Notas iniciais
Aê! Dois dias seguidos! Bom, espero continuar nesse ritmo e espero que gostem! Boa leitura!

Por Pamela:

–Como não? Ele pode não ser nosso filho de sangue, mas não deixa de ser nosso filho, Pamela! Você tá doida? Que loucura é essa?!

–E eu não estou dizendo que não é, yeah! Joaquim é nosso filho, mas eu queria poder te dar um, Herval... um filho que saia de dentro de mim!! Um baby que eu sinta crescer dentro de mim, que eu sinta ele chutar... isso pode ser um pensamento muito idiota da minha parte, mas... tell me! A verdade, você não fica nem um pouco triste, deslocado, sabendo que até Brian, que até pouco tempo só fazia sexo quântico, vai ter um filho, e você não?! – Ele não respondeu, só baixou a cabeça. – Look... foi o que eu imaginei... você tem o instinto paterno, Herval... mais cedo ou mais tarde essa necessidade vai aparecer... nós podemos ter vinte filhos adotados, mas sempre se vai sentir a falta de um que seja sangue do seu sangue, vai querer comparar sua fisionomia com algum e não vai se encontrar em nenhum!!

–Que importância isso tem agora, Pamela...? – Me olhou desanimadamente. – Eu já tinha conseguido passar por cima dessa falta...

–Toda... – Já sentia a garganta apertar e a cabeça dar umas voltas. – Tem toda a importância... porque você casou comigo! E esperava ser feliz nesse casamento, right?! – Falei segurando seu rosto.

–Mas eu sou!! Pam... – O interrompi.

–Não completamente. – Soltei-o, dando-lhe as costas. — Porque falta isso, algo tão simples e eu... eu não posso te oferecer... não sou capaz... eu... eu não posso te fazer integralmente feliz... eu não posso te dar a única coisa que é mesmo importante pra você...

–Você me basta, Pamela. Você é a coisa mais importante pra mim! – Sua mão pousou em meu ombro e um calor no meu coração surgiu. — Ok, tudo bem, eu admito, vez ou outra, eu sinto falta sim de um filho que seja parte de mim, mas... quando eu olho para o Joaquim... – Me virou para que eu o olhasse. — Tudo isso some! Pam, me escuta. – Segurou meus braços. – O Quim foi a melhor coisa que aconteceu nas nossas vidas, não foi? – Acenei positivamente. – Então... não vamos magoar ele... se ele escuta uma conversa dessas... por menor que ele seja, já entende perfeitamente o que lhe certa. A falta que eu sinto é completamente compensada quando eu tô com aquele moleque e tenho certeza absoluta de que o mesmo acontece com você...

–Yeah... – Respondi, rouca, olhando-o fixamente nos olhos, enquanto uma lágrima me incomodava um pouco no rosto. Para meu alívio, ele a enxugou.

–Então, esquece isso. A gente tem que comemorar o casamento da Megan e o filho do Brian! – Acenei que sim, porém, não estava nem um pouco conformada com aquela situação. Por mais feliz que eu estivesse por todas aquelas coisas maravilhosas, aquilo me incomodaria até o dia da minha morte.

–Pamela, Darling, algum problema por aí? – Dorothy bateu à porta, preocupada. Imediatamente me afastei de Herval, passando a mão no rosto para me recompor e tentei deixar a voz a menos embargada possível:

–No madrinha! Está tudo bem! Nós já estamos indo para sua comemoração... Vovó! – Brinquei, fazendo-a com certeza, sorrir envergonhada do outro lado da porta. Depois me virei para Herval, sem a menor coragem de olha-lo nos olhos e caminhei em direção ao banheiro, para tomar meu banho, quando senti sua mão tocar a minha. Quando me virei para ver o que ele queria, já senti seu corpo encontrando o meu e seus braços, fortes, me abraçando por completo, absorvendo toda aquela tristeza, pelo menos por aquele momento.

–Não esquece nunca que eu te amo, tá? – Falou isso, apertando mais o abraço. Timidamente minhas mãos começaram a apertar o tecido de sua camisa e minha cabeça estava contra seu peito. Por que ele fez isso? Eu já tinha controlado o choro, agora foi missão falha! Então o abracei sem a menor cerimônia e ainda com a cabeça em seu peito, ouvia... ouvia seu coração acelerado. Ele tinha mesmo falado a verdade... Era eu que lhe provocava aquilo.

À medida em que ele foi me soltando, aquela sensação de alívio ia se esvaindo... infelizmente, porque só seus braços me controlavam. Quando lhe dei as costas e fui para o banheiro, aquela mesma sensação de culpa, de pesar, de incapacidade, me invadiram. Juntamente com a primeira gota de água do chuveiro, caiu uma lágrima do meu olho. Eu tinha que contê-la! Eu precisava controlar essa infelicidade, que como Herval disse, não deveria significar nada quando estávamos com Joaquim. Só que não consegui... tudo aquilo latejava na minha cabeça! As lágrimas faziam meu rosto arder e a água do chuveiro, por mais morna que estivesse, parecia fazer meu corpo congelar.

