Gelo Negro

4 Capítulo IV - Meu maior medo


Neste belo dia de sol, eu fui acordada com gritos na porta. Levantei sem nem pentear o cabelo e abri a porta. A irmã do Nevra, Karenn, parecia ansiosa. Foi ela quem me acordou.

— Karenn? — Eu perguntei, ainda sonolenta.

— Oi. Olha, me desculpa por aquele dia. Eu não deveria ter te julgado assim. — Ela disse rápido o bastante para não se envergonhar.

— Oh... Tudo bem. (Será que ela ficou até hoje pensando nisso?)

— Enfim... Eu precisei te acordar cedo porque o Nevra quer que você vá com ele em uma missão.

— Como é que é? (Puxa... Como assim?!)

— Eu sei, eu sei. Eu também não entendi nada. Enfim, ele disse que o Ezarel também vai com vocês. É sobre coletar alguma coisa perigosa.

— Certo, irei me vestir. Obrigada, Karenn.

Ela ficou meio tímida comigo. Acho que esperava um tratamento ruim... Como o dela comigo naquela noite. Em todo caso, eu tomei um banho rápido e me vesti. Montei em Elliot e fomos até o portão do refúgio.

— Bom dia. — Nevra e Ezarel falaram ao mesmo tempo quando me viram.

— Bom dia. Do que se trata? — Eu perguntei enquanto descia do meu mascote.

— Recebemos um pedido de emergência de um vilarejo aliado, Kronos. Um aventureiro se perdeu e eles acham que ele foi envenenado. Eu e o Ezarel achamos que nós quatro seríamos perfeitos para ir. — O Nevra me explicou.

— E onde eu me encaixo?

— Você é especialista em venenos e é médica. Se ele estiver ferido, você será perfeita para o caso.

— Espera... Você disse quatro?

— Sim, um membro da Guarda Sombra vem. O nome do pestinha é Chrome.

— Você tá brincando? — O Ez claramente não parece gostar muito desse rapaz.

— Eu tenho que levá-lo. A Miiko vai me matar se dispensar ele de novo.

Falando no diabo, o rapaz Chrome apareceu correndo até nós.

— DESCULPA!! Eu cheguei atrasado?! -Disse arfando.

— Não. Chegou bem na hora. — Nevra disse.

Chrome parou de respirar assim que me viu. Ele ficou imóvel e automaticamente corado passeando os olhos da minha cabeça aos meus pés.

— Quem... É você? — Ele até gaguejou. Que fofo!

— Riza. — Respondi com um sorriso.

— Só pode ser piada. — Ezarel comentou ao perceber o amor à primeira vista que o Chrome teve ao me ver. — Ela é nossa médica, entendeu?

— Ora, você acha que eu vou fazer o quê?! — Opa, o menino ficou bravo.

— Se der em cima dela, eu te jogo no mar. — Dessa vez, quem falou irritado foi o Nevra. — Vamos.

Nós cinco saímos. Me despedi do Elliot, que voltou voando para o riacho. Caminhamos até a floresta, que conforme adentrávamos, mais escura e fechada ficava. Eu não me sinto a vontade em lugares muito fechados e meu coração começou a bater muito rápido. Chegou um momento que não pude esconder minha respiração ofegante.

— Você está bem? — Chrome perguntou.

— Sim. — Respondi firme.

Continuamos caminhando na selva escura. Nevra, mais à frente, cantarolava. Ele, diferente de mim, parecia não se importar. O Ezarel não parecia muito confortável também. Já o Chrome continuava me olhando de vez em quando, corado. Ele na verdade nem saiu do meu lado.

— Estranho. — O Nevra disse assim que chegamos a uma estátua antiga. — Nos informaram que ele estaria aqui. Vamos nos separar e procurá-lo. Se não o acharmos, voltamos para cá.

Concordamos com a cabeça e cada um de nós seguiu em uma direção.

