Notas iniciais
Well, esse capítulo está bem menor que os últimos que eu tenho postado, então aproveitem kkk porque eu pretendo rechear os próximos! enjoy! '3'

Por Pamela:

Eu estava deitada numa cama de hospital e estava em pé ao mesmo tempo. Tive até uma sensação de dejavu! Aquilo estava se repetindo... eu não podia simplesmente morrer? Partir dessa para uma melhor? Precisava mesmo ver meu corpo receber descargas de 100, 200, 300 joules?

— Pamela? – Uma voz ecoou atrás de mim. Virei-me instantaneamente deixando de mirar a mim mesma, para mirar aquela figura que há muito tinha deixado de me fazer companhia... daddy.

Eu não disse uma palavra! Apenas uma sensação ainda mais maravilhosa tomou conta de mim e eu corri para os seus braços que me aconchegaram de uma maneira sobrenatural! Daddy estava sereno, sorridente, iluminado! E era assim que eu queria ficar a partir daquele momento. De seu abraço reverberava um calor amoroso do qual eu senti tanta falta... não queria abandona-lo jamais! Só queria sentir aquela sensação de estar sendo protegida...

I miss you, daddy...! – Sussurrei inundada de saudades. Ele acariciou meus cabelos e então me afastou de si dizendo:

I miss you too, my princess... mas eu estou sempre com você...

— Agora, principalmente! Vou ficar pra sempre ao seu lado...

— Não agora, Pamela... você precisa voltar.

— Não preciso não. Eu posso te acompanhar agora, daddy... todos sabiam que isso aconteceria e eu estou bem assim, I’m fine here! Eu quero ficar com você...! Chega de viver, eu estou cansada, daddy...

— Sua missão na terra ainda não foi totalmente cumprida, Pamela. Você não pode abandoná-la na metade.

— I don't care...! A sensação que estou sentindo agora é maravilhosa demais para eu abandonar... chega de traumas, de doenças, de brigas, de sofrimento... chega de viver! Agora é a minha vez de ter paz.

Listen, você se reconciliou com o seu grande amor, acabou de ter uma filha dele e tem mais dois que precisam de você. Tem um mundo aos seus pés e tem uma felicidade sem tamanho te aguardando.

Daddy... eu já me decidi...! Aceitei o meu destino...

— Não completamente. – Outra voz ecoou, esta, feminina. Aquele rosto angelical e sorridente não me era estranho. Olhos de um mel quase completamente amarelos me olhavam profundamente como que vasculhando meu interior. E um repousar de mão delicado sobre o meu rosto, fez estremecer meus alicerces! Eles se entreolharam e ela sorriu para mim. – Lembra-se de mim, meu doce?

Eu olhei para ela assustada, olhei para daddy, que acenou positivamente e senti lágrimas resvalarem pelo meu rosto. Ela abriu os braços me chamando para si e eu apenas não resisti. Atirei-me em seus braços chorando como chorei no dia em que soube que ela havia morrido. Branca Mendes. Minha mãe. Sim, era mommy! Ela me envolveu completamente e sussurrou com uma voz soante:

— Eu senti muitas saudades de você, meu bem... – Eu a apertei mais e da minha boca, inevitavelmente saíram as palavras que eu não pude dizê-la antes que morresse:

I love you so much, mommy...

— Eu também te amo muito, minha filha... e eu adoraria cuidar de você por toda a eternidade, mas você precisa voltar.

No.

— Meu bem, ouça: você não quer morrer e sabe disso. Você ainda tem muito amor para dar! Lembre-se o quanto sofreu quando eu me fui... você realmente quer que seus filhos passem por isso também? – Neguei abaixando a cabeça. – Você é mais forte do que pensa, minha menina... e está cheia de vida! É tão jovem... tão linda... tem um amor tão grande te esperando... não deixa isso para trás por cansaço. Eu deixei e me arrependi por todo esse tempo. Estou aqui para evitar que você cometa o mesmo erro que eu. – Ficamos em silêncio por alguns segundos e então ela voltou a me abraçar. – Me perdoa, Pamela... eu não devia ter te deixado, mas agora eu estou de volta com você... cada vez que você pegar aquele violão, saberá que eu estou ao seu lado. Cada vez que você olhar para os seus filhos, lembrará do meu amor por você. E é porque eu te amo que eu te peço: não desiste de viver... volta para sua família, volta pro seu marido...! Ele tá lá fora desesperado. Dá a ele mais uma chance de receber o teu amor e permita-se receber o dele, porque é muito grande...

— Mas se eu voltar, não vou poder mais te ver...

— Vai me sentir! E isso é muito melhor... – Olhei para daddy e ele apenas assentiu com a cabeça segurando a mão de mommy.

— Agora nós precisamos ir. E você também! Você não tem muito tempo, vai! – Daddy disse.

— Volta pro seu lugar, volta pra tua história que ela ainda não acabou. Nós te amamos, não se esquece disso. – E ambos me abraçaram. Foi como virar criança de novo. Aquilo restaurou tudo o que me foi arrancado. Eu me senti tão leve que parecia querer voar.

Foi então que senti uma pressão sobre meu corpo. Uma espécie de imã me puxando para a cama. E cada vez mais forte, um incômodo no tórax. E foi de repente! Como um empurrão, que eu estava em cima da cama again. Senti uma quantidade de ar exacerbada preencher meus pulmões e uma gritaria dizendo “ela voltou! Ela voltou!” ao meu redor. Minha visão estava embaçada e eu só podia enxergar vultos verificando coisas ao meu redor e em mim mesmo.

— Herval... – Sussurrei antes de fechar os olhos gradativamente e cair num sono sossegado.

Por Herval:

— Ela resistiu, Sr. Domingues! – Eu estava no auge do meu desespero quando o médico revelou. Dorothy se achegou, agitada e eu questionei-o:

— O que? – Não acreditei que estava falando aquilo. Ela alegria demais pra um só coração!

— Sua mulher sobreviveu! Ela está viva! Foi muito difícil, tivemos que usar o máximo de voltagem no desfibrilador, eu cheguei a pensar que a perderíamos, mas no último momento o coração dela deu sinal. Foi... incrível! Realmente mágico, eu não sei como isso foi possível... – E um sorriso do tamanho da via láctea inundou meu rosto. Dorothy me abraçou emocionada e eu enxuguei minhas próprias lágrimas que não consegui evitar.

— E como ela tá agora? Eu posso ver a Pam? E-e-ela tá acordada?

— Nós fizemos uma série de exames e constatamos que está tudo bem. É claro que ela vai precisar passar uns dias aqui, mas não há ameaças para a vida dela. A Sra. Parker só vai precisar de repouso e de alguns cuidados, mas logo, logo poderá voltar à vida normal. Nós a colocamos num quarto e agora ela está dormindo. Se quiserem ir vê-la, podem, mas um de cada vez... – Eu e Dorothy assentimos e ela concordou que eu fosse primeiro.

Eu não podia acreditar! A cada passo que eu dava em direção ao tal quarto, uma nova lágrima escorria pelo meu rosto. A cada centímetro mais perto dela, mais o meu coração saltitava dentro do peito! Eu não podia mensurar a felicidade que estava sentindo. A ideia de perder a Pamela me fez rever tantas coisas, tantos pensamentos... tantas atitudes minhas. E eu jurei que se ela saísse daquela eu dedicaria a minha vida a fazê-la feliz! Deus estava me deu essa chance e eu não a iria desperdiçar. A partir daquele momento, as nossas vidas se transformariam completamente!

Segurei a maçaneta da porta do quarto e com o coração cheio de amor e alegria, abri a porta.