Geração Pamerval - A história do início ao fim
158 Capítulo 158
Notas iniciais
Por Herval:
— V-você tem certeza do que está dizendo? – Ele assentiu com a cabeça, sem me largar. – Quim, escuta, senta aqui... – Eu tentei me privar daquele choque para poder cuidar dele. O fiz sentar no sofá e enxuguei suas lágrimas. – Quim... daqui a pouco vai fazer dois meses que eu e sua mãe estamos longe um do outro, e nesse tempo você viu que não dá para gente voltar! Prefere nos ver juntos e brigando todo os dias, o dia todo? – Ele negou. Doía tanto nele quanto em mim, mas a sua dor vinha em primeiro lugar. – Ah meu filho, vem cá... – Sentei ao seu lado lhe abraçando. – Você vai se acostumar... não é tão mal quanto parece! E também... não é porque nós nos separamos, que sua mãe não merece arranjar alguém legal! Tente aceita-lo.
— Nunca! Eu odeio esse cara! – Me largou rapidamente e correu para o meu quarto. Eu não movi uma palha, sabia que ele iria trancar a porta. Só me encostei no sofá e suspirei profundamente.
“Como você pôde, Pamela...? Eu nem assinei o divórcio ainda! E por conta disso o advogado ficou no meu pé o tempo inteiro, mas ainda assim eu recusava, arrumava desculpa para não assinar...eu tenho feito de tudo para te esquecer, mas eu sei que não dá! Eu te deixei ir, te dei espaço para você respirar. Eu acreditei... eu fui idiota e acreditei que esse tempo serviria para você perceber que o seu lugar é perto de mim... na verdade é nos meus braços! Mas você... tinha que conhecer outro cara? Será que você simplesmente esqueceu tudo que a gente viveu?! Esqueceu o quanto me amou todo esse tempo? Ou eram meras palavras jogadas no lixo? Ok. Não posso chorar, ainda tenho que ir falar com Joaquim e ele tem que me ver forte. Mas... eu não acredito que você está... desistindo da gente.”
Isso foi mais um desabafo para o nada. Foi meu pensamento. Eu queria que ela pudesse ouvi-lo e que isso a fizesse se sentir a criatura mais horrível do mundo, porque era isso que parecia para mim! Ela havia destruído tudo!
— Herval! O Joaquim veio para cá? – Dorothy apareceu na porta, ofegante. Eu a olhei com o rosto vazio de expressão e confirmei. – Ah! Graças a Deus! Eu não sei como ele conseguiu chegar, ele surtou de repente quando eu...
— Dorothy... – A interrompi. – Tudo bem, deixe-o aqui, eu vou cuidar dele. É melhor você ir para casa.
— Ele já te contou, não foi?
— Por favor... a noite foi longa e ruim, e o dia hoje começou pior ainda! Alivia o meu lado e vai para casa...!
— Você sabe que ela não podia viver sempre ao...
— A vida da Pamela não diz mais respeito a mim. – Interrompi-a secamente.
— Na verdade, diz. Você ainda não assinou o divórcio...
— Ok, se é esse o problema, você já pode voltar para a mansão sossegada. Eu vou ligar para aquele advogado idiota e vou entregar o divórcio assinado hoje mesmo! Não estou fazendo nada e nem vou fazer, para impedir a felicidade da sua afilhada, tá legal? Pode ficar tranquila. A minha única preocupação agora é o Joaquim, que está lá dentro chorando e precisa de conforto. Agora se me der licença, eu vou falar com meu filho. – Mandei-a sair pela última vez. Ela apenas me olhou com ar superior e se retirou.
Não me julguem, por favor! Eu tinha acabado de acordar às pressas, com uma ressaca do cão, tinha recebido a notícia de que a mulher que eu amava estava com outro homem e pela boca do meu filho completamente desesperado! Eu diria que fui até bem-educado com a Dorothy.
Antes de ir falar com Joaquim, passei no banheiro para lavar o rosto, escovar os dentes... enfim, despertar! Eu precisava estar 100% acordado para tentar acalmar Joaquim, e isso não seria tarefa fácil.
Feito tudo, cheguei à porta do quarto. Bati umas três vezes e não ouvi nada. Continuei insistindo e então ouvi um suspiro. Então iniciei uma sequência de batidas intermináveis na porta, até ele gritar lá de dentro que já iria abrir. Apareceu na minha frente de olhos inchados e braços cruzados. Ele estava com muita raiva e a tristeza vazava pelos seus olhos. Eu senti meu coração apertado... queria poder absorver toda aquela tristeza do garoto para mim, só para não ter que vê-lo naquele estado.
Entrei no quarto e ele subiu na cama abraçando-se ao travesseiro; sequer olhava para mim.
— Bom, Quim... eu sei que está sendo difícil para você. É esquisito, é doloroso, na verdade é horrível demais para uma criança, mas... – Suspirei. – É assim que a vida funciona! Às vezes, as coisas não dão certo! E aquilo que não dá certo, a gente se livra. O que fazer com uma coisa que quebrou, se não jogar fora?
