Notas iniciais
Ui, ui, ui... XD

Por Pamela:

Ele abriu um sorriso imediatamente, enquanto me dispus a lhe dar um abraço saudoso. Não nos víamos há muito tempo! Ele logo retribuiu o abraço e eu me senti voltar no tempo... me senti leve e jovem de novo. Seu abraço sempre fora dos mais apertados que experimentei e o próprio Richard sempre fora um dos caras mais inteligentes, bem-humorados e bem-educados que já tive o prazer de conhecer.

— Ufa! Achei que você não iria me reconhecer... – Confessa, passando a mão nos cachos dourados, com um sorriso tímido.

— Não nos vemos há muitos anos! Mas você não é o tipo de pessoa que se dá para esquecer... temos tantas histórias divertidas, juntos, right? — Ele apenas confirmou com a cabeça e ficou me olhando. – Mas quem diria... que nessa altura do campeonato eu te reencontraria!

— Bem, o tempo só te foi favorável. Você está ainda mais linda, Pamela! – Dou de ombros, envergonhada com o elogio, mas lhe sorriu em agradecimento.

— Você também não está nada mal, han! Mudou muito...! Sobrou pouca coisa daquela criança grande que eu conheci no ensino médio. Olhe só para você! De terno e gravata! Nunca imaginei...

— Todo mundo tem que crescer um dia, né? A faculdade me botou no eixo... tanto que hoje estou trabalhando na Marra. Na verdade, sou filho de um dos acionistas da empresa, mas meu pai está muito doente... não tem condições de cuidar de seus negócios e os confiou a mim. Na verdade, passou suas ações para o meu nome, não quer mais saber de negócios. – Arqueei as sobrancelhas, surpresa, afinal, quem desiste de fazer/ganhar dinheiro? Apenas confirmei. – E você... é a presidente disso tudo aqui! Poxa vida... estou impressionado!

Yeah... Jonas, o fundador da Marra, foi meu marido. Mas... ele morreu, tive que assumir tudo, já que nossa filha herdou a empresa e é muito nova para tamanha responsabilidade... faz parte da vida!— Tentei falar descontraidamente. Detestava ter que lembrar que Jonas um dia existiu, mas a sua memória não me atormentava tanto quanto há alguns anos.

— Filha! Você teve uma filha com ele? – Pareceu surpreso.

— Mais ou menos isso... – Franziu o cenho, mas preferiu não prolongar.

— Você virou uma mulher de sucesso, como sempre disse que viraria... — Lembrou, cruzando os braços enquanto caminhávamos para fora da sala.

— Eu sempre tive razão, Rick! Você já deveria saber disso! – Brinquei, lhe empurrando levemente.

Rick! — Ele soltou uma risada, e entrávamos no elevador. – Faz muito tempo que ninguém me chama assim... na verdade, só você me chamava assim na época em que a gente namorou. – Sorri, abaixando a cabeça por um instante ao lembrar disso.

— Ah, é muito mais fácil de chamar de Rick do que de Richard! – Concordou, começando então a lembrar dos nossos tempos de estudantes.

Yeah, conheci o Richard no primeiro dia de aula do ensino médio. Ele sempre foi um cara descolado, nada daqueles babacas, mas também não era nem um pouco nerd — diferente de Jonas e de Herval. – Era uma criança grande, não levava nada a sério e achava que a vida era um grande filme de aventura. Rick passou os seis primeiros meses de aula sem sequer me dar bola. Mas foi só um outro rapaz marcar presença, que ele começou a me infernizar. Era um completo atrapalhado e por muitas vezes me arrancou imensas gargalhadas!

Até que um dia ele me pediu para me levar em casa e enquanto não chegávamos, ele começava a contar tudo o que havia sentido desde o dia em que e viu pela primeira vez, mas por ser um sentimento novo para ele, ter resolvido guardar. A essa altura ele já tinha me conquistado... acabou por me pedir em namoro na frente de casa. Minha resposta foi um beijo que inclusive, foi interrompido por daddy.

— Eu juro que achei que ele iria quebrar a minha cara! – Contava-me ele, na cantina da Marra, lembrando justamente desse dia. – Repeti para mim mesmo várias vezes “péssima ideia trazer ela em casa... péssima ideia trazer ela em casa... péssima ideia trazer ela em casa...”

— Você era um banana, Rick!

— Opa! Sem ofensas, senhorita! Você sempre pintou seu pai como um touro bravo, superconservador. O que queria que eu pensasse?! Achei que sairia dali sem uma namorada e sem nenhum dente na boca!— A gargalhada veio súbita. Quase me engasguei com o suco que tomava no momento do relato, mas logo me recompus. – Mas no final das contas, valeu a pena aquele terror todo... – Disse, pousando a mão sobre a minha, em cima da mesa.

Yeah... foram bons tempos, aqueles... – Pousei minha outra mão sobre a sua e ele a mirou.

— Você ainda usa a aliança do casamento com o Jonas? – Só então percebi que ainda não havia tirado a aliança do dedo...

Oh no... e-esta é de outro casamento! Que acabou por sinal. – Disse, tirando-a e guardando na bolsa. – Apenas esqueci de tirar.

— Tem certeza?

Absoluta. Me divorciei a muito pouco tempo, para falar a verdade, ainda estou esperando a assinatura do meu futuro ex-marido. Aí sim estarei oficialmente divorciada. – Ele sorriu fraco. – Mas não quero falar sobre isso! O papo estava tão bom... vamos! Volte a falar dos velhos tempos! – Tentei afugentar a lembrança de Herval da minha cabeça, segurando firme sua mão, para que prosseguisse. – Para um casalzinho de colégio, até que duramos bastante tempo juntos, right? — Ele confirmou com um sorriso e voltou a entrar no papo.

