Geração Pamerval - A história do início ao fim
103 Capítulo 103
Notas iniciais
Por Herval:
Girei a maçaneta e abri a porta. Não sei o que estava passando pela minha cabeça, acho que nada estava passando pela minha cabeça! Eu estava apenas seguindo algum instinto. Provavelmente um instinto suicida!
Assim que coloquei os olhos lá dentro, não tinha ninguém. A cama estava apenas com suas peças de roupa e eu pude ouvir o barulho de água caindo no chuveiro do quarto. – Ela estava tomando banho, era obvio. – Fui até a cama, e por um momento segurei seu vestido, minha imaginação ferveu! De repente surgiu uma vontade incontrolável de caminhar até aquele banheiro, abrir aquela porta e não perder um segundo sequer! O corpo ferveu ao imaginar fazer isso e quando dei por mim, já estava na frente da porta do banheiro. O que diabos estava dando em mim? Virei louco? Fazendo as coisas sem nem notar!
Não ouvi mais o barulho da água. Ela estava saindo do banho! Depois de senti uma fisgada no peito, me virei rapidamente e tentei sair do quarto, quando ouvi:
–Herval?! – Droga! Não deu tempo... – O que está fazendo aqui? – Agora era sua vez de me fazer essa pergunta, só que eu não tinha a desculpa de estar procurando a Megan, como ela teve.
Me virei para fita-la, mas antes não tivesse feito isso. Pamela estava com o cabelo enrolado num coque, e ela mesma estava enrolada numa toalha, pressionava as duas mãos contra o peito, segurando a toalha e estava muito surpresa com a minha presença.
–E-eu... eu vim buscar... buscar... – Caramba! Cadê as desculpas que não aparecem?!
–Buscar...? – Arqueou as sobrancelhas.
–Eu vim buscar uma camiseta que eu gosto muito de dormir com ela... que não está naquela... na-que-la ma-la... – Essas últimas palavras, pronunciei pausadamente, percebendo a besteira que eu estava fazendo. Era assim que eu queria tentar uma aproximação? Citando algo que lembrasse a nossa discussão? Herval, você é um babaca!
–Mas você raramente dorme usando alguma camiseta! Só quando está frio, aliás, tá aí uma coisa que eu nunca entendi... enquanto todo mundo se agasalha, você põe uma camiseta! – Sorri sem graça. Minha desculpa não colou.
–Ah é... você me conhece tão bem, não é, Pamela... até mais que eu mesmo...! – Dei um passo à frente e percebi ela dar um para trás. Não foge de mim não... ela deu um sorriso sem graça. – Bom, então deixa pra lá... eu... eu vou indo, então. – Dei um passo para trás e ela um pra frente. – Boa noite...
–Good night... – Caminhei até a porta, segurei a maçaneta. O que eu tinha a perder? Nós estávamos à beira do divórcio! Se eu lhe desse um beijo ali, agora, o máximo que aconteceria era eu levar um tapa. Olhei para trás, ela se encolhia na toalha. Ah que vontade de arrancar aquela toalha do seu corpo... por mim, eu agarrava ela, jogava-a naquela cama e... deixa pra lá. Não sou capaz...
Girei a maçaneta e saí do quarto.
Deitando novamente no chão, fiquei imaginando o nosso futuro... caso nosso casamento acabasse, eu me fecharia para sempre! Me dedicaria até o último dia da minha vida, à Plugar e nunca mais me envolveria com mulher nenhuma. Depois que se é casado com uma mulher feito a Pam, a gente acaba ficando mais exigente, entende?
Mas não tive apenas pensamentos negativos... pensei também na possibilidade da gente se reconciliar... uma viagem a gente pudesse fazer... não pude evitar imaginar a Pam grávida de um filho meu... digo, uma filha, já tínhamos o Quim, faltava agora uma menininha... mas tive que afugentar logo esse pensamento! Nem se reatássemos isso não seria possível, ela não pode mais engravidar... seria muito arriscado. Herval, esquece isso! Fechei os olhos e busquei dormir.
(...)