Rodei por mais de uma hora e nada. Nenhum sinal de vida. Comecei a suspeitar que esse alarme foi falso, ou até mesmo um teste. Bom, retomei meu caminho de volta à estátua. Caminhei no escuro e, de repente, me esbarrei em alguém. Não pude evitar de dar um grito.

— Riza?! — Era a voz do Nevra.

— Você quer me matar de susto?! — Não pude deixar de expressar minha raiva.

— Desculpa, ha ha. — Ele riu da minha cara! — Você se perdeu? Essa é a minha área.

— Espera... Mas eu fui para o lado oposto...

— Você não é boa de coordenação... Bom saber. — Ele disse esfregando a mão no meu cabelo. — Venha, vamos voltar.

— Nevra, eu mal consigo te enxergar.

— Quer segurar minha mão? — Eu não vi, mas eu sinto que ele me deu uma piscadela?

— Francamente... — Eu gosto das cantadas dele, mas aqui não é o local perfeito...

Antes que eu pudesse tentar xingá-lo, ele pegou minha mão e foi me puxando no escuro. Na verdade fico aliviada de ter achado alguém. No caminho de volta, ouvimos a voz de Ezarel, um grito dizendo “Achei!”. Seguimos sua voz até o avistarmos sob um pouco de luz e um corpo desmaiado.

— É ele. Bate com a descrição. Riza, chegou sua vez.

Eu me aproximei para ver seu corpo e sintomas.

— Isso é amora-do-diabo. — Eu disse assim que vi seus dentes cheios azuis. — É venenosa.

Rapidamente abri minha bolsa e peguei um antídoto que eu mesma fiz para esse tipo de veneno. Coloquei um pouco em uma seringa e apliquei no braço do rapaz. Em seguida, a palidez do seu rosto voltou a ter um ar rosado e ele respirava melhor.

— Você é realmente fantástica. — Ezarel acabou falando da boca pra fora. Não pude deixar de corar. Nevra e Chrome o olharam feio.

Nevra então carregou o rapaz em suas costas. Nós voltamos para o refúgio em pouco tempo. Miiko estava na porta nos aguardando com outros dois homens que eu não conheço.

— O acharam! — Ela exclamou assim que nos aproximamos.

— Ele está bem... Comeu fruta venenosa. — Eu disse para ela e os outros dois homens.

— Obrigado, majestade. — Um deles disse. — É meu filho Théor. Saiu em busca de um goblin. Achamos que estava morto.

Majestade... É a primeira vez que me chamam assim. Parece que a notícia circula muito rápido mesmo nesse continente.

— Miiko, a Riza basicamente resgatou ele sozinha. — Nevra disse me olhando. Eu fiquei muito vermelha.

— Com licença, mas quem o achou? — Ezarel se intrometeu.

— Eu achei ela, que precisaríamos quando achássemos ele. — Nevra zombou.

— Resumindo, por favor? — A Miiko já estava entediada.

— Nós três trabalhamos bem em equipe. — Nevra e Ez falaram ao mesmo tempo, orgulhosos.

— E o quarto membro do grupo...? — Miiko olhou furiosa para Chrome, que parecia querer se esconder atrás de mim.

— Não tive oportunidade de fazer nada! — Nossa, esse menino fala alto...

— Claro, sendo inútil assim! — Ez logo o provocou.

Enquanto os dois travavam uma discussão, Nevra entregou o rapaz desmaiado aos homens. Eles logo o levaram para nossa enfermaria.

— Enfim... Deixem o relatório da missão com a Ykhar. — Miiko disse, nos deixando no portão indo acompanhar os nossos convidados. Me virei para o Nevra e deixei uma mensagem subliminar para ele me seguir. Ele logo entendeu e veio atrás de mim. O trouxe até a cerejeira.

— Então... — Sorri para ele de forma maliciosa.

— Sim, majestade? — Ele disse isso se curvando para mim. Que pateta! Eu não pude deixar de rir.

— Aquele seu convite para sair comigo.

— Quando quiser, majestade.

— Para de me chamar assim. — Continuei rindo a cada encenação dele.

