Notas iniciais
Bem, sumiço justificado dessa vez: precisei fazer uma cirurgia. xox Mas aqui está ♥

Por Pamela:

Claro que Megan ficou revoltada por nós não termos contado sobre o incêndio da escola de seu little brother, mas ela tinha que entender nossas razões. Ela tinha acabado de dar à luz a uma criança!

Ela, Davi e a pequena Pamela, ficaram conosco durante o primeiro mês da criança. Eu, como mãe três vezes, tinha muito o que ensinar àquela que ainda era de primeira viagem. Nossa casa virou um caos, como você pode imaginar, mas aquele caos que vale muito a pena ser vivido. Creio que o único caos que as pessoas gostam de viver.

Todo dia era uma maratona. E ainda tinha o meu lado atriz para exercer diariamente também! Mulher, apenas por tempos curtos, o que me deixou um pouquinho frustrada e a Herval também. Sempre que nós estávamos sozinhos, estávamos tão cansados, que só tínhamos ânimo para dormir.

Só que toda essa loucura era boa porque nossa família estava toda unida! Era bom porque, apesar do caos, todos nós estávamos finalmente felizes. Depois de tanto sofrimento, desencontros e sustos, nós éramos felizes!

Mas então os mais novos pais foram embora para São Paulo levando sua filhinha. Megan cuidaria da vida dela e da de outra pessoa por conta própria. Minha filha primogênita era uma mulher responsável, amada e feliz. Aquilo era tudo o que eu poderia desejar a ela... eu finalmente começava a me dar conta de que tinha perdido completamente Megan para o mundo... e isso já não me soava como uma coisa ruim.

(...)

Passada a primeira semana sem a família Reis sob o nosso teto, nossa rotina voltou ao normal. Certo dia, eu tinha ido trabalhar, antes mesmo de Herval acordar. Durante uma pausa da gravação, aproveitei para dar uma olhada no celular, e lá estava uma mensagem dele:

“Pq vc saiu cedo, hoje? Queria dividir um banho com vc antes de ir trabalhar, mas vc já tinha desaparecido. Acabei tomando sozinho, mas ñ parei de pensar em vc um minuto.”

Sorrir foi inevitável porque eu tinha certeza que esse “não parei de pensar em você” não era apenas uma frase romântica. Eu podia até imaginar o que ele pensou...

Dei uma mexida no cabelo e pensei numa resposta que o provocasse de alguma maneira. Se nós íamos passar o dia longe um do outro, era justo que eu o enlouquecesse um pouquinho.

“Vc pensou em mim de que maneira?”

“Nua”.

Eu não esperava, mas a resposta veio instantânea. Parecia até que ele não estava trabalhando e sim agarrado ao celular. E eu não consegui segurar o sorriso mais uma vez. Como eu imaginei, era sacanagem que ele estava pesando...

“E vc tava comigo, nesse pensamento?”

“Claro!”

“E o que a gente fazia? Eu quero detalhes.”

Provoquei. Eu li em algum lugar, não sei onde, que a excitação masculina está muito ligada a imaginação. Se eu pedi detalhes, ele ia ser obrigado a recordar tudo e consequentemente o meu plano de deixar ele doido, funcionaria.

— Ok, vamos gravar agora só o final dessa cena e vocês vão se trocar, porque a gente ainda tem umas duas para gravar. – Disse a diretora. Ainda que querendo saber a resposta de Herval, deixei o celular de lado e voltei ao trabalho.

(...)

Cena pronta, fui para o camarim me trocar. Quando olhei o celular para conferir as horas, vi que havia uma mensagem não lida. Sorri. Era Herval.

“A gente tava tomando banho. Então vc tinha saído da banheira e eu continuei lá dentro. Mas aí vc sentou em cima do balcão e me chamou. Eu ia recusar seu chamado?!”

Eu tentei, mas não consegui não gargalhar. Eu me vesti e enquanto retocavam minha maquiagem, respondi a mensagem:

“E eu te chamei pra quê?”

“Eu acho que daí vc já consegue imaginar...”

“Eu quero que vc diga.”

“Pam, eu tô trabalhando. Se eu contar os detalhes, isso ñ vai prestar...”

“Eu ñ me importo. Fala!”

— Pamela, a gente só está te esperando. – Me avisaram.

— Já vou!

“Vai provocando pra vc ver o quê que te acontece!”

