Geração Pamerval - A história do início ao fim
85 Capítulo 85
Notas iniciais
Por Herval:
A Pam adoraria aquele presente... Não só a flor especial, mas a presença do Quim. Eu estava com um bom pressentimento para aquele dia e a Pamela ficaria orgulhosa de todos nós, com certeza.
–Então vamos logo, papai! Eu quero ver ela! – Joaquim estava eufórico com a ideia de visitar a Pam.
–Calma, meu filho, vamos nos arrumar e tomar um café da manhã bem gostoso, antes?
–Tô sem fome! Vamos?
–Calma ai, pimentinha! Anda, vai se vestir com a Megan, que eu vou me adiantar aqui para a gente tomar café e ir, tá bom?! – Dei ênfase ao “tomar café” e ele teve que se conformar.
Eu fui tomar um banho rápido, pra me despertar de vez e sem demora, estava à mesa. Logo em seguida a Megan chegou com o Joaquim e enfim, todo o resto da família. Fazia tempo que nós não tínhamos um café da manhã tão agradável... Todos estavam falantes e faziam imensos planos para quando a Pamela acordasse, Joaquim principalmente. Até que em um momento, eu o chamei para a sala, para que nós dois pudéssemos conversar sobre sua visita à Pam.
–Quim, a gente precisa conversar... Sério.
–Uma conversa de homem pla homem, papai? – Sorri imediatamente. Como ele conseguia ter aquele poder?
–É... De homem pra homem... – Ele se ajeitou no sofá para ouvir. – Olha Quim, como eu disse, a mamãe ainda tá dormindo, tá doente... Só que além dela estar dormindo, ela também tá bem fraquinha, tá machucada... Então tem que ter cuidado lá, tá bom? Sem algazarra no quarto e tem que falar baixinho. Você vai ver que tem umas agulhinhas, assim, nela, mas são só remédios pra ela ficar boa rápido, não precisa se assustar.
–Entendi, papai... Vou me comportar dileitinho! Mas e então, vamos? – Perguntou, saltando no sofá. Acenei que sim, e chamei a Megan, mas ela disse que passaria primeiro na Parker, para avisar a todos que ficaria no lugar da Pam, enquanto ela estivesse naquele estado. Então eu e o Quim fomos primeiro.
Durante o caminho, olhei inúmeras vezes pelo retrovisor, para ver como ele estava, e em todo o momento, estava olhando para a flor azul que trazia consigo na mão. Ele a pegava com toda a delicadeza e cuidado, e vez ou outra ainda via sua boca mexer, como se estivesse falando com a flor.
–...Ela vai adolar você... – Foi uma das poucas coisas que consegui decifrar.
–Chegamos, Quim. – Falei, estacionando. – Preparado? Não se esqueça de tudo que eu te falei! – Disse, caminhando de mãos dadas com ele, para dentro do hospital.
–Sim! Eu tô morrendo de saudade da mommy, plometo não apertar ela muito... – Falou, inocente. Eu não sabia porquê, mas assim que ficamos diante da porta do quarto da Pam, me deu um frio na barriga, uma sensação estranha, mas não sei distinguir se era coisa boa ou ruim, só saberia depois!
Entramos.
Por Pamela:
Eu estava me habituando aquele quarto... Olhava para mim, naquela cama e sinceramente não me interessava se estava bem ou mal. Já se passaram duas semanas! Eu estava cansada de esperar por uma coisa que eu nem tinha certeza se vinha. Daddy apareceu poucas vezes, só para me fazer companhia e foram tão bons os momentos em que passamos juntos... Relembramos muita coisa! Nossa vida antes de mom morrer, e depois dela, ele me contou o quanto ficava orgulhoso de mim quando me via atuar em Galáxia Andrômeda e perguntava o porquê de eu ter parado de atuar.