— Que tal Minha Rainha? — Agora, ele se aproximou de mim... Bem perto.

Ele me olhou da forma mais sensual que já vi, prestes a me arrancar um beijo, quando de repente algo atinge sua cabeça.

— Ai!

Era uma... Noz.

Uma noz atingiu a cabeça dele... Abaixo de uma cerejeira. Eu simplesmente não entendi nada. Pude avistar uma pequena cauda se esvaindo entre os arbustos. Eu o conheci agora mas sei que era o Chrome.

— Nevra... — Eu disse apontando.

Ele automaticamente entendeu e foi até a moita.

— De novo?! — Nevra disse agarrando Chrome pela orelha de lobo.

— Me soltaaaaaa!!

— Por que você jogou isso em mim?!

O Chrome o puxou pelo cachecol e falou baixo em seu ouvido. Não consegui escutar nada, mas fervi de curiosidade. Talvez seja ciúme? Seria cômico, porque ele acabou de me conhecer... E eu não tenho nada com o Nevra a não ser uma vontade quase incontrolável de devorá-lo.

— Vamos almoçar! — Eu gritei para os dois, que pareciam querer se atacar a qualquer segundo.

Eles aceitaram mexendo as cabeças, mas se entreolharam com ódio. Nós três fomos para o salão pegar nossos almoços. Nos juntamos aos outros, Valkyon e Ezarel. O papo começou a rolar em dia. O Chrome tentava conversar comigo em paralelo. De repente, um par de garotas mais novas rodearam Nevra.

— Oi...! — Uma delas disse parecendo que iria desmaiar.

— Oi, em que posso ajudar? — Ele disse sorrindo.

— Você... Ainda está solteiro? — A garota mais velha empurrou a tímida, dando um olhar pervertido.

Todos na mesa ficaram meio constrangidos e voltaram a conversar em paralelo. Eu, apesar disso, fixei meu olhar nas duas.

— Bem, não sei. Riza? — Ele perguntou perguntou PARA MIM. Não pude deixar de achar graça da reação das duas, que me olharam apavoradas. Elas certamente sabem da minha “fama” de daemon, mas eu não tenho um relacionamento com ele, então tive que negar com a cabeça.

— V-Viu... Ela deixou. — A garota mais velha, tentando impor a “gostosa” na mesa, ainda sim parecia com medo de mim.

— Obrigado, mas quem não tem interesse hoje sou eu. — Ele disse da forma mais gentil possível, mas ficou claro que as duas não esperavam por isso.

Elas saíram desanimadas e Nevra se acabou de rir sozinho.

— Elas me veem como um pedaço de carne. — Ele riu de si mesmo.

— Isso é meio triste... — O comentário de Valkyon fez eu me acabar na gargalhada.

— Vocês viram como ela olhou a Riza? — Ezarel também começou a rir — Acho que ela pensou que você iria congelá-la.

— Ezarel! — Valkyon o repreendeu.

— Se eu quisesse, ela nem teria aberto a boca. — Eu entrei no jogo.

Todos riram. Eu me sentia muito bem com eles.

— Mas e você? — Ezarel voltou-se para mim — Não tem vontade de sair com ninguém?

— Bom... Tenho alguns em mente. — Falei de forma ingênua e Nevra logo fechou a cara.

— Quem? — Chrome disse rápido.

— Quem sabe um de vocês?

Valkyon ficou vermelho pela primeira vez e parecia desconcertado com minha resposta. Nevra manteve o olhar de ciúmes enquanto Ezarel pareceu feliz com a informação.

— Qual de nós? — Ele perguntou.

— Está muito cedo para eu escolher alguém.

— Então, qual de nós é o mais bonito? — E ele insistia nas perguntas.

— O Nevra. — Respondi rindo.

Ele não esperava essa resposta. Já o Nevra adorou.

— E o mais legal? — E lá vem ele.

— O Valkyon.

Acho que o Valkyon iria desmaiar de vergonha.

— E-Eu?

— Eu sou o melhor em algo? — Ez já estava perdendo as esperanças.

