Geração Pamerval - A história do início ao fim
72 Capítulo 72
Notas iniciais
Por Herval:
Pelo menos durante aquela noite eu consegui fazer com que a Pamela controlasse seus ânimos. A notícia de que o Jonas estava solto abalou toda a família e embora a Megan se mostre sempre numa boa, eu percebi que ela ficou incomodada, ou talvez feliz, mas disfarçadamente, o que era de se entender, já que Jonas é seu pai e sempre será.
No dia seguinte, de manhã cedinho, antes de todo mundo, eu acordei. Pamela dormia profundamente aninhada ao meu peito e eu a estava abraçando, transmitindo-lhe um sentimento de proteção, mas embora eu tivesse dito que a protegeria, eu também estava com medo. Decidi tomar um banho, porque mesmo que tivesse acabado de acordar, minha cabeça estava a mil! Demonstrei segurança à Pam, mas na verdade eu também estava com medo do que aquele canalha poderia fazer com ela ou com o Quim.
Aos poucos fui desvencilhando meus braços dela e tentando tirar meu corpo de baixo do seu. Por um momento achei que a acordaria e involuntariamente até prendi a respiração, mas por fim, ela apenas me soltou e virou para o outro lado, aconchegando infantilmente a cabeça no travesseiro.
Levantei, ficando sentado na cama, passei a mão no rosto para despertar e levantei, caminhando para o banheiro. Quando eu liguei a ducha e entrei, sendo banhado por uma água morna, fechei os olhos e de repente me surgiram alguns flashes na cabeça. A minha luta com o Jonas na Califórnia, para salvar a Pam, a gente caindo barranco abaixo e eu achando que não conseguiria subir. Depois quando aquele desgraçado tentou sequestra-la, seu rosto de pavor, suas lágrimas de horror... Jonas lhe apontando uma arma e o meu desespero em tentar protege-la. Coloquei a mão por cima do ombro, alcançando o início das costas e sentindo ali a cicatriz que até hoje ficara, da bala.
Era horrível lembrar de tudo aquilo! Me fazia tremer por dentro, mas por fora eu teria que ser forte! A mim não interessava, se tivesse que adquirir mais 10 cicatrizes daquela pela minha mulher e pelo meu filho, assim seria!
Fui desperto do meu turbilhão de pensamentos ao ouvir a voz da Pamela me chamando. Abri os olhos, desliguei a ducha e enxugando os cabelos, saindo o box, respondi:
–Tô indo, Pam! – Enrolei a toalha na cintura e voltei para o quarto. Quando me viu, ela finalmente suspirou aliviada e correu para me abraçar. Quando dei por mim, ela já estava com o corpo junto ao meu, num abraço muito apertado.
–Tive um pesadelo com Jonas... Estou com tanto medo, baby... – Eu a abracei mais forte, deixando claro que a protegeria e finalmente nos apartando, respondi:
–Não tem porquê temer, meu amor... – Segurei-lhe o rosto com as duas mãos e seu olhar parecia de uma criança perdida, me doía o coração vê-la naquele estado e eu faria de tudo para ver um sorriso naquele rostinho. – Eu já falei, e vou repetir: eu não vou deixar nada de mal acontecer a nossa família, escutou? – Acenou positivamente, tentou sorrir. – Então pode desfazendo essa ruguinha de preocupação, da testa. – Ela sorriu com um pouco mais de vontade, me beijou e voltou a me abraçar.
Quando finalmente estavam todos despertos, fomos tomar café da manhã. Nada fora como em qualquer dia, desde que começamos a comer até quando acabamos, foi um silencio só, na mesa. Vez ou outra quem falava era Joaquim, alheio a tudo aquilo, nos fazia perguntas inocentes e nós tentávamos responder o mais naturalmente possível.
–Mommy, você me leva pra escola, hoje? – Quim disse, olhando-a esperançoso.
–No, hoje você não vai à escola.
–Por que?
–Vai sim. – Eu contra argumentei. – A mamãe tá preocupada com uma notícia que ela recebeu e acha que se você for para a escola, algo pode acontecer, mas não vai. — Pamela me olhou, estranho e ouvindo seu celular tocar, se levantou da mesa para atender. Eu pousei a xícara que eu estava na mão, sobre a mesa, e continuei: — Quim, vai se aprontando com a Dorothy, que eu vou falar com a mamãe, tá? Já, já e está aqui para te levar. – Ele acenou e eu me levantei para ir falar com a Pam. – Pamela! – Ela tinha fechado a porta do quarto. – Abre a porta, deixa eu falar com você... – Ela abriu, já ficando de costas e caminhando em direção a cama.
–Jonas pode tentar fazer alguma coisa contra o Quim, Herval! Você não pensa nisso?
–Claro que eu penso, penso sim, e me preocupo, mas o garoto não pode ficar trancado em casa por causa de uma hipótese! Pamela, o Jonas só saiu da cadeia, isso não significa que ele vai voltar a nos perturbar!
–Ah e você duvida disso? Herval, Jonas é perigoso! Ele é egocêntrico, egoísta, orgulhoso e muito vingativo! Of course que vai querer no mínimo se vingar de quem o colocou na cadeia, that is, nós!
–Pam... – Ela não me deixou falar.
–E eu não quero, eu não posso deixar que ele toque num fio de cabelo do meu filho!!
–Você realmente acha que ele seria louco o suficiente para aparecer na escola do Quim?! Pamela, pensa! Lá tem segurança, professores, colegas e pais dos colegas o tempo todo, ele não faria isso. – Respirei fundo e tentei lhe controlar agora, de novo. – Pamela, me escuta, você leva o Joaquim para a escola, pede pra olharem ele direitinho lá e vai para a Parker TV, tenta esquecer isso, foca no trabalho e deixa que eu vou buscar ele, tá? Te garanto que ele vai voltar pra casa, são e salvo. – Ela suspirou, concordou, eu lhe dei um beijo na testa e ela foi se arrumar para ir levar o Joaquim na escola.
