Get It Right
19 Tonight
Notas iniciais
Acordei no hospital. Aquele lugar era um hospital, pois era um lugar todo branco e com uma energia muito carregada, negativa. Eu estava tomando soro, provavelmente tinha desmaiado. Apertei em uma sirene e chamei pela enfermeira, pois eu precisava urgentemente saber como Quinn Fabray estava.
Meu estomago começou a revirar de nervosismo, eu sentia ânsia de vômito e meu coração estava gelado de medo e preocupação.
A porta se abriu e uma mulher com olheiras e um sorriso meio falso e nada acolhedor entrou no pequeno quarto.
— Bom dia Srta. Berry — ela estava carregando na mão uma prancheta cheia de folhas.
— Olá enfermeira — correspondi.
— Você receberá alta ainda hoje, ok? — Ela ajustou algumas coisas em um aparelho perto de mim. — Você tem algumas visitas, quer recebê-las? — Ela retirou o soro de mim.
— Claro — respondi com medo, já pensando que seria os policiais vindo me prender por ter matado Quinn Fabray.
Fechei meus olhos tentando desesperadamente morrer. Mas não é tão fácil assim.
A enfermeira saiu do quarto batendo a porta com força. Ela me odiava, tenho certeza. Depois de alguns minutos a porta se abriu novamente, permaneci de olhos fechados.
— Rach? — Era uma voz masculina, que eu nunca iria esquecer. Era a voz do meu pai.
— Pai! — Abri os olhos e sorri ao vê-lo.
Ele me abraçou com muita força.
— Está se sentindo melhor?
Assenti.
Meu outro pai ou mãe entrou na sala e veio me dar um abraço forte também.
— Ai meu anjo, ficamos tão preocupados com você — ele(a) disse entre lágrimas. — Quando te vimos desmaiada, quase tive um ataque de pânico!
Ri, mas logo senti uma pontada de dor no coração.
— Ai — reclamei e coloquei minha mão no local que doía.
— O que foi querida? — meu pai ou mãe perguntou.
— Só senti uma dor aqui — falei apontando para o meu coração.
— Quer que eu chame a enfermeira? — perguntou meu pai (esse não era a mãe, ok? Que confusão).
— Não precisa — respondi rápida, já que a dor tinha passado. — Hãm, tenho que conversar uma coisa bem séria com vocês — falei me referindo ao acidente.
— Sabemos o que você fez — disse minha “mãe”. — E os policiais tiraram sua carteira de motorista — ele(a) sentou-se em uma cadeira ao lado da minha cama.
— Você não será presa, pois ainda é menor de idade, mas tivemos que pagar uma multa e teremos que pagar todas as despesas de Quinn Fabray — explicou meu pai.
— Ela está viva? — perguntei com receio da resposta.
— Sim, mas está com muitos machucados — disse minha “mãe”. — Ela quebrou uma perna e o nariz.
— Ela tinha um nariz tão perfeito — falei pensando na imagem de Quinn. Uma garota linda. Loira, corpo em forma, olhos claros, nariz perfeito. Todas as garotas queriam ser igual a ela, tenho certeza disso.
— Nós sabemos meu bem, mas ela passará por cirurgias plásticas — disse papai.
— A minha burrice resultou em um estrago horrível — resmunguei me odiando eternamente.
— Filha, qual foi o motivo de você dirigir em alta velocidade? — questionou minha “mãe”, autoritária.
— Finn Hudson — respondi com um nó na garganta.
— Era de se saber — resmungou meu pai. — Deve ser por isso que ele quer tanto conversar com você — ele completou falando em um tom de voz irritado.
— Mas eu não quero vê-lo — menti.
Sim, eu queria vê-lo porque eu o amo, mas ele gosta de Quinn e deve querer dar uma bronca em mim por quase ter matado seu amor.
— Tudo bem — minha “mãe” pegou em minha mão e sorriu consoladora.
— Quero ver Quinn antes de irmos embora — falei.