— Gosto dos seus olhos. — Disse o olhando. Dessa vez, ele quem corou.

— E eu?! — Chrome quase gritou tentando chamar atenção.

— Você é muito novo pra mim, Chrome. — Eu tentei dizer de forma gentil, mas soou rude assim mesmo. Os outros riram sem parar.

Terminei de almoçar e pedi licença a todos. Estava na hora de fazer meu relatório e depois voltar ao trabalho na enfermaria. Mais tarde eu teria aulas com a Alajéa.

Depois de um dia longo, eu estava exausta. Fui deitar. Ao chegar no meu quarto, fui no banheiro e tomei um banho quente. Vesti minha camisola, penteei os cabelos e... Havia alguém no meu quarto.

Um homem sentado na janela. De roupa preta, máscara... Exatamente como a Miiko disse. Esse é o Ashkore.

— Olá, majestade. — Ele falou calmo.

— Você é Ashkore? — Eu perguntei, sem sair do lugar.

— Você corre perigo aqui, sabia? — Ele falou ficando em pé.

— Não se aproxime de mim. — Ergui minha mão direita em sua direção. — Mais um passo e te congelo.

— Eu não sou seu inimigo. Eu quero te ajudar.

— Como pretende me ajudar mentindo para eles? Eles já sabem tudo.

— Mas você não. Você é daemon. Nunca será aceita aqui. Você é inteligente, sabe como as pessoas te olham.

— Sempre haverá julgamento aonde quer que eu vá.

— Tem razão, mas não comigo. Eu e você juntos seríamos mais poderosos do que o mundo inteiro.

— E o que você tem demais além de uma máscara?

— Por que ainda tem dúvidas? Você soube da minha reputação. E eu sei que se ainda não me atacou, é porque quer ouvir o que tenho a dizer.

— Um homem covarde que se esconde atrás de uma máscara não merece minha atenção.

Invoquei estalactites pontiagudas na frente de Ashkore, o forçando a voltar para a janela. O homem sabe como funciona meu poder e não ousou tocá-lo. Recuou.

— Você é bem brava. Gostei muito disso. Pense na minha proposta.

Ele rapidamente pulou pela janela. Corri até ela pronta para prendê-lo ao chão, mas ele desapareceu. Nenhum rastro. Agora, além de ter estragado o piso do meu quarto, eu precisava acordar todos. Primeiro, bati na porta do quarto de Miiko. Ela rapidamente abriu e expliquei tudo que aconteceu. Em dez minutos a Guarda Reluzente estava acordada na Sala do Cristal.

— Certo, me resuma com calma. — Ela disse meio impaciente.

— Fui ao meu quarto deitar. Depois que saí do banho, ele estava sentado na minha janela, de pernas cruzadas e flauteando.

— E o que ele falou? — Miiko estava bem ansiosa.

— Que eu deveria me unir a ele, que juntos seríamos poderosos e blá blá blá.

— Não me diga que pensou na proposta dele? — Nevra disse ao fundo.

— Não tenho motivos para isso.

Todos estavam meio desconfiados. Acredito que pela expressão cansada do meu rosto, eu também teria dúvidas.

— Mas e o barulho que escutamos? — Valkyon mencionou.

— Oh, eu o desafiei.

— Você O QUÊ?! — Pronto, a Miiko explodiu. — Você tem noção de que poderia ter matado todo o Q.G. sozinha se...

Eu entendi o que ela quis dizer. Não pude deixar de me ofender.

— Eu sei muito bem controlar o que faço. — Respondi fria. Nenhum deles esperava minha reação. — Com todo respeito, mas eu não estou pedindo a permissão de vocês. Se eu quiser lutar com ele, eu irei.

— Não se atreva a fazer o que bem entender. Você é da Guarda e tem normas a seguir! — Miiko estava realmente irritada e eu também comecei a ficar.

— Eu vivo aqui e sigo suas normas, mas eu já disse: se eu quiser matá-lo, ou matar qualquer outra pessoa, eu IREI. — Respondi com firmeza, prestes a pular na Miiko.

