Notas iniciais
"Quantos vivem toda a vida sem descobrir o que sabem e amam? Tantos. Não ser um desses é essa a tua missão." -Richard Bach Boa Leitura!

Por Herval:

Depois daquele dia na Marra, eu tinha que me controlar, pelo menos se eu quisesse continuar vendo a Pam, porque eu não duvido nada que a Dorothy resolvesse me deixar sem sequer chegar perto dela!

O dia do lançamento do Júnior chegou e as pessoas começavam a se aglomerar no auditório da Marra, eu estava lá logo cedo! Deixei a Rita cuidando da Plugar para mim e fui lá dar uma mãozinha em alguma coisa. O Davi tava quase tendo um troço, afinal ele odiava se apresentar em público, sempre ficava muito nervoso.

Quando a Pam chegou lá, por incrível que pareça até que estava controlada! Procurou saber se tudo corria perfeitamente e recebendo resposta positiva, foi para sua sala, claro que eu fui atrás. Ela não percebeu que eu a seguia, até entrar na sala e sentir meus braços envolve-la por trás.

–Herval!! – Ela se assustou e eu ria dela, beijando seu ombro. – Está querendo me matar?! Quer se livrar da noiva antes do casamento?

–De jeito nenhum, meu amor! Eu quero te aguentar o resto da vida!! – Ela sorriu virando-se para mim. Envolveu os braços no meu pescoço e sem falar nada, ficou me olhando nos olhos. Aqueles olhinhos brilhavam tanto... Tinha um brilho de criança lá dentro, um brilho que me deixava ainda mais apaixonado por aquela mulher! Aquele sorriso era meu paraíso... Aquela gringa tinha conquistado meu coração para sempre...!

–I love you so much, sweet... – Falou com palavras o que já me dizia com os olhos, aquilo me fez abrir um sorriso enorme e acariciar seu rosto, fazendo-a fechar os olhos e apenas sentir o toque da minha mão em sua pele.

–Eu também te amo muito, Pam... – E aquele sorriso mágico dela ficou ainda mais lindo depois dessas palavras. Eu senti uma coisa bizarra, mas tão boa... Um refresco no coração, um arrepio diferente... Quando me dei conta já tava lhe beijando com muito carinho, suas mãos repousaram sobre minhas costas e as minhas seguravam-lhe o rosto. Aquilo tomava uma sintonia mais que perfeita quando ouvimos um limpar de garganta. Eu larguei a Pam imediatamente, mas não demonstrei susto, mas impaciência.

–Hi Dorothy! – Pamela cumprimentou-a simpática. – Está gostando de tudo? Eu estou encantada com o Júnior! Este computadorzinho vai trazer muitos benefícios às crianças de todo o Brasil e eu quero, eu vou leva-lo ao mundo inteiro!! – Ela ficava ainda mais linda empolgada daquele jeito... Eu só cruzei os braços e a observava, sorrindo.

Quando deu a hora da apresentação, fomos para o auditório, lá estava cheio de jornalistas, inclusive a Verônica! A Pam se sentiu um tanto quanto desconfortável, afinal, mesmo que muito tempo já tivesse passado, ela foi a responsável por muitas de suas lágrimas, mas eu consegui acalma-la um pouco. Ficamos sentados logo à frente, enquanto aquele lugar enchia de gente, o que era ótimo! Enfim, começou. Murphy fez toda aquela apresentação e enfim o Davi entrou com um exemplar do Júnior na mão. Ele começou a falar, mas não parava de gaguejar, de mexer freneticamente a mão... Eu fiquei morrendo de medo de que ele acabasse não conseguindo desenrolar aquilo na frente de tanta gente e num impulso levantei do lado da Pam e pulei lá no palco, fazendo minhas palavras atropelaram as dele, eu sempre estive por dentro de tudo que diz respeito ao Júnior, então eu comecei a falar e a dar espaço para o Davi que mesmo assustado, assim como todo mundo, com a minha atitude, começou a se sentir mais seguro e se soltou mais, fazendo a Pam soltar a respiração que havia prendido pelo medo de que ele não conseguisse e sorrir para mim, dizendo baixinho “thank you”. Quando o moleque pegou no tranco e começou a falar desenfreadamente, eu fui dando passos curtos até o canto do palco e cruzei os braços, assistindo ele falar empolgadamente sobre o Júnior para a plateia que prestava bastante atenção e estava completamente encantada pelo projeto.

Quando ele terminou a apresentação, todos aplaudiram de pé, tiraram bastante foto, os jornalistas lhe fizeram muitas perguntas... Pamela ficou dando entrevistas, bastante empolgada, posava para foto, como a estrela maravilhosa que é e como eu sempre fico deslocado em situações assim, ia saindo de fininho quando ela gritou, me chamando:

–Herval! Come on, baby! – Eu sinceramente preferia não ir, mas ela estava tão feliz, tão sorridente que eu não podia negar! Caminhei até ela, segurei sua mão, ela sorriu ainda mais e então as câmeras não pararam com seus flashes em cima da gente. Depois de um certo momento, eu falei:

–Pam, eu vou indo tá...? Você sabe que eu não curto muito essa exposição toda né...