Responsabilidades. Eu engravidei de Megan Lily não muito tempo depois do seriado acabar... Não que eu tenha largado minha carreira pela obrigação de cuidar da minha baby, foi uma opção muito bem pensada e decidida com toda a tranquilidade. Eu preferia cuidar da minha filha à ser atriz, o instinto materno falou mais alto! Conversamos também sobre o amor, sobre o tempo, a verdadeira razão da vida... E na verdade, não encontramos respostas para nada, na verdade tudo o que cerca todos nós, é sempre uma caixinha de surpresas, tirei a prova disso, naquele dia, sozinha comigo mesma, quando fui surpreendida por uma visita mais que especial.
–Bom dia Pam... Olha quem veio te visitar...! Aí está a mamãe, Quim... – Aquilo foi tão tocante, ver Herval entrar lá de mãos dadas ao Quim. Ele abriu um sorriso tão fofo ao me avistar em cima da cama que foi impossível não rir também...
–Oi mamãe... – Ele disse num sussurro, quando Herval o pegou nos braços e o sentou delicadamente ao meu lado, na cama. – Eu posso dar um ablaço nela, papai?
–Pode, meu filho... Só não aperta...! – E ele o fez. Seus curtos bracinhos não esperaram um segundo para me envolverem. Aquele seu cheirinho de baby era tão bom, seu corpinho junto ao meu era uma forma de eu me sentir mais viva do que quando estava acordada.
–Hi, my baby... – Foi tão instantâneo, as lágrimas me tomaram. Eu estava com tanta saudade dele... Aquele abraço aqueceu meu espírito. Eu pude ver uma lágrima escorrer de seu olho, mas ele limpou rapidamente, porque provavelmente Herval o tiraria dali para evitar maiores emoções.
–Você tá dormindo né, então eu não vou te apertar muito, e vou falar bem baixinho... – Ele disse, me soltando. – Eu tlouxe um plesente pra você... – Ergueu uma beautiful blue flower na minha frente. – Eu levantei bem cedinho pla procurar a flor mais linda pla você, mommy... E essa foi a mais bonita que eu achei, tão bonita quanto você. – A cada segundo meu coração se enchia mais de amor... Olhei para Herval e ele estava de braços cruzados, sorrindo e com os olhos marejados. Quando imaginaria atos tão especiais, de uma criança de 4 anos...? – Óh, eu vou deixar ela aqui do seu lado tá? Assim, quando você acordar, vai ser a plimeira coisa que vai ver...
–Excuse me... Tem lugar pra mais uma aí...? – Megan colocava a cabeça para dentro do quarto.
–Oi Megan, é claro que tem! Vem, fica aqui com seu irmão, que como não pode ficar muita gente aqui dentro, eu vou esperar lá fora... – Disse Herval, que na verdade não queria que Joaquim o visse emocionado, caminhou até mim e deixando suas mãos percorrerem meus cabelos, me depositou um beijo na testa. – Eu te amo, Pam... Vou te deixar agora com seus filhos... Eles estão morrendo de saudades de você, cê sabe né! Aproveita esse tempinho com eles, já, já eu tô de volta. – Me deu mais um beijo na testa e afagando os cabelos do Quim, e cumprimentando Megan com um toque no ombro, saiu do quarto.
–E então, Quim, já deu a florzinha à mom?
–Dei... Quando ela acordar, ela vê... Só espelo que não demore... – E agora sua pequenina mão resvalava pelo meu rosto com muita suavidade, me fazendo uma carícia desajeitada e tão inocente quanto seus olhinhos que brilhavam olhando para mim... – Quando é que você vai acordar, hein mamãe...? Quer que eu pule em você? Eu pulo, se for pla você acordar... Mesmo que o papai me dê uma blonca depois. – E as lágrimas que eu tinha nos olhos, se misturaram a um sorriso amoroso. Megan também se aproximou e segurou minha mão.
–Se isso fosse te fazer acordar, mom, eu pularia junto com esse moleque doidinho aqui! – E algo estranho em mim acontecia. Eu chorava e sorria, mas nada me passava pela cabeça. Só me interessava ter meus babys ali comigo. – A gente te ama muito, mom, não deixa a gente não, tá... – E de repente sentia um ardor bizarro dentro de mim, algo me fez caminhar até eles e parar ao seu lado, quando vi, os dois estavam com as mãos nas minhas, segurando-as como se para me manter ali perto deles, como se não quisessem me deixar ir.