Por Pamela:
Situação difícil! Saí do banheiro e dei de cara com Herval no quarto. Era algum tipo de provocação? Para ver se eu perdia o juízo de vez e lhe roubasse um beijo? Pois não conseguiu! Mas se ele ficasse mais um segundo naquele quarto, juro que não aguentaria. Herval sempre me fascinou e agora entrava no quarto só com uma calça de moletom facilmente removível?! Depois daquela noite um tanto quanto bizarra, precisei de um remédio para dormir.
No dia seguinte, nos encontramos na mesa, no café da manhã. O clima não era lá dos melhores, mas tivemos que manter as aparências por causa do Quim. Bom, mas depois da noite passada, não nos olhávamos nos olhos... semanas já haviam se passado! Aquilo não acabaria nunca?!
Fui para a Marra. A Parker estava super bem encaminhada com Megan, eu não tinha muito o eu fazer lá... mesmo que não fizesse nada na Marra também, ao menos tinha Ernesto! Por mais estranho que possa parecer, ele é uma boa companhia... tenho que admitir! Além de que foi ele que salvou a minha vida, right?!
–Hi, carismático Ernesto! Tudo bem com você? – Mais uma vez nos encontramos na cantina.
–Oi, Pamela! Tudo ótimo! Melhor agora... – Sorri. – Você me parece bem melhor, hoje!
–Oh eu preciso estar melhor, Ernesto! A vida segue! Eu não posso ficar parada...
–Wow! É isso aí! Gostei de ver... então, já que não pode ficar parada... você não toparia ir à festa na Gambiarra hoje?
–Oh Ernesto, de novo? Eu não tenho cabeça para festa...
–Por favor, Sheldinha... é um pedido de amigo! Te prometo que você vai gostar!
–I do not know... – Será que seria uma boa ideia eu ir?
–Vamos... olha, se você não estiver se sentindo bem, você volta pra casa, não tem problema! Mas tenta se divertir! – Fiz careta. – Você me deixou ser seu amigo! Agora precisa confiar no que eu acho que vai te distrair! Eu só aceito “sim” ou “claro” como resposta. – Garoto insistente!
–Okay... eu vou... – Ele vibrou. – mas vou daqui da Marra mesmo. Não quero passar em casa e...
–E encontrar o Herval? – Com pesar, acenei positivamente. – Tudo bem... o que importa é que você vai! – Ele sorriu, e eu retribui mais por educação.
(...)
Ernesto praticamente me arrastou para aquele lugar! Eu sempre adorei festas e acho a bandinha o tio de Davi muito simpática! Mas eu realmente não estava disposta. Sentamos numa mesa e ele disse que pegaria uma bebida para a gente. Eu mal cheguei e já queria ir embora! A banda começou a tocar e aquele som que sempre me agradou, agora fazia minha cabeça doer.
–Vamos dançar? – Ele chegava com as bebidas e já me chamava para dançar.
–Oh no... eu acho melhor não... estou bem aqui. – Falei, pegando o copo.
–Ah Pamela... vamos! Qual a graça de vir a uma festa se não dançar?! – Por que ele insistia tanto?! Não via que aquilo estava sendo uma tortura para mim?
–Okay... – Já estava lá! Let’s go! Nem sei o quê que era aquela bebida, bebi de uma só vez, sentindo a garganta arder e segurei em sua mão, que me conduziu para a pista. Aquela foi a PIOR coisa que eu poderia ter feito! – Pega mais uma bebida para mim? – Pedi, após alguns segundos de dança. Tinha que estar devidamente alcoolizada para aguentar aquilo, até porque eu também não queria ir pra casa. Se encontrasse Herval, não sei o que faria...
–Toma aqui. Mas vai com calma hein! – Me advertiu. Ah! Qual é?! Vai me regular?! Parece Dorothy!
–Calma? Oh Ernesto, eu desconheço essa palavra! – E virei esse copo de uma vez também. Agora ardeu também, mas não tanto quanto antes. Senti a cabeça girar. – Mais um!
–Só depois que você dançar mais um pouco comigo. Se beber tanto assim vai ficar tombando.