Era a resposta do meu boyfriend.

“Ok, vou parar até pq agora eu preciso voltar ao trabalho, mas só uma última pergunta: nesse pensamento aí, a gente fazia aquele teatrinho de quem tá no comando e quem ñ tá? Porque eu adoro quando a gente faz isso...”

E eu apenas não li nem enviei mais nenhuma mensagem. Só voltei ao trabalho. No fim da tarde, eu estava me trocando para voltar para casa. Começamos a gravar cedo, mas acabamos cedo também, o que era ótimo para mim, já que eu pretendia aproveitar um tempo com os meus filhotes em casa. Quando eu estava entrando no carro para ir para casa, visualizei uma mensagem. A resposta de Herval à minha pergunta.

“Sim. E só de lembrar, eu ñ consigo nem prestar atenção no trabalho! Só penso em te encontrar mais tarde. Vc vai demorar no trabalho? Eu posso ir te buscar.”

Com um sorriso na boca, entrei no carro, fechei a porta e antes de ir embora, respondi:

“Estou indo para casa agora, ñ precisa. Te encontro lá.”

Guardei o celular, botei a chave na ignição, dei a partida e finalmente estava a caminho de casa. Enquanto dirigia, meu pensamento voou. Fez uma espécie de tour pelos últimos anos da minha vida. De repente deu uma sensação tão boa, como que de completude. Como se no quebra-cabeça da minha vida não faltasse mais nenhuma peça.

(...)

Mommy! — Ao entrar na sala, Joaquim veio correndo me abraçar.

Hi, my love! Eu estava morrendo de saudades de você, sabia? – Sentei no sofá com ele no colo. – Como é que foi seu dia?

— Muito divertido! Eu estou ajudando a Branca a aprender a andar, ela tá quase conseguindo!

That’s great, honey! E onde é que ela está?

— A Dorothy está com ela lá no quarto. Eu acho que tá botando ela pra dormir. – Concordei com a cabeça.

— E seu pai, já chegou da Plugar? – Ele cerrou os lábios, como que se impedindo de falar alguma coisa e negou com a cabeça. – All right... então eu vou tomar um banho e já volto pra gente sair pra tomar um sorvete, okay?

Not today, mommy... eu tenho muita lição para fazer. – Cruzei os braços e o olhei intrigada.

— Você está de férias, Joaquim.

— Mas é... é... lição de violino! – Inventou a resposta. – Aliás, eu já tava indo fazer. Bye mom!

— Joaquim, volta aq... – Ele simplesmente voou para o quarto. Mentindo ele estava, porque o Quim nunca foi de negar sorvete, eu só não sabia o porquê.

Acabei dando de ombros momentaneamente e fui para o meu quarto. Assim que entrei nele, meu celular tocou.

Hey, love!

— Eu quero você aqui comigo. Nua, de preferência. – Fui surpreendida.

Uau! Alguém já te falou que o seu “Alô” é bem estranho?

— Vai dizer que toda aquela provocação não tina um propósito?

— Até tinha, but...

— “But” nada. Eu tô te esperando aqui na Plugar. Você lembra há quanto tempo a gente não...?

— 3 semanas. – Sorri. – É claro que eu lembro, mas pelo menos eu me controlo.

— Ah, controle não é muito o meu forte não. Tem uma surpresa te aguardando... garanto que não vai se arrepender se vier. – E desligou antes que eu pudesse responder. Bom, o lance da surpresa me deixou com uma pulga atrás da orelha, e então eu fui tentar arrancar alguma coisa da Dorothy, porque sempre que Herval resolve fazer essas surpresas, tem dedo dela no meio.

— Dorothy? – Ela tinha acabado de colocar Branca no berço.

Hi, dear...

— Madrinha, listen, Herval comentou alguma coisa com você sobre alguma surpresa pra mim? – Ela confirmou. – E o que é?

— Não falo nem sob tortura! – Suspirei. – Olha, o Herval me ligou porque suspeitou que você poderia ficar preocupada com as crianças, caso resolvesse ceder as investidas dele. Então ele já avisou que vai te ocupar all night.

All night? Você já fica com eles o dia inteiro, madrinha... isso não é justo!

