormir com você. ‘a realidade daquele sonho era estranha’

— Porque você esta nos meus sonhos de novo?

— Ando ficando muito nos seus sonhos? “sua voz sussurrada me acalmava’

— Você sabe que sim.

— E isso te incomoda.

— Sim.

— Por quê?

— Porque não quero gostar de você. ‘ele então sorriu’

— Mas já esta gostando.

— Eu sei, mas não quero me machucar de novo.

— Não irei te machucar.

— Como terei certeza disso?

— Terá que confiar em mim. Sabe que posso te fazer bem.

Nisto ele me beijou, foi um beijo longo, mas suave, senti suas mãos acariciando meu rosto, meus cabelos e me deixei levar, finalmente feliz por em algum lugar poder liberar esse sentimento que chegou tão forte dentro de mim, retribui acariciando sua pele, seus cabelos, seus braços... Quando o beijo cessou ainda recebi pequenos selinhos.

— Você é tão encantadora!

— E você me conquistou.

— Não fuja de mim.

— Tenho medo, sei que depois que conseguir o que quer você vai me deixar, e ai ficarei sozinha e machucada.

— Ainda acha que é mais uma?

— Eu sei que sou.

— Entendo. Terei que te provar o contrário.

Ele me deu mais um selinho então eu deitei no seu peito e senti seus braços me abraçando.

— Pietro?

— Sim.

— Toma cuidado com o que você vai fazer. ‘ele demorou um pouco e respondeu’

— Entendo. E eu serei. Agora durma.

Acordei no dia seguinte com a claridade, estava descansada e tendo como lembrança da noite somente aquele sonho, só que quando já estava mais desperta notei algo na cama, ou melhor, alguém. Estava deitada sobre seu peito e uma de suas mãos estava na minha cintura, seus cabelos estavam bagunçados e seu rosto sereno, era uma linda cena. Só que conforme o sono ia passando a realidade me chegava, não foi um sonho. Ele realmente veio aqui e eu acabei me abrindo para ele, contando meus medos. E ele estava tão carinhoso, não parece o Pietro que eu conheço. Tentei me levantar devagar sem fazer movimentos bruscos, não queria acorda-lo. Mas não deu certo. Vi seus olhos se abrindo e ele piscando para se acostumar com a claridade, e então seus olhos se focaram em mim e ele abriu um sorriso lindo.

— Bom dia Nervosinha.

— Bom dia.

— Dormiu bem?

— Sim obrigada, e você?

— Maravilhosamente.

— Porque está aqui?

— Porque não estaria?

Dei meu melhor olhar de quero respostas, mas ele me puxou de novo para o seu peito.

— Olivia, acabamos de acordar de uma noite incrível, faz tempo que não dormia bem assim, e não aconteceu nada demais. Por favor, não vamos brigar agora. Me espera acordar direito pelo menos.

Ele então cheirou meus cabelos e começou a me fazer cafuné. Fechei meus olhos e acabei concordando, é muito cedo para brigar. Mas logo comecei a ouvir um barulho na casa. Jéssica tinha acordado. Sentei-me de novo.

— O que foi?

— Sua irmã acordou.

— Tava bom demais pra durar.

— Pietro vai para o seu quarto não quero que a sua irmã te veja aqui.

— Tudo bem eu vou.

Mas quando ele estava saindo da cama a Jéssica apareceu.

— O que você esta fazendo aqui?

— Não consegui viajar.

— Você também namora a Olivia? Mano você tem 2 namoradas? “Nisso eu corei”

— Então...

— Eu prefiro a Olivia, ela é mais legal do que aquela outra que me chamou de baixinha. “hahahaha amo essa garota.”

— Vai se arrumar. Eu te ajudo.

Ele então fez um carinho na cabeça dela e sorriu saindo do quarto e levando ela junto, e eu fui me arrumar para começar o dia, olhei no celular e era 08h10min. Quando sai do banheiro arrumada e vestida com um short caqui e uma camiseta branca, Jéssica já estava na minha cama arrumada, ela estava uma fofa.

— Booooomm diiiiiaaaaaa!!! Vamos brincar?

— Não acha que tem que tomar café antes?

Ela então correu pra cozinha. Estava usando um macacão jeans e uma blusinha rosa, prendi seu cabelo em uma Maria Chiquinha, e colocamos um tênis. Depois tomamos café e subimos para arrumar as camas. Quando terminamos perguntei se ela tinha dever da escola e ela disse que sim, depois de algum tempo consegui a convencer de fazer o dever, para isso ficou claro que começaria comigo o pega-pega. O exercício foi muito rápido e em 10 minutos já tínhamos terminado. Então fomos para o quintal. Ficamos quase uma hora brincando lá fora. Mas como já era quase dez horas e o seu estava ficando muito forte, falei para entrarmos. Lá foi mais uma rodada de jogos de tabuleiro até que Jasmine e Cristofer chegaram. Jéssica correu para os dois.

