Geração Pamerval - A história do início ao fim
111 Capítulo 111
Notas iniciais
Por Pamela:
Eles estavam jogados no chão. Suas roupas já estavam imundas pela areia daquele lugar e eu estava completamente desesperada!
Eles não estavam simplesmente brigando como fizeram várias outras vezes! Era algo mais sério! – Bem mais sério!– Uma arma estava entre os dois e que só era preciso puxar o gatilho para acabar com a vida de um deles...
Aquilo não podia estar acontecendo... eu desejei que aquela arma estivesse apontada para mim, naquele momento, porque eu era a culpada por aquilo estar acontecendo... eu não sei como encararia Herval – se ele saísse desse embate vivo – ele estava arriscando a sua vida para salvar a minha! Só que isso poderia ser evitado! Eu não deveria ter saído de casa escondido! Deveria ter ficado ao lado de my love... ele não deixaria que nada de mal acontecesse à Joaquim, eu sabia disso e deveria ter acreditado em sua palavra.
Agora, não adiantava chorar pelo leite derramado... eu podia ver o meu amor morto ali, a qualquer momento!
–Herval!! – Gritei rouca e era como se minhas lágrimas quisessem inundar aquela imensidão vazia. Sentia uma dor aguda tão forte no peito, que eu pensei que quem morreria ali era eu!
–Pamela! Foge! Sai daqui agora!! – Ele me respondeu, até um pouco autoritário, enquanto lutava com Jonas. Eu não podia! Não mesmo! Há algumas horas atrás eu havia saído de casa sem ao menos me despedir direito. Eu não lhe deixaria mais um segundo! Se tivéssemos que morrer, morreríamos juntos!
Ao contrário do que ele mandou, fui até o carro de Jonas e vi que seu celular estava lá. Não pensei duas vezes! Mesmo que minha visão estivesse embaçada pelas lágrimas, e eu estivesse tremendo mais que alguém com maleita, peguei o celular. Eles travavam uma batalha. Eu perdi a arma de vista, estava entre os corpos dos dois e isso me apavorava mais! Jonas não hesitaria em atirar, se tivesse a oportunidade!
Meus dedos pareciam ter vida própria! Eles não paravam um segundo quietos. Queria muito digitar o número de alguém, mas eles estavam contra mim! Senti uma dor forte, grave na cabeça, como se tivesse acabado de levar uma pancada. Aquele inferno não ia acabar nunca?!
–Larga ele, Jonas!! – Gritei. – Seu monstro!! – A dor só ficava maior! Mas não seria comparada a dor de perder Herval! Isso não poderia acontecer! Não pelos próximos oitenta anos.
A batalha chegou ao fim. O disparo se fez audível e o eco ficou pairando na minha cabeça, como se fosse o anúncio da chegada do inferno. Eu senti o meu corpo e a minha alma, desmoronarem! Caí de joelhos no chão, doeu, mas não mais que o peito. O celular de Jonas que estava na minha mão, escorregou e deve ter se perdido na areia. O meu problema agora era olhar para eles!
Eu não tinha coragem.
A arma estava na mão de Jonas e as chances de Herval estar vivo depois desse disparo eram quase nulas!
Exactly! QUASE!
Quem diria que um “quase” faria tanta diferença na minha vida inteira?! Eu estava com o rosto enterrada nas mãos, meus olhos eram duas cachoeiras e dentro da minha cabeça estava tudo tão complicado e sem nexo, que parecia que baterias de dez escolas de samba estavam batucando dentro dela!
Meus olhos estavam fechados, eu me recusava a ver aquela cena! Até que senti uma mão extremamente quente tocar meu ombro e o salto foi involuntário, sendo Jonas, eu estaria pronta para pegar a arma de sua mão e atirar na minha cabeça! Mas qual não foi minha surpresa ao olhar para a pessoa na minha frente e me deparar com Herval!
Ele estava profundamente ofegante, seu rosto, cabelo e roupa estavam sujos de terra, mas isso não importou nem para mim, nem para ele! Nossos corpos se chocaram um contra o outro e os seus braços, mesmo depois de todo aquele trabalho com Jonas, ainda conseguiram me abraçar tão forte que quase perdi o ar. Foi aí que em vez de as lágrimas cessarem, elas caíram com mais força! Eu soluçava muito pelo choro. Não podia acreditar que estava livre de Jonas!
–Oh my God! – Eu que estava e olhos fechados enquanto o abraçava finalmente resolvi abri-los... Jonas estava com a mão esticada, o tiro não havia pegado em nenhum dos dois?! Ele parecia estar... desacordado? – Oh no! – Ele se mexeu. Herval se afastou de mim e ficou em posição de ataque novamente. Jonas atiraria, era o fim! Ouvimos a sirene da polícia, eles vieram atrás de nós?!
