Notas iniciais
Hi, guys! Bom, tentei ser rápida e aqui está mais um capítulo. Skyscraper é o tema da vez! https://www.youtube.com/watch?v=r_8ydghbGSg Boa leitura!

Por Herval:

Eu cheguei na minha antiga casa, um trapo. Sequer dei sinal de vida para a Rita. Não queria ninguém me enchendo, dizendo que eu estava enlouquecendo ou algo do tipo. Tudo o que eu precisava era de um banho e de uma longa noite de sono. Minha cabeça estava cheia e os meus olhos vermelhos de tanto chorar.

Em todos os anos do meu casamento com Pamela, eu nunca dei um rumo à minha casa. Nunca vendi, nem aluguei. Na verdade, ela só serviu para guardar algumas coisas da Plugar que não usávamos mais, mais nada. Agora eu tinha que dar um jeito em tudo para poder ficar lá.

Joguei a mala em cima da cama e voltando para sala, olhei em volta. Tudo estava tão empoeirado, bagunçado... acho que o banho teria que esperar! Tirei a camisa, peguei a vassoura, o espanador e esperei que tudo ali, dentro de algumas horas, estivessem em seu devido lugar.

Eu tirava a poeira dos móveis, espanava o sofá, que mesmo coberto ainda pegou uma boa quantidade de poeira, varria a casa, juntava algumas tralhas num canto, mas nada disso fazia a minha mente sair de Pamela; ou melhor, daquela cena que eu vi na Parker TV! Estava suado, cansado e morrendo de calor, mas absolutamente nada me fazia esquecer!

A minha vontade era de simplesmente ir atrás do Ernesto e socar a cara dele até o idiota perder todos os dentes, mas no máximo, o que eu fiz foi juntar todo o lixo numa imensa sacola no fim da arrumação, e colocar na frente de casa para a coleta de lixo pegar. Já era noite e parecia passar das 18h00min.

— Herval?! O que você tá fazendo aí? – Rita, que passava com uma sacola na mão, me avistou e veio até mim.

— Saí de casa, Rita. – Falei encurtando papo e ela arregalou os olhos.

— Como é que é? – Ela já foi logo entrando e afirmando: – Você vai me esclarecer essa história direitinho agora!— Sentou-se no sofá, colocando a sacola ao seu lado e cruzando os braços.

— Rita, agora não, por favor... eu preciso tomar um banho... passei a tarde toda arrumando isso aqui...

— Então pretende mesmo ficar? O que aconteceu com você e a Pamela?

— Eu peguei ela e o Ernesto se beijando na Parker.

— O que?!

— É isso mesmo que você ouviu, não me faz repetir...

— I-isso é impossível, Herval! N-naquela hora que você saiu da Plugar todo animado? – Confirmei com a cabeça. – E você saiu de casa por causa disso, sua anta?! – Ela me dá um tapa no braço, indignada. – Você sabe que o Ernesto sempre foi apaixonado pela Pamela! Nunca passou pela sua cabeça que ele poderia estar forçando uma barra?! Que ele poderia ter pegado ela de surpresa?!

— Foi o que ela me disse... – Ela arqueou as sobrancelhas como quem diz: “Está vendo? Eu tenho razão e você fez merda!”— Mas não é tão simples assim, Rita... a gente já não anda bem há muito tempo... esse beijo foi mais um... um empurrão final.

— E-eu não tô entendendo nada, Herval.

— E você acha que eu estou?! É justamente esse o problema, Rita! Eu e a Pamela, a gente se perdeu... algo deu errado no meio do caminho e a gente não consertou a tempo.

— Não fala assim... vocês vão se entender... – Disse, se levantando e passando a mão no meu rosto. Eu desviava o olhar para evitar chorar com a lembrança da minha briga com a Pam e Rita então voltou a falar: – Bom, agora eu preciso ir, que o Dante e o Matias estão me esperando para jantar, mas amanhã a gente volta a conversar? – Confirmei. – O casamento de vocês não vai acabar assim... – Eu não respondi nada. Só abaixei a cabeça, recebendo um beijo no rosto e ela foi embora.

Eu, de repente, sentia vontade de explodir ou de sair quebrando tudo! Mas não podia simplesmente destruir tudo o que eu havia acabado de ajeitar! A minha única opção foi ir direto para o chuveiro. Lá eu poderia pensar melhor em tudo aquilo.