— Bom dia mamãe.

— Bom dia meu amor, e como esta?

— Estou bem, foi muito legal, a Olivia brincou um monte comigo.

— Que bom que brincou bastante, porque agora tem que fazer seu dever.

— Não precisa, a Olivia me ajudou a fazer. Esta tudo pronto. “Ela então olhou para mim.”

— Muito obrigada.

— Magina.

— Bom, acho que agora esta livre. Venha comigo.

A segui até a cozinha.

— Então Olivia, o quanto você cobra?

— Normalmente cobro 70 reais. Mas sem pressa, a Jéssica é um amor, cuidaria dela de graça. “ela então sorriu e me deu 100 reais.” Espera só um pouco que vou pegar troco.

— Pode ficar meu amor, queremos manter a babá. “ela então piscou pra mim” Muito obrigada por cuidar dela. Pode ir embora se quiser.

— Obrigada. Vou então pegar minhas coisas.

Eu então subi peguei minhas coisas e fui pra casa. Meu celular vibra.

“ De 0 à 10, quanto devo me preocupar?”

“Você não cumpriu sua parte do acordo!”

“ Desculpa?”

“ Depende, vai esquecer de ontem?”

“ Esquecer não, mas posso não tocar no assunto até ser necessário”

“ Então não precisa se preocupar, só esquece tudo que te falei”

“ Se isso te faz feliz, nada aconteceu ontem a noite”

Eu então desci e fiquei vendo TV até a hora do almoço, depois que almoçamos subi para o meu quarto até a Cris bater na porta.

— Posso entrar?

— Claro

Ela entrou e já foi sentando na minha cama.

— To entediada! “olhei para ela”

— E o que pretende fazer?

— Não sei, por isso to aqui. As ideias criativas vêm de você. “sorri”

— Então vamos fofocar. “nisso ela animou”

— Verdade, não conversamos ainda sobre o lindo, maravilhoso e gostoso do Pietro.

— Eu acho ele uma confusão em forma de pessoa.

— Ta falando isso por causa da Paola?

— Como você sabe.

— Qual é, todo mundo da escola já sabe. “ai mereço viu.”

— Viu, é disso que to falando. “ela então chegou mais perto e cochichou”

— Tudo bem que ele vale a pena o risco. “e começou”

— Vai Cris, libera essa energia. “nisso ela deu um pulo ficando de joelho, e começou a disparar”

— Ai menina, to cheia de pergunta pra te fazer! To louca pra isso faz tempo, mas achei que ia ficar brava, onde já se viu não se dar bem com um gato daqueles e de primeira, e como assim você dormiu no quarto dele? Ai que inveja! As pessoas que ele mais conversa são você e o Charles, por mais que se de bem com todo mundo, sabia que ele esta sendo chamado pra fazer parte do time de futebol da escola? As meninas estão loucas pra saber dele, seus gostos, mas ele é tão misterioso. Isso deixa ele ainda mais atraente. “enquanto ela não parava de falar, sempre gesticulando, eu ria”

— Calma, por partes, o que você quer saber. “ela pareceu pensar um pouco”

— Hum, ele tem namorada?

— Não que eu saiba.

— Sabia!!! Próxima ele é Gay? “nisso dei risada”

— Também acho que não. “nisso ela chegou mais perto”

— Preciso te perguntar isso. Não fica brava. “La vem” Mas já rolou alguma coisa entre vocês? “sabia que isso ia chegar”

— Porque acha isso?

— A ta rolando mó boato, principalmente porque ele não ta ficando com ninguém.

— Pode relaxar irmã, não estamos ficando. “isso não era mentira”

— Imagina aquele gato de cunhado, nossa, eu prefiro de namorado. Mas ele tentou algo? “decidi contar uma minúscula parte da historia”

— Talvez, no dia que chegamos, mas era primeiro dia e a mamãe me deixou dormindo no quarto de um estranho!! “ela riu”

— Se soubesse, fazia esse sacrifício pra você, por isso voltou de noite.

— Sim. “ela deitou na cama”

— Ai mana, como queria ser você.

— Lógico que sim, quem não queria ser eu. “Ela então riu.”

— Aff, quanta humildade.

— Agora que falamos do gostoso do nosso vizinho, vamos assistir um filme?

— Admite que ele é gostoso.

— Não sou cega né, Cris.

— Sabia, nem você poderia ser imune a isso.

— Vamos ver o filme ou não? “queria mudar de assunto”

— Tudo bem, mas qual?

Escolhemos um filme qualquer de comédia, fizemos pipoca e fomos assistir.

Notas finais
Gente é isso! E obrigada a todos que estão lendo :)