Eu sempre soube que ao fazer a ligação com um Giants podemos sentir coisas inexplicáveis, mas nas histórias da minha mãe, nunca havia algo como ter certas habilidades, como ver através dos olhos deles.

— Qual o seu nome? — Me lembrei naquele instante que ela se chamava Geneviève, e que eu não havia me apresentado, talvez porque seria a última coisa que eu pensaria em fazer ao encarar um Giants.

—Alium. — Eu havia feito a ligação com um Giants negro, que minha mãe sempre me dizia que eles são amaldiçoados e sequer podemos chegar próximos a eles, mas eu já o havia feito e precisava voltar para casa, talvez minha mãe e papai não se incomodassem ao conhecê-la, e eu não podia contar que não havia lutado com ela, e que fui salvo por ela.

Pela primeira vez eu estava montando em um Giants, algo que eles só permitem na fase adulta, mas Geneviève era muito maior que os outros, mesmo sendo um filhote, não era nada agradável montar sem uma cela, mas com a dor que eu estava sentindo, e o cansaço de um longo dia sem comer ou beber não me permitia andar, como também o corte que me incomodara. Geneviève parecia conhecer toda a floresta e seus arredores, pois quando eu expliquei onde morava ela sabia que caminho seguir, foram poucos minutos até chegarmos em frente a vila onde moro, todas as casas são grandes e espaçosas, e as entradas grandes o suficiente para que qualquer Giants, inclusive os mais velhos que chegam a medir 3 metros de altura, todos os cômodos de onde moro são espaçosos, mas a casa era pequena, todos os meus irmãos dormiam no mesmo quarto, e agora que haviam 4 Giants em casa, ficaria mais apertada, mas eu sabia, que não seria por muito tempo, pois os Giants considerados mais fortes, são levados com seus donos para treinarem para o exército, o sonho de meu irmão, e o meu maior pesadelo, pois quando alguém era levado não podia mais voltar, ao menos que no dia da seleção, não fôssemos guerreiros. Em uma de suas histórias, mamãe me contou que papai não foi selecionado para ser um guerreiro, pois seu Giants era fraco, e teve que ir para o vale ajudar nas plantações.

Desci da Geneviève e bati na grande porta de madeira e dobradiças extremamente enferrujadas, era tarde e provavelmente todos deveriam ter dormido.

— Geneviève, você vai conhecer minha família agora. — Eu estava tão nervoso que por um pequeno instante me esqueci da dor nas costas.

— Mais humanos! — Ela realmente estava entusiasmada em ver mais pessoas, Ouvi batidas vindas do segundo andar da casa, alguém estava correndo para abrir a porta, e eu sabia quem era.

— Voltei mãe! — Ao abrir a porta não notou Geneviève e me deu um grande abraço acompanhado por um rio de lágrimas de esperança.

— Você vol... — A felicidade dela pareceu se esconder da mesma forma que surgiu, pois quando olhou para a Giants arregalou seus olhos com olheiras, de quem não deveria ter dormido. — Alium, ela é um Giants negro, você não podia ter feito isso.

— Mas porque mãe? Ela disse que não é amaldiçoada! — Afirmei com convicção de que Geneviève seria um bom Giants.

— Ela disse? — mamãe parou de falar por alguns instantes e colocando as mãos em sua cabeça começou a se questionar sobre o que fazer. Não conseguia entender o porquê de tanto alarde, mas minha felicidade por estar em casa, se transformou em preocupação.

— Alium me prometa que nunca dirá a ninguém que consegue falar com ela. — Mesmo que minha mãe não tivesse me explicado o porquê de eu não poder dizer isso a ninguém, eu sabia que humanos não conseguiam falar com seus Giants e prometi. — Vamos entrar, antes que incomodemos os vizinhos. — Mamãe abriu a porta e Geneviève me acompanhou, olhando curiosa para minha mãe, e também interessada em toda aquela conversa.

No primeiro andar havia feno para todos os lados, não tínhamos como comprar camas para os Giants e foi o mais confortável que pudemos fazer, os de meus pais e do meu irmão estavam adormecidos, coincidentemente os dois eram rajados como os que vi na floresta e o da minha mãe branco como o pelo de um urso polar, abriram levemente seus olhos para vigiar quem estava chegando, mas não deram muita atenção a nova visitante.

— Ai! — Gemi de dor, e fingindo estar bem, pedi para Geneviève ficar ali e subi as escadas, Mamãe que estava atrás me acompanhando viu os cortes e me segurou interrompendo.

