Ghost Is Dead

1 Is the End or the Begin?


???’s P.O.V.

Cheguei ao prédio antigo, há muito tempo o lugar estava abandonado. Perdido no tempo. Destruído. Esquecido.

O chão era quadriculado preto e branco, as paredes de um forte tom de azul-escuro quase preto, as lâmpadas estavam todas as queimadas, o palco de madeira polida e de cortinas pretas. Havia várias mesas quadradas espalhadas pelo local que eram presas ao piso, todas de toalhas que anteriormente eram brancas, mas agora estavam cinza-escuro pela sujeira e tinham as bordas pretas.

Do outro lado do salão tinham vários jogos de fliperama diversos e outros também, tinha pelo menos dois jogos de cada, as máquinas estavam empoeiradas e quebradas, algumas com a tela rachada e outras até mesmo todas destruídas. Atravessei a Dining Area e cheguei a um corredor, havia três entradas diferentes, cada uma com uma placa acima indicando a atração. A esquerda havia uma sala chamada “Treasure Island”. A direita uma sala chamada “Gift’s Room”. E no meio... Duas portas de carvalho levavam a uma sala chamada “Hall of Brothers Rockers”.

Ignorei a sensação ruim que me possuía, depois olhei os dois lados do corredor. Optei pelo lado direito, o corredor levava a outro, na esquina tinha uma câmera, ou o que restara dela. Passando pelo outro corredor, cheguei a uma sala. No meio tinha uma mesa retangular que estava virada para o norte, ou seja, a minha esquerda, e tinha uma cadeira acolchoada preta. Dava para ver facilmente o corredor à frente, o corredor por qual eu havia passado a esquerda e o duto de ventilação à direta da mesa.

A mesa era de madeira escura, um ventilador preto sobre, algumas pelúcias velhas, desgastadas e um pouco rasgadas, tais como uma de lobo cinza, outra de lobo branco, uma raposa dourada, uma gata branca e outras também. Tinha um tablet preto com a tela quebrada sobre a mesa e uma máscara de lobo cinza. Mas o que mais chamava a atenção era que no chão, nas paredes e até em parte do teto, a sala era coberta de sangue seco, até algumas das pelúcias estavam manchadas, igual à máscara, o tablet, o ventilador e principalmente a cadeira. O mais sujo era o chão, as paredes tinham em sua maioria algumas marcas de sangue. Só que havia algo mais macabro ainda.

Nas paredes, várias frases escritas com sangue. Frases como: “Ele está aqui”, “O pesadelo me persegue”, “Ele devia estar morto”, “Irmão”, “Ghost está morto”. Só que o que mais me causou calafrios, foi que, bem na minha frente, uma frase começou a se formar, assim como as outras, escrita com sangue, uma a uma as letras eram escritas. E. L. E. E. S. T. Á. A. T. R. Á. S. D. E. V. O. C. Ê. Ele... Está... Atrás... De... Você...

“Ele está atrás de você...”. Pensei. Virei-me rapidamente, mas não havia nada atrás de mim. Abaixei a cabeça e suspirei, talvez não fosse nesse sentido. Cada músculo de meu corpo praticamente implorando para que eu fosse embora e esquecesse toda e qualquer coisa que tivesse visto naquele local mal-assombrado, mas a pura teimosia fazia-me continuar naquele local procurando chegar mais ao fundo do mistério do local.

Passei pelo corredor à frente da mesa, tinham três portas que levavam as três Party Rooms, uma sala com alguns recortes de jornal, posters e desenhos, a sala levava a outro corredor à esquerda. Caminhando por ele, cheguei a duas portas, a da esquerda tinha uma porta chamada “Parts & Services” e a direita tinha uma porta que levava até as escadas. Optei pela porta das escadas, tinham duas escadas, uma que levava até o segundo andar e outra que levava ao porão.

Duvidava que tivesse algo no segundo andar, então desci as escadas em direção ao porão. Era uma porta de ferro, mas por que precisariam de uma porta assim? Estava emperrada, porém com um pouco de esforço consegui abri-la. A sala estava escura como o breu, passava a mão pela parede à procura de um interruptor, sem sucesso. Do lado de fora tinha uma pequena prateleira de madeira, algumas teias de aranha a cobriam e umas taboas estavam soltas. Revistando ela, achei alguns itens meio inúteis, mas por sorte encontrei uma lanterna, a pilha estava fraca e infelizmente não encontrei mais nenhuma, só que ao menos a da lanterna ainda tinha um pouco de energia.

