Notas iniciais
'-' Óh as treta, manoo! Hahaha Boa leitura!!

Por Pamela:

Não suportando mais esperar e tendo roído praticamente todas as unhas, de ansiedade, decidi que era melhor ir atrás de Herval. Vi no relógio que ia dar 17h00min, peguei as chaves do carro, sem dar mais satisfações à Dorothy, que por sinal ia buscar o Quim na aula de violino, e saí apressada para a Plugar. Não conseguia imaginar como começaria aquela conversa, mas Ernesto tinha razão. Do jeito que estava não dava para ficar.

Ao chegar lá, saí do carro ainda temente e pouco à vontade para entrar. Passei alguns minutos olhando a fachada da ONG e algumas últimas crianças, irem embora na maior brincadeira. Respirei fundo e senti meus olhos arderem, como se lágrimas precoces quisessem me tomar. Não podia deixar. Se chorasse não teria coragem de ir adiante e eu não podia mais adiar aquela conversa!

Nem sequer meus sapatos fizeram barulho ao pisarem dentro da Plugar. Eu estava tentando me preparar psicologicamente e enquanto não avistasse Herval, todo tempo que eu ganhasse, seria lucro, principalmente se ele não percebesse minha presença.

– Eu não sei como o meu casamento chegou a esse ponto, Rita... – Consegui decifrar essas palavras meio embargadas, vindo do escritório dele lá em cima. Eu também não sabia como chegamos a tal ponto. Subi as escadas pé ante pé e a porta estava entreaberta; segurei a maçaneta e ia empurrar, quando ouvi mais alguma coisa: – Eu amo a Pam, mas essa situação tá insustentável! Eu queria poder pedir desculpas, parar de sentir ciúmes, mas é mais forte do que eu... ela é a coisa mais incrível e importante da minha vida. Então...

– ...então é só chegar algum carinha que ameace te tirar essa coisa mais incrível e importante, que você perde o chão... – Rita completou e eu senti minha garganta apertar. Não podia chorar!

– Isso. Exatamente isso... mas ela não entende meu medo. Acha que eu sou um completo idiota, um machista deplorável talvez... – Disse, com uma voz não muito normal. Tentei ver o que acontecia pela pequena brecha na porta e percebi que Herval enxugava os olhos, como se estivesse chorando. Não é muito comum ele chorar. – Eu vivi os melhores anos da minha vida ao lado daquela mulher, mas... eu sinto que... – Parecia ter dificuldade em terminar a frase e eu já não tinha a menor coragem de abrir aquela porta e ter uma conversa séria com ele. Não dava. Não depois daquilo. – ...que o meu casamento está ruindo... e eu não estou fazendo nada para impedir isso. – Concluiu finalmente. – Parece que não tem mais saída, Rita, é o fim.

Larguei a maçaneta e desci as escadas o mais rápido que eu pude, a fim de sair da Plugar também o mais rápido que eu pudesse. Não preciso nem dizer que lágrimas embaçavam minha visão naquele momento, mas eu as enxuguei assim que entrei no carro. Ele me amava, mas era o fim?! Eu precisava sair dali sem que ele desse pela minha presença e ao mesmo tempo, tinha que garantir chegar em casa viva. Respirei fundo, tentei ser fria e peguei a estrada.

Cheguei em casa, mas não garanti chegar sem as lágrimas. Dorothy já veio em minha direção, me perguntando o que havia acontecido e eu só queria ir para o meu quarto. Sequer parei para falar com Joaquim que tinha chegado e brincava na sala. Devo tê-lo assustado pelo meu estado, mas eu precisava ficar sozinha. Era só nisso que eu pensava. Eu sabia que mexer naquela situação era como mexer numa cicatriz recém-fechada! Encostei a porta e me deixei escorregar ao pé da cama, sem a menor vontade de respirar. E com a cabeça entre os braços cruzados, apoiados no colchão, chorei tudo o que não havia chorado enquanto dirigia.

Herval tinha razão... nosso casamento estava ruindo e nós dois não estávamos fazendo nada para impedir isso. Era como se todos aqueles anos lindos que passamos juntos não tivessem passado de uma história, um livro de contos de fadas e que estava chegando ao fim. Eu já estava cansada de fins! Tudo de bom que acontecia na minha vida, acabava da pior maneira possível.

Após um bom tempo ali, resolvi levantar e tomar um banho. O chuveiro é sempre o melhor lugar para se colocar as ideias em ordem, então era para ele que eu iria. Tirei as roupas, jogando-as em qualquer lugar e entrei no box. Por um curto instante um sorriso sutil me acometeu. Eu já perdi as contas de quantas vezes esse box havia sido cenário de prazeres entre mim e Herval e sinceramente não queria que deixasse e ser... liguei o chuveiro e instantaneamente uma água morna e fina passou a tomar conta do meu corpo e eu me lembrei dos banhos ao lado dele. Seu corpo forte envolvia o meu, e eu me sentia segura... e ao mesmo tempo... em perigo porque ele me deixava num estado em que não sou capaz de medir meus atos.

