Gelo Negro

1 Capítulo I - Minha chegada


Notas iniciais
Espero que se interessem. ♥

Depois de quase um mês viajando com meu mascote, finalmente cheguei na Guarda de Eel. Depois da catástrofe que aconteceu no reino em que eu morava, eu fugi. Fui embora sem nenhum pertence. Segui sem rumo pelo mar, sobrevoando-o, até que avistei uma enorme construção. Pousei, então, no porto e logo uma kitsune apareceu junto a um enorme homem.

— Quem vem? – Ela perguntou.

— Riza, de Valgerður-en. – Respondi, descendo do Eliott, meu Owlett.

— Valgerður-en? É uma desabrigada? – Ela me perguntou, olhando suspeita.

— Sim. – Respondi tímida.

— Eu soube. Você é a primeira que chega aqui. Estávamos mesmo esperando sobreviventes.

— Creio que mais ninguém venha. Sou a única que possuía meios de viajar pelo mar – afinal, meu mascote pode voar – e todos os barcos e navios foram destruídos. Se há mais sobreviventes, eles fugiram para as vilas próximas.

— Sim, sim, eu concordo. Em todo caso, venha, irei te levar para a enfermaria. Seu mascote também precisa repousar. Me chamo Miiko. Pode me procurar para qualquer coisa.

Miiko me guiou com a ajuda de seu guarda até a enfermaria, onde encontrei uma elfa que parecia ser médica. Ela me cumprimentou e logo pediu que eu tirasse minhas vestes para checar se estava ferida.

— Então... Um tsunami? – A moça perguntava enquanto colocava curativos.

— Sim, mais violento do que os anteriores. Nenhum foi capaz de destruir toda a cidade assim.

— Eu soube que foi realmente brutal este. Mas não se preocupe com isso mais. Aqui em Eel não há tsunamis.

— Foi um dos motivos de eu vir pra cá, de fato... – Sorri para ela, que retribuiu com outro sorriso.

— Me chamo Ewelein, e você?

— Riza.

Começamos a jogar conversa fora até ela terminar.

— Riza, já está boa? — Miiko entrou na enfermaria.

— Estou. Já me sinto melhor.

— Que bom! Preciso que você venha para a sala do cristal. Precisamos conversar sobre sua estadia aqui.

— Certo.

Ewelein me liberou para tratar do Elliot e fui até a sala com a Miiko. Quando entramos, haviam cinco homens sentados que estavam nos aguardando.

— Está é a Riza. Riza, esses são os membros da Guarda Reluzente.

— Muito prazer. — Sorri para eles.

Três deles sorriram para enquanto dois olhavam emburrados.

— Riza, queremos saber se pretende ficar ou se irá voltar para Valgerður-en. – Miiko perguntou, séria.

— Não existe mais Valgerður-en. – Respondi cabisbaixa – Não tenho para onde voltar.

Eles se entreolharam. Miiko matou todos de susto ao abrir a boca de repente.

— Poderá fazer parte de uma das nossas guardas dependendo do que você sabe fazer.

— Sou médica e entendo de poções.s

Eles pareciam felizes com essas informações. Pelo que pareceu, só havia Ewelein de médica por aqui.

— Perfeito. Estávamos mesmo precisando de médicos na guarda. A Ewe não está dando conta sozinha. – Um rapaz de cabelos loiros e pretos respondeu ao fundo.

— Sim, com certeza. Seja bem vinda então, Riza. – Miiko disse com simpatia.

Todos concordaram com a minha chegada e um rapaz com um chifre de unicórnio se aproximou, tímido.

— Sou Keroshane, muito prazer. – O rapaz simpático estendeu sua mão – Vamos fazer seu teste da guarda?

— Já? – Perguntei rindo.

Partimos para a biblioteca, onde conheci uma garota meiga chamada Ykhar. Logo, fiz o teste da guarda e fui para a Guarda Absinto.

— Você pode ir conversar com o chefe da sua guarda, o Ezarel, para ele te explicar como funciona. Qualquer coisa pode voltar e falar comigo. – Sorriu.

— Obrigada, Keroshane.

— Pode me chamar de Kero! – Corou, ainda sorrindo.

Saí da biblioteca e fui em busca do rapaz. O problema é que eu não sei quem ele é.

— Ezarel?

— Sou o Nevra. – Ele perguntou com um enorme sorriso galanteador.

— Ah, desculpe... Estou procurando o Ezarel. – Tentei ser firme na fala, ignorando o jeito que ele me olhava.

— Oh, que interessante. Ele saiu assim que você foi fazer seu teste.

— Nossa, que rápido...

— Você pode ser muito útil. Você é médica, certo? – Ele perguntou chegando mais perto.

— Sou. – O olhei cerrando os olhos, suspeitando.

— Já se sente bem para sair em missão?

— Acho que prefiro me acomodar antes disso.

— Sim, você tem razão. Vou te levar para o seu quarto. – Ele sorriu malicioso.

Segui o Nevra até seu quarto, que era super pequeno, com apenas uma cama e um armário.

— É bem ruim, mas é melhor que nada. – Riu.

— É melhor que o meu anterior, pelo menos. – Também ri.

— Bom, tem uma cama. Acho que é o que você precisa. — Dessa vez, ele com certeza quis criar um segundo sentido na frase.

— Quem sabe? — Revidei o olhar pervertido. Não vou mentir, adoraria dormir com ele.

Ele começou a puxar assunto enquanto me mostrava o prédio. Nevra explicou as regras e como funcionava tudo. Miiko e Ewelein apareceram em boa hora, quando assunto já havia acabado.

— Riza! Venha aqui.

— Oi.

— Você vai ajudar a Ewe na enfermaria, ok? – Miiko ordenou.

— Claro, sem problema.

Me despedi do Nevra, que me deu uma piscadela, e fui para a enfermaria com Ewe. Ewelein começou a conversar comigo. Ela parecia tranquila comigo a ajudando.

— Bom, Riza, eu queria saber. Como aprendeu tanto?

— Eu frequentava muito a biblioteca real.

— Oh! Como você tinha acesso?

— Ah, eu entrava escondida. Eu tinha meus contatos, ha ha.

— Nossa, que legal! — Ewe riu — Acho que eu faria o mesmo.

— Bom, acho que valeu a pena, ha ha. Você adoraria. Uma pena que foi destruída.

[...]

Finalmente conheci o Ezarel. O encontrei no laboratório de poções.

— Bom, