Notas iniciais
Hi guys!! Aqui vai mais um capitulo. Bem, hoje é o aniversário de alguém muito especial! Parabéns Sophie Carsifur, esse dia não pode passar em branco nessa fic, né? Kkk Você faz parte da alma dela! Então, por isso, hoje eu quero te dedicar esse capítulo! Não é um presente super fantástico, mas é a forma que achei para te mostrar a alegria e o orgulho que tenho de ser sua f.r.i.e.n.d e parceira de fic ;) Obrigada por tudo, companheira! Te desejo muitos anos de vida e muita alegria! Sinceramente eu acho que nada disso seria a mesma coisa sem você... Parabéns again! ♥

Por Herval:

As coisas não andavam fáceis... eu não conseguia levar a minha vida adiante. As aulas na Plugar não podiam parar, mas se tornavam desgastantes para mim, e eu também não podia deixar meu filho na mão, isso é mais que evidente, mas só eu sei o quanto doeu as várias noites que eu deitava na cama e tentava fechar os olhos. Meu corpo já tinha se acostumado com a cama da Pam, ele tinha se adaptado facilmente porque tinha o cheiro dela... e ele me relaxava. Agora, o único cheiro que eu sentia era o do amaciante que Margarida usava para lavar as roupas de cama.

Doeu as várias noites, porque eu não ouvia mais um “good night” rouco ao pé do ouvido, nem recebia um beijo para ter bons sonhos. E doeu ainda mais ao relembrar, em todas essas noites, que eu nunca mais a teria de volta. Sabe o que era ainda pior? Saber que eu havia sido o culpado por aquela situação... e que não podia fazer nada para resolver.

Certa noite, Joaquim tinha ido para a mansão, era a vez d’ele ficar com a Dorothy; eu entrei no quarto depois de um dia exaustivo na Plugar. Tirei a camisa e joguei em um lugar qualquer, daí dei aquele suspiro que a gente resgata lá das profundezas do âmago e olhei para o lado. Foi como rasgar o peito mais uma vez. A papelada do divórcio estava lá, em cima da minha cômoda. Intacto. Contendo apenas a assinatura da Pamela. Sabe qual foi a minha vontade? Pegar toda aquela porcaria e rasgar, picar em pedacinhos minúsculos e engolir tudo, para não restar chance d’aquilo virar realidade!

Mas o máximo que eu consegui fazer, foi dar um outro suspiro e ir o mais depressa possível para o banheiro. Eu tinha que assinar aqueles papeis, mas não estava preparado ainda. Era como uma criança recém-órfã, que acredita que seus pais foram fazer uma longa viagem, mas que voltarão. Nosso divórcio representava a morte, Pamela, os pais, e eu, a criança inocente... eu me repetia “não, Herval! Agora acabou”, inúmeras vezes, até acreditar. Mas para o desespero do meu coração, eu não acreditava nunca.

E com o passar dos dias, eu comecei a alimentar uma raiva enorme, tanto de mim, quanto da Pamela. Ok, eu tinha errado, mas ela também não saía ilesa dessa história! E mesmo depois d’eu implorar seu perdão e repetir várias vezes que a amava, ela ainda sim quis levar o divórcio adiante. Ela estava destruindo de vez a minha felicidade! Eu tinha pelo menos o direito de culpa-la um pouquinho, não? Afinal, ex-mulher é feita para isso, para sentir raiva! E falar mal também.

Por Pamela:

— E então? O que tinha para me dizer de tão importante? – Marquei um encontro com o Richard para a tarde do dia seguinte em que encontrei Megan. Nós estávamos numa praça. Um lugar muito bonito, com poucas pessoas, ventava muito e o chão estava repleto de folhas secas. As árvores grandes todas desfolhadas e o céu todo fechado de nuvens. Estávamos no outono.

— É uma pergunta que eu quero te fazer...

A question...? — Cruzei os braços, curiosa.