Quando eu menos esperava, senti mãos quentes envolverem meu corpo e um beijo úmido ser depositado no meu ombro.

–Decidi tomar banho com você, para a gente ir mais rápido... tudo bem? – Ele sussurrou. Eu imediatamente misturei as lágrimas à água do chuveiro e me virei para ele, fazendo uma força incrível para sorrir. Não queria lhe atormentar mais com aquele assunto...

–Of course, my love... – Ele sorriu e unindo nossos corpos, me beijou.

Fomos para o jantar. Eu nunca pensei que seria tão difícil jantar com my Family, pois embora eu estivesse sim, muito feliz e aproveitando a comemoração, no cantinho do meu pensamento ainda se instalava aquela questão. Inúmeras vezes eu olhei para Joaquim, contente, sorridente, e me senti ainda pior com tudo o que havia dito a Herval... Joaquim era definitivamente o nosso filho e eu até daria minha vida por ele, se fosse preciso, por que então, aquela questão surgira na minha cabeça?

E então passei o resto da noite nessa contradição absurda! De um lado a culpa, a tristeza de não poder gerar um filho de Herval, e do outro, a culpa e a tristeza de desvalorizar desse jeito a vida que tínhamos com o Quim... Megan ia estender sua comemoração, na casa de Davi, dormiria lá. Perfect, assim eu poderia dormir em seu quarto.

–Pamela, aonde você vai? – Ele me perguntou ao me ver saindo do quarto. Eu fechei os olhos, respirei fundo, e ainda que com a garganta apertada, respondi:

–Só vou dar uma olhada em uns papeis no escritório...

–A essa hora?

–Yeah... Preciso e ocupar com alguma coisa... – E saí do quarto, deixando-o intrigado.

Agora sim eu estava no local perfeito para a situação em que me encontrava: num quarto escuro e sozinha. Chorei por muito tempo, sentada no chão, com a cabeça apenas, sobre a cama. Eu chorava na esperança de que tudo se dissipasse e eu pudesse voltar a minha vida normal, meu coração doía, minha mente estava embaralhada... e tanto chorei e lamentei, que acabei adormecendo.

–Pam... Pamela...! – Tocavam-me no ombro e me chamavam, quando despertei, notei que era Herval. – O que você tá fazendo aqui, meu amor...? Eu acordei e não te vi do meu lado... fui no escritório e você não tava lá... – Falou, me ajudando a levantar.

–Que horas são? – Evitei lhe responder.

–Acho que umas 3h00min da manhã... mas por que você tá no quarto da Megan?

–Eu... eu precisava de um tempinho sozinha, Herval... – Não adiantava querer disfarçar.

–Sozinha? O que houve? – O olhei nos olhos, ainda sonolenta e creio que os meus olhos ainda comportavam um tom avermelhado de tanto que chorei, porque sua expressão logo mudou, como se já tivesse descoberto a razão. – Pamela! Aquela história de novo?

–Sorry... – Respondi baixando a cabeça sem coragem de lhe olhar.

–Você tá se martirizando por uma coisa que não tem culpa! Chega! Não vamos mais pensar nisso... não faz mais a gente sofrer... você não tem que se desculpar... só vir comigo para o quarto e esquecer essa história. — Ele me deu um abraço tão confortante quanto os outros e eu desabei em lágrimas, sendo conduzida por ele até o quarto. Nos deitamos e ele falou: — Vem cá, vem... hoje você é meu bebê e eu vou cuidar de você... – Me fez deitar sobre seu peito e enquanto acariciava meus cabelos, começou a cantar:

“Dorme filhinha querida que o papai aqui está
Dorme a sonhar com os anjinhos que o papai fica a
cantar
Junto ao bercinho embalando enquanto estás a dormir
O papai fica rezando e pedindo a Deus por ti

Que ele guie os teus passos e que sigas caminhos
certos
Que te livre dos fracassos e sempre tenhas sucessos
Só peço a Deus que atenda essa minha oração
E que todo papai cante pra filhinha essa canção
La la laia silêncio ouviu, la la la laralá ela já
dormiu.”

–Você já decorou...! – Falei o abraçando forte.

–Hunrrum! Eu sempre te vejo cantando para o Quim...

–Me lembrou tanto meu daddy... que saudade...! – O abracei ainda mais e sua voz voltou a penetrar meus ouvidos com a mesma canção, até que o sono voltou a surgir e eu adormeci.

Notas finais
Continua...