Notas iniciais
Bem crianças, mudança de planos: Eu ia concluir a fic nesse capítulo, mas eu e a Sophie tivemos uma ideia e vamos estender só mais alguns capítulos, okay? E desculpem pelos séculos sem postar. Eu andava mesmo sem nenhuma inspiração pra escrever... Boa leitura!

Por Herval:

Seus braços me envolveram como num abraço e seus dedos acariciavam minhas costas suavemente me provocando arrepio.

— Você quer ficar aqui, na chuva? – Questionei-a e Pamela concordou com a cabeça. – A gente vai acabar doente, cê sabe, né? – Em resposta Pamela beijou-me o queixo, sorriu e juntou nossas testas em seguida. A chuva grossa insistia em inundar tudo, apagar todas as velas e nos banhar, mas ela insistia em ficar.

— Eu não me importo. A experiência vale o preço... – E sorriu sensualmente. Suas mãos subiam pelo meu corpo até alcançar meus cabelos já molhados e segurá-los com autoridade.

Seu olhar caía intenso sobre mim, como se, de repente, eu fosse a coisa mais importante do mundo e como se se ela desviasse o olhar, eu fosse desaparecer ou escorrer por entre seus dedos. Então ela fechou os olhos e se aproximou ainda mais, grudando o corpo ao meu. Seus dedos deslizavam por entre os meus cabelos e seu rosto se aproximava e afastava repetidas vezes, como envolto numa atmosfera hipnotizante, ou talvez ela só estivesse tentando me provocar. Até que, com calma, depositou-me um beijo no canto da boca e eu fechei os olhos. Todo o nosso joguinho de outrora, aquela brincadeira idiota e ao mesmo tempo excitante, não valia de mais nada.

Estávamos em outro nível.

Em seguida, ela me beijou o queixo. Depois, o outro canto da boca. Pamela divagava, saboreando o momento como quem saboreia um sorvete num calor de 40 graus. Assim, com gosto, com prazer.

Mas aí, quando eu esperava um pouco mais de divagação, ela me beijou a boca finalmente. O beijo mais doce e, ao mesmo tempo, excitante, que me dera até então. Foi então que seus dedos agarraram-se firmes ao meu cabelo e Pamela caminhava de costas, me arrastando de volta para as almofadas.

Deitou-se nelas e meu corpo ficou sobre o seu, levando toda a chuva, mas isso já não me importava mais... Pamela repetia entre um beijo e outro o quanto me amava, que poderia cair granizo em cima de mim, eu não me importaria...

Deixei que meus beijos se derramassem em seu pescoço enquanto minhas mãos estudavam seu corpo cuidadosamente, medindo cada movimento com o intuito de arrepiá-la, excitá-la, incendiá-la!

Segurando-lhe a coxa, fiz minha língua sair de seu pescoço até sua orelha e vendo Pamela se arrepiar e encolher os ombros, mordisquei o local, tendo suas mãos nos meus cabelos mais uma vez, me puxando para mais um beijo extasiante.

Quando dei por mim, tínhamos invertido as posições, e agora, sem dar a mínima para a tempestade, Pamela retirava lenta e provocantemente a minha calça.

Feito isso, ela sorriu e, engatinhando, voltou a ficar por cima de mim, fazendo uma trilha de beijos até meus lábios.

Eu já tive epifanias dessas algumas vezes, mas não tão intensas como daquela vez: no instante em que ela passou os dedos pelo meu rosto a fim de livrá-lo dos cabelos, e sorriu apenas com o canto da boca, foi como se algo sussurrasse na minha mente “Sim, essa é a mulher da sua vida, você a ama mais que tudo e é com ela que você nasceu para viver até o último dia da sua vida.” E ainda tinha um recadinho “não estrague tudo de novo.”

É, meu inconsciente às vezes tem uma boa sacada e manda algo interessante pro consciente.

Então, seus lábios encaixaram-se nos meus cautelosamente e depois com audácia se movimentavam, fazendo desabrochar ali um beijo intenso e caloroso. Enquanto isso, seus quadris mexiam-se de encontro aos meus, deixando tudo ainda mais interessante...

Numa provocação, fiz minhas mãos escorregarem por suas costas, acariciarem suas coxas e até os glúteos. Nosso beijo foi interrompido com um sorriso sacana, dela, seguido de uma mordida de leve no meu queixo.

Em seguida, acabei sentando, ficando com Pamela sobre mim. Suas pernas envolveram minha cintura completamente e seus braços, o meu pescoço. Eu a agarrei como num abraço, sentindo sua pele em chamas, apesar da chuva.

Arrastando minha mão esquerda lentamente por toda extensão de sua nuca e deixando ali repousar também minha face, eu podia sentir seu perfume preencher meus pulmões e meus lábios tocarem com brandura e desejo aquela pele tão suave ao tato. Ela me respondeu com vibrações novas em cada polegada de sua pele, não demorou e minha língua rodeava seus mamilos, fazendo-a jogar a cabeça para trás e agarrar meus cabelos.