— É claro meu bem — respondeu meu pai pegando na minha outra mão. — Agora temos que ir falar com a enfermeira sobre isso, ok? Voltamos já — ele me deu um beijo na testa e saiu de mãos dadas com a minha “mãe”.
Olhei para o teto e fiquei fitando-o enquanto sorria feliz ao lembrar-me que Quinn estava viva. Pelo ao menos não tinha matado ela, mas provavelmente acabei com todo amor que Finn tinha por mim, mesmo que tenha sido um acidente no qual eu fiz a burrada, não quer dizer que eu tenha a atropelado de propósito.
Alguém bateu na porta.
— Entre!
Com certeza eram meus pais, já que eles eram educados o bastante para bater na porta e aguardar antes de entrar e me dar um susto.
Quando a porta foi aberta, não eram meus pais que entraram e sim Finn Hudson. Claro que eu fiquei assustada com o ato dele, mas não fiz um escândalo como eu tinha planejado em minha mente.
— O que você quer aqui? — perguntei grossa, mas dessa vez não me senti mal por estar deixando Finn constrangido, pois agora eu estava fazendo o que meu coração mandava.
— Eu sei que eu fui o culpado do acidente, mas pode pelo ao menos conversar como pessoas civilizadas? — ele questionou ainda parado na porta.
— Se você não vier dizer depois que está confuso com o que acabou de falar — falei provocando-o e dei de ombros.
Finn pareceu nem ligar para o que eu falei, ele simplesmente sentou na cadeira que estava perto de mim e me olhou nos olhos:
— Sou um burro em ter te falado aquilo, mas sabe como sou idiota — explicou-se Finn e ele parecia estar desconfortável ao falar aquilo.
— Foi sua mãe quem mandou falar comigo? — perguntei arqueando uma sobrancelha.
— Não — ele me olhou sem entender muito bem minha pergunta. — Por quê?
— Porque você não está nada bem falando sobre esse assunto comigo.
— Ainda me sinto mal por ter brigado com você — ele olhou para baixo, envergonhado. — Olha, eu só falei que estava confuso entre você e Quinn porque eu não queria admitir que tinha pisado na bola com você quando acreditei na mentira dos outros, pois eu te prometi que nunca iria acreditar em ninguém além de você!
Engoli em seco. Finn nunca me pareceu tão verdadeiro ao pedir desculpas como ele está fazendo agora.
— Eu entendo — falei me entregando a final. — E, por favor, Finn, se você realmente me ama porque não confia em mim?
— Porque eu sou um grande idiota — ele respondeu sem rodeios e olhando nos meus olhos.
Eu sorri. Está bem, sei que isso é mais uma idiotice da minha parte, mas e daí? Eu o amo e vou perdoá-lo mil vezes se for preciso. Finn pode errar comigo quantas vezes for e mesmo que eu esteja braba com ele, sempre estarei de braços abertos para acolhê-lo. Porque isso sim é amor verdadeiro. Mas eu ainda estou braba com ele e essa raiva não vai passar tão rápido assim.
— Obrigada por nunca desistir de mim — dei um sorriso sincero. — Você é muito importante na minha vida Finn.
— Quer voltar comigo? — ele perguntou sorrindo.
— Não! — falei irritada. — Claro que não! Também não sou idiota ao ponto de ir e voltar quando você quiser, mesmo que eu te ame mais que todos.
— Então você quer um tempo pra pensar? — perguntou Finn.
— É isso — falei meio confusa, mas assenti.
— Ainda seremos amigos? — Finn parecia triste, mas tenho certeza que ele entendia o meu lado.
— Claro — sorri.
Finn levantou-se e me deu um abraço apertado. Ele foi se soltando lentamente de mim e me roubou um selinho. No mesmo momento em que ele se soltou completamente de meus braços, eu dei um tapasso na cara dele.