— Isso está horrível, suba, suba! — Me apressou e quando passei pelo corredor que levava a um quarto onde todos dormiam, meu irmão Leo, que foi para a floresta com apenas quatorze anos, seu cabelo castanho encaracolado estava todo emaranhado, me lembrando os penteados estranhos dos espíritos da floresta e minha pequena irmã Amandi, com seus cabelos louros compridos, e olhos castanhos se levantou apressada, envolvendo minhas pernas num abraço apertado.

— Irmão voltou! — E seu largo sorriso faltando um dente na frente me fez sorrir.

— Ande logo! Precisamos cuidar disso. — Mamãe estava irritada por eu não estar preocupado com os cortes e sim em pegar Amandi no colo. Caminhei até o quarto onde havia apenas um pequeno beliche feita de carvalho, e uma cama pequena que meus pais se esforçavam para caberem. Mamãe tirou minha jaqueta e a camisa que estavam rasgadas, vítimas dos cortes e me deitou na cama de costas, com pressa pegou um pote dentro de uma gaveta no pequenino armário no quarto e abriu-o jogando todo o conteúdo verde, com um cheio desagradável sobre os cortes.

— O que é isso? — Mas não me respondeu...não olhei para trás, pois a ouvi chorar.

Não permitiu que meus irmãos entrassem no quarto, estava assustadoramente preocupada, preferi não dizer nada até que ela estivesse se sentindo melhor.

— Hoje, todos na cidade foram comunicados que devemos ir até o centro comercial, amanhã vocês vão ser selecionados, seu pai ainda está nas plantações e chegará apenas amanhã, arrume suas coisas e durma um pouco. — Fiquei surpreso pôr a seleção ser justamente no dia seguinte em que fiz a ligação, mas preferi ficar em silêncio, talvez eu poderia deixar mãe pior do que já estava, enquanto separava meus dois pares de roupa e enrolava em uma manta velha que usava como travesseiro minha mãe me fez prometer mais uma vez.

— Alium, nunca se esqueça, você não pode dizer a ninguém que consegue falar com seu Giants.

...

A noite foi curta e dolorosa, durante a manhã fomos até a cozinha onde havia apenas uma mesa, e um forno de metal, mamãe lavou minhas costas em baldes de água fria, que já estavam cicatrizadas, e olhava para os três enormes cortes como se quisesse me dizer alguma coisa.

— Você e seu irmão iram juntos, cuide dele.

— Cuidarei mãe. — Ela falava como se não fossemos voltar, mas eu sabia que havia uma chance de na seleção, como meu pai, eu poder ir para as plantações e ficar em casa.

Eu e Leo nos despedimos da mamãe, desta vez sem lágrimas, e sim com esperanças de que eu voltaria, diferente de Leo que apenas falava em o quanto estava feliz em poder participar da seleção tão novo. Desci as escadas depois dele para me encontrar com Geneviève, que já me esperava.

— Dormiu bem? — Não sabia o que dizer a um Giants quando acordasse.

— Estou bem...melhor irmos senão iremos se atrasar.

— Como assim? — Perguntei para ela confuso, será que ela sabia para onde iriamos?

— Pude ouvir o que vocês falavam. — E não demorei muito para me lembrar que os Giants podem ouvir sons de uma grande distância. — Seu irmão está esperando do lado de fora. — Abri a porta lentamente e suspirei de nervosismo, repeti a palavra "plantações" inúmeras vezes para mim mesmo, talvez aquilo ajudaria na seleção.

O selecionador estava esperando todos que conseguiram seus Giants na última semana, a cerimônia era sempre no centro da cidade, onde todos podiam ver e comemorar se seus filhos iriam para o palácio ou ficariam na vila para cuidarem das plantações.

As casas na vila, eram todas de madeira e pedra, e a grande maioria possuía segundos andares, enquanto caminhávamos, não vimos ninguém, pois provavelmente estavam todos no centro, menos minha mãe, que nunca foi ver a seleção, apenas quando participou.

— Ela é enorme Alium! — Leo encarou Geneviève várias vezes antes de chegarmos ao centro comercial, e se vangloriava a todo momento sobre ter lutado com seu Giants com apenas 14 anos.

O centro comercial era enorme, e no grande pátio estavam lado a lado todos os domadores e Giants que estavam participando da seleção, entorno, várias pessoas extremamente curiosas, e em frente aos domadores uma mulher alta e muito magra, com o cabelo acinzentado amarrado de uma forma que parecia asas de borboleta, seu vestido de renda que possuía a mesma cor do seu cabelo escorria pelo chão, parecia ser a autoridade em meio a vários homens vestidos com armaduras, capas, capuzes e máscaras brancas, abertas apenas nos olhos.