–Oh honey, mas já? – Acenei que sim. – Okay... Mais tarde eu posso te ligar?

–Claro, claro, meu amor... Liga a hora que você quiser e... Parabéns...! O Júnior já é um sucesso! – Ela sorriu meiga e me deu um beijo de despedida. Quando eu cheguei na Gambiarra, a Rita tava fechando a Plugar, então eu fui lhe ajudar, mas me mantive calado o tempo todo.

–O que houve, Herval? Por que você tá tão calado?

–Não é nada não, Rita... Só tô contando os segundos pra outubro chegar...! A cada dia que se passa eu tenho a total certeza de que a Pamela é a mulher da minha vida! – Como resposta, ela sorriu e disse:

–Vocês foram mesmo feitos um para o outro... Mas vocês não têm medo da rotina que um casamento impõe? Você sabe que casamento é coisa séria não é?! Virão muitas alegrias, momentos mágicos, filhos, mas acompanhando tudo isso vem muita responsabilidade, muitas brigas! Ah as brigas... Por mais que você tente fugir delas, elas sempre te alcançam, mas tem que ter paciência, sensatez...

–Pode deixar, Rita. Eu já pensei bastante em tudo isso e só me fez ter mais certeza de que é a Pam que eu quero! O que vem junto é só complemento... A gente vai escrever uma história muito linda, juntos, pode acreditar... Bom, mas agora eu preciso ir pra casa, obrigado tá Rita?! Por ter cuidado de tudo sozinha hoje...

–Imagina, é sempre um prazer...! Até mais, Herval.

–Até mais!

Assim que eu entrei em casa, me atirei no sofá, meio alheio a tudo, parecia que eu tava num transe... Há algum tempo esse casamento parecia tão utópico pra mim que agora estar tão perto dele me era estarrecedor! Depois de um bom tempo ali deitado, olhando para o teto, me levante, entrei no quarto, tirei a roupa e fui direto para o banheiro, liguei a ducha e enquanto a água me molhava eu continuava naquela inercia. Tava feliz porque a Pam também estava com o sucesso do Júnior, tava ansioso pelo casamento e morrendo de saudade daqueles dias e noites alucinantes que a gente costumava ter. Depois do banho, fui para a cozinha preparar alguma coisa para eu comer e depois fui para a sala, liguei a TV e enquanto tentava me distrair com o que passava nela, comia o sanduiche que eu havia preparado. Algum tempo depois meu celular tocou:

–Oi, Pam!

–Hi honey! O que achou do lançamento do Júnior, hoje?

–Eu adorei, Pam... O Júnior com certeza vai revolucionar a Marra!

–Really!! Nossa estou tão mais leve agora...!

–E eu fico muito feliz por isso, meu amor...

–E o que você está fazendo han, Sr. Domingues? – Eu suspirei.

–Absolutamente nada! A essa hora eu costumava estar com você, remember? – A imitei.

–Yeah... Sabe com o que estou com vontade de fazer? – Eu esperei ela continuar. – Eu tô com vontade de fugir de casa e ir aí te encher de beijo!

–Vem! Pode vir, tô te esperando! – Ela sorriu.

–Quem dera, sweet... Eu estou morrendo de saudades, Herval...

–Mas, vem cá, por que é que a gente tá obedecendo a Dorothy mesmo, hein? Somos dois adultos, ela não tem o menor direito disso...

–Ela prometeu ao meu daddy que cuidaria de mim, Herval... Mesmo que essa forma de cuidar, dela seja bizarra e até torturante, eu sei que ela só quer o melhor para mim...

–E o melhor pra você é ficar longe de mim?

–Of course not!! Ela disse que esse período de “purificação” é crucial para um casamento feliz...

–Purificação?! – Sorri. – Olha Pam, se tem uma coisa que nós não estamos ficando é puro! Porque se sonhar com você completamente nua, aqui nesse sofá onde eu tô sentado e eu beijando esse seu corpinho todo, é estar puro... Acho que tem alguma coisa errada aí viu!

–Herval!! Isso é lá sonho que se tenha?! – Riu. –

–É incontrolável, meu bem... Desculpa! – Sorri.

–No problem... By the way, os meus também não são dos mais puros! Mas há um motivo bem forte para eu estar obedecendo a madrinha...

–E qual é?

–Ela ameaçou me botar um cinto de ca... – Eu a interrompi:

–De castidade?! Ai meu Pai... Aonde é que essa loucura vai parar hein?

–Não faço ideia meu amor, mas a gente vai ter que aguentar até o dia 12 de outubro!

E como diria Henry Van Dyke, “o tempo é muito lento para os que esperam
Muito rápido para os que têm medo
Muito longo para os que lamentam
Muito curto para os que festejam
Mas, para os que amam, o tempo é eterno.”

Os dias custaram a passar, mas finalmente passaram, por várias vezes eu fui na casa da Pam e ela não estava porque tinha ido experimentar o vestido de noiva e aquilo só me deixava mais curioso e ansioso. Certo dia a Dorothy apareceu na minha casa e me arrastou para um alfaiate, disse que eu teria que ficar impecável para a cerimônia que aconteceria no jardim da mansão Parker.

Até que... Chegou o grande e glorioso dia!

Notas finais
Continua...