Notas iniciais
Vamos lá!

Independente do tamanho de nossa felicidade todos nós, temos um momento do qual nos questionamos se realmente merecemos tudo aquilo. Claro que outras pessoas vão me retrucar alegando o fato de que, quando estamos felizes sequer percebemos esse sentimento. Na realidade, só nos damos conta da felicidade quando ela foi embora. Não era o meu caso.

Eu sou uma pessoa que não tenho do que realmente me queixar, ainda que isso aconteça por uma bobagem ou outra. Eu estava bem em tudo. No trabalho, com os amigos, na família, no amor. E por estar tão bem que eu me pego refletindo sobre a felicidade, como agora, onde eu simplesmente peguei um carro e comecei a dirigir sem rumo pela cidade litorânea na qual eu vim a trabalho. Quando finalmente parei de dirigir como hábito e me dei conta da minha volta, sem estar no meu piloto automático, percebi que hoje não era um bom dia para que eu tivesse esse momento de reflexão e que a natureza me acompanhava nessa instabilidade.

Los Cabos estava completamente diferente de quando eu cheguei há dois dias, o céu estava nublado a chuva que estava quando eu comecei meu passeio reflexivo virou uma tempestade que estava caindo duramente, fora os raios que rasgavam o céu. Olhando para minha esquerda o mar estava incontrolável e as ondas estavam cada vez mais próximas e violentas. Definitivamente estava na hora de ir embora e voltar para a segurança do meu quarto de hotel.

Esse era o meu próximo passo se eu não tivesse visto uma cena no mínimo preocupante. Imediatamente sai do carro em direção da praia com uma dúvida terrível se o que eu sentia era preocupação ou raiva por uma pessoa resolver fazer um caminho a pé num momento de fúria da natureza como aquele, claro que esquecendo o fato de que eu também estava fazendo algo assim, instante atrás.

No primeiro momento tive uma surpresa e passado esse momento comecei um diálogo confuso e aos gritos já que a tempestade estava bem forte, não sabia se era pior encontrar um desconhecido caminhando na praia em meio a uma tempestade, ou um conhecido. Pior, um conhecido que deveria estar bêbado ou brincando comigo só podia ser isso. O puxei pelo braço tentando controlar minha raiva por pequenos detalhes como a conversa confusa ou o inevitável fato que vamos molhar todo o carro por estarmos ensopados e claro havia um detalhe que mudaria tudo.

Assim que me aproximei do carro o deixei dar a volta sozinho até a porta do passageiro, ainda com raiva entrei no carro e não o olhei de imediato.

:- Pelo menos agora você já pode parar de brincar comigo, por que sinceramente não tem graça alguma. – Eu falei antes de olhá-lo e prontamente o detalhe se fez presente e minha raiva, passou batida pela preocupação e parou direto no medo.

Ele simplesmente não só estava molhado como sagrando.

Ignorei o pensamento que veio me amparando, já que como estávamos na chuva forte por isso não percebi o machucado e isso poderia justificar a conversa maluca de que ele não me reconhecia.

Controlando a tremedeira em minhas mãos liguei o carro e comecei a dirigir, o que eu não suspeitava era que o medo que eu sentia fazia muito sentido e que as coisas realmente estavam graves.

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Notas finais
E aí, gostaram?