Gemini - INTERATIVA
7 Capítulo VI - Plano
Notas iniciais
Os três Geminis estavam sentados em um círculo, observando o mapa criado por Dankim atentamente. Já fazia horas que estudavam as instalações das outras bases e pensavam a respeito do próximo passo. Kayo bocejava como se estivesse sentindo uma intensa quantidade de tédio, no entanto os pensamentos do rapaz continuavam em um caos intenso.
— Eu não sei se estou preparada para voltar lá de novo depois de ter conseguido sair. — Stlevana comentou um pouco insegura. Na verdade, esse era o sentimento que tomava todos ali, pois sabiam que estavam diante de um inimigo poderoso.
— Só conseguiremos chegar ao objetivo final se tivermos um grupo maior e específico de pessoas. — Afirmou Dankim. — Só que dessa vez não será tão fácil como da primeira. Tínhamos um elemento surpresa e eles não souberam o que fazer. Agora eles sabem do que somos capazes e vão se preparar para isso.
— Então o que você sugere? — A garota perguntou confusa. De fato, aquilo soava muito arriscado. — Se um de nós fomos capturados já era, não é? Eles não parecem ser do tipo que cometem o mesmo erro duas vezes.
— Dadas a circunstâncias não podemos esperar muito para atacar. Por isso temos que fazer isso logo. Eu acho que por mais arriscado que seja, dessa vez devemos nos separar e fazer tudo de uma vez só já que não haverá outra chance. O complexo seis e o oito, vamos atacar os dois simultaneamente e ter uma fuga em massa.
— Você ficou louco Dankim? — Stlevana disse perplexa e olhou para Kayo esperando que o rapaz também se opusesse.
— Dankim está certo. — Respondeu. — Os Aurus acham que eu sou extremamente impulsivo, provavelmente vão pensar que eu fui direto para o complexo quatorze buscar minha irmã. Eles vão reforçar a segurança lá vão se descuidar dos que estão próximos por acharem que a tendência é nos afastarmos depois de fugir.
— E se isso não acontecer? — Ela questionou.
— De qualquer modo não temos opções melhores do que essa. — Dankim disse friamente e abriu um mapa mais amplo que abrangia toda a cidade. — A cidade deles tem um formato circular e em cada extremidade um complexo de laboratórios. O oito, sete e nove são relativamente próximos. Vamos nos dividir em dois grupos de resgate, um irá se focar no resgate do complexo oito e o outro do nove. No entanto, teremos mais sucesso se alguém servir de isca.
Kayo soltou um riso baixo sabendo que o homem oriental se referia a ele. — Mas antes tem algo que precisamos fazer. — Afirmou e Kayo assentiu.
O rapaz aproximou-se de Stlevana, e ela ficou um pouco acuada. Ele colou a mão sobre a nuca dela de maneira delicada, porém mantendo uma certa distância. No minuto seguinte a garota sentiu uma descarga elétrica forte no ponto específico, porém se recuperou em questão de segundos. — O que foi isso? — Disse assustada.
— Eu dei um curto circuito no dispositivo que eles usam para rastrear você. — Respondeu tranquilamente e fez o mesmo com Dankim. — Quando saírem daqui o único que vai chamar atenção sou eu. — Deu uma piscadinha.
— Poderia ter avisado! — Ela protestou e ele riu.
O plano desenvolvido por Dankim teria que ser executado com toda cautela e precisão, uma vez que, eles não teriam a menor possibilidade de se comunicar ou pedir ajuda caso fossem capturados. Juntos sem a menor dúvida eram os mais fortes, no entanto as chances de falha tornavam cada vez maiores. Se arriscar e ultrapassar os limites, sem dúvidas aquela seria uma das missões mais ousadas aos quais estavam sujeitos a ir. Kayo sentia um intenso calafrio e a sensação de que algo estava incrivelmente errado, era muito além de um pressentimento, mas essa era a determinação que buscava para ir até o final e dar o melhor de si.
y
Enor já estranhava o fato dos Geminis terem literalmente desaparecido dos radares, e logo uma revista por toda a cidade foi iniciada. Infelizmente ela era muito grande, literalmente um pouco maior que Nova York e menor que São Paulo. Todos os Aurus estavam instalados em salas complexas, de alta segurança e afastados dos demais Geminis até ser dada segunda ordem. Uma reunião foi convocada no salão principal para discutir o futuro das instalações e os próximos passos.
Era uma sala grande, com luzes mescladas entre o azul e branco. O chão tinha um enorme círculo negro, nas extremidades do meio estava uma projeção do líder dos Aurus, Umonur, e ao redor os quatorze líderes de cada laboratório representados por luzes holográficas em ordem numérica.