Me aproximei da multidão, que me olharam espavoridos, e começaram a cochichar, não pude ouvir o que diziam, mas continuei caminhando como se aquilo não fosse comigo. Fiquei ao lado de um pequeno Giants branco 3 vezes menor que Geneviève e Leo ficou ao meu lado, entusiasmado com estar ali.

— Hoje temos algo inusitado, como todos podem ver. — E com dedos magros, a moça que tinha um cabelo que se parecia com asas de borboleta apontou para mim, cerrei meus olhos por alguns instantes, eu nunca havia sido o centro das atenções antes. — Claramente não precisaria participar da seleção, mas como não podemos ter exceções continuemos a cerimônia. — Ela zombou da situação e quando olhei para trás, as pessoas seguravam seus risos disfarçadamente, como se aquilo fosse alguma piada.

— O que está acontecendo? — Geneviève perguntou ansiosa, mas preferi não a responder, pois mesmo que eu pudesse ouvi-la em meus pensamentos, ela não podia ouvir os meus, e minha mãe me fez prometer que eu não podia contar para ninguém sobre isso, muito menos mostrar.

A mulher alta ergueu um de seus braços e abriu sua mão e a fechou algumas vezes, quando em meio à multidão, um outro homem de capa e máscara se aproximou dela segurando um pequeno baú de madeira, ajoelhou-se e abriu em sua frente...lentamente aquela mulher colocou suas mãos dentro do pequeno baú, retirando uma ametista que cabia na palma de suas duas mãos, e o homem se retirou.

— Da direita para esquerda, venham o domador e seus Giants para frente. — Eu e meu irmão éramos os últimos. O primeiro se aproximou do cristal e o tocou, fazendo-o mudar de cor, do violeta para o branco. — O rei o espera no palácio. — E todos gritaram de alegria, o domador alto e robusto correu até sua família e os abraçou, e assim por diante todos os domadores foram selecionados, quando o cristal não mudava de cor, o domador e seu Giants ia para as plantações.

Era a minha vez...caminhei com a Geneviève lentamente até o encontro da mulher que segurava a ametista.

— Pare de tremer, você vai para as plantações, pode ter certeza. — Novamente zombou da situação. — Toquei na pedra que rapidamente ficou branca para o espanto de todos. — O rei o espera no palácio. — Ela estava confusa com o resultado, senti meu corpo estremecer ainda mais, eu nunca mais veria minha família. Voltei para onde estava, e meu medo se elevou ainda mais, pois agora era a vez do meu irmão.

— Me deseje sorte! — Eu sabia que ele queria ir para o exército, mas era muito novo, eu não queria que ele fosse, mas eu querer não adiantaria, meu irmão sempre foi muito ágil, desde muito pequeno...me lembro de quando tinha apenas 5 anos de idade e subia em árvores tão altas quanto as casas da nossa vila, papai o treinou o máximo que pode, pois sabia que Leo poderia ir para o exército, e talvez por eu sempre dizer que não queria ir, e de nunca ter treinado, imaginavam que eu nunca iria, exceto por esse dia, que mamãe se despediu como se nunca mais fosse me ver.

Abaixei minha cabeça e encarei Geneviève, não queria ver o que aconteceria, ouvi gritos de comemoração na multidão, mas comemoravam mesmo se os domadores fossem para as plantações, então não pude saber o resultado assim. Caminhando até minha direção, com olhos arregalados de surpresa Leo me abraçou com força, e voltou para a posição que estava.

— Leo, qual foi o resultado?

— Eu vou com você para o palácio irmão. — Para o meu desespero, e mesmo com aquele largo sorriso, não me fez se sentir melhor, ou mais calmo, apenas certo de que, eu deveria cuidar dele. Leo me superava em tudo, mesmo sendo mais novo, e bem menor do que eu, mas, mesmo assim, como irmão mais velho, sempre senti a obrigação de protegê-lo de qualquer coisa, não sabia o que fazer, por alguns instantes pensei em fugir com ele, para longe, mas eu sabia que teríamos um destino pior, pois as leis de Zendaya eram extremamente tétricas, lembro-me da última vez que um domador entrou em pânico na seleção quando não pode ir para o exército, seu Giants parecia forte o suficiente, mas nunca havíamos entendido como funcionava a ametista, e o próprio selecionador que a carregava o matou, em seguida matou o Giants, e depois deste dia, mamãe nunca mais foi ver a cerimônia de seleção.