(...)

No fim das contas eu não consegui dormir à noite inteira. Estava inquieto e desarrumei toda a cama, me remexendo sem parar. Bastava eu fechar os olhos e flashes de todo o dia passava na minha frente: O beijo, os rostos deles surpresos em me ver, a tentativa de se explicar, eu saindo correndo, a voz de Pamela me chamando para conversar, a moto que eu quase atropelei, enquanto tentava fugir dela, a nossa discussão, o tapa que ela me deu, o beijo que eu senti vontade de lhe dar e colocar um fim naquela briga... a minha mala fechada, o meu adeus e as nossas lágrimas. Não dava para dormir! Eu só pensava nela; só nela...

Por Pamela:

Joaquim me olhava curioso. As mãozinhas presas às alças da mochila e os olhinhos castanhos esperando uma resposta minha.

Darling, acho melhor a gente ir, caso contrário, vai se atrasar para a aula, han! – Dorothy tentou despistá-lo, mas eu não podia ficar adiando aquela conversa. Quanto antes a tivéssemos, melhor!

No, Dorothy, deixe, eu... eu vou conversar com ele um instante. – Sorri fraco para ela, que assentiu e se retirou, fechando a porta delicadamente. Por sorte já havia tirado todo o cristal estilhaçado do chão; e então ele sentou-se na cama me olhando abismado.

— Você e o papai brigaram de novo? – Perguntou-me, doce, e eu quase me derreti em lágrimas naquele mesmo instante, mas segurei o choro, com um nó na garganta.

Yeah...

— Mas depois vocês se entendem! Sempre se entendem! – Disse, procurando se/me animar.

— Dessa vez não é tão simples assim, my prince...

— Por que não?

— Você ainda é muito pequenininho para entender, mas... há motivos pelos quais a gente briga, que não deixa a gente fazer as pazes, entendeu?

— Mas vocês não se amam? – Disso eu não tinha dúvida.

— Muito, meu filho... – Senti meus olhos marejarem e lhe acariciei os cabelos que caiam sobre a testa.

— Então por que não podem fazer as pazes? O mais importante de tudo não é o amor? Não é isso que vocês me ensinam, like, ever? – E uma lágrima desceu queimando meu rosto.

Yeah... o amor é mais importante que tudo, e é justamente para preservar esse amor, que a gente não pode fazer as pazes, Quim... pelo menos não agora. – Ele ficou de joelhos na minha frente e elevando uma mão até meu rosto para enxugar as lágrimas, disse:

— Você tá me confundindo um pouco, mas eu vou relevar. Adultos são muito complicados.— Ele fez uma careta que me arrancou um sorriso. – O que importa é que você é minha mommy e ele, o meu dad! E vão fazer as pazes... – Joaquim então me deu um abraço apertado e eu pude envolver seu pequenino corpo em meus braços. Era bom tê-lo ali; me mantinha forte. Ele desceu da cama e disse: – Quando eu voltar da aula, faço o papai pedir desculpas.

— Joaquim... seu daddy... ele... – Como eu diria que Herval não estaria em casa para abraça-lo quando voltasse da aula? – Ele vai precisar ficar uns dias sem dormir aqui em casa... e sem vir aqui...

— E onde ele vai dormir?

— Eu não sei, dear... não sei... – Respondi com pesar. Ele abaixou a cabeça, triste, e isso foi como uma faca no meu coração. – Mas talvez você possa pedir para Dorothy te levar na Plugar! Ele com certeza estará lá! – Ainda triste confirmou e depois de me dar um beijo no rosto, quase sem nenhuma vontade, saiu do quarto de cabeça baixa.

(...)

Por Herval:

Eu havia ido para a Plugar forçado. O trabalho com as crianças sempre foi o que me alegrou, mas Pamela estava em tudo! No meu escritório, na sala de aula, na quadra, até na cabeça das crianças que não paravam de perguntar por ela.

— Eu acho que você fez uma grande besteira... – Disse Rita, enquanto fechávamos tudo, no fim da tarde.

— E eu concordo com a tia Rita. – Me virei subitamente, para avistar Joaquim correndo em minha direção, e Dorothy saindo do carro.

Hey garotão! Como é que foi na escola e no violino hoje, hein? – Lhe dei um abraço apertado e tentei desconversar.