Entrei na sala, a pouca energia da lanterna fazia a luz sair fraca, mas era o suficiente para que eu visse o que havia dentro da sala. Bem à minha frente, tinha um animatronic caído. Ele estava sentado no chão, encostado na parede e um pouco caído pra frente. Era um animatronic lobo, de pelos curtos e cinzas, que outrora foram prateados, uma única listra passava pelo seu corpo, ela começava em seu olho esquerdo, ia até a parte de trás da cabeça, descia no lado esquerdo de seu pescoço, depois atravessava seu peito, a barriga e continuava em diagonal, passando por sua cintura e indo até a parte de trás, percorrendo sua cauda até o final. Seus olhos estavam abertos, por isso eu podia ver que eles eram de um forte tom de azul-escuro, da mesma cor de sua listra. Seus dentes eram consideravelmente afiados. Ele era alto e seu físico, mediano, nem muito forte, nem muito fraco.

Seus olhos estavam quase negros, possivelmente estava desativado. Notei algo, uma pequena abertura na parte de trás de seu pescoço, eu me agachei e verifiquei, havia um chip meio fora do lugar, como se tivessem tentado tirar, sem sucesso. Voltei a encaixá-lo no lugar, os olhos do lobo animatronic brilharam um pouco, mas ainda tinha a cor azul-escura.

Com um pouco de dificuldade e alguns estalidos, ele moveu a cabeça e a levantou, me encarando. Ele parecia atordoado, confuso. O lobo olhou em volta, depois voltou a me olhar.

— Q-Que-em é voc-ê? – Questionou com a caixa de voz falhando.

— Hum, acho que isso não importa... O que houve com você? Qual é seu nome?

— M-Meu n-nom-e? – O animatronic abaixou a cabeça, triste. – E-Eu... Não me le-embro...

— Não lembra? Deve estar com algum problema em seu chip de memória, talvez. Deixe-me verificar. – Voltei a mexer na parte de trás de seu pescoço, entre o emaranhado de fios, achei um botão, o apertei e uma tampa abriu na parte de trás de sua cabeça. Percebi alguns problemas nele, e, principalmente, seu chip de memória estava queimado. Não tinha como retirá-lo, mexendo e verificando o resto de seus componentes eletrônicos, consegui achar sua memória externa e a ativei. – Com um pouco de sorte o sistema fez um backup do chip e a memória vai ser reestabelecida.

— E-E se nã-o tive-r f-fu-u-ncion-ado?

Suspirei e olhei-o triste, depois respondi:

— Se não, infelizmente, não terá como fazê-lo lembrar de nada.

— E-Ente-ndo.

— Bem, mas pelo menos acho que posso consertar sua caixa de voz. – Peguei umas ferramentas que estavam em uma caixa no canto da sala e me aproximei do lobo, eu tirei a parte de baixo de sua mandíbula e comecei a mexer na sua caixa de som. Terminei e voltei a encaixar a mandíbula no lugar. – Funcionou?

— Eu... Parece que sim! – Exclamou o lobo em um tom feliz.

— Mas então, se lembra de algo?

— Não muito. Só de algumas poucas coisas. Uma pizzaria, um homem, várias crianças e... – Ele parou.

— E? O que mais?

— Sangue... Muito Sangue... Em minhas mãos e em minha boca. Gritos, medo, lágrimas, trevas, ódio... E vários corpos caídos no chão... – Algo começou a vazar de seus olhos, mas... Isso é impossível... Eram lágrimas, lágrimas de verdade. O lobo parou de chorar e me olhou. – Ghost...

— O quê?

— Ghost está morto... Ele foi assassinado, a Sala do Segurança, o sangue, ele está morto. Foi assassinado.

— E por quê?

Ele olhou para o lado, em um canto mais escuro da sala, vi uma silhueta nas sombras.

— Pergunte a ele. – O lobo falou.

