Ghost
1 A casa
Estava tomando uns goles de meu café antes de ler as minhas correspondências, havia ganhado por uma herança uma casa de veraneio antiga pertencente a minha falecida mãe.
Olhei a foto dela por alguns segundos. Saudades.
Mudei-me para lá, olhando em volta pude ver como se era por dentro pelas grandes janelas que tinha. Não era pequena nem grande, para mim, era confortável, comecei a lembrar de minha infância naquela casa mas não me lembro do porque de termos parado de ir passar os feriados lá. Era tão bom.
Sentei do lado de fora da casa, encostando-me na porta, nesta casa também foi o ultimo lugar aonde havia visto meu pai , por brigas eles se separaram e nunca mais vi meu pai. Depois de meu pai ter ido embora o único homem que restou na minha família seria meu irmão mais velho.
Sorri enquanto sentia pingos de água caindo sobre meu rosto, logo em seguida começou a chover forte, fechei os olhos me levantando e abrindo a porta da casa.
Entrei na casa. Meio molhada. De cara vi a sala com um sofá de uns três lugares, uma TV encima de uma pequena mesinha, pintada de cor bege, havia também um telefone no chão. Mamãe havia tirado quase todos os móveis da casa.
A cozinha...Isso pode ser chamado de cozinha?! — acho que não foi uma boa idéia não trazer mais coisas além das malas de roupas — só havia uma geladeira quebrada, um mini fogão e uma mesa com uma cadeira, perfeito.
Na verdade a casa não poderia piorar do jeito que estava, acho que até um furacão melhoraria esta casa.
Subindo as escadas notei teias de aranhas enormes, vou ter um grande trabalho pela frente se quiser fazer esta casa ficar como eu gosto...
Abri a porta da suíte, onde meus pais ficavam quando víamos ficar aqui, uma tonteira tomou conta de minha cabeça logo em seguida senti minhas pernas balançarem por alguns instantes e uma sensação ruim passou por mim, quase caindo cambaleei até a cama que estava no meio do quarto e me sentei, colocando a mão na cabeça, sensações de ansiedade, medo e ódio viam em minha cabeça, sensações que nem estava perto de mim a pouco tempo, me sentia mal, solitária, abandona. Procurei de onde vinha esse mal-estar e ao olhar para o espelho vi um garoto, loiro, alto e com olhos azuis acinzentados, seus olhos estavam com manchas pretas, suas pernas estavam meio transparentes, ele me olhava de um modo fixo e indiferente, pálido como um cadáver, me levantei sem voz para exclamar ou fazer nada, porém ele ao invés disso, ele não mostrou nada parecido com o que senti e sim abriu um sorriso.
- O que a senhorita faz aqui?
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