— Tentar consertar, talvez... você me ensinou isso, daddy! A gente ajeitou muito dos brinquedos que eu quebrei.
— Mas quando se trata de pessoas, a coisa muda um pouco...
— Why?
— Porque as pessoas podem se recusar a serem consertadas! Eu e a sua mãe já tentamos consertar nosso casamento, mas não funcionou; a gente só conseguiu ficar mais triste. – Ele apertou o travesseiro e então eu me aproximei, acariciando seus cabelos. – Escuta, filho... você vai me prometer que quando a sua mãe voltar, você não vai ficar com raiva dela! E nem da pessoa que estiver com ela.
— I don’t know.
— Joaquim... por favor! Eu sei que você pode lidar com isso. É um garoto forte, inteligente e quer ver sua mãe feliz, não quer?
— Of course! But with you! — Eu só respire fundo sem conseguir mais argumentar. Eu já estava dizendo coisas que não queria dizer, não aguentava mais. – Ok, don’t worry, Dad. We'll be fine. — Veio me abraçar. Eu esperava que ele não tivesse adquirido a mania de em momentos assim, só falar em inglês...
Por Pamela:
Honestamente, era bom viver novamente... confesso que no início eu hesitei. Pensei que poderia estar fazendo a maior burrada da minha vida em me separar de Herval e estar assumindo um relacionamento com um cara que não via há séculos e que só havia reencontrado há um mês. Mas o fato é que eu estava doente! O meu casamento com Herval havia me deixado doente! Ok, não era só aquele o motivo, mas contribuiu em muito.
Fui obrigada a frequentar uma psicóloga para dar conta! Não acha que eu merecia ser feliz again? Herval não confiava em mim! Diga-me que relação sobrevive sob desconfianças para todos os lados? By the way... Richard estava me fazendo tão bem... era tão gentil e compreensivo. Divertido, mas sabia ser sério quando precisava... me ouvia, me incentivava, me fazia recordar os melhores momentos da minha vida! Ele era so, so cute, so sweet, a perfect prince!
E eu já tinha passado por tudo na minha vida. Já havia suportado um casamento conturbado e de fachada, tinha visto meu pai morrer, já tinha descoberto que fui traída, enganada, já fui sequestrada, quase estuprada pelo meu ex-husband. Tinha visto Herval levar um tiro, tinha sido assediada por um fã, tinha sofrido um acidente, ficado em coma, tinha passado por uma cirurgia de alto risco, pelo medo de perder meu filho afogado e até sequestrado. Tinha vivido brigas horríveis com Herval, momentos realmente dolorosos!
Então pense comigo: eu estava sendo um ser deplorável por namorar um homem que finalmente estava me proporcionando paz na vida?! Of course not! Tanto que, depois de certa altura, depois que começamos a produzir o Androphone e estávamos a um passo de lança-lo, ou seja, em meados de dois meses in Califórnia, eu decidi que já era hora de dar um passo mais adiante em minha relação com Richard.
Era noite, estávamos em minha casa. Katy não estava, pedi para que tirasse folga. Rick e eu nos divertíamos muito na sala. Colocamos um som ambiente e havia umas bobagens que estávamos comendo, além de algumas bebidas que ele estava tentando me fazer beber. Lembrávamos das vezes que saíamos de festas, na época do high school, completamente bêbados e sem falar nada com nada.
— É, você tem razão! A gente não conseguia sequer ficar em pé! – Disse às gargalhadas.
— Yeah! Seus amigos que tinham sempre que nos levar para algum lugar. – Lembrei.
— Mas... sabe uma coisa que eu nunca entendi? – Neguei. – O fato de, mesmo completamente alcoolizados, a gente conseguir ter tido noites incrivelmente maravilhosas! – Bom, é, de fato... parecia que a bebida nos acendia, mas... opa! Senti um arrepio de repente e fiquei sem saber o que responder. Não sabia se entrava de cabeça naquele “papo” ou se saía correndo.
Por Herval:
Joaquim se recusou a ir à aula de violino à tarde, então achei uma boa leva-lo para a Plugar. Lá ele poderia se distrair com as outras crianças, enquanto eu tentava tomar coragem para encostar uma maldita caneta na papelada do divórcio.
— Eu não acredito que você vai mesmo fazer isso... – Lamentou Rita.
— Foi ela que quis assim, Rita... eu não posso fazer nada! Quer dizer, posso, assinar de uma vez essa porcaria!
— Se você fizer isso, não tem como voltar atrás!
— Eu sei. Mas ela já decidiu não voltar atrás por nós dois... – Lembrei da história d’ela estar namorando. Isso me deu coragem para encostar a ponta da caneta no papel. – Se ela pode seguir com a vida dela numa boa, eu também posso! – E finalmente estava escrito no papel: Herval Domingues.
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