— Minha querida, ele me contou o que está preparando para você, e acredite, se eu tivesse um jantar com a família Obama agora, eu desmarcaria só para garantir que nada estragaria a noite de vocês... e além do que o Joaquim apoiou completamente! Eu não tinha absolutamente nada contra o que argumentar... e também ele me prometeu recompensa. – Explicado o motivo da mentira do Quim. Tudo para que eu ficasse disponível para ceder ao chamado de Herval.

— Que tipo de recompensa?

— Ainda não sei, o que você acha de um carro novo? Estava mesmo pensando em trocar o meu... – Brincou.

— Você é uma mercenária, Dorothy! – Ela riu. – E conseguiu me deixar ainda mais curiosa. Mas eu já passei o dia inteiro longe dos meus filhos, Dorothy! Isso não é saudável...

— Você não tem com o que se preocupar aqui, Darling, você não vai passar uma semana fora, é uma noite! E isso é saldável sim! Saldável para a sua relação com o Herval. E se vocês dois estiverem felizes juntos, o Joaquim e a Branca também serão felizes. Então deixa de frescura e vai logo encontrar seu homem, mulher! Deixa que eu seguro as pontas aqui.

—É, mãe! Se você não for, eu mando o papai vir te buscar. – Joaquim apareceu na porta.

— Você sabia de tudo e não me contou, não é, seu mini Herval? – Lhe fiz cócegas e o garoto se encolheu.

— Eu só não quero que nada estrague a surpresa do papai! – Vontade de estrangular Herval por conseguir o que ele queria, não me faltou. Mas eu confesso que também estava gostando. Fazia tempo que nós não fazíamos um programa assim, só nós dois...

— E não esquece: depois eu quero saber de tudo, em detalhes. — Disse Dorothy. Censurei-a apenas com o olhar e me despedindo deles, voltei para o meu quarto e tratei logo de tomar um belo banho.

A água limpava de mim todo o cansaço do dia de trabalho e me deixava revigorada e leve para encontrar Herval. Ao sair do banheiro, ouvi meu celular tocando, e depois de pegar as roupas que eu pretendia escolher para vestir, fui conferir quem me ligava e constatei que não era a primeira ligação. Herval ligara várias vezes enquanto eu estava no banho.

— Resolveu me dar um gelo, foi?

— Eu não ouvi o celular tocar, honey...

— Não vai vir? Eu preparei tudo com tanto carinho...

— Você realmente acha que não? Armou tudo com todo mundo, até com o Quim, seu safado!

— E o que é que você está fazendo que ainda não está aqui comigo? – Retrucou entre risos. – Foi difícil pra caramba fazer o Quim ficar de bico calado, e você ainda não tá aqui?!

— Acabei de sair do banho, será que dá pra você esperar? – E me veio a ideia de provocar sua imaginação mais uma vez. – Bom, mas você pode me fazer ir mais rápido, me ajudando numa coisa...

— Em que?

— Estou meio em dúvida aqui... não decido se ponho a calcinha de renda ou a f... –

— Não bota nada. – Me interrompeu.

What? — Questionei-o rindo.

— Vem sem nada por baixo da roupa! Facilita o meu trabalho. – Simplesmente caí na gargalhada e deitei na cama, mirando o teto.

— Nossa, como você é romântico...

— De romantismo você não pode reclamar não, viu? Se eu pagasse imposto por cada “eu te amo”, eu tava falido! – Ele deu uma pausa e então voltou a falar. – E aí, ainda vai demorar muito pra se arrumar? Se você não colocar sutiã, agiliza até mais o processo aí.

— Não pretendo demorar, mas se você continuar falando comigo, vou me atrasar!

— Tem toda razão, não vou mais te atrasar. Tchau!

— Espera, Herv... – Desligou a ligação. Mania irritante! Apenas deixei para lá e fui me arrumar.

(...)

A espera pela surpresa me dava frio na barriga, e eu passei todo o trajeto tentando adivinhar o motivo de todo aquele mistério, e o motivo de o nosso encontro ser na Plugar. Quando eu parei o carro na frente da ONG, ele já estava lá me esperando.

— Eu sabia que você não seria louca de não vir... – E aqueles braços cruzados e aquele sorriso de canto o deixavam irritantemente sexy.

Yeah... você me cercou por todos os lados. Não é como se eu tivesse alguma opção... – Respondi, saindo do carro e indo ao encontro dele.

— É, eu não desisto do que eu quero... principalmente quando o que eu quero é você. – Eu sorri.

— É, eu sei disso...