Yes. Promete que vai pensar com carinho sobre ela? – Ele me parou, tirei minhas duas mãos dos bolsos do sobretudo e ele as segurou. Olhava profundamente em meus olhos, e aquela demora já estava me deixando com medo.

Yeah, I promess... mas diga logo, que está me deixando curiosa. – Ele sorriu de canto e abaixou a cabeça por um instante. Depois soltou um suspiro, que veio acompanhado daquele vapor condensado que aparece quando respiramos e está muito frio. Então voltou a me olhar. Talvez estivesse formulando as palavras.

— É que... bem, Pamela, você sabe, eu sou...

— Fala de uma vez, se for algo ruim...

— N-não... não é algo ruim... pelo menos, eu acho que não.

— Então o que é? Seja o que for, pode falar... sou sua amiga, remember?

— É sobre isso. – Franzi o cenho completamente confusa.

— S-sobre eu ser sua amiga? – Ele confirmou. – E o que é que tem isso?

— Eu não quero que seja mais. – Franzi o cenho ainda mais e tentei balbuciar alguma coisa, mas eu realmente não estava entendendo, então nenhuma palavra saiu, até que ele continuou: – Eu não quero que você seja minha amiga, entende, Pamela? E-e-eu não acredito em coincidências, foi o destino que colocou você na minha vida de volta e me mostrou o quanto eu fui tolo em deixa-la ir embora uma vez. Eu não vou ser idiota e deixar você fazer isso de novo... – Pousou a mão no meu rosto, depois de colocar meu cabelo para trás da orelha. – E-eu te amo, Pamela. E quero que namore comigo. Era essa a pergunta... v-v-você quer namorar comigo?

Meus olhos se esbugalharam instantaneamente e eu segurei sua mão em meu rosto, tentando digerir aquela revelação e tentando acreditar na pergunta que fizera. Olhei em volta e uma ventania se fez presente. E-eu não sabia o que responder! Sabia que a vida continuava, mas não tinha tirado Herval de dentro e mim; sequer tínhamos consumado o divórcio! Como namorar Richard?!

— R-Richard, eu... eu não sei o que dizer... e-e-eu não sei o que te responder. – Gaguejei. Ele sorriu desajeitado e segurou meu rosto com as duas mãos.

— Foi o que eu imaginei. Por isso pedi que prometesse pensar com carinho. Sei que está saindo de um casamento, sei que é algo muito recente, mas eu quero te fazer feliz! Sem querer ser pretencioso, eu posso te fazer sorrir de novo.

— Você já tem feito... não faz ideia do quanto tem sido importante para mim, esses dias...

— Então me deixa multiplicar esse sorriso, deixa...? – Grudou nossas testas e ambos fechamos os olhos.

— Rick... eu não posso...!

— Pode, pode sim, é só querer. – Suas mãos continuavam segurando meu rosto e agora seus olhos verdes fitaram os meus. – Promete mais uma vez que vai pensar com carinho?

— Eu... eu...

— Promete? – Insistia.

— Prometo. Mas eu não sei quanto tempo isso vai durar.

— Por você eu espero o tempo que for preciso. – Sorriu docemente e depois de depositar um beijo na minha testa, foi embora à passos lentos, sem olhar para trás. O vento bagunçava meu cabelo e eu fiquei por um bom tempo ali. Abismada.

...

Por Herval:

— Sim, mommy, eu tenho feito tudo direitinho, não se preocupe. – Já fazia quase um mês que a Pamela estava na Califórnia e ligava quase toda hora para o Joaquim. Aquilo era uma tortura para mim, porque eu precisava me segurar para não atender o telefone. E ainda tinha que continuar alimentando a minha raiva por ela, só assim eu a esqueceria. Transformando todo o amor que eu sentia, em ódio! — Eu também tenho ajudado o papai na Plugar! As outras crianças são muito legais! – Devia ser umas 20h45min. estávamos os dois assistindo TV quando ela ligou. Ele desviou sua atenção completamente e eu fixei ainda mais a visão na programação. – E-ele tá bem... anda meio pra baixo, meio irritado, mas a gente dá um jeito nisso.