Comecei então a imaginar o que aconteceria quando Herval chegasse em casa. Se ele olharia na minha cara, tentaria conversar ou se decretaria o fim do nosso casamento. Daí lembrei de que não podia deixar, de jeito nenhum, que Joaquim percebesse o clima pesado entre nós. Talvez ele tivesse notado quando cheguei chorando, mas quanto a isso eu podia arrumar uma desculpa.

Depois de longos 30 min eu desliguei o chuveiro me enrolando num roupão e indo em direção à cama. Meu cansaço psicológico havia atingido a área corpórea também e eu estava com uma preguiça imensa de me trocar. No instante em que sentei na cama, ouvi um toque delicado na porta.

Mommy? Sou eu, posso entrar? – Quim fazia uma voz mansa. Forcei-me para que as lágrimas não descessem e disse:

Of course, come here, Quim! – Ele empurrou a porta e logo eu pude ver sua pequena figura, meio acanhada, e logo atrás dele, Dorothy com uma bandeja na mão.

– Você tá bem, mamãe? – Perguntou, depositando-se na minha frente e deixando seus little fingers escorregarem pelos meus cabelos molhados.

– Estou melhor agora, com você aqui, baby... – Disse lhe acariciando o rosto e vi Dorothy repousar a bandeja que trazia, sobre a mesinha de cabeceira, que por sinal, tinha um porta-retratos em cima dela, com uma foto minha e de Herval. Naquele passeio de gôndola in Veneza, na nossa lua de mel.

– Eu trouxe isso pra você comer, Pam... já passou do horário do jantar e você não comeu nada...

– Estou sem fome, madrinha... – Murmurei, jogando um olhar desanimado para a bandeja com comidas que no momento só me embrulharam o estômago.

– Pode deixar, tia Dorothy... eu faço ela comer. – Joaquim disse, dando uma piscadela para Dorothy, que retribuiu e se retirou do quarto. – Você quer que eu lhe dê, mommy? – Eu sorri com esse ato tão singelo e carinhoso e neguei da forma mais branda que consegui.

Thank you, my love... mas eu estou mesmo sem fome. – Ele suspirou e sentou-se ao meu lado na cama, segurando minha mão e contornando o ‘M’ da palma dela, com o dedo.

– Mamãe... eu sei que você e o papai estão meio brigados... – E eu, inocente, achando que ele ainda não tinha percebido... – Mas seja lá o que ele tenha feito, desculpa o papai, mommy... ele não fez por mal. – Falou de um modo so cute que me arrancou um sorriso para sobrepor as lágrimas.

– E por que você acha que seu daddy fez alguma coisa? – Ele mirou os pezinhos balançando por não alcançar ainda o chão e respondeu:

– Porque ele me disse uma vez... que não importa o que aconteça. O marido é sempre quem faz tudo errado e a mulher que sempre tem razão. – E o sorriso que ele me arrancou foi ainda maior. Eu estava precisando disso e então o abracei agradecida. My son... sempre me ajudando nos piores momentos.

– Não se preocupe, little boy. Mommy and daddy vão se entender, okay? – Ele sorriu e confirmou com a cabeça, descendo da cama.

– A tia Dorothy disse que ia contar uma história pra eu dormir, hoje. Mas só se eu conseguisse lhe fazer comer... então... me ajuda aí, mamãe, vai... só um pouquinho... – Confirmo sorrindo e ele me abraça agradecido. – I love you...

I love you too, my sweet prince. – E ele foi saindo do quarto em seguida, todo lampeiro.

Enquanto eu tentava fazer alguma coisa descer na garganta que parecia apertada, via os minutos se passando e nada de Herval chegar. Isso me parecia a confirmação do que eu temia e me provocou imensas lágrimas.

A porta se abriu sem cerimônia e então avistei-o que me olhou de relance e depois foi buscar cobertas e na cama, pegou seu travesseiro. Tinha uma expressão dura e não parecia querer me dizer nada ou sequer notar o meu estado.

– Aonde vai? – Perguntei, antes que pudesse sair.

– Dormir com o Quim. Até que você tenha tempo pra conversar direito comigo, não vou mais dormir na mesma cama que você.

– Tudo isso é desnecessário, Herval.

– É assim que se trata uma menina mimada. – Corri e passei na sua frente fechando a porta e ficando diante dela, antes que pudesse sair. – Sai da minha frente, Pamela.

Mimada. É isso que você pensa de mim? – Ele mirou a grande janela a sua direita e suspirou. – Não seria atitude de uma menina mimada se sentir profundamente mal com tudo isso!