Nós passamos os três anos do ensino médio, namorando. Rick foi o primeiro cara com quem namorei sério, e foi ele também, o primeiro ao qual me entreguei. Tivemos mesmo uma juventude muito bonita e esse namoro não acabou por nenhum motivo trágico, nada de traição, briga, ciúme... nada. Seu lado infantil me irritava às vezes, mas era também esse mesmo lado que me atraía. Nosso namoro só acabou porque eu tive que viajar. Mesmo estudando eu já atuava e depois que o ensino médio acabou, eu podia me dedicar a 100% ao seriado Galáxia Andrômeda.

Ele não iria ficar me esperando! Eu viajava muito! Tinha muito o que fazer e não tinha tempo para romances. Até que ele entrou na faculdade e sumiu da minha vida. A gente sequer teve um término descente! Apenas um sumiu da vida do outro e pronto! Não era amor o que tínhamos... Era uma cumplicidade muito boa, paixão até, mas amor mesmo... Não.

— Eu admito que sentia um ciúme danado de algumas cenas lá daquele seu seriado, mas evitava falar para você não se irritar... – Disse, e eu revirei os olhos.

I remember muito bem de uma crise de ciúmes sua! É verdade, se segurava, mas quando deixava transparecer...

— Você desligava o telefone na minha cara! – Sorri, dando de ombros.

Sorry, dear. Não sou mulher de frescuras.

— É, eu sei... – Ele me olhava docemente. – E essa era umas das coisas que mais me fascinava em você. – Fiquei um pouco desconsertada e ele logo percebeu: – Mas eu tenho que confessar também que algumas daquelas poucas crises eram propositais...

Oh really? E qual era o propósito?

— Bom, se você tiver boa memória, vai lembrar onde algumas dessas crises iam parar... – Insinuou, arqueando as sobrancelhas meio grossas e sorrindo de canto. Depois de refletir um pouco, a ficha caiu. Dei uma risada curta e lhe joguei um guardanapo, em censura.

— Você era um pervertido, Rick! – Ele também sorriu e nós dois, aos poucos, íamos relaxando, desmanchando o sorriso e normalizando a respiração. – Foi muito bom te reencontrar, Richard... – Disse sinceramente. – Eu estava mesmo precisando sorrir um pouco...

— Mas agora que nos encontramos, não vamos nos desencontrar não, hein! Que tal um jantar qualquer dia desses? Vamos nos ver fora do local de trabalho, nos encontrarmos apenas como bons e velhos amigos... O quê que você acha?

— Eu vou adorar! Será um prazer...

(...)

Por Herval:

No dia seguinte, me acordei no sofá. Acho que caí no sono antes de ir para o quarto... o fato é que quando fui acordar o Quim para ir para a escola, ele já estava colocando seus materiais na mochila. Ao perceber a minha presença, me olhou rapidamente e voltou ao seu afazer.

Aquilo era com certeza efeito colateral das saudades que ele estava sentindo da Pam, mas convenhamos... eu também estava morrendo de saudades dela! Não tinha como aliviar a dele; infelizmente. Fomos os dois tomar um café da manhã preparado pela Margarida e eu senti uma sensação muito estranha. Nós não falávamos uma só palavra e eu tinha a sensação de estar perdendo algo extremamente importante para a minha sobrevivência! Aparentemente nada relacionado ao emocional – nesse caso, perdendo a Pam, – mas físico mesmo. Eu estava oco.

Levei o Joaquim para a escola e a Dorothy ficou de ir busca-lo para passear um pouco. Eu tinha que trabalhar. Chegando na Plugar, a Rita já me olhou estranho. Largou o que estava fazendo e segurando a minha mão, me arrastou para o escritório. – Isso porque tinha aluno esperando a minha aula! – Ela fez com que eu sentasse numa poltrona e sentou na outra, respirando fundo.

— E aí? Como é que vocês dois estão lidando com a situação?

Nós dois, quem?

— Você e o Joaquim! Ele não vai passar esse tempo com você? – Afirmei. – Como é que está a convivência? Ele pergunta muita coisa? Tá tristinho?

— Ei, calma! Uma pergunta de cada vez... – Ela se aquietou. Passei as mãos no rosto e no cabelo, antes de mirá-la com um certo pesar e responder: – Eu já nem sei o que fazer, Rita... – Minha garganta doeu, abaixei a cabeça prometendo a mim mesmo, não chorar e logo estava aconchegado num abraço amigo.

— Vai ficar tudo bem, Herval... vai ficar tudo bem.

— Oh mãe! – Gritavam lá debaixo, chamando a Rita.

— O que foi, Matias?! – Berrou ela, no meu ouvido.

— Tem um cara aqui querendo falar com o Herval! – Nós nos entreolhamos por um instante. Se fosse algo relacionado à Plugar (o que mais provavelmente seria), eu não sabia se teria saco para resolver. Depois de respirar profundamente e ser apoiado por Rita, desci as escadas para encontrar a figura de um homem de terno, maleta e ar superior, todos em altíssimo valor.

— Boa tarde, Sr. Herval Domingues?

— Sim, sou eu mesmo... – O cumprimentei.

— Eu sou o advogado da Sra. Parker, tive casos urgentes em outro lugar para ser resolvido, mas... aqui está o documento do divórcio. É só assinar.

Notas finais
1. Um sonho de consumo não realizado: 2. Qual seu animal favorito? 3. Você acredita que exista vida fora da terra? E não esqueça de dar sua opinião em relação a nosso novo personagem... Xox