— Eu já disse para não falar de mim para a sua mãe, Joaquim... – Murmurei. Visão na TV, mas ouvidos bem atentos à ligação.

— Não, na verdade, a tia Rita tem aparecido pouco por aqui. O “a gente” que eu tô falando é eu e a Margarida, ela é a...

— Me dá esse celular aqui! – Tomei-o dele, antes que concluísse. – Pamela? Por que diabos você... Pamela? Pamela! – Joguei o celular em cima do sofá. – Ela desligou na minha cara...! – Joaquim me olhou de lado e acenou reprovando meu ato.

— Você ouviu o tom da sua voz quando falou com ela? Assustou até a mim, que já estou me acostumando com esse mal humor... quanto mais a mamãe?! – Ok, eu fui um babaca, pode me crucificar! – Ela só queria saber se você estava bem...! Viu só? Agora não posso me despedir dela... – Desceu do sofá emburrado e correu para o quarto.

— Joaquim! Joaquim! – Tentei correr atrás, mas ele bateu a porta antes que eu pudesse lhe alcançar.

— Devia ligar para ela... – Sugeriu Margarida, aparecendo na sala com a bolsa no ombro para ir embora.

— Ela não vai me atender! – Deu de ombros.

— Então esqueça que ela existe. Se não quer que ela saiba de você, tudo bem, mas não precisava fazer aquilo...

— E-e-eu perdi a cabeça... – Me joguei no sofá. Ela fez uma careta e tocou a maçaneta da porta.

— É, eu sei. E isso já vai fazer um mês...

Por Pamela:

— O que houve? Por que desligou o celular tão e repente? – Katy me questionou. Eu estava em choque. Tinha acabado de chegar de meu passeio com Richard e havia ligado para Joaquim a fim de esvaziar a mente. Quando imaginaria que Herval fosse tomar o celular do garoto e vir falar comigo?

— Ele... ele... – Ela franzia o cenho. – Era a voz dele...

— Do seu filho? – Neguei com a cabeça.

— Do pai dele. Herval estava alterado... ele... ele está bravo comigo...!

— Por que?

I don’t know... ele não deixa que Joaquim fale dele para mim e agora isso.

— Como está se sentindo?

— Eu não sei...

— Quer que eu prepare um banho? – Acenei que sim para que me deixasse sozinha.

...

— Eu sabia que não era só um velho amigo... – Megan vibrava. No dia seguinte, antes de ir para a consulta com a Dra. Bankoff, passei no hotel para conversar com Megan.

Stopped, Megan! Nós namoramos quando jovens, mas isso não importa agora! Estamos diferentes! O que importa é que ele está me pressionando e eu não sei o que fazer.

— O que sente em relação a ele?

— Eu não sei... lhe tenho muito carinho, mas não sei se pode se transformar em amor.

— E o que sente em relação a Herval?

— Não posso dizer que... sou totalmente indiferente, ele ainda mexe comigo, mas... Herval para mim é passado! Não tem mais volta, ele me odeia, Megan! E eu já assinei o divórcio!

— Se não tem mesmo volta, o que está esperando para agarrar esse Richard Trainor aí? Você pode não ter esquecido Herval, mas não pode sofrer por ele eternamente! Esse cara do seu passado pode ser a chave para o seu problema, mom! Dê uma chance a ele! Se não der certo, é só abrir o jogo, falar que não quer mais... – Abaixei a cabeça e ela suspirou. – Hey! Você é Pamela Parker, uma mulher forte e que merece ser feliz, right? Se a vida está te dando uma nova chance, não a desperdice. Vai fundo!

...