— Vem cá, vem. Eu estava morrendo de saudades... – Seus braços envolveram minha cintura, unindo nossos corpos, e ainda com um sorriso, manteve-se me olhando por alguns segundos. – Eu já disse que te amo?

— Só alguns milhões de vezes, mas é sempre bom ouvir... – Respondi, brincando com seu cabelo. – Mas não vai pagar imposto por isso não, né? – Ele sorriu mais largo e então juntou nossas testas.

— Boba... mesmo se me custasse todo o dinheiro e eu precisasse vender um órgão pra continuar dizendo que te amo, eu venderia...

— Isso sim foi romântico... – Ele sorriu, deixando a mão acariciar meu rosto e respondeu:

— Isso não muda nada. Eu ainda te quero nua. – Eu sorri e encostando a boca ao seu ouvido, sussurrei:

— E eu estou. Esse vestido é tudo o que eu tô usando... – No segundo seguinte, eu estava contra uma parede, com os lábios de Herval contra os meus, me roubando todo e qualquer fôlego.

— E então...? Que surpresa você tem para mim? – Perguntei ofegante, afastando-o de mim. Ele sorriu, segurou minha mão e me mandou fechar os olhos.

— Não vale abrir, hein! – Eu não respondi nada, apenas obedeci e o acompanhei. – Agora a gente precisa subir as escadas.

— Herval... eu vou acabar tropeçando... e se eu cair, eu quebro a sua cara!

— Quebra nada... – A solução não demorou a vir, ele me pegou em seus braços e me levou escada acima.

Com a cara enterrada no seu pescoço para não correr o risco de abrir os olhos, eu sentia o cheiro do seu perfume. Uma essência maravilhosa que há anos não mudava. Era um cheiro que ao mesmo tempo que te entorpece, transforma ele no homem mais irresistível que possa existir!

Nem me dei conta de que já havíamos chegado onde ele queria, até ele me pôr no chão e falar:

— Agora você já pode abrir.

Eu o obedeci e quão grande não foi a minha surpresa! Estávamos lá em cima, no terraço da Plugar, onde tinha-se uma visão agradabilíssima de toda a cidade e a melhor visualização do céu que você possa imaginar.

Era, obviamente, feito tudo no improviso, mas nem por isso deixou de ser cuidado nos mínimos detalhes. O local era iluminado por inúmeras velas, todas as almofadas dos sofás da Plugar estavam espalhadas em determinado ponto no chão, havia umas três garrafas de vinho e duas taças bem junto a este cenário e só depois d’eu passar meus olhos por todo ele e olhar para Herval com um sorriso de canto de boca, ele falou:

— Eu até pense em algo melhor, um jantar mais sofisticado mas acabou que... – Coçava a cabeça, tentando, desajeitadamente, se justificar por algo que eu sequer o cobrei.

— Está perfeito assim...! – Respondi, lhe dando um abraço. – Eu não preciso de sofisticação, eu preciso de você! E essa aqui é uma das surpresas mais lindas que você já me fez. – Vi seus olhos passearem pelo terraço e depois ele sorriu, recebendo um beijo logo em seguida.

Nós dois nos sentamos entre as almofadas e ele abriu uma garrafa de vinho, servindo a ambos. Sabe aquele momento em que a falta de palavras é profundamente bem-vinda? Nossas trocas de olhares diziam muito mais do que os nossos lábios seriam capazes. Então, após alguns goles no vinho, Herval deitou, mirando o céu. Eu continuei do mesmo jeito, desfrutando o momento, meu vinho, e o admirando ridiculamente apaixonada.

Então ele me olhou. Sorriu com doçura e pediu que eu deitasse também. Quando tentei balbuciar alguma coisa, apenas o vi avançar em minha direção. Seu corpo se colocou sobre o meu e sua boca tomou conta da minha como se fora sua propriedade. Não demorou para eu sentir sua mão fazer caminho pelo meu corpo até a coxa. Seus lábios deixaram os meus e foram explorar o pescoço, deixando ali, beijos sensuais que vinham acompanhados de sorrisos e então eu ouvi sua voz sussurrar no meu ouvido:

— Então quer dizer que você está realmente sem nada por baixo da roupa...?

— Quer conferir? – Sussurrei de volta, mordiscando o lóbulo de sua orelha.