– Ao menos sentimento você ainda tem. – Disse seco.

– Por que está agindo assim comigo? Você que errou, esqueceu? Não tente inverter as posições!

– E já pedi desculpas! O que você quer que eu faça mais? Me ajoelhe? Beije seus pés?! Me desculpa, mas eu não vou fazer isso. Ainda tenho meu orgulho. Não vou ceder aos teus chiliques de garota mimada.

– Dá pra parar de dizer que sou mimada?! Você está lhe dando com uma mulher, não com uma criança!

– Pois eu me sinto lhe dando com uma menina de 5 anos! – E sem que eu pensasse em mais nada, minha mão quase ia parar na cara dele, mas o infeliz tem um bom reflexo e largando o travesseiro e a coberta no chão, segurou minha mão antes de ficar com uma marca vermelha na cara. Sua feição dura me entristeceu ainda mais. Ele parecia frio... – Eu vou dormir no quarto do meu filho. – Disse me puxando para que eu saísse da frente da porta.

– Agora é você que está fugindo! – Ele me olha. – Covardemente. – Concluo, e ele fechou a porta novamente. Eu já não evitava as lágrimas. Elas já faziam parte do meu rosto.

– Por que você tá fazendo isso com a gente? Por que esse mês inteiro convivendo feito dois estranhos dentro de casa?! Por que me ignorar? Me evitar? Me fazer de palhaço?!

– Eu não gosto de brigar, você sabe disso.

Não. Você gosta de fugir do que lhe dá trabalho. Quer tudo de mão beijada, e quer sempre que o outro corra atrás do seu perdão: como a menininha mimada que é! – Aquilo já estava me enchendo.

– Não seria atitude de uma garota mimada ir atrás de você na Plugar, para tentar me entender com você! – Ele demonstrou breve surpresa. – Não julgue antes de saber o que está acontecendo dentro de mim! Eu ouvi parte da sua conversa com a Rita... – Disse, baixando a cabeça e colocando uma mecha de cabelo para trás da orelha e ele suspira. Se afasta um pouco e num ato súbito, chuta o travesseiro em seu pé.

– Olha só a que ponto nós chegamos, Pamela. – Sentou-se na cama, enterrando as mãos nos cabelos.

– Olha só a que ponto os seus ciúmes nos fizeram chegar, Herval.

– Você acha que eu sou de ferro?! – Voltou a se levantar com expressão irritada. – Você que adora ficar me provocando com aquele idiota lá! O que esperava que eu fizesse?! Como queria que eu agisse?!

– Ernesto é meu amigo, Herval! AMIGO! FRIEND! Será que você não consegue entender o significado dessa palavra?! Não se dê esse valor... eu jamais perderia o meu tempo te provocando com o garoto!

– “Não se dê esse valor...”? Então e isso. Eu não valho mais nada pra você né? – Eu revirei os olhos, suspirando e tentando ao máximo não chorar, mas falho miseravelmente, sendo acometida por uma ira pela sua burrice que me faz lhe socar o peito convulsivamente.

Você vale a minha vida, seu idiota! O que eu estou querendo dizer é que o ato de te fazer ciúmes é baixo demais! Porque você vale muito mais que essas babaquices! O seu problema é que vê maldade em todo mundo! Homem nenhum pode se aproximar de mim, que já está interessado! – Ele tenta se defender, até o momento de conseguir agarrar meus pulsos e me conter com certa dificuldade.

– Você já se olhou no espelho hoje?! – Mantem-se segurando meus pulsos e eu já não consigo olhá-lo, só fecho os olhos e sinto sua testa encostar na minha. – Você é linda, Pamela! LINDA! Inteligente... é engraçada... humana! – As lágrimas continuavam me tomando o rosto. – Tem um perfume único que entorpece qualquer homem... – E seu rosto corre para meu pescoço; senti sua respiração descompassada e me arrepiei intensamente. – Sua boca... deixa qualquer um, doido...! – Ele solta meus pulsos e seu dedo toca meus lábios.

– Herval... para... por favor... – Minha respiração acelerava e meu corpo estremecia de saudades do dele que emanava calor.

– Sua pele macia... instiga qualquer pessoa...! seu...

– Herval... – Tento afastá-lo, mas minha mão sequer me obedece. Ela para em seu peito e segura firme sua camisa. Já não sabia mais segurar a saudade que sentia dele. Meu corpo precisava o seu; eu sucumbia de desejo e mágoa. – Não faz isso...

– ...corpo é tão...

– Não... para... – Suas mãos já estavam sobre o nó no roupão e o desfazia com calma.

– ...perfeito...

– Pelo amor de Deus, Herval... não...

– Faz qualquer um subir pelas paredes! – Encurta o papo e os atos, arrancando quase que selvagemente o roupão de meu corpo.

Notas finais
Continua...