–Oh Ernesto! Eu não quero dançar okay? Eu quero esquecer de tudo! – Falei caminhando até o bar onde ele pegara a bebida.
–Pamela! – Correu atrás de mim.
–Mais um, por favor! – Pedi ao barman, que logo me atendeu. Virei de uma vez. – Isso é bom!
–É, mas não pode exagerar... – Ernesto estava me saindo um chato!
–Mais um, please! – E bebi o quarto copo. – Qual o nome disso?
–Chama... “urina do capeta”.
–Oh! – Olhei para Ernesto assustada e ele sorriu.
–Não se preocupa, é só uma mistura de whisky, conhaque e Vodka.
–Então... hey! Me dê mais um! – Pedi ao barman.
–Não, não, não. Você não vai mais beber. A mistura desses três te deixa três vezes mais bêbada!
–Ah! Você que me chamou pra se divertir e agora não quer me deixar fazer isso?! Ai... – Pus a mão na cabeça.
–O que foi?
–Hum... uma dor de cabeça irritante... acho que... acho que é melhor eu ir embora... – Comecei a caminhar em direção a saída.
–Pamela! Não, Pamela, espera! – Estava abrindo a porta o meu carro quando ele agarrou meu braço.
–Você não pode dirigir. Você bebeu!
–Quatro copos apenas Ernesto! Eu tomo cuidado, sorry, mas o barulho não vai ajudar muito... obrigada por tentar me animar Ernesto... — Deslizei a mão em seu rosto e entrei no carro.
Ufa! Livre! Eu não queria ter mentido, inventado uma dor de cabeça, mas se eu não o fizesse, ele provavelmente não me deixaria sair dali e nem me divertir como eu queria. Fui pra casa o mais rápido que eu pude, só havia esquecido que com certeza encontraria Herval. Durante o caminho, senti minha cabeça rodar... vai ver era efeito daquela bebida que até no nome era demoníaca. Acho que posso dizer que aquele troço me deixou meio altinha...
Por Herval:
–Hi Sr. Domingues! – Eu estava sozinho na sala, só de bermuda, lendo um livro, quando Pamela entrou em casa meio esquisita. Eu lhe olhei estranho.
–Oi, Pamela... – Levantei do sofá. O que ela tinha?
–Nossa! Que cumprimento mais desanimado! – Ela caminhava até mim, não parecia estar muito equilibrada... – Wow! – Foi eu pensar, e ela tropeçar no próprio pé.
–Pamela! – Antes que ela se estatelasse no chão, me pus a sua frente, tentando lhe segurar. – Te peguei... – Tentei erguê-la e senti uma coisa estranha com a sua cabeça em meu peito. Ela ergueu a cabeça, tentando me olhar nos olhos e de sua respiração senti sair um leve cheiro de álcool. – Pamela, você bebeu? – Ela só sorriu. Na verdade, pouco me importava se ela tinha bebido ou não. Ela estava bem ali pertinho de mim, suas mãos seguravam meus braços, enquanto ela tentava se recompor e as minhas estavam em sua cintura. Ela não sabia para que parte de mim ela olhava e aquilo estava me deixando um pouco constrangido...
–Herval, eu já disse que you’re so hot? – Quê? Definitivamente ela tinha bebido. Mas me olhava de uma forma tão sedutora... e aquele sorriso safado que ela dava quando ia aprontar...
–Pamela eu... eu vou te levar para o quarto, você não tá falando coisa com coisa... – Com certeza se arrependeria pelo que estava dizendo.
–Eu nunca falei?! – Comecei a lhe arrastar para o quarto. – Pois então saiba, Mr. Domingues, you’re delicious! – E soltou uma gargalhada quando entramos no quarto.
–Pamela, você... – Em questão de segundos se pôs na minha frente, segurou meu rosto e me beijou. Assim, como quem fala “Oi” a um conhecido. Inicialmente não correspondi, ela se arrependeria ao final, não valeria a pena me arriscar. – Pamela, escuta... – Mais um beijo. Droga! Me deixa falar! Se continuar me beijando assim eu não vou me segurar por muito tempo! – Eu não... – Ela tentaria novamente, quando seu segurei seus pulsos. – Pamela, me escuta! Você tá bêbada, vai acabar se arrependendo disso!