— Ainda pergunta? – E então o sorriso que antes era doce, tornou-se sugestivo, safado. Distribuindo beijos por todo meu ombro, tentava descer a alça do meu vestido, quando eu o parei, inverti nossas posições e disse:

— Tá achando que vai ser assim tão fácil, Sr. Domingues? – Ele franziu o cenho, ainda sorrindo. – Você vai ter que provar que merece arrancar esse vestido...

— Provar? Como?

I don’t know... encontra uma maneira. Vou ficar esperando. – Saí de cima dele e voltei a beber meu vinho. Ele me olhou incrédulo, mas divertido.

— Então você quer que eu prove? – Ficou sentado sobre os calcanhares, na minha frente e cruzou os braços. – Eu achei que essa noite romântica aqui, só nossa, já fosse o suficiente, não?

— Pra me conquistar, foi. Mas a conquista não inclui tirar a roupa, querido. É preciso muito mais para convencer Pamela Parker a se despir.

— Mentira, é fácil!

— Como é? – Desafiei.

— Fazer você tirar a roupa pra mim é facinho, facinho. Como tirar doce de criança. – Disse, enquanto segurando-me o tornozelo, tirava o meu sapato. Em seguida, me olhou nos olhos e sorriu. E como se tivesse certeza de que estava inteiramente certo, beijou-me o pé.

— E você pensa que é quem, pra dizer que é fácil? – Empurrei-o com esse mesmo pé que ele beijara. Ele caiu sentado, sorrindo e eu engatinhei em sua direção. – Você nunca roubou doce de criança nenhuma. Aliás, eu acho que você foi o tipo de criança de quem roubavam o doce! – Quando nossos rostos estavam a menos de 4 cm de distância, ele sorriu de modo provocativo e seus olhos miravam minha boca.

— Mas eu já tirei sua roupa. – Sussurrou. – Muitas e muitas vezes... e em nenhuma delas você reclamou. – Parecia que um imã me puxava para ele, algo quase me obrigava a beijá-lo, mas ao mesmo tempo eu queria batê-lo por tamanha pretensão.

— Você joga baixo, sabia...? – Como resposta ele sorriu de lado, deslizou a mão esquerda até minha nuca, agarrando os cabelos, agora curtos, do local e murmurou no meu ouvido:

— Eu jogo do jeito que você gosta. – Fiquei ajoelhada na sua frente e perdi meus dedos em seus cabelos. – Vai dizer que não é verdade...? – Eu me desvencilhei e dei a volta até ficar atrás dele. Pousando as mãos em seus ombros, sussurrei:

— Para falar a verdade, é o jogo que te deixa louco... – Com um beijo em seu pescoço, comecei a puxar sua camisa para cima, até tirá-la. – É o jogo que te excita... – Deixei um beijo em suas costas. – Te provoca... – E mais um beijo. – Aguça a sua imaginação... – Este último, falei abraçando-o por trás e deslizando as mãos por seu peito.

— É... pensando bem, isso é verdade. – Ambos sorrimos e lhe beijando o rosto, cortei o clima voltando a me sentar de frente para ele e enchi minha taça com mais vinho.

— Mas, e aí? Essa surpresinha aqui foi ideia inteiramente sua? – Ele simplesmente sentou cruzando as pernas e também pegou mais vinho.

— Bom, digamos que a Rita teve uma participação grande nisso. – Bebeu um pouco de vinho e continuou: – Ela me pegou sorrindo para o nada e perguntou em que eu estava pensando.

— E em que você estava pensando? – Cruzei os braços.

— Na primeira vez em que a gente ficou junto. – Eu sorri. – Lembra? – Acenei positivamente, dando uma bagunçada no cabelo. – Lá na minha antiga casa... você estava se separando do Jonas...

— Você preparou um jantar romântico na varanda da sua casa...

— Jantar esse que foi uma tragédia! – Lembrou, rindo e por coincidência, nós dois levamos a taça de vinho à boca ao mesmo tempo.

— Nem tanto. A pizza que você pediu depois tava uma delícia. – Ele riu, botando mais vinho para ambos. – Foi uma noite memorável...

— Foi... e foi justamente isso que eu disse à Rita. Naquela noite eu não tinha mais dúvidas de que você era a mulher da minha vida. – Eu sorri comovida. – Daí eu falei para a Rita que eu queria fazer algo como aquela noite pra você e ela sugeriu isso aqui... – Concordei com a cabeça, bebendo um pouco mais de vinho. – Aquela foi uma noite memorável porque foi a noite no nosso “era uma vez...” e eu quero que hoje seja memorável também, porque eu quero que esse seja o início do nosso “e foram felizes para sempre.” — Enquanto falava isso, tirava algo do bolso da calça.