Acabei por deitá-la no chão e depois de acariciar-lhe os seios, minha mão percorreu-lhe até a coxa, deixando Pamela na expectativa, no desejo de que eu a tocasse e finalmente meus dedos deslizaram por sua intimidade fazendo-a estremecer de antecipação. Fui então beijando cada parte de seu corpo e em cada uma encontrei um calor diferente, um sabor próprio, um gemido novo, e ela inteira ressoou por dentro com um arpejo. A vi morder o lábio quando passei a deslizar meus dedos contra ela e não deixei de ouvir gemidos deliciosos.

A chuva agora caía com menos força. Apenas fiapos de água insistiam em molhar nossos corpos que ardiam de paixão. A partir daí não levou muito tempo até que estivéssemos envoltos numa atmosfera que eu poderia apostar ser alucinógena.

Nossos corpos se encaixavam e se uniam perfeitamente, como um quebra-cabeça. A voz dela que ressoava no ambiente, ainda que quase inaudível pelo som da chuva, me fazia carinho nos ouvidos. Suas pernas envolviam minha cintura, enquanto o ritmo do encontro dos nossos corpos ficava cada vez mais intenso e preciso. Suas unhas deixariam com certeza nas minhas costas marcas que durariam alguns dias. Marcas de prazer, de alegria... seriam como tatuagens temporárias da nossa paixão. Eu sempre gostei delas.

Com o decorrer das horas, a chuva oscilava. Hora ficava grossa, hora rala e às vezes até parava, dava uma trégua. E a gente meio que desenvolveu a noite, os toques, os beijos, a intensidade de tudo, de acordo com essa chuva. Haviam momentos em que íamos quase a loucura! Nossa pele fervilhava! As palavras não saíam conexas, era tudo interrompido por um gemido, por um beijo, por um sorriso... mas também haviam vezes em que íamos com calma, eu diria que até com excesso de carinho. Olhares intensos, sorrisos sugestivos e apaixonados, movimentos calculados milimetricamente para nos provocar o maior dos prazeres...

E a cada nova sensação, a cada nova palavra, ou gesto, era como mais um carimbo de paixão na nossa vida. Eu li sobre um papo de que paixão é coisa de começo de relacionamento e que dura no máximo dois anos. Bom, pode até ser verdade, mas no nosso caso, essa paixão encontrou uma maneira de sempre renascer. Como uma fênix.

Vai ver foi isso as nossas grandes brigas: as mortes da nossa paixão. Mas a danada sempre arrumou uma maneira de nascer de novo... o que é maravilhoso!

E aquele momento, o que para muita gente se resume a palavra sexo, para nós era como mais um renascimento da nossa paixão. Eu podia sentir meu sangue pulsar nas veias, meu coração acelerar ao ponto de eu senti-lo na garganta! Eu sentia cada polegada da minha pele arrepiar ao simples som da voz de Pamela. Me dava um formigamento em toda a espinha só em sentir aquelas mãozinhas tocarem meu rosto pra me puxar para mais um beijo.

Quanto a ela... seu seio desabrochava em flor. Ela ardia em prazer e perdia completamente o controle sobre suas ações. Até que numa trégua da chuva, nossos corpos imploraram por uma trégua também. Um momento de descanso depois de uma noite inteira de agitação. Ficamos deitados, Pamela com a cabeça sobre meu peito e ambos desfrutando mais uma garrafa de vinho.

— Não dá pra acreditar nisso... – A ouvi sussurrar, me tirando dos meus pensamentos.

— Em que? – Sussurrei de volta, acariciando seus cabelos. Ela logo ergueu o tronco e me mostrou a mão com a aliança.

— Eu jamais imaginaria que a essa altura da minha vida eu me casaria... de novo. Duas vezes com a mesma pessoa... – Sorriu, voltando a pousar a cabeça no meu peito.

— Bom, você não é a primeira e nem vai ser a última a fazer isso. – Ela pareceu ignorar o que eu disse.

— A imprensa vai cair matando em cima da gente, você sabe, né?

— Só se eles souberem.

— E como nós esconderíamos isso? – Ela se sentou, me olhando curiosa. – É um casamento, Herval!

— Eu já pensei em tudo, vê só: o quê que você acha de dessa vez a gente casar só com a bênção do Mistério? – Ela franziu o cenho, esperando que eu explicasse melhor. – Uma cerimônia realizada só pelo Brian. Nada de juiz de paz dessa vez. Eu cheguei à conclusão de que isso é tudo besteira, que a sociedade só quer que a gente exiba uma certidão de casamento como se fosse um contrato. É sempre planejado pensando numa separação. A gente não precisa disso... não precisa do peso do mundo em cima de nós.

— Um casamento baseado apenas em nossas palavras... em nossos votos.

— Isso.

— Algo comprometido, mas leve...

— Exatamente. Cê entendeu o que eu quis dizer. – Ela vagou o olhar pelo espaço por alguns segundos, depois olhou para mim e sorriu.

— Conheço o lugar perfeito para uma cerimônia desse tipo. – E então ela sorriu exacerbadamente antes de me beijar. Mas pra falar desse nosso casamento, eu preciso de Pamela comigo. O ponto de vista dela é com certeza mais bem detalhado que o meu.