Levantei-me um pouco confuso e me aproximei da silhueta. Coloquei a lanterna no chão, apontada para cima, fazendo a luz iluminar toda a sala. Olhei o animatronic à minha frente, era um lobo humanóide, mas diferente, ele era destruído. Os cabelos, rebeldes e brancos, seu rosto estava em falta, deixando à mostra o endo, seus dentes eram afiados, o traje de sua mão direita estava em falta, os olhos pareciam duas pequenas lanternas e mudavam constantemente de cor, o olho direito mudava entre vermelho-fogo, cinza-tempestade e verde-mar. Enquanto o esquerdo entre azul-elétrico, marrom-terra e azul-gelo. Ele estava usando jeans pretos, tênis azuis de detalhes vermelhos, uma jaqueta moletom rasgada e pelos rasgos dava pra ver uma blusa azul-gelo com desenhos da terra, do mar e de um céu tempestuoso, por baixo. Tanto a calça quanto a blusa também estavam rasgados em algumas partes. Fios saíam pelos buracos, e também podia ver as articulações metálicas e outros componentes por partes em falta de seu traje animatronic. Ele também tinha duas orelhas negras de lobo com a ponta vermelha, igual à cauda também negra e com a ponta vermelha.

Ele levantou a cabeça e me olhou. Seus olhos e seus dentes afiados me davam um pouco de medo, do que ele podia fazer, se ele me atacaria. Mas o principal era o fato de suas roupas estarem cobertas de sangue seco.

— O que exatamente você quer comigo...? – Perguntou ele, sua voz afiada e dura, fez meu sangue gelar.

— Saber... O que houve?

— Fui morto. Assassinado. Mas nunca fez muita diferença.

— E porque não?

— Afinal, morto, vivo. Ninguém nunca se importou comigo, por mais que dissesse que nós éramos uma família, eu nunca fiz parte disso, não tenho nada a ver com nenhum, por mais que digam. Eu nunca vou me considerar parte disso. – O lobo suspirou triste. – A garota que eu amava, nunca sentiu o mesmo e da mesma maneira. Tudo que eu fiz foi facilmente esquecido. Nunca ninguém me percebeu de verdade. Era apenas um fantasma escondido nas sombras e é o que continuo sendo. – O garoto levou a mão até seu rosto, ou o local onde outrora havia seu rosto. – Minha face nunca foi percebida, ninguém nunca se lembra. Ninguém nunca viu. Ninguém nunca irá ver. Por que eu sou capaz de me desmontar? O motivo. É porque eu me destruí, e depois fui remontado, mas nunca do jeito correto. E isso é o lembrete de quem eu sou. Eu mesmo matei meu irmão, Phantom. Sem dó, nem piedade, matei por quis. O sangue espalhado pela Sala do Segurança... É o sangue dele. Eu sou um fantasma... Eu sou o monstro escondido nas sombras... O motivo pelo qual a raça humana desde os primórdios da Terra, terem medo da escuridão... I’m Ghost...

Levantei-me e fui em direção à porta, parando ali e voltando a olhá-lo. Seus olhos se voltaram para mim e ele disse:

— It’s all your fault... Você o matou e dessa maneira acabou por nos matar também. Todos vão se esquecer dele, afinal, é o que sempre acontece, dele e de nós também. Ghost está morto e por sua culpa. Por que veio aqui?

— Eu sei o que fiz, e não me arrependo. – Respondi frio.

— Estamos esquecidos e abandonados e a culpa é sua. – Ele jogou um jornal aos meus pés. Pude ler a notícia na primeira página.

“Garoto de 16 anos encontrado morto em sua casa.

No dia 03/06/2016, um garoto de 16 anos foi encontrado morto em seu quarto com uma faca ensanguentada ao seu lado e um ferimento de facada em seu peito. O computador estava ligado em uma página de um site de histórias e uma mensagem sobre conta excluída. Não se sabe se tem algo ligado com a morte. E na parede, à frente do computador, estava escrito com sangue o nome “Shadow”.

Tudo continua um completo mistério para a polícia.”

— Você é um assassino, David... – Ele disse com ódio na voz. O olhei e falei:

— Me chame de Shadow! – Saí da sala, batendo a porta com força atrás de mim...

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!