Geração Pamerval - A história do início ao fim
52 Capítulo 52
Notas iniciais
Por Pamela:
–Dorothy, eu... – Ela não me deixou falar.
–Sem protestos Pamela Parker! Eu prometi ao velho Jack Parker que cuidaria muito bem de você, e eu não vou dar o mesmo mole que ele deu quando você se casou com o Jonas!
–You’re crazy?! Antes de eu me casar com Jonas ele mal nos deixava sozinhos!
–Mas vocês se encontravam sem que ele soubesse! Lembra daquele dia que eu fui te acordar e você me disse que ele tinha pulado sua janela?!
–I remember, mas isso foi uma vez só!
–Exactly! Se não tivesse acontecido, o casamento de vocês não teria sido tão problemático, como foi!
–Madrinha, você está ouvindo o que está dizendo?! Então quer dizer que o mal caráter de Jonas se deve àquela noite em que ele invadiu meu quarto?! Ah faça-me o favor! – Falei impaciente, me levantando da cama e indo ao banheiro.
–Aonde você vai, Pam?
–Ao banheiro, madrinha! Será que até no banheiro você quer me seguir?! Você acha que Herval está escondido lá dentro? Venha, entre! Aproveite e procure dentro da privada também! – Oh my God! Aquilo estava começando a me enlouquecer cedo demais! No primeiro dia!
Dorothy tomou café da manhã comigo, foi na Parker comigo e depois passei o resto do dia inteiro na Marra, com os preparativos para o lançamento do Júnior e ela também não saiu do meu pé!
–Dorothy, você não tem o eu fazer do seu dia não? Relax! Eu não vou largar tudo e ir correndo atrás de Herval, assim que você virar as costas! Eu já entendi que você não vai me deixar em paz, vou me controlar! – Disse revezando o olhar entre ela e uma papelada que eu assinava.
–Em você eu sei que posso confiar um pouco, Pamela, eu não confio tanto assim é no Herval! Você acha que ele não vai vir aqui daqui a pouco?
–Pamela?! – Madrinha mal acabara de falar e ele apareceu na porta, sorridente, mas quando viu Dorothy lá, logo tirou o sorriso da cara.
–Não disse?! – Disse ela, vitoriosa, sentando-se numa cadeira e cruzando as pernas, deixando claro que não sairia dali.
–Herval! My love! – Levantei da cadeira e fui lhe dar um beijo. Quando os nossos lábios se encontraram, eu tentei afasta-los novamente para Dorothy não encrencar, mas só consegui a muito custo, porque Herval me segurou e me beijou com tanto desejo que não queria cessar o beijo de jeito nenhum! – Hey baby, how are you? – Perguntei, lhe acariciando o rosto.
–Péssimo! – Sussurou para que Dorothy não ouvisse. — Quando é que a gente vai ficar livre dela hein?!
–Mês que vem! Infelizmente...
–Oi Dorothy, como vai? – Ele falou, dirigindo-se a ela.
–Hi Herval! Vou muito bem, obrigada! Como vão as coisas na Plugar?
–Ah vão bem, vão bem... Estamos conseguindo alguns investidores, conseguindo equipamentos novos para lá... As crianças estão em festa! – Ele disse, enfiando e tirando inúmeras vezes as mãos dos bolsos da calça.
–Oh very good! – Ela respondeu. Eu voltei a sentar na minha cadeira e a fitar os papéis. Só então, naquele momento eu me lembrei que há algum tempo eu e Herval estivemos ali numa loucura sobrenatural! Naquela cadeira onde eu havia acabado de me sentar e sobre a mesa que eu tinha acabado de apoiar as minhas mãos. Eu fiquei inerte por algum tempo, olhando aqueles papeis, mas sequer estava lendo! Ao invés de palavras, eu via formas turvas na minha frente. – Eu acho uma ótima ideia, o que que você acha, Pam? – Meus pensamentos foram interrompidos com essa pergunta de Dorothy, ela e Herval começaram a conversar e eu nem estava prestando atenção.
–O que? Oi?