Jonas parecia réptil se arrastando no chão e não ficou em pé com facilidade. A gente não tinha para onde correr! Ele ergueu a mão com a arma em nossa direção. De seus olhos as lágrimas pareciam sair com dor. Ele tremia. Herval se colocou na minha frente, eu tentei impedi-lo, mas ele é mais forte. Suas mãos prendiam minha cintura contra seu corpo e as minhas agarravam o tecido de sua camisa por trás, mas não consegui tirar os olhos de Jonas, ele estava demorando demais para acabar logo com aquilo...
Wait a minute! O que ele estava fazendo?! Jonas tirou a arma de nossa mira e a encostou na própria têmpora. Ele olhou para mim com uma expressão inenarrável, a qual nunca vai sair da minha cabeça, e disse:
–Se eu nunca vou ter o seu amor... minha existência não tem mais serventia alguma!
–Parado aí, meliante! – Disse o policial saindo do carro. Tarde demais! Eu vi Jonas caído no chão, com a arma na mão, com uma grande quantidade de sangue saindo de sua cabeça.
–Herval, ele... – Herval me abraçava o mais forte que conseguia. Minhas unhas cravaram firme em suas costas, e ele tapava minha visão também me fazendo enterrar a cabeça em seu peito.
Jonas... se matou.
Por Herval:
Foi algo inimaginável! No meio do embate contra o Jonas, eu consegui afastar a arma da minha mira, esticando seu braço. Involuntariamente o dedo dele apertou o gatilho. – Poderia ter sido em mim... – Óbvio que eu não faria com ele o que ele estava tentando fazer comigo. – Eu seria preso. – Mas para pelo menos conseguir fugir dali com Pamela, lhe dei um soco mais forte que os outros e ele perdeu os sentidos. Mas eu não sabia que seria por tão pouco tempo!
Jonas... se matou.
Eu não pude acreditar que o imponente Jonas Marra tiraria a própria vida! Ele estava louco. Completamente. A polícia cuidou de tudo, Pamela se agarrou a mim de uma maneira que eu mal conseguia me mover. Só me avisaram que nós precisaríamos passar na delegacia para prestar depoimento no dia seguinte, mais nada.
–Pam, vamos pra casa... – Falei, tentando lhe encaminhar para a moto, mas ela não saiu do lugar. – Pam? – Toquei seu rosto e seus olhos que estavam vidrados, piscou finalmente, mas ela ainda parecia estar em outra dimensão. – Vamos voltar pra casa...! – Repeti e ela acenou que sim.
No caminho, eu sentia suas unhas afundarem no meu abdome e seu rosto, nas minhas costas. Pamela estava em choque, o quanto antes revisse sua família, melhor. Chegamos em casa e Megan, Dorothy e Joaquim que já havia chegado e provavelmente contado tudo, saíram ao nosso encontro, correndo.
–Mom!! – Megan gritou, antes de esbarrar seu corpo no de Pamela. Ambas choraram e eu podia sentir em mim o alívio que mãe e filha sentiram ao saberem que não mais estariam separadas uma da outra.
Joaquim veio ao meu encontro e eu pude agradecer a todas as forças que possa existir nesse mundo, por ter me dado a chance de poder abraçar meu filho de novo. – Agora são e salvo. – Dorothy não ficou de fora do alívio, logo nós cinco estávamos juntos num abraço coletivo. A nossa família estava unida novamente.
Entramos em casa e Dorothy e Megan nos encheram de perguntas, Megan questionou onde estaria Jonas e Pamela voltou a desabar em lágrimas, deixando-se cair em meus braços. Ela não tinha a menor condição de contar para a filha que o pai dela – por pior que fosse – tinha morrido, pior, se suicidado.
Eu estava esgotado, imundo e precisava de um banho urgente! Mas faria isso para Pamela. Todos nós sentamos no sofá, Pamela ainda agarrada a mim e Joaquim abraçado a irmã.
–O que aconteceu com daddy? – Perguntou pela segunda vez. Respirei fundo e comecei:
–Megan... o Jonas, ele... estava sem saída... a gente brigou pelo controle da arma que ele tinha na mão, até que ficamos os dois esgotados. Eu levantei e ele permaneceu no chão, mas a polícia já estava chegando, ele não queria ser preso e... – Era difícil falar!
–E...? Tell me, Herval! – Disse nervosa.
–Seu daddy se matou, Megan!! – Pamela explodiu, antes que eu pudesse abrir a boca. – E eu vi com os meus próprios olhos! Por que você acha que estou assim?! Eu... eu vi ele... – Soluçava de tanto chorar. – Ele apontar a arma... para si mesmo, Megan...! – E a jovem começou a chorar junto com Pamela e Joaquim se agarrou mais a ela, talvez tentando confortá-la? O que ele fez foi apenas... fofo.
–Jonas?! E-eu não posso acreditar... – Dorothy se pronunciou.