— Todos os selecionados para irem ao palácio me acompanhem, e o restante, voltem para suas casas. — A voz da mulher alta se espalhou como um eco e todos começaram a se retirar, inclusive a grande multidão. Ficaram apenas 3 domadores que fariam parte do exército, eu, meu irmão e o primeiro a ser selecionado.

— Eu sou Lione, feiticeira do rei, faremos uma longa viagem para Cormeum, não façam perguntas para mim enquanto estivermos viajando, apenas acompanhem, pois em Cormeum todas as perguntas serão respondidas.

Lione caminhou para a entrada da vila, que ficava a alguns metros do centro comercial, seguida pelos homens de branco e por nós domadores, eu e meu irmão nunca havíamos saído da vila, apenas entrado na floresta para fazer a ligação.

Haviam mais dois homens encapuzados e um cervo branco a espera, era grande como Geneviève e seus chifres pareciam ser de cristal e vestia uma sela em que Lione subiu no cervo.

— Antes de chegarmos em Cormeum devem saber montar em seus Giants, senão iram caminhando. — Ela deveria saber que os Giants menores não conseguiam aguentar seus domadores, Leo, mesmo sendo baixo e magricela, era mais alto que seu Giants, e não o aguentaria, por uns instantes pensei em questioná-la, pois o palácio ficava muito distante para caminhar.

— Eu levo você e seu irmão. — Geneviève era grande o suficiente para nos levar, e graças a ela, não questionei Lione.

A cada um ano um feiticeiro visita vilas e cidades de Zendaya para selecionar os domadores que devem ir para o exército, mas desta vez vieram mais cedo, há menos de uma semana um feiticeiro havia visitado a vila buscando domadores, isso nunca havia acontecido antes.

Cormeum ficava a um dia de caminhada, não estávamos levando comida, e sequer água para a viagem, talvez já nos estivessem testando a partir dali.

— Vocês devem ser os filhos de Maya. — O domador que foi selecionado estava montado em seu Giants de pelo branco cinzento, e como nós, atrás dos homens encapuzados que caminhavam entorno de Lione, provavelmente para protegê-la.

— Somos! — Leo não pensava muito antes de fazer um novo amigo.

— Eu me chamo Héktor, a mãe de vocês me treinou. — Leo ficou empolgado ao saber, diferente de mim, que fiquei surpreso, por alguns instantes o questionei, para saber se estávamos falando da mesma pessoa, mas também não entendia como nossa mãe sabia tanta coisa relacionada aos Giants, ou sobre os espíritos da floresta, em como não sabíamos que minha sabia lutar, na verdade, nunca soubemos como conseguiu domar seu Giants, pois era uma das poucas mulheres que fez a ligação com um deles.

Eu nunca soube sobre o passado dos meus pais, apenas ouvia as histórias que mamãe contava sobre a floresta dos Giants, e além de saber que eu não era filho biológico deles, duvidei se eu realmente os conhecia.

— Onde conheceu nossa mãe? Ela nunca falou de você. — Talvez ele nos contasse o que sabia.

— Ela salvou a vida da minha irmãzinha, devo isso a ela. — Leo me encarou confuso, como eu também estava.

— O que exatamente você deve a ela?

— Ela não disse?...Esperado da Maya. — E sorriu olhando para o alto, devia estar lembrando de algo. — Pediu para proteger vocês dois.

Minha mãe deveria saber de muitas coisas que não havia contado, como ela saberia que seriamos selecionados, que deveria treiná-lo para nos proteger, ela nunca faria algo sem ter certeza do que estava fazendo.

Leo ficou ouvindo Héktor falar do dia em que fez a ligação com seu Giants, para ele era algo emocionante, mas eu estava mais preocupado com o que aconteceria em Cormeum.

A cada hora que caminhávamos, parecia que não estávamos indo a lugar algum, haviam inúmeras árvores e rochas no caminho, algumas vezes Geneviève reclamava de dor nas patas e eu descia para que ela pudesse ter menos peso, Lione, a feiticeira, olhava para trás disfarçadamente inúmeras vezes, e sem dúvida alguma estava nos avaliando, me lembro que todos os feiticeiros que iam fazer as seleções possuíam cabelos acinzentados como os dela, além de sempre usarem roupas compridas, nunca soubemos o que eles fazem além de selecionarem os domadores, apenas que conseguiam fazer coisas que humanos não conseguiam, fazer pactos com outras raças de Giants, como o cervo por exemplo.

— Teremos que passar pela floresta para chegar o mais rápido possível, fiquem próximos. — Pela primeira vez desde que a vimos na seleção, pareceu preocupada, todos sabíamos que era proibido entrar na floresta, senão fosse para fazer a ligação, mas ela era uma feiticeira, talvez ela poderia.