— Qual é a sua garoto? Ficou louco é? — falei extremamente irritada. — Não éramos somente amigos? Seu atrevido! — limpei meus lábios com as costas da mão.
Finn deu uma risada travessa e eu levantei da cama andei até a porta em passos decididos e abri a porta.
— Tchau Hudson, até qualquer dia no colégio.
O garoto saiu sorrindo vitorioso da sala e eu me controlei para não chutar as bolas dele. Eu odeio ser trapaceada em qualquer coisa, porque eu sempre sou a melhor em tudo.
Voltei para a minha cama e me deitei, fazendo de conta que aquela cena horrível não tinha acontecido. Finn está muito safado, credo.
Depois de uns dez minutos meus pais chegaram.
— Olá querida, voltamos — disse minha “mãe” com uma mala cor-de-rosa minha nas mãos.
— Vamos para casa? — perguntou papai.
— Claro, mas tenho que falar com Quinn — disse me sentando na cama.
— Sim meu amor, agora vá trocar de roupas, porque essa camisola de hospital é horrível — disse meu pai fazendo cara de nojo ao olhar para as roupas que eu usava.
Peguei a maleta que estava nas mãos de minha “mãe”, depois fui para o banheiro que havia no quarto do hospital.
Chegando lá, me olhei no espelho.
— Até que eu não estou tão feia — sussurrei para mim mesma.
Peguei algumas roupas dentro da mala e me troquei. Depois fiz uma boa higiene bucal e fiz uma maquiagem leve.
Saí do banheiro e entreguei a maleta para minha “mãe” novamente.
— Vamos? — perguntou ele(a).
— Sim — sorri nervosa.
— Vamos? — perguntou ele(a).
— Sim — sorri nervosa.
Não seria nada fácil ver Quinn depois do que eu fiz com ela. Com certeza ela quer acabar comigo por eu ter quebrado acidentalmente o nariz dela. Só espero que quando eu entrar no quarto onde ela está a mesma não voe no meu pescoço e me mate sufocada.
Fomos andando pelos corredores brancos e sem vida do hospital. Até hoje não entendo porque os hospitais são totalmente brancos, eles deveriam ser coloridos para melhorar a auto-estima das pessoas e não matá-las de depressão ao olhar para o local com essa energia negativa.
Chegamos ao quarto de Quinn depois de descermos pelo elevador e irmos até a recepção marcar que eu havia ido visitar a paciente. Ao entrar no quarto da loira eu me senti completamente mal e quase fui correndo para os braços de meus pais e implorar para irmos pra casa, mas eu fui forte e entrei de cabeça erguida no quarto da garota que eu havia detonado com a vida.
— Olá Quinn — falei depois de fechar a porta.
Não movi nenhum pé até que ela falasse para mim me aproximar, porque daí seria mais fácil de eu correr das mãos dela caso ela quisesse me matar.
— Oi Berry — ela disse sorrindo para mim.
Meu coração amoleceu e minhas pernas ficaram bambas.
— Sente-se ali — ela apontou com a cabeça uma cadeira que estava perto de sua cama.
Obedeci, sentei-me e cruzei as pernas, depois ajeitei meu vestido.
— Como você está se sentindo? — questionei falando com a voz baixa.
— Bem — respondeu ela sorrindo. — Não quero te bater Berry — Quinn me olhou.
— Porque não? Eu acabei com a sua vida Quinn! — desabafei já me sentindo menos desconfortável.
— Você pode ter quebrado meu nariz e minha perna, mas foi por causa de você que eu consegui melhorar minha vida Rach — Quinn tinha o tom de voz suave e estava bem calma. — Eu não tinha uma relação muito boa com meus pais, mas depois que eu sofri esse acidente eles virão o quanto eu sou importante na vida deles e o quanto eles são importantes na minha vida, e por isso agora estamos tão próximos! — ela respirou fundo, recuperando o fôlego. — Sam veio aqui e se declarou para mim — Quinn tinha um sorriso de orelha a orelha. — Brittany e Santana estavam chorando quando me viram acordar pela primeira vez. Rachel é por causa de você que eu sei em quem eu devo realmente confiar, e quem realmente se importa comigo. Obrigada!