–O que você acha de eu fazer uma visita às crianças da Plugar? – Afinal, esse era o assunto do qual estavam tratando!
–Eu... Eu acho uma ótima ideia, madrinha! Aquelas crianças são muito inteligentes e carinhosas! Vão te adorar! – Falei sorrindo e ela acenou com a cabeça.
–Sente-se, Herval! Vai ficar aí em pé? – Ela perguntou a ele que ainda não havia se sentado. Então ele sentou.
–Bom, então, Pamela, como anda o Júnior? Estão precisando de alguma ajuda? – Ele tentou puxar assunto.
–O Júnior está indo de vento em poupa!! No meio do mês será o lançamento e nós vamos finalmente garantir o bem estar da Marra! E não precisamos de ajuda não, thanks my love! Já está quase tudo pronto!
–Que bom... Que bom... – Ele falou olhando em volta, Dorothy continuava lá, balançando as pernas e nos olhando.
–Davi está fazendo um ótimo trabalho, Herval! Pelo menos em uma coisa Jonas acertou!
–É. O Davi é mesmo um menino de ouro... A melhor coisa que poderia ter acontecido para a Marra!
–Yeah... – Passamos alguns segundos sem falar nada, quando Dorothy quebrou o silêncio:
–O casal já decidiu onde vai ser a lua de mel? Por que quem tem que resolver tudo sou eu não é?! – Ela gostava de nos torturar! Não bastava aquela abstinência forçada? Ela precisava lembrar da lua de mel? Mas como uma boa atriz que eu sou, fingi quase nenhum interesse:
–I do not know... Eu pensei em... Veneza! So romantic! O que você acha, my love?
–Eu vou pra onde você quiser, Pam! Por mim a gente ficava aqui pelo Brasil mesmo, mas pra onde você for eu vou, e Veneza é legal!
–Então está decidido! Pode reservar uma suíte máster no melhor hotel em Veneza pra gente, madrinha!
–Oh God! Veneza is life! Champanhe para quem tem sede! Assim que chegarmos em casa eu ligo para um velho amigo meu que por coincidência trabalha num dos melhores hotéis de Veneza!
–Você tem amigos que trabalham em todos os lugares, madrinha! É umbeliaveble! – Nós passamos um tempo ali conversando sobre os pontos mais lindos de Veneza e por incrível que pareça, até que eu e Herval conseguimos ficar juntos sem ficar com aquela cara de tortura, e eu sinceramente esperava que fosse assim o resto do mês!
Quando fomos para casa, Herval foi junto, disse que queria falar com a Megan, queria convida-la para lhe dar um help em alguma coisa. Quando chegamos lá, coloquei minha bolsa em cima de uma poltrona e me sentei no sofá pra descansar um pouco e Dorothy chamou Megan num grito e ela apareceu lá correndo:
–O que foi? A casa está like pegando fogo?
–Não my baby girl, Herval que quer falar com você... – Falei passando a mão por entre os cabelos.
–What? Quer falar o que comigo, meu novo daddy? – Ela falou, brincalhona, para Herval, que sorriu sem graça.
–É que eu queria te fazer um convite, Megan...
–Convite?
–Sim, é que... Algumas vezes você apareceu lá na Plugar com o Davi né, e as crianças sempre te adoraram!
–Oh yeah! Elas são like, muito fofas!
–É, pois é, então eu pensei que seria legal você dar aula de alguma coisa lá pra elas!
–Aula? Mas eu não entendo nada de programar computador!
–E não precisa entender mesmo... Acho que... Que tal aula de inglês?! A gente tá muito precisando de mais gente!
–Yeah Megan! Pode ser uma boa pra você right?! Por hora não há trabalho pela Marra e isso ocuparia seu tempo! – Eu a incentivei.
–Really... Tá, não garanto nada, mas prometo que vou pensar com carinho na proposta, okay?!
–Tá certo! – Ele sorriu e acenou com a cabeça. Megan voltou para o seu quarto, Herval sentou ao meu lado no sofá e Dorothy continuava em pé.
–Madrinha! Você não disse eu ligaria para um amigo seu de Veneza?! Go! Ligue o mais depressa possível!