Ela recuou o passo, demonstrando medo. Estou cansada disso. O Ashkore teve razão ao dizer que sempre me tratarão desse jeito. Não irei atrás dele, pelo contrário... Gostaria de ouvi-lo.

— Ele tinha razão numa coisa. — Disse me aproximando de Miiko. Os rapazes levantaram suas armas contra mim. — Vocês sempre terão medo de mim.

Saí da sala pisando forte no chão. Senti uma aura escura pairando sobre mim, como se eles me vissem agora como uma vilã. Eu só queria que entendessem o que houve; mas não, eles me julgam sempre como uma pessoa violenta. Fui até a cerejeira. Era o único lugar que me acalmaria. Sentei sob ela e não pude segurar o choro.

— Viu? — Ouvi a voz do Ashkore.

Ele apareceu, não sei de onde, e ficou em pé na minha frente.

— Não me dirigirei à você enquanto não mostrar seu rosto. — Respondi.

— Não posso fazer isso aqui, mas... — Ele estendeu sua mão para mim. — Eu posso levá-la a um local seguro.

Aceitei e deu minha mão. Assim que ele me puxou para levantar, eu congelei seu pulso. Meu gelo não conseguiu penetrar sua armadura. Na distração, me movimentei e prendi seus dois pés no chão.

— Como...? — Ele disse ofegante.

— Como eu disse... Sem máscara.

Movimentei o gelo até seu rosto, mas antes de arrancar sua máscara fora, Miiko e os demais chegaram.

— Riza!!! — Ela exclamou. — O quê...?

Ao verem Ashkore preso no chão, ficaram sem reação. Acho que nunca conseguiram segurá-lo.

— Como você... — Ela parecia muito... Impressionada.

— Você não está machucada... Nem suada, suja... — Ezarel entendeu que não houve luta.

Nevra não abriu a boca. Estava me olhando impressionado, assim como os demais.

— Bravo, bravo. — Ashkore falou, escondendo a dor na voz. — Ela me pegou em segundos, coisa que vocês não conseguem há anos, ha ha. — Ele debochou, rindo.

— Silêncio.

Subi o gelo até sua garganta. Agora ele não se atreveria a falar. Fiz com que cobrisse seu corpo até o pescoço. Senti uma pontada no coração ao invocar ainda mais gelo. Meu nariz começou a sangrar e eu sabia que estava chegando no limite. Não posso usar o gelo negro dessa forma irresponsável; afinal, o custo para invocá-lo é meu próprio sangue.

— Limites... Não é? — Ele disse ao perceber meu nariz.

Não consegui segurar a respiração fraca.

— Um poder como o seu não deve ser desperdiçado assim. — Leiftan falou ao fundo.

— Meu poder é mais útil do que todos vocês juntos. — Não medi as palavras, mas eu quis falar isso. Estava tão irritada que quase dirigi o gelo em Leiftan.

Eu vi o medo deles. É a mesma expressão de quando ataquei Häns.

— Parem de me olhar assim! — Eu gritei.

No momento em que não estava olhando, de algo modo Ashkore quebrou o gelo. Ninguém nunca havia quebrado o gelo negro, não que eu saiba. O olhei assustada, mas fui rápida para invocar mais.

— Não se atreva a se mexer! — Gritei com gosto, do fundo da garganta.

Mais gelo saiu do chão. Em formatos pontiagudos, eu tentei ao máximo acertá-lo, mas por algum motivo eu estava errado. Me senti drogada e soube que havia algo errado. Eu ouvia os outros gritando para eu parar, mas eu não parei. Quase toda a pequena praça já estava preta.

Finalmente o peguei. Perfurei sua barriga, mas do lado. Não foi fatal, pois não atingi nenhum órgão. Ele caiu no chão e consegui cercá-lo. Tossi sangue e tive que ajoelhar.

— Riza, pare! — Nevra gritou.

Foi então que eu senti uma porrada na nuca. Eu apaguei.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.