Por Herval:

Vendo a Pam dormir, eu me senti tão bem, tê-la do meu lado era a melhor coisa do mundo... Aquele tiro que eu levei, aqueles dias no hospital... Tudo valeram a pena se agora eu podia ver aquele rostinho lindo de novo ali comigo. Tive uma ideia, a melhor ideia da minha vida! Já tava na hora de eu fazer uma coisa e ela seria feita no dia que se sucederia. Gradativamente, ainda olhando-a, meus olhos começaram a fechar e o sono me invadia e tomava conta de mim.

No dia seguinte, acordei com a Pamela deitada sobre meu peito. Quando a vi, sorri, mas eu precisava levantar sem que ela acordasse, tinha que preparar uma surpresa antes que ela abrisse os olhos, mas não tinha como tira-la de cima de mim, sem que acordasse. Eu tentei me mexer, mas aí ela me envolveu com seu braço, se aconchegando mais a mim e eu não resisti. Por hora, desisti de levantar e a envolvendo também, lhe dei um beijo na cabeça sentindo-a assim tão junto a mim...

Pamela é do tipo de pessoa que se mexe muito enquanto dorme, então, alguns minutos depois, lá estava ela virada de costas pra mim, num sono profundo. Era a minha chance! Levantei, escovei os dentes, voltei ao quarto e na mesinha de cabeceira, numa gaveta muito bem trancada, havia uma caixinha, e dentro dela, um anel muito bem protegido. Eu abri a gaveta sem fazer barulho e tirei a caixinha de lá de dentro. Com ela na mão, fui até a cozinha e fui preparando uma bandeja de café da manhã, diferente... A comida era normal: frutas, suco, torrada... Mas para acompanhar, vinha uma rosa e a caixinha com o anel dentro.

Tudo pronto, voltei para o quarto e colocando a bandeja na mesinha de cabeceira, me sentei na cama ao lado da Pam. Aproximei os lábios do seu ouvido e sussurrei:

–Bom dia, dorminhoca... – Ela se mexeu um pouco, mas não acordou. Então eu dei um beijo no seu ombro e lhe chamei de novo: — Pam, acorda, meu amor... E então ela começou a despertar. Passava as mãos nos olhos e no cabelo e quando estava sentada na cama e olhando pra mim, falou, sorrindo:

–Good morning dear...

–Ótimo dia! – Eu falei, pegando a bandeja da mesinha.

–Oh sweet... Café da manhã na cama?

–Hunrrum! – Lhe respondi e em seguida lhe dei um beijo.

–Hum... Delicious! – E finalmente notou a caixinha: — O que é isso, Herval?

–Abre pra saber... – Ela me olhou um pouco desconfiada, mas pegou a caixinha e quando abriu, pôs a mão na boca, emocionada.

–Oh Herval, isso é... É lindo...!

–Era da minha avó. Eu nunca te contei sobre minha família né...

–Não...

–Na verdade, meus pais morreram cedo e eu fui criado pelos meus avós! Ela tinha ganhado esse anel do meu avô, quando eles casaram. Então teve um dia em que ela me deu esse anel... Ela falou que eu só deveria entregar ele à mulher que eu realmente amasse e tivesse a certeza de que quisesse viver o resto da vida. Você. Pam, quer casar comigo? – Nesse momento ela desgrudou os olhos do anel e me olhou surpresa.

–Casar? With you?

–Sim! Casar, comigo. Fazer festa, chamar os amigos, viajar pra lua de mel, morar junto, ter filhos...

–Oh eu acho que este último é mais difícil, eu teria que fazer algum tratamento e ainda sim correria risco...

–A gente adota! No momento, agora, tudo o que eu quero é ser teu marido, essa parte a gente vê depois do casamento. E ai, aceita? É você, Pam... É você a mulher que minha avó queria que eu encontrasse...

–Oh sweet... – Ela pousou uma mão sobre meu rosto, e tinha uma lágrima escorrendo na face. – Of course...! É claro que eu aceito! – Nós dois sorrimos e depois de um longo beijo, nos abraçamos fortemente. – Eu te amo, Herval Domingues...

–Eu também te amo, Pamela Parker! – Nos apartamos e eu tirei o anel da caixinha, e segurando a mão dela, coloquei o anel no seu dedo. A gente sorriu e ficamos nos olhando por um tempo, quando: – Agora vamos comer que eu tô morrendo de fome!

–Okay! Let’s go! – E a gente atacou aquela bandeja e nos atacamos também em muitos beijos. – Quando vamos falar pra todo mundo?

–Hoje! Agora! Já! Vou chegar ali na varanda e gritar pra todo mundo ouvir que eu te amo e que a gente vai casar! – Ela sorriu e disse:

–Oh stoped! Também não é pra tanto! Já sei! Vamos fazer um almoço lá em casa! Vamos anunciar e comemorar.

–E à noite... A gente janta, só nós dois... Pra uma comemoraçãozinha particular... – Eu disse ao pé de seu ouvido.

–Tem certeza, Sr. Domingues...? Eu acho melhor a nossa comemoração particular, esperar um pouco... Você ainda não está completamente recuperado! Pode dar algum problema...

–Meu amor, eu vou ter SÉRIOS problemas se a gente não comemorar hoje! – Ela gargalhou. – Tá rindo de quê? – Eu perguntei tirando a bandeja da cama. – Tô falando sério! Você tá querendo me enlouquecer é? – E comecei a lhe fazer cócegas. – Tá querendo me ver doido, tá?!

–Oh no! Herval! Stoped! Cócegas não!! – E ela se encolhia na cama e gargalhava, enquanto eu lhe fazia mais e mais cócegas na barriga.

***

Por Pamela:

Depois eu voltei para casa, e pedi para Dorothy tratar de um almoço especial. Ela passou a manhã inteira me perguntando do que se tratava, mas eu não abri a boca! Ela nem reparou no anel que Herval me deu. Eu tomei banho, me preparei, liguei para Herval para dizer a hora do almoço e por fim, saí para fazer umas “comprinhas” que me serviriam tanto naquele dia, quanto algum tempo depois.

Quando chegou a hora do tal almoço, estávamos todos reunidos, eu, Herval, Megan, Davi, Dorothy, Brian, Lara (a mais nova namorada de Brian) e Rita que Herval fez questão de que ela fosse junto de Dante.

Estávamos todos conversando na sala, animadamente, quando Dorothy avisou que o almoço já ia ser servido. Então fomos todos para a mesa e durante o almoço, eu e Herval nos levantamos e chamando a atenção de todos, eu disse:

–Attention guys! Eu e Herval temos um comunicado a fazer!

–Diga logo, Darling! Você me deixou curiosa o dia inteiro! – Disse Dorothy.

–É! Fala logo mom! – Megan completou. Eu e Herval nos olhamos, sorrimos e dissemos juntos:

–Nós vamos nos casar!

Notas finais
Continua...