Well, pelo que vejo, você tem avançado bastante nesse tratamento. A imagem da sua mãe ainda vem com frequência quando toca o violão?

— Não, só às vezes, mas eu não sinto mais aquela vontade absurda de chorar. – Respondi a Dra. Jennifer. – Só sinto... uma enorme saudade. – Ela sorriu e disse:

— Muito bem! Continue exercitando, mas agora partiremos para outro trauma.

— Qual?

— Bem, de acordo com as minhas anotações, acho melhor partirmos para seu divórcio. – Eu tinha acabado de tomar um pouco de água e quase pus para fora de novo. Ela percebeu meu desconforto e tentou explicar. – Eu começo dos mais fáceis para os mais difíceis. A morte da sua mãe foi algo menos difícil de lidar, porque você só precisava afastar um fantasma da infância e tem maturidade para isso. O divórcio é algo recente, mas menos complicado e também urgente. Eu percebo o quanto isto está te incomodando e é isso que vamos trabalhar. Os outros traumas são bem mais complicados, foram torturas, acidentes, ameaças, foram emoções à flor da pele! Esses eu preciso tratar com extremo cuidado. – Acenei positivamente. – Agora você vai me dizer tudo o que sente em relação ao seu ex-marido e o que acha que ele sente em relação a você, okay? Let’s go!

— Bom... não sei se é coincidência, but, eu respondi algo parecido para minha filha hoje cedo... mas eu não sei exatamente o que responder. Eu não sei o que sinto em relação a Herval... sei que nossa história acabou e eu fico muito triste por isso, mas também sei que esse não é o fim o mundo. E-eu o amei demais! Digo com convicção que foi o homem que mais amei na vida, mas agora estamos longe... eu não o vejo há um bom tempo, não sei como está, só sei que me odeia. Transformou todo amor em raiva! Eu acho que ele nunca mais vai querer me ver na vida. Ele não é mais o homem por quem me apaixonei e isso me faz ficar numa sinuca de bico! Porque não sei se lidasse com ele agora, continuaria lhe amando, ou passaria a lhe odiar também.

— E você gostaria de pagar para ver? – Refleti um pouco. Eu já estava farta de sofrer. Minha conversa com Megan martelou na minha cabeça de repente. Talvez só saudade restasse do meu sentimento por Herval, e uma mágoa grande também... eu não tinha como saber exatamente, mas não queria pagar para ver.

— Não.

— Pois bem. Os sentimentos estão confusos, ok, isso é normal. Então eu sugiro que escreva, escreva tudo o que vier à mente sobre vocês dois, e várias vezes durante alguns dias. Depois leia. Saberá o que fazer depois disso.

...

Eu cheguei em casa e fui direto para o quarto. Para o meu quarto. O violão estava em cima da cama. A voz de Megan e a de Jennifer pairavam na minha mente. Eu me sentia cada vez mais confusa e me sentia tonta. Sentei na cama e peguei o violão. Sem que eu desse conta do que estava fazendo, comecei a dedilhar algumas notas. Não era nenhuma música já conhecida, era algo sem compromisso de produzir algum som agradável, só estava tentando me distrair, e de repente a minha voz queria libredade:

I've loved you

I thought it would be forever

I faced God and the world for you

And my reward

it was suspicious

I do not want this to me

I will not suffer for you

Our history has come to an end

It's time for me to live.

(Eu te amei

Achei que seria pra sempre

Enfrentei Deus e o mundo por você

E minha recompensa

Foi desconfiança

Não quero isso para mim

Não vou sofrer por você

Nossa história chegou ao fim

Chegou a hora de eu viver.)

Meus dedos sossegaram, minha voz se recolheu, uma lágrima desceu e o vazio foi tão intenso dentro de mim, que eu achei que fosse morrer, mas então meu celular tocou. Em sua tela, a resposta para a pergunta que eu estava me fazendo interiormente: Richard Trainor.

Notas finais
Bye! '3'