— Eu não quero entrar lá de novo irmão. — Leo estava tremendo, talvez sua ida na floresta não tenha sido tão boa quanto eu havia imaginado.

— Vai ficar tudo bem! — Não havia outra coisa que eu pudesse dizer, mas eu estava realmente feliz que Héktor estava ali para ajudar.

— Eu estou aqui também, prometo proteger vocês. — Leo analisou Héktor e seu Giants, e retribuiu com um leve sorriso de esperança.

...

Ao entrarmos na floresta, a manhã pareceu se tornar tarde, as árvores escondiam a luz do sol, exceto por algumas aberturas, e como da última vez que havia estado nela, não era possível ouvir som algum, nem mesmo do vento, que nos deixava mais apavorados, pois não sabíamos quando surgiria alguém, ou alguma coisa.

Minha mãe me disse que na floresta moram muitas criaturas além dos Giants, e que é o lugar mais perigoso de Zendaya, e diferente dos outros países, o único que vivem os Giants que fazem a ligação da alma.

— Não devíamos ir por aqui Alium. — Geneviève provavelmente conhecia uma boa parte da floresta. — É perigoso! Os Giants nunca passam por esse caminho. — Eu deveria avisar Lione e os outros, mas provavelmente suspeitariam de alguma coisa, não teria como eu saber que ali era perigoso.

— Não podemos ir por aqui! — Talvez falar para Héktor ajudaria, ele poderia ter alguma ideia, e afirmou sem questionar, parecia que sabia sobre eu ouvir Geneviève.

— Senhorita Lione, com sua licença, eu me lembro desse lugar quando fiz a ligação com o meu Giants, é perigoso, deveríamos mudar de caminho. — Por alguns instantes pensei que Héktor pareceu muito convincente.

— Não pensei que você seria o medroso, imaginei que o garoto com o Giants negro sim, ao invés de você, não me decepcione. — Sem olhar para trás para responde-lo continuou o caminho.

— Tentei! — Talvez Geneviève estivesse enganada, como eu estava sobre ela representar algum perigo.

...

Foram longas horas até atravessarmos pela floresta, felizmente não encontramos nada que pudesse nos colocar em perigo, muito menos avistamos algum Giants.

— Tem algo errado Alium, eu tenho certeza que seria perigoso passar por ali, talvez estivessem com medo de alguém que está conosco, mas esse cervo não coloca medo em ninguém. — Geneviève parecia ter certeza do que dizia. Acariciei seu pelo em resposta ao que havia dito, mas eu não sabia o que fazer...O Giants de Leo estava logo a frente, e parou de caminhar, interrompido por um dos homens que vestia o capuz branco.

— Para que novos estudantes tão cedo mestra Lione? — E retirando o capuz revelou seu rosto, sua pele era tão pálida, quase branca, usava uma máscara preta que cobria seu nariz e boca, seu cabelo era preto e curto, mas o que chamou minha atenção foram seus olhos, eram iguais aos dos Giants. — Eu não gosto desse tipo de brincadeira. – Lione o encarou assustada, parecia ter visto um morto voltar a vida, todos se afastaram dele, menos os domadores, pois não sabíamos o que estava acontecendo.

— Saía de perto deles agora! — Lione gritou autoritária.

— E o que acha que vai fazer mestra? Brincar de feitiços? — Sua voz grossa e rouca nos fez ficar amedrontados. Retirei Leo de Geneviève e o coloquei atrás de mim, Lione rapidamente desceu do cervo se aproximando, e o estranho de máscara avançou rapidamente em nossa direção, tão rápido que não pude notar, não parecia ser humano.

— O que está acontecendo?. — Geneviève finalmente perguntou algo que eu também não sabia responder.

Segurou meu pulso, como também o do Leo, fiquei confuso e sem reação, Leo tentou se soltar, mas não conseguia, senti uma pontada atravessar meu braço e percorrer meu corpo, minhas forças estavam se esvaindo rapidamente e cai sem forças, Leo do meu lado, me olhando, e seus olhos se fechavam lentamente, segurei sua mão, estava com medo.

— Leo, não feche os olhos. — Ouvi alguns gritos e tentei me erguer inúmeras vezes, sem sucesso algum.

— Alium! — Héktor me ajudou a se levantar.

— Você está bem? — Geneviève estava tão preocupada quanto eu estava com Leo, que continuava deitado inconsciente no chão.

— Precisamos ir! Agora! — Lione estava agitada, eu não sabia o que havia acontecido, não havia mais ninguém ali além de nós e meu irmão, que estava inconsciente.