Notas iniciais
Oi, oi gente! Boa leitura!

Por Pamela:

Alguém me ligava. Mas eu não sabia quem, não conhecia o número. No entanto, senti um frio na espinha, como que um pressentimento. Me veio apenas um nome na cabeça: Jonas Marra.

–Alô? – Atendi com o coração apertado.

–Não fala meu nome, minha MarraWoman... – Yeah, era Jonas e eu senti o peito doer.

–Eu estou sozinha, seu idiota! Onde está meu filho, seu canalha?! Devolva-o agora! Você enlouqueceu de vez? Joaquim é uma criança!

–Xiiiu! Fala baixo e direito comigo! Tá querendo ver essa pestinha morta?

–No!!! Não faça nada com o Quim, pelo amor de Deus! O que você quer, Jonas...? Me deixa em paz... – Minha garganta já estava apertada e as lágrimas rompiam as fronteiras os meus olhos.

–Eu quero você, Pamela... e se esse moleque é a única maneira de chegar em você, é ele mesmo que vai ser! – Minha cabeça estava para explodir. – Você quer ele de volta em casa, não quer?

–Of course que quero! Você não tem o direito de estar com my baby boy! Quero ele aqui! Com a Family dele!

–Então você vem no lugar dele...

–What?! Jonas você precisa procurar ajuda profissional, você não está bem...

–Está insinuando o que?!

–Jonas, eu não te amo, coloca isso na sua cabeça! Você acha que seria feliz ao lado de uma mulher que não te ama?

–Não acho, eu tenho certeza de que eu só vou ser feliz quando tiver você comigo! – Eu passei a mão no rosto devagar, eu precisava acordar, aquilo só podia ser um pesadelo. – E então, vai querer o moleque de volta em casa ou não? – Era meu filho, my baby... eu o protegeria com a minha vida!

–Yeah! Quero. Onde nos encontraremos para a troca? – E enquanto ele falava e me enchia de informações para além do local do encontro, fechei os olhos, deixando as lágrimas escorrerem. Eu viveria no vigésimo dos infernos, mas meu filho ao menos seria feliz... a vida dele importava mais que a minha... Herval o amaria sempre e cuidaria dele. Eu sei que não deixaria meu nome nem meu rosto se apagar na mente e do coração de Joaquim e aquilo me bastava. Eu não veria o casamento de Megan... e isso me doeu profundamente no coração... mas eu era o imã que atraía o mal, de nome Jonas Marra, para aquela família. Se eu me entregasse de vez a Jonas, eles ficariam em paz finalmente.

–Pamela, eu tô te levando um lanche e nem adianta recusar, hein! – Ouvi a voz de Herval e a porta se abrindo, imediatamente desliguei o celular praticamente jogando-o em cima da mesinha. Estava marcado. No dia seguinte, antes que todos acordassem, eu ia de encontro à Jonas. Herval entrou no mesmo instante em que eu joguei o celular e olhou para ele, estranho, mas pelo menos não pareceu ter percebido nada.

Oh honey, nada me desce! – Reclamei.

–Mas vai ter que descer, porque você precisa estar alimentada para a gente ir na delegacia, denunciar o Jonas. Dessa vez ele não escapa! – As palavras para responde-lo me faltaram. Jonas me fez prometer que não acionaria a polícia.

Exactly agora? – Falei finalmente. – Eu posso ir sem precisar comer isso, eu estou bem, acredite!

–Mas Pam...

–Please, Herval. Eu agradeço, mas acho que posso ao menos escolher o que é melhor para mim. Se temos que ir à polícia, vamos logo. – Levantei da cama caminhando em sua direção, quando instantaneamente tudo rodou e escureceu diante de mim.

Por Herval:

Eu entrei no quarto com uma bandeja na mão e vi a Pam jogando o celular em cima da mesinha de cabeceira. A sua cara não era das melhores, estava pálida e havia indícios de que ela havia chorado naquele momento. Algo de muito estranho estava acontecendo...

Quando falei que precisávamos ir à polícia, ela meio que paralisou, mas quando tornou a si, disse que não comeria e que deveríamos ir logo à polícia. Se levantou da cama de uma vez e de repente estava no chão.

–Pamela!! – Gritei assustado, colocando a bandeja em qualquer lugar e correndo para tentar socorre-la. Imediatamente peguei-a nos braços e coloquei-a na cama, correndo para fora o quarto chamando a atenção da Megan. – Megan! Por favor, liga para o médico da Pam.

–O que houve com Pamela?! – Brian que ainda se recuperava da surra, levantou preocupado.

–Ela desmaiou. Deve ter sido só queda brusca de pressão, mas é melhor ligar para o médico! – Megan pegou o celular e ligava para o doutor, enquanto eu voltava para o quarto, para tentar despertar Pamela. – Pam... Pam, acorda... – Eu afagava seus cabelos e lhe chacoalhava de leve. Nada. Peguei um perfume em cima da mesinha e levantando sua cabeça um pouco, tentei fazer com que despertasse cheirando aquilo.

Algum tempo depois ela tossiu incomodada. Ufa! Começava a despertar.

–Pam...? – Ela parecia bem mais afetada pela situação, que antes. E desnorteada.

–Her...Herval, o-o que aconteceu?

–Você desmaiou, Pam... o seu médico já tá vindo para cá.

–Oh no, Herval, não p...

–Nem inventa de dizer que não precisa. Já mandei a Megan ligar para ele.

–Herval, o doctor não está atendendo... – Foi só eu falar que ela apareceu na porta.

Tenta de novo.

–Só dá fora da área de cobertura... não adianta.

–Então a gente vai para o hospital! – Falei me posicionando para pegar a Pam nos braços, mas ela se negou.