— Isso é sério? — perguntei boquiaberta.
Ela assentiu.
— Sei que a minha aparência não está nada boa, mas Sam disse que eu estou linda do mesmo jeito! — Quinn riu e depois tossiu, provavelmente deve ter sentido alguma dor.
— Você está bem? — perguntei preocupada.
— São dores normais — ela disse me acalmando. — Rachel, tenho que te confessar uma coisa, já que estou desabafando — Fabray parecia incomodada.
— Pode falar — falei dando de ombros, afinal, o pior já tinha passado mesmo.
— Quando eu disse que teria uma festa do pijama na minha casa sexta-feira, na verdade foi só uma armação pra eu acabar com você — ela disse triste. — O plano que eu e Santana criamos era que eu iria te buscar e no meio do caminho eu pararia em um lugar escuro e sem movimentação, eu te amarraria e colocaria no porta malas, Santana chegaria e daríamos uma surra em você e te deixaríamos com medo para que nunca mais chegasse perto de Finn e sumisse de Ohio — Quinn me olhou. Eu estava pasma. — Sei que foi um plano errado e é por isso que não te culpo pelo acidente, além de você me ajudar com as pessoas, ainda me fez ver o quanto eu era uma pessoa ruim — Quinn começou a chorar. — Rach, eu sempre tive inveja de você e por isso vivia te maltratando, você é perfeita, sabe? Canta bem, têm um super namorado, os melhores pais do mundo e é linda — as lágrimas escorriam por seu rosto machucado.
— É verdade Quinn? Você queria acabar comigo? — perguntei assustada.
Ela assentiu chorando.
— Me desculpe, eu só queria voltar a ser popular — Quinn parecia realmente arrependida.
— Hãm... Tudo bem — falei tentando consolá-la. — Estamos quits! Mas eu e Finn não estamos mais juntos — dei de ombros.
— Por quê? — Quinn me olhou curiosa.
— Ele prefere acreditar nos outros do que em mim, tivemos uma briga feia na sexta depois da aula e foi por isso que eu estava dirigindo naquela velocidade — engoli em seco. — Sem querer a minha idiotice acabou sendo descontada em você.
— Rachel, ele errou e todo mundo erra — ela disse calmamente. Quinn estava tão atenciosa, realmente ela mudou bastante depois desse acidente. — Finn te ama muito garota, não perca essa chance — ela sorriu. — Tive uma conversa com Finn aqui no hospital sobre você.
— Rachel, ele errou e todo mundo erra — ela disse calmamente. Quinn estava tão atenciosa, realmente ela mudou bastante depois desse acidente. — Finn te ama muito garota, não perca essa chance — ela sorriu. — Tive uma conversa com Finn aqui no hospital sobre você.
— O que vocês falaram?
— Ele disse que tinha grandes planos ao seu lado, mas que você está dando uma de difícil — ela me olhou. — Rachel, sei que você deve estar magoada, mas trate bem Finn, mesmo que não ainda estejam brigados.
— Acho que você tem razão... — falei pensativa. — Mas eu pedi um tempo no nosso relacionamento, preciso pensar no assunto — completei.
— Vai dar tudo certo, porque eu tenho certeza que você vai fazer a escolha certa — Quinn sorriu.
— Tenho que ir agora Quinney, meus pais estão me esperando no lado de fora — levantei-me e fui até ela. — Me desculpe novamente, me sinto tão culpada — confessei.
— Eu estou bem Berry, e não se culpe, porque você me ajudou, fique feliz garota! — Quinn sorriu e aquele sorriso me “iluminou”, sabe me deixou contente. — Queria lhe dar um abraço, mas mal posso me mexer — ela disse com tristeza.
— Fica pra próxima — eu sorri. — Até outro dia Quinn, melhoras.
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