Notas iniciais
Oi, oi, gente! Boa leitura!

Por Herval:

–Algum problema, sweet...? – Pamela se aproximava e mim, não quis lhe preocupar.

–Não, não é nada demais, Pam... só uns probleminhas na Plugar... – Voltei a falar com a Rita. – Rita, olha só, eu vou ver se esses documentos não estão por aqui e daqui a pouco chego aí, tá bom?

–Beleza, Herval... espero que esteja, porque senão, não sei o que pode acontecer com a Plugar! – E desliguei o telefone com essa frase martelando na minha cabeça.

–Eu posso ajudar, hubby?

–Não, Pam, obrigado... não se preocupa, e-eu só preciso encontrar uma papelada que precisa estar por aqui e vou para a Plugar, tudo bem? Você pode ficar só com a Dorothy?

–Of course, Darling! Eu já estou bem!

–Ótimo... ótimo... – Respondi, revirando umas revistas ali perto, abrindo umas gavetas pelo corredor, depois fui para o escritório revirando as estantes, desfolhando livros, bagunçando pastas... todos aqueles computadores foram conquistados a muito custo! Aquilo não podia ter acontecido!

–Meu bem, tem certeza que o problema é pequeno? – Pamela insistiu. Eu continuava sem querer preocupa-la, mas me aproximei um pouco mais da verdade.

–Não é tão pequeno assim, Pam, mas que seria facilmente resolvido se eu encontrasse esses papeis...

–E que papeis são esses? Eu posso te ajudar a procurar!

–Eu te agradeço, meu amor, mas só eu sei como é essa papelada... – Falei agora me dirigindo para o quarto. Procurei na mesinha de cabeceira, embaixo da cama, até no banheiro se era possível! Mas nada, não estava lá, nem podia estar! Eu raramente levava documento da Plugar para casa, principalmente por causa do Quim que poderia rasgar sem saber da importância. E também eu estava há muito tempo sem ir à Plugar, tinha 99,999% de chances de não estar em casa.

Sem ter os papeis na mão, fui para a Plugar. Disse a Pamela que não tinha hora exata para voltar e por isso ela não me esperasse para jantar. Durante o caminho de ida à Plugar, a ideia de que o Jonas havia feito aquilo não saía da minha cabeça... eu o tinha visto recentemente e ele estava silencioso demais, era óbvio que estava aprontando alguma coisa contra nós, eu só não contava que a Plugar fosse seu alvo.

Chegando lá, aquele odor de queimado se apossou das minhas narinas, era claro e evidente que as máquinas estavam seriamente danificadas... todas elas! Não havia um computador funcionando... e sem computador, não haveria aula, sem aula a Plugar não receberia investimentos e sem investimento, nós faliríamos.

–Você procurou os documentos direitinho, no escritório, Rita? – Perguntei, subindo as escadas.

–Claro, Herval! Revirei tudo isso aí, que por sinal já tava revirado. Olha, eu tenho mesmo que admitir que suspeito de sabotagem. Ontem mesmo os computadores estavam perfeitos e todas essas pastas e gavetas estavam perfeitamente arrumadas! Ladrão não foi, senão tinha levado no mínimo o monitor de um computador e no entanto estão todos aí. Só pode ter sido alguém que quer destruir a Plugar.

–Ou me destruir... – Sussurrei com a cabeça longe.

–O que?

–Não, nada, tô só pensando alto... Rita, vê se você consegue encontrar lá por baixo, que eu vou procurar mais por aqui...

Cada pasta que eu revirava naquele lugar, era um aperto maior no meu coração, era como se eu estivesse sentindo que algo pior poderia acontecer... Fui até um armário que só tinhas pastas com contratos, documentação de investimentos e muitos deles eram recentes. Não era provável que estivesse lá, mas não custava tentar. Mas eu fui passando papel por papel, e não só não encontrava o que procurava, como dei por falta de mais alguns documentos.

–Ai meu Deus, não é possível... – Murmurei, debruçando sobre o armário.

–Algum problema aí em cima, Herval?! – Rita berrou.

–As coisas só pioram... – Sussurrei.

–O que você disse?! – Berrou novamente.

–Nada, Rita... tô só pensando alto!

–Você tá pensando demais...! – Ou eu pensava, refletia, ou sairia daquele lugar naquele instante e iria atrás do Jonas espancar aquela cara imunda dele.

[...]

Nós reviramos a Plugar inteira naquele dia... eu sequer parei para comer! Não tinha cabeça para pensar em me alimentar, se eu não resolvesse aquele problema já, não sei o que seria da ONG que sempre fora minha vida... cheguei tarde em casa, e Pamela estava dormindo no sofá, me esperando.

Tentei fazer o mínimo de barulho, mas ela tinha o sono leve, despertou.

–Chegou agora, Herval? Que horas são? – Falou se levantando e esfregando os olhos.

–Meia noite, Pam... desculpa te fazer esperar... por que você não foi para a cama?