Por Pamela:
Eu tive que fingir estar bem, Joaquim não poderia sonhar com o perigo que provavelmente corria. Me vesti, peguei a bolsa e fui espera-lo para irmos. Quando ele já estava de uniforme e com a mochila nas costas, tirei o carro da garagem e fomos.
Deixei-o na porta do colégio e antes de ir embora, ainda desci do carro, me abaixei para ficar da sua altura e disse:
–Tome cuidado, okay?
–Tá bom, mamãe...
–I love you, my baby boy... – Falei lhe abraçando.
–Me too. – Ele me respondeu também em inglês. Fui para a Parker TV com o coração na mão, mas Herval estava certo, Jonas não ousaria chegar perto do Quim na escola, até porque provavelmente ele ainda nem sabia da existência dele... Pelo menos não se ele não lesse revistas, porque sempre saía matérias da nossa família. Well, pelo menos eu preferi acreditar nisso, enquanto tentava me concentrar no trabalho.
Por Herval:
Eu ia ficar em casa para garantir que iria buscar o Quim na hora certa, mas quando eu menos esperei, Rita me ligou, falou que tava com uns problemas na Plugar e que precisava de mim. Eu, sem saída, tive que ir rezando para dar tempo de ir buscar o Joaquim.
As horas se passaram e nada de eu conseguir resolver o problema, que na verdade era na impressora 3D que recebemos recentemente. Quando olhei no relógio, já ia dar a hora de buscar o Quim, daí eu vi que a Megan já estava terminando suas aulas lá e a chamei.
–Megan, você pode ir buscar seu irmão no colégio hoje? Eu tô encrencado aqui com essa impressora e não vai dar tempo...
–Of course, Herval! Deixa comigo! – Falou, dando uma piscadela.
–Obrigado. – Disse enfiando as mãos no bolso e ela se retirou.
Mais algumas horas se passaram e eu consegui resolver aquele problema. Estava de tarde e eu decidi voltar para casa, o abalo com a liberdade do Jonas ainda estava presente em casa e quanto mais perto da minha família eu estivesse, melhor!
Só que foi eu botar os pés em casa, que dei de cara com a Pamela em desespero.
–Pamela, o que houve? – Perguntei, assustado.
–Joaquim, cadê ele? A essa hora ele já deveria estar em casa, right?! Você... Você disse que ia busca-lo, Herval! Mas eu chego em casa e nem você nem ele estão! Te ligo e só dá desligado!
–É que a bateria acabou, mas...
–E o Quim, please Herval, onde está o meu filho?
–Eu não sei, você tem razão, ele já deveria ter chegado, mas eu... – Me interrompeu
–Oh my God, my baby... – Já começava a chorar.
–Pamela! Deixa eu falar! Eu ia buscar ele, mas tive um problema lá na Plugar e pedi para a Megan ir busca-lo...
–Megan, Herval?! Megan é incapaz de cuidar dela mesma, como você acha que ela pode proteger Joaquim?!! – Ela definitivamente estava morrendo de medo. – Eu vou atrás do meu filho agora! Cadê minha bolsa?! – Olhou em volta procurando e depois caminhou para o quarto, lembrando que tinha colocado lá. Eu a segui.
–Pamela! Pamela! Se acalma! A Megan pode ter ido passear com ele!
–No, eu sinto que não! Eu tenho que ir atrás deles!! – Pegou a bolsa e ia caminhar apressada, quando eu lhe segurei nos dois braços.
–Pamela! Me escuta, me ouve, olha pra mim!
–No Herval, depois, eu tenho que...
–Ei, ei, ei! Olha pra mim, olha! Presta atenção. – Tentei lhe controlar, segurando mais firme em seus braços. Ela me olhou, ainda chorando. – Escuta, senta aqui... – A fiz sentar na cama. – Se acalma, respira... Eu vou ligar para a Megan pra saber onde eles estão, mas fica calma! – Passei o dedo polegar em seu rosto, enxugando suas lágrimas. Peguei o celular, disquei o número da Megan e pus o celular no ouvido. Enquanto chamava, eu olhava a Pam, que mantinha a respiração acelerada e passava a mão inúmeras vezes no rosto, enxugando as incessantes lágrimas. – Alô! Megan?! – Pamela me olhava curiosa.
–Hi Herval!
–Onde você tá? Cadê o Joaquim?
–Ah nós estamos numa praça! Ele disse que queria tomar um sorvete e eu não vi problema!
–Ah! Tomando um sorvete... – Repeti o que ela disse para a Pam perceber que estava tudo bem.
–Por que? Algum problema?
–Não, não... Só que sua mãe ficou preocupada... Traz ele logo pra casa, tá?
–Okay! Já estamos indo, não é Joaquim?
–Yey, daddy! – Ouvi sua vozinha ao fundo
–Tá bom então, tchau... – Falei e em seguida desliguei o celular. – Viu? Ele está bem, a Megan só o levou pra tomar um sorvete! – Falei acariciando seus cabelos e colocando-os atrás de sua orelha. Eu a vi respirar fundo com aqueles soluços de quem chora litros! – Vem cá, vem... – Pedi que se achegasse a mim e lhe abracei. Senti que ela agarrou minha camisa com força e então eu a abracei com mais força. – Tá tudo bem... Tá tudo bem... – Sussurrei, tendo sua cabeça apoiada em meu peito e via que ela começava a se acalmar.
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