What do you mean? — Perguntei intrigada. Ele sorriu, voltou a sentar sobre os calcanhares e abrindo uma caixinha de veludo azul diante de mim.

— O que eu quero dizer é: você quer casar comigo? De novo? – Nós dois sorrimos. Me fez lembrar da primeira vez que ele me pediu em casamento. E me fez lembrar o dia do casamento. Eu fiquei sentada sobre os calcanhares, assim como ele, e com os olhos começando a marejar, respondi:

— Quantas vezes você quiser ... – Então ele pegou uma das alianças da caixinha e a pôs no meu dedo. Depois que fiz a mesma coisa com ele, me mantive olhando em seus olhos por alguns segundos. Era... hipnotizante.

Eu achava incrível a capacidade daquele homem de ser cada instante mais incrível! Pousei as mãos em seu rosto, acariciei-o por um instante e depois de lhe dar um beijo suave e amoroso, o abracei com todo o carinho e amor que existia em mim. Esse abraço, apertado e caloroso, se estendeu por longos minutos, até ele sussurrar no meu ouvido:

— E aí? Foi o suficiente? – Nos apartamos e eu franzi o cenho questionando-o:

— O suficiente pra quê? – Ele colocou um sorriso divertido na boca e falou:

— Pra eu merecer tirar teu vestido. – Arqueei as sobrancelhas e abri a boca sem saber por onde começar a xingá-lo, e ainda que sorrindo, comecei:

— Ora, seu... seu safado! – Comecei a soca-lo, ainda que de brincadeira. – Seu sem vergonha! Você não presta sabia? – Ele só ria, tentando se defender. – Fez esse teatrinho todo só pra isso?

— Você que mandou eu provar! – Eu prosseguia sorrindo, xingando-o e socando-o. – He-hey! Para! – Ele achava aquilo cada vez mais engraçado. – Olha, Pamela...! Você vai acabar batendo pra valer!

— É a intenção! Seu... idiota! – Ele conseguiu segurar meus pulsos.

— Olha lá como fala comigo, mocinha!

— Me solta! – Eu relutava, puxando os braços, mas ele não soltou. Apenas ria mais e mais se divertindo.

— Vem cá, ferinha... eu sei como te acalmar...

— Não! – Continuei encenando relutância, mas ele segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou cheio de vontade, do jeito que doma qualquer uma. Menos eu.

Voltei a lhe bater, tentei empurrá-lo, mas cada vez que eu o afastava, mais ele intensificava o beijo. Seus braços prenderam meu corpo contra o seu e ele me beijou apenas com ainda mais ousadia. Em resposta, eu o mordi. Só assim ele parou, me olhou e sorriu provocativo.

— Ah, é assim, é...?

— É! – Confirmei. Isso só o fez rir mais.

— Tá certo... – Herval voltou a me beijar de surpresa, mas dessa vez a tática foi outra. Foi um beijo intenso, mas calmo. Era como fazer poesia com os lábios.

A seguir ele passou para o pescoço. Sua respiração e seus beijos quentes ali quase me fizeram estremecer. E antes que eu pudesse impedir, suas mãos arrancaram meu vestido. Quando tentei reagir, ele segurou minhas mãos e as manteve presas atrás do meu corpo. Este, por sinal, já despido, foi de encontro ao seu, que por sinal, fervia.

— Dá pra me soltar? – Ele abriu um sorriso largo e sussurrou:

— Pedido negado. – Em seguida, tomou meus lábios para si novamente. Para não dar o braço a torcer eu tentei me desvencilhar mais uma vez. Esperneei, mas era inútil, até porque eu não queria ser solta.

De repente fez-se ouvir um estrondo que assustou a nós dois. Só foi o tempo de nos olharmos uns 3 segundos, porque no 4º, o céu desabou sobre nossas cabeças em forma de água.

— Ah... qual é...? – Lamentou. – Vamos sair daqui. – Levantou-se e tentou me puxar, mas eu não saí do canto.

— Que sair daqui? Tá louco? – Sorri e o trouxe de volta. – Agora é que a noite está completa...

Notas finais
Até logo!