–Eu estarei sempre com vocês, meus filhos... Sempre... – E pousei a mão sobre as deles, recebendo muito mais do que o amor que eu achava que um dia poderia receber. Eles olharam-me ali deitada, com a respiração lenta e cabeça conturbada, e depois se entreolharam. Logo Megan o envolveu num abraço e eu pude sentir uma energia totalmente distinta e boa tomar conta de mim naquele momento.
–Ah mom! Você tem que acordar logo, que o Quim vive deixando brinquedo espalhado pela casa! – Megan, ao perceber que iria chorar, quis logo dar graça àquela situação.
–É mentira mommy, ela que gosta de implicar! Você sabia que a maninha não arruma o quarto dela há uma semana!? Ele sussurrou no meu ouvido.
–Hey! Seu fofoqueiro! Não é que eu não arrume, é que eu bagunço com facilidade! E você que ainda não aprendeu a tomar banho sozinho!
–Eu só tenho quatlo anos!
–E daí?! – E os dois me fizeram fazer uma coisa que eu até já havia esquecido o significado: gargalhar. – Well, mom, eu preciso like, voltar para a Parker TV, eu vou cuidar de tudo lá até você ficar boa, tá! Fique aí com esse moleque chato! – Falou sorrindo e bagunçando os cabelos do Quim. Minha little baby se tornou uma mulher incrível! E eu tinha os melhores filhos do mundo! – I love you so much! Seja forte, por nós, princesa Shelda! – Me deu um beijo no rosto e saiu. 30 segundos depois, Herval voltou a entrar, mas então encontrou Joaquim brincando com os meus cabelos e tentando cantar as partes, da canção de ninar que eu cantava para ele, que ele lembrava.
Aquilo me provocou uma fusão de sentimentos tão sublime! As lágrimas se descontrolavam em meus olhos e o meu desejo era abraça-lo para sempre. E como se não bastasse tamanha perfeição, Herval passou a acompanha-lo na canção. Segurando minha mão e olhando para o Quim, eles formavam ali um dueto mais que perfeito! Eu começava a me sentir leve, levíssima! Mas ao mesmo tempo, algo como um ímã me puxava para perto de mim mesma. Aquilo era um momento mágico e as lágrimas em mim eram de total alegria. Comecei a sentir uma forte pressão, porém não maléfica, na cabeça e algo saltitando no meu peito. Algo como um formigamento me tomava o corpo... Aquilo estava me deixando confusa, será que eu estaria piorando? Não poderia haver essa hipótese, eu não estava me sentindo mal, ao contrário, nunca estive tão bem antes.
–Chegou a hora, Pamela. – Daddy apareceu de surpresa, sem que eu o chamasse.
–Hora? De que?
–De você voltar! Finalmente chegou a hora my puppet! Você encontrou-se, está pronta! Pronta para enfrentar a batalha da vida novamente. – Eu fiquei sem reação. Eu voltaria! Viveria! Sinceramente já nem esperava por isso... – Está na hora de ir minha filha... – E paralelamente a isso, Herval olhava para mim e Joaquim pousava sua cabeça em meu peito, com cuidado, e apenas sentia a batida lenta do meu coração. A junção daquela cena, com o que daddy acabara de dizer, me fez verter uma lágrima involuntária.
–Pam-Pamela...? – Herval disse num tom de estranhamento.
–Vai! Vai my princess! Seu daddy vai sentir saudades, mas vai! Volta para a sua felicidade... Mas não esquece que eu te amo!
–Isso é... Uma lágrima...? Vo-você tá chorando Pam? Você tá voltando?! – Perguntava Herval, que não sabia se sorria, se chorava ou se gritava.
–Ah daddy... – Era um sentimento estranho que me tomava! Me limitei a abraça-lo, forte.