–No, não precisa dramatizar tanto, Herval. Meu filho acabou de ser sequestrado pelo meu ex-marido psicopata, e você esperou que eu ficasse como? Esse desmaio foi apenas reação à isso, já passou...

–Eu prefiro confiar num diagnóstico médico...

–Herval, mom tem razão! O sequestro do Quim abalaria qualquer um, ainda mais a mommy dele! Mom não tem uma reação muito boa a fortes emoções, mas é só ela ter uma boa noite de sono que está nova em folha! – Megan deu apoio à mãe e eu tive que ceder. Eram duas contra um.

–Tá, tá bom... – Me rendi. – Você que sabe, a saúde é sua... mas por hoje você vai ficar de repouso só para garantir. Amanhã, sem falta nenhuma a gente vai na polícia, afinal, não é o Quim que o Jonas quer né... ele não vai fazer nada com o nosso filho... – Pelo menos ele que não se atrevesse, porque se tocasse num fio de cabelo do meu filho, ele não ficaria vivo para contar história. — Eu vou preparar a banheira pra você tomar um banho tá? – Ela acenou positivamente e a Megan saiu do quarto.

Fui para o banheiro e enquanto a banheira enchia, eu fiquei refletindo... a gente tinha acabado de enfrentar uma super crise, estávamos brigando a pouco tempo atrás, nos reconciliamos a pouquíssimo tempo, por tanto ainda estávamos abalados, e de repente acontece uma coisa dessas?!

Nossa família estava como um vaso de cristal nas mãos de um bebê.

–Pam, a banheira já tá... – Mais uma vez ela estava com o celular na mão e jogou-o, dessa vez, em cima da cama. – Pronta... – Tinha alguma coisa errada aí, e eu ia descobrir o que era!

–Oh, já estou indo, honey... – Ela respondeu baixinho, parecia ainda mais desanimada do que já estava. Esperei que quando ela fosse para o banheiro eu pudesse ver o que ela tanto fazia no celular que me escondia, mas Pamela me chamou para lhe fazer companhia no banheiro. Disse que minha presença lhe acalmava.

Eu fui, claro, minha verificação teria que ficar para mais tarde.

(...)

A lua estava alta, Brian tinha ido embora, Dorothy e Megan estavam na sala, a postos esperando qualquer ligação, enquanto eu cuidava da Pam no quarto. Aquela casa sem Joaquim perdia a alegria...

Na hora de dormir, Pamela deitou de costas para mim e parecia se encolher na cama como se estivesse acanhada ou com medo de alguma coisa. Como eu queria que nada daquilo estivesse acontecendo... quando eu vi que ela cochilou, o que não duraria muito, peguei seu celular e abri nas mensagens.

Foi o que eu imaginei... estava mesmo tentando esconder alguma coisa de mim no momento em que eu apareci no quarto, que esqueceu de apagar a mensagem. O número eu não conhecia, e ela não havia identificado. A mensagem que ela enviara é que a pessoa deveria ligar naquela madrugada, para o telefone do escritório da mansão. E em seguida, o número do mesmo.

Era agora!

Dentro de um segundo, hipóteses horríveis me passaram pela cabeça, o que me deixou culpado em imaginar aquilo, mas eu tinha que tirar a prova. Ouvir com os meus próprios ouvidos do que se tratava aquilo.

Pamela se mexeu e eu coloquei o celular no lugar, assustado, voltando a deitar, mas não preguei os olhos, apenas esperando o momento em que ela levantaria.

Horas depois, levantou.

Cheia de cuidado para “não me acordar”. Como se eu estivesse dormindo! Pamela se enrolou num hobbe e saiu do quarto pé ante pé. Seria agora ou nunca! Dei um tempo e depois a segui. Eu tinha medo, sinceramente, do que eu ouviria, mas teria que arriscar.

Comecei a ouvir a sua voz vindo do escritório. O telefonema já tinha sido feito. Eu fui até a sala à passos de fantasma, peguei o telefone e liguei com o do escritório. Dessa maneira, eu ouvia o que ela e a outra pessoa falavam.

–E então? Tá fechado né! Olha, vê se não fura comigo, senão teu filhinho morre...

–No! Não vou furar, Jonas. Amanhã, antes de Herval acordar, eu já estarei fora de casa, a caminho o local que você me falou... – Não, Pamela! Como pôde esconder isso de mim?! Ela ia embora, se entregaria ao Jonas e me deixaria enlouquecer de preocupação sem saber onde ela haveria se metido, arriscaria a própria vida e a do Joaquim, já que não sabíamos se o Jonas devolveria mesmo ele...

–E você gravou direitinho né? A gente vai se encontrar no... – Instantaneamente eu peguei o primeiro papel e caneta que vi pela frente, segurei o telefone com o ombro e anotei o endereço que o idiota falava bem devagar para que a Pam gravasse.

Era o bastante. Desliguei o telefone e voltei para a cama, para que a Pam não desconfiasse de nada. De lá mesmo liguei para a polícia. Tínhamos um conhecido lá ao qual eu expliquei toda a situação. Armamos enfim uma emboscada para Jonas Marra. Seguiríamos a Pam, esperaríamos o Quim estar a salvo, claro, e aí sim a polícia entrava em cena para prender o Jonas, mas antes eu teria que encher aquela cara de pau dele de muitos socos!

–Me aguarde, Jonas Marra...

Pam voltou para o quarto soluçando. Sentou na cama enterrando a cabeça nas mãos e aquilo me doeu tanto o peito... ela não queria ir, faria pelo nosso filho, no entanto, estava sendo uma irresponsável fazendo aquilo!

E eu rezava para que tudo desse certo naquele dia que viria.

Notas finais
Continua...