–Ah você não quer, então tá... – Ela deu meio passo, merda! Aí já era apelação... e eu me vi OBRIGADO pelo meu próprio corpo a lhe beijar.
Segurei seu braço e quando ela voltou o rosto pra mim, lhe puxei num ímpeto, fazendo nossos corpos se esbarrarem ferozmente e eu lhe atacar os lábios. Ela se assustou, óbvio, não esperava que eu o fizesse, mas quem mandou provocar? Uma mão percorreu suas costas e entraram por debaixo de seus cabelos, agarrando-os pela nuca. O outro braço envolveu sua cintura completamente, o que fez com que ela soltasse um gemido, ao perceber seu corpo sem espaço de fuga. – Como se ela quisesse fugir... – Suas unhas se cravaram no meu braço e eu finalmente matava a saudade daquela boca... era um beijo intenso, saudoso, urgente, completamente necessário!
Não me pergunte por quanto tempo ficamos nos beijando e por quanto tempo nossas línguas se entrelaçaram, e brincaram, e dançaram uma com a outra, porque não sei dizer!
Quando percebi que se não parasse de beijá-la acabaria morrendo sem ar, apartei nossos lábios. Eu definitivamente não podia me separar daquela mulher...! O olhar que trocamos não pode ser definido como intenso, era algo muito maior, muito mais forte, muito mais ardente!
Teríamos enfim colocado fim àquela crise?
–Oh shit! – Ela pôs a mão na boca e correu para o banheiro.
–Pamela?! – Fui atrás dela. A encontrei ajoelhada no chão vomitando no vaso sanitário. – O que você tomou, hein Pam...? – Perguntei, preocupado, me debruçando e segurando seus cabelos.
–Urina do capeta... – Respondeu com meio sorriso, aquele nome era mesmo bizarramente engraçado. Eu conhecia aquela bebida, era bem comum em festas da Gambiarra, ela provavelmente estava lá, já que Rita me disse que haveria uma festa e até me convidou. Pamela estava acostumada com champanhe, não com whisky, conhaque e vodka! Ainda mais tudo misturado!
–Vem cá vem... – Lhe ajudei a levantar. Ela tombou para um lado, mas eu a mantive firme.
–Obrigada... – Ela parecia envergonhada. – O que você está fazendo?!
–Calma, só tô tentando te ajudar... – Respondi sorrindo. Eu estava abrindo o zíper do vestido dela. Pamela precisava de um banho frio já! – Termina de se despir, eu vou esperar aqui na porta... – Falei caminhando até a porta e me encostando nela, ficando de costas para a Pam.
Segundos depois, ouvi a água caindo no chão.
“Não olha, Herval! Não olha!” – Era o que eu repetia para mim mesmo – ah mas já fazia tempo que eu não a via daquele jeito... era irresistível! Aproveitei um momento em que ela estava de costas, molhando o cabelo, e olhei, como quem não quer nada. Imediatamente saí daquele banheiro. “Eu não posso ficar tão perto. Isso não vai dar certo...”
–Herval? – Minutos depois, ela saía do banheiro, enrolada na toalha. Quando me encontrou sentado na cama, sorriu. Eu levantei e peguei sua camisola que estava ao meu lado, para lhe entregar. Pamela agradeceu e foi se trocar.
–Se sente melhor? – Perguntei quando ela retornou ao quarto.
–Yeah... thanks. – Sorriu sem graça. Estava envergonhada do “vexame”.
–Não tem de que... – Respondi, enquanto ela deitava na cama. – Dorme, descansa... só espero que você não acorde com uma ressaca muito forte amanhã... – O que diabos eu estava fazendo? Sentado ao seu lado, esperado ela se aconchegar melhor no travesseiro e começando a lhe fazer cafuné na cabeça. – Boa noite, Pamela... – Sussurrei quando percebi ela adormecer. Mirei o teto e abri um sorriso largo.
Nós nos beijamos...
Nós nos beijamos!!!
Fale com o autor