–Vou ligar, Pam! Só não sei onde se enfiou a minha agenda... Deve estar perdida pelo quarto, esperem um pouco que eu vou buscar. – Ela saiu, acho que nem percebeu que havia me deixado sozinha com Herval! Na verdade nem eu tinha notado, ainda estava com a cabeça nos preparativos para o lançamento do Júnior, com um dos cotovelos no braço do sofá e mexendo no cabelo distraída, quando senti o inconfundível toque da mão de Herval na minha perna. Olhei pra ele de imediato.
–Herval, não! – Falei, tirando sua mão dali. – Dorothy só foi pegar a agenda! Já deve estar voltando!
–Pamela eu vou enlouquecer! – Ele respondeu, se aproximando mais de mim.
–Me too, mas precisamos nos controlar!
–E se eu não conseguir...? E se eu não quiser me controlar...? – Ele encostava a boca no meu ouvido e sussurrava, me dando arrepios.
–Herval, please... Você vai ter que se controlar! Querendo ou não! – Ele colocava a mão por dentro do meu vestido, enquanto eu tentava convence-lo a se controlar. Ele acabou implorando um beijo, que eu lhe dei, cansada de estar me segurando e minha mão foi parar onde não devia, deixando-o very animado, se é que você me entende... Até que ouvimos a voz de Dorothy que estava voltando pra sala:
–Achei!! Finalmente! Pensei que não fosse encontrar nunca! – Nós nos separamos num salto, limpando os lábios, ajeitando os cabelos e Herval procurou e pegou rapidamente uma almofada no sofá, para colocar no colo. Eu tive que me concentrar muito pra não cair na gargalhada. Ela apareceu lá e quando viu que nós estávamos “comportados”, falou: — Oh very good! Bons meninos... Estão se comportando bem han! – Dei um sorriso desanimado e Herval só olhava para o chão, Dorothy começou a discar o número, quando Herval falou num ímpeto:
–Bom, eu acho que já vou indo, não tenho mais nada pra fazer aqui não é?! Me avisem se resolverem esse lance de Veneza ok? – Ele me olhou de um jeito estranho e eu tive que fazer uma força ainda maior pra não rir! Ele me deu um beijo rápido e se levantou bem rápido, ficando de costas para Dorothy, para ela não notar nada de diferente e já caminhando para a saída, falou: — Até mais Dorothy!
–Bye perigo tropical!
–Dorothy!! – Eu a censurei quase deixando o sorriso escapar. – Well, fique ai fazendo sua ligação que eu vou tomar um banho okay?! – Me levantei do sofá, peguei a bolsa e fui para o quarto. Mal entrei nele e já liguei para Herval: — Oh my love, sorry... – Cerrei os lábios tentando engolir a gargalhada.
–Olha Pam, eu acho que vou direto para um manicômio!
–Não exagere, Herval! É só um mês...!
–Só?! Olha, eu tô pensando seriamente em te raptar e te levar pra bem longe! Bem longe dessa louca da Dorothy!
–Relax Darling... Um mês passa que a gente nem percebe! Agora vou tomar um banho okay?! Amanhã nós nos falamos.
–Não fala que vai tomar banho, pelo amor de Deus!! Tá querendo que eu volte ai, amarre a Dorothy, tranque a gente nesse quarto e jogue a chave pela janela, é? – Dessa vez não controlei o riso e nem o arrepio que imaginar aquela cena me provocou.
–Oh Herval... Relax okay? Agora preciso desligar, I love you so much!
–Também te amo, Pam. – Desliguei o celular e fui tomar meu banho. Depois de um tempo, deitei na cama, fechei os olhos e do nada comecei a rir, aquele episódio na sala... Não me sairia da cabeça... A gargalhada foi ficando mais alta até Dorothy bater na porta:
–Pam, tá tudo bem?
–Yeah, madrinha! Don’t worry! – Tive eu controlar aquela crise, por mais que fosse torturante pra mim também, homem é sempre mais dramático. E depois de pensar em Herval por algum tempo, dormi.
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