–Pois acredite, madrinha! Ele fez isso! E na nossa frente! Foi... foi horrível... – Ela se chocou contra mim de novo, dessa vez eu senti dor, não estava recuperado nem da briga e nem do choque, mas fiquei calado. Apenas lhe abracei de volta. Ela precisava de um calmante urgentemente! E eu lhe abraçava o mais forte que conseguia.
–Mommy... não chora... – Joaquim largou Megan para falar com Pamela. Ela me soltou gradativamente, mas dessa vez para se agarrar ao Quim. Ela parecia querer absorver o garoto!
–I love you so much, my baby boy... eu... eu tive tanto medo de te perder, meu filho...
–Mas eu tô aqui, mamãe... do seu lado... não precisa chorar mais...! – Foi aí que ela chorou mesmo!
–Está... está de volta com sua mommy, e eu nunca mais vou desgrudar de você! – O abraçou com ainda mais força.
–Ai mamãe... você tá me sufocando... – Ele murmurou evidentemente sem ar, nos arrancando um sorriso rápido. Ao olhar de relance para a Megan, notei que ela parecia abatida, mas aliviada. Jonas nunca foi o pai perfeito, mas continuava sendo seu pai! Mesmo depois de tudo aquilo. Mas ela sabia que ele cavara sua própria cova, não havia porque lamentar.
–Vamos tomar um banho, meu amor... – Falei querendo e necessitando urgentemente da nossa banheira e depois da nossa cama.
Ela não falou nada. Só passou a mão no rosto da Megan e do Quim, carinhosamente, e se levantou para me seguir. Não demorou para que estivéssemos no quarto e eu jogasse minha camisa imunda em qualquer lugar.
–Vou preparar o banho... – Falei antes de ir em direção ao banheiro. Liguei a torneirinha de encher a banheira e voltei para o quarto, Pamela estava quieta demais... – Tá tudo bem, Pam? – Perguntei me sentando ao seu lado na cama. Ela estava com o olhar perdido que agora encontrava o meu. Deu um sorriso desaminado e pousou a mão no meu rosto.
–Eu já falei que te amo, Herval Domingues?
–Falou... hoje mesmo de manhã... – Respondi sorrindo. – Eu não tava dormindo, Pamela... mas eu fiquei muito triste em saber que você iria me abando... – Não me permitiu terminar. Fui surpreendido por um beijo seu que parecia bem necessitado. Não era hora de falar sobre aquilo, desisti. Quando cessou o beijo, foi a vez da minha mão escorregar em seu rosto e logo falei: — Vamos tomar nosso bendito banho? – Ela acenou que sim e nos levantamos. Ela já tirando o vestido e eu caminhando na frente.
–Oh... it's so amazing... – Gemeu essas palavras ao sentir a água inundar seu corpo.
–Eu nunca pensei que um banho seria tão preciso assim, na minha vida! – Retruquei. Estávamos de lados opostos da banheira, nos olhando nos olhos. As palavras faltaram, na verdade nem eram necessárias! Já tínhamos perdido todas as forças naquele dia e falar cansa demais!
Alguns minutos calados se passaram e eu estava com a cabeça encostada na borda da banheira, de olhos fechados, relaxando, quando senti a água se movimentar e junto com ela, Pamela que agora se encontrava em cima de mim. – Seus seios tocavam minha pele. — Abri os olhos para encontrar os seus, bem pertinho e ela começou a brincar com os fios do meu cabelo, enquanto sorria doce.
Depois dos cabelos, suas mãos percorreram para o meu rosto e ela contornava cada curva e cada saliência que houvesse nele, como que gravando cada pedacinho. E enquanto seus olhos focavam em cada parte o meu rosto, os meus focavam em cada pedacinho do seu. Como é possível alguém sentir uma coisa tão forte quanto esse nosso amor?
Minhas mãos escorregaram por suas costas molhadas e eu a percebi se arrepiar. Era melhor encerrarmos esse banho, antes que eu quisesse fazer o que no momento não era propício!
–Eu tô morrendo de cansaço, vamos cochilar um pouco? – Falei lhe despertando do transe de me olhar. Ela acenou positiva e freneticamente, como se também estivesse morrendo de cansaço, se levantou de cima de mim, me deixando a visão de todo o seu corpo nu e saiu da banheira. Eu logo atrás.
Vestimos roupas confortáveis – e limpas, o que necessitávamos – e quando deitamos na cama, bateram na porta.
–Mommy, daddy, posso entrar?
–Yeah my baby! Entre! – Pamela que respondeu e Joaquim entrou correndo. Também tinha tomado um banho com a ajuda da Dorothy.
–Eu posso ficar aqui com vocês? – Perguntou saltando na cama. Eu e Pamela nos entreolhamos com meio sorriso na cara e a resposta que lhe damos foi puxá-lo para ficar entre nós dois e o enchemos de cócegas, que o fazia gargalhar e implorar para que parássemos.
Estávamos unidos novamente.
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