— Volta para casa, papai! – Falou, não me deixando fugir do assunto.

— Não dá, Quim... – Respondi, depois de eu, Rita e Dorothy nos entreolharmos.

— Por que não dá? A mamãe quer que você volte! Ela só não quer admitir...

— Não é tão simples assim, meu filho... – Ele revirou os olhos e se desvencilhou de mim.

Yeah... tem motivo que não deixa vocês fazerem as pazes... – Parecia dizer mecanicamente e irritado, com se alguém o tivesse feito gravar aquilo. – Esse motivo é uma droga! — Esbravejou e correu para o carro, passando as costas da mão, nos olhos.

— Joaquim! Joaquim! – Berrei, querendo ir atrás, mas Rita me impediu.

— Deixa ele. É normal... ele acreditava que o casamento de vocês era eterno, no entanto...

Excuse me. — Dorothy se despediu, sem nem mesmo nos falar nada, e foi embora. Eu queria saber alguma coisa da Pam, mas... não tive coragem de perguntar. Meu filho estava me odiando, sem dúvida!

Por Pamela:

No dia seguinte, a vontade de levantar da cama era zero! Minha cabeça doía como se eu tivesse batido ela na parede pelo menos umas 20 vezes e eu estava espiritualmente acabada.

Havia tido mais uma noite de insônia e dessa vez, de muitas lágrimas durante a madrugada. Eu simplesmente não podia aceitar que o meu casamento tinha acabado e Joaquim mal falou comigo depois que voltou da aula. Madrinha tentou me animar, dizendo que Megan estava para chegar, mas nem a chegada da minha little baby me animava. Faltava sempre um pedaço. Um pedaço de mim, um pedaço do meu dia... Joaquim andava tristonho e isso só me deixou pior e mais culpada.

— Dorothy, eu vou à Marra! – Falei, era aproximadamente 11h30min e eu ainda estava na cama.

— Eu já falei que você não vai trabalhar, Pamela Parker!

— E não vou mesmo! Só que eu sinto que só vou me sentir um pouco mais leve depois que falar tudo o que ficou engasgado aqui, para o Ernesto.

— Prefere que eu vá com você?

No, não precisa. Edmilson me leva. Eu sei me cuidar. – Me arrumei e nem comi nada. Chamei o motorista e fomos depressa para a Marra.

Chegando lá, subi até o andar da minha sala e ali perto, conversando com alguém, estava aquele que arruinou meu casamento e estava fazendo meu filho me detestar. Ao perceber a minha presença, me olhou meio desconfiado e lhe lançando um olhar fulminante, caminhei para minha sala. Ele entendeu o recado e me seguiu.

— P-Pamela, me perdoa, eu...

— Para início de conversa, é: chefe! Boss! Mrs. Parker! Como preferir dos três. – Lhe interrompi. Ele franziu as sobrancelhas e confirmou.

— Desculpe, seu só queria... – Lhe interrompi mais uma vez:

— De agora em diante, você, caso ainda queira trabalhar na Marra, será meramente o diretor de vendas nessa empresa. Nada mais! Para qualquer problema, comunique-se com Murphy ou com qualquer outra pessoa! Você não é mais meu braço direito, Ernesto, perdeu completamente a minha confiança e só dirigirá a palavra a mim, de agora em diante, quando realmente for necessário, estamos entendidos?!

— Mas Pamela, nós somos amig...

Stopped! Mrs. Parker, entendeu? – Confirmou abaixando a cabeça. – E eu não sou amiga de pessoas que destroem a vida alheia.

— Não me diga que...

Yeah! Parabéns, Ernesto Avelar! Satisfeito?! Você conseguiu destruir o meu casamento por conta dessa sua fixação idiota! E agora Joaquim mal fala comigo por sua culpa! Eu estou sendo profissional. Não posso e não vou demiti-lo por um motivo pessoal, no entanto, não quero que dirija a palavra a mim, não me olhe, nem me toque! De preferência, nem respire o mesmo ar que eu!

— Me desculpa, eu não queria fazer isso, eu...

Mas fez! Fez e não há como reparar o dano! Um pedido de desculpas não vai levar Herval de volta para casa e nem vai apagar tudo o que dissemos um para o outro! – Ele abaixou a cabeça e eu suspirei, tendo desengasgado todas aquelas palavras. – Agora saia da minha frente.

Notas finais
Continua...