–Eu queria ter certeza de que você resolveu o problema que tinha na Plugar...

–Infelizmente não... o dia foi cansativo, a gente virou a Plugar de cabeça para baixo, fizemos algumas ligações, chamamos um rapaz para ver se os computadores que pifaram, de lá, tinham jeito... mas ele só fez enrolar, vai voltar lá amanhã pra responder... o problema é que se tiver conserto, vai sair mais caro do que comprar computadores novos!

–Eles não tinham garantia?

–Tinha, mas os papeis sumiram, eram justamente os que eu tava procurando aqui... – Falei sentando-me ao seu lado. – Eu não sei o que fazer, Pamela...

–Relax, baby... não chore pelo leite que ainda nem derramou, okay? Espere o rapaz! Quem sabe ele não faz um preço camarada?! – Ela disse, passando a mão pelos meus ombros, e encostando a cabeça em um deles.

–É... cê tá certa... – Tentei afugentar aquele desespero da mente. – Vamos para o quarto? Cadê o Quim? Já dormiu?

–Yeah! Perguntou muito por você, mas dormiu cedo...

–Amanhã eu falo com ele... agora eu tô precisando é de um bom banho!

–Concordo, Mr. Domingues! Tome um bom banho que a sua woman vai te fazer uma massagem relaxante. – Falou me conduzindo para o quarto. Chegando lá, ela mesma tirou minha camisa e disse que ficaria me esperando.

Eu entrei naquele banheiro, completamente carregado de preocupações, em como e o que faria para salvar a Plugar. Terminei de me despir e entrei no chuveiro, esperando que aquela água levasse consigo todo o mal-estar que eu sentia. Por um instante curto me senti um pouco mais leve e esperava que aquela leveza se perpetuasse, embora aquilo não fosse acontecer. Não demorei muito no banho e assim que saí do banheiro com uma toalha enrolada na cintura e com outra eu bagunçava o cabelo para secá-lo, avistei Pamela na cama, sentada, com alguns produtos junto dela.

–Sente-se aqui, hubby! Deixa eu te fazer uma massagem, garanto que esse estresse vai passar e amanhã você vai acordar com a solução perfeita para seus problemas!

–Que Deus te ouça, Pamela... – Falei lhe obedecendo. Logo suas mãozinhas quentes começaram a passear pelas minhas costas com algum creme ou óleo, me fazendo tirar da mente todos aqueles problemas.

[...]

E embora eu tivesse esperado que o dia seguinte fosse melhor que o anterior, ele foi ainda pior! E os outros seguintes também. Parecia que os problemas brotavam do chão, era como se eles estivessem apenas esperando a Pam ficar boa para aparecerem, porque agora que ela estava recuperada, eu fui pego por uma avalanche e preocupações. Nesses primeiros dias eu apenas chegava tarde em casa, Pamela questionava, se oferecia para ajudar, mas não havia porquê né?! Eu poderia me virar sozinho...

Mas daí houve um dia em que eu precisei mesmo dormir na Plugar, tinha uma pilha de documentos para assinar, já que eu estava tentando recuperar os investimentos perdidos, e teriam que ser entregues no dia seguinte. Eu já estava me sentindo muito mal com isso, além de estar com a Plugar em risco, eu não tinha um relacionamento descente com a minha mulher e com o meu filho por algumas semanas já por conta disso! Ninguém me tirava da cabeça de que aquilo era obra do Jonas, mas eu preferi guardar as minhas suspeitas para mim, não queria preocupar a Pam, para não vê-la adoecer novamente e também porque não tinha prova nenhuma, certo?!

Essa noite que passei lá, não preguei os olhos um segundo sequer! Tinha que terminar aquela papelada a tempo e não tinha o direito de dormir. Eu estava de cabeça cheia, exaurido, saturado de tanto trabalho! Parecia que todo o trabalho que eu não tive enquanto cuidava da Pam, se lançava em cima de mim e esperava que eu segurasse todos! Isso não ia acontecer! Eu não sou um super herói! Pamela já nem me esperava acordada porque sabia que eu atrasava, doía saber que eu a decepcionava daquele jeito! Eu não conseguia mais dar boa noite ao Quim porque ele já estava dormindo. Eu amava a Plugar, amava minha família, mas não podia me dividir entre as duas coisas! Quando a família estava bem, a Plugar não estava, daí tive que me dedicar a ela, e a família começa a murchar... sim porque mesmo que ela evitasse demonstrar, Pamela já estava começando a ficar incomodada com aquela minha ausência.... e com toda razão, até eu estava!

No dia seguinte, completamente irritado com aquela situação, voltei para casa e depois de tomar um banho, escovar os dentes... fui para a mesa, tomar café da manhã com todos, quando Pamela me perguntou desanimada:

–Dormiu na Plugar, Herval? – E eu não sei porque, mas senti que aquele dia não seria dos melhores.

Notas finais
Continua...