–Nosso tempo juntos acabou, Pamela. Sua família está lhe esperando, mas não se esqueça: Esse velho cowboy vai estar sempre ao seu lado...
–Você tá lutando! Por nós?! – A essa altura, Joaquim já estava no chão, cheio de esperança de que eu acordasse. Seus olhos brilhavam como duas pequenas estrelas. – Você quer voltar... Você tá me ouvindo? Me entendendo? Dá algum sinal...! – Herval continuava na espectaiva. Daddy começava a desaparecer, tentei segurar em sua mão, mas antes disso ele se foi. – Um sinal, Pam! Um único! – Tudo começava a ficar iluminado para mim, tudo a minha volta era uma imensa luz branca, eu me sentia flutuando, até eu não ver mais nada.
Por Herval:
–Pamela, meu amor, m-me dá um sinal... – Eu já chorava, com as mãos no rosto, resvalava-as pelos cabelos e continua lhe implorando. – Se você tá me escutando, se você tá querendo voltar...
–Olha papai! – Quim apontava para a mão dela, um dedo, trêmulo, tentava piamente se mexer. Ela estava mesmo de volta! Com as sobrancelhas franzidas, lutava mesmo pela vida! Seus lábios se movimentavam tentando formar alguma palavra, mas nenhum som saía. Um aparelho começou a apitar, algo estava acontecendo! Corri até a porta e gritei como um louco, pelos médicos. Assustados com o meu alarde, logo o quarto encheu-se deles. Eu segurei o Quim e tentava controlar as lágrimas e o sorriso. – Ela voltou... Ela voltou pra mim... Ela voltou por nós... – Eu comecei a sussurrar inúmeras vezes, as lágrimas não cessavam, o coração não parava de acelerar, eu não parava de me arrepiar, minhas mãos mão paravam quietas num canto... Eu estava quase tendo um troço!
–Sr. Herval, o senhor precisa nos dar licença. – Disse um médico.
–Me deixem ficar aqui, eu fico quieto, num canto, só quero vê-la.
–Sinto muito. – Não me deixaram, eu tinha que esperar do lado de fora, eu e o Quim.
–Calma, papai... vamos esperar ela acordar! – Chegava a ser engraçado isso, o Joaquim estava mais controlado do que eu, que andava de um lado para o outro naquele corredor, detonando todas as minhas unhas, de ansiedade.
–E então, como é que ela tá? – Dorothy apareceu lá do nada.
–Ela tá acordando, Dorothy! Ela tava tentando falar! Eu vi! – Falei eufórico.
–E ela mexeu a mão também, tia Dorothy!
–Oh my God! Oh my God! – Ela repetiu várias vezes, ficando eufórica também.
–Sr. Herval Domingues? – O médico apareceu na porta, depois de longos minutos.
–Sim?
–Ela acordou. Está bem! Frágil, mas incompreensivelmente bem, falou seu nome o tempo inteiro, quer vê-lo, mas cuidado, nada de fortes emoções! – Aquilo tinha algum sentido? Eu poder ver a minha mulher acordada já era a melhor e a maior das emoções! E se ela estava chamando meu nome, com certeza se emocionaria ao me ver! Uma fisgada no peito foi instantânea, em mim, e o sorriso foi de ponta a ponta. Finalmente! Depois de tanto sofrimento, tanta luta, tanto desespero, eu veria aqueles olhinhos abertos novamente... Vi os médicos saírem um por um e a porta estar completamente disponível para que eu passasse e visse o amor da minha vida completamente de volta para mim.
–Pamela... – Ela virou lentamente o rosto em minha direção e mesmo que seus olhos não estivessem completamente abertos, eu não consegui segurar as lágrimas ao vê-los brilhando quando me viram... E senti a melhor coisa do mundo, quando mesmo que frágil, ela sorriu pra mim.
–Herval... – Ouvi sua linda vozinha num sussurro, chamar meu nome e estando ao seu lado, pude ver lágrimas verterem seu rosto, o qual eu logo toquei, enxugando sua lágrima e acariciando-o com toda delicadeza e paixão.
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