— Como isso aconteceu? — A voz de Umonir saiu num tom de ira e decepção. Enor apenas calou-se e esperou que o soberano dos Aurus completasse as falas. — É a primeira vez em muito tempo que isso acontece. E foram sucessivas falhas Enor!
— Talvez nós tenhamos que eliminar os humanos. — Disse o responsável pelo complexo doze. — A guerra avança e até agora eles não tiveram a menor utilidade. São ótimos guerreiros, mas impossíveis de domar.
— Não seja tolo Darin! — Retrucou o responsável pelo complexo seis. — Nós estamos na vantagem por enquanto. Sabemos mais sobre eles do que eles sobre nós, e de qualquer modo não temos outra opção. Logo a guerra contra os Damadur vai nos alcançar de novo e se não estivermos preparados nosso povo morrerá. Não temo como reiniciar a experiência e com os recursos que temos não da para desistir agora.
— Com a permissão da palavra, eu concordo com Keirian. — Erin disse se referindo ao responsável pelo doze. — Acho essa é uma boa oportunidade. No meu laboratório estamos obtendo bons resultados. E talvez essa situação sirva a nosso favor, vamos ver até onde os humanos chegam sem a nossa interferência.
— Isso é loucura. — Protestou Enor. — Eles têm que ser contidos imediatamente. Podem ser um perigo pra cidade, não se esqueça que são impulsivos e violentos.
— Eu não disse isso. — Afirmou Erin. — É claro que vamos capturá-los, não tenho a menor dúvida. Acho que devemos atacar com nossas melhores defesas e se eles sobreviverem serão ótimas armas.
— Então assim fica decido. Talvez seja bom passar o controle da situação para as mãos de Erin. — Umonur concluiu. — Todos obedeçam às ordens dele. Já que Enor vai estar muito ocupado consertando algumas coisas.
Todos concordaram e até então os hologramas foram se apagando um a um, com exceção de Enor e Erin. — Não acha isso interessante Enor? Eles se tornaram exatamente o que queríamos que fossem.
— Isso não é brincadeira!
— A partir de agora as coisas vão ser do meu jeito, irmão. Conforme-se com isso.
[...]
Os três Geminis tinham se separado, após de sair de um túnel próximo aos complexos oito e nove. Diferente do sete, cada um tinha suas peculiaridades. Dankim forçou uma chapa de metal para abrir passagem no que seria um duto de ventilação, e passagem de energia. No complexo oito que era coberto por uma extensa muralha, era a única forma de chegar ao interior. Dankin entrou na abertura seguido de Stlenava, que parecia meio preocupada.
— Kayo ficará bem? — Perguntou casualmente. — Se ele pudesse lidar com um complexo sozinho não teria precisado da sua ajuda.
— Ele não precisava enquanto estava fraco. De qualquer modo nenhum de nós vai conseguir sair daqui sozinho, mas o Kayo tem uma vantagem muito grande devido ao poder dele.
— Ah, sim. Você falou que ele pode absorver energia. — Ela se lembrou. — O que estamos procurando no oito? — Ela perguntou enquanto se locomovia pelo duto, um tanto quanto incomodada pela enorme quantidade de fios. Se algum deles estivesse sem algo isolante, provavelmente estariam mortos.
— No oito nós vamos encontrar tipos parecidos de Gemini. Eles são os mais indicados para uma fuga, então nesse caso quem vai ter mais trabalho é o Kayo. Pelo menos até ele encontrar outro como ele.
Stlenava assentiu e seus pensamentos voltaram-se para o Gemini de cabelos albinos. Ela sinceramente, se perguntava como Kayo conseguiria chamar atenção e ao mesmo tempo resgatar alguns geminis.
Por outro lado, na cabeça dele a missão estava bem clara. O complexo nove também tinha uma enorme muralha. Kayo concentrou um pouco de sua energia nas mãos e pés, tentando criar um pulso magnético que o permitisse escalar as paredes e suas laterais. Ele devia chegar, até a quinta fase que ficava pelo menos a quinze metros acima da superfície. Ele usou a energia para abrir uma passagem, de onde normalmente sairiam naves ou veículos.
Aquilo deixou os Aurus inquietos e quando olharam nos monitores viram o rastreador de Kayo piscando perto da entrada. Uma quantidade massiva de metrons fora enviada para a entrada, enquanto ele tranquilamente caminhava pela porta de entrada. — Droga Dankim. Se eu morrer eu te mato. – Praguejou mentalmente sacando a pistola e a espada. Os cabelos tingiram-se de albinos, a expressão era fria e séria, não tinha a menor graça lutar contra robôs. Quem ele queria realmente machucar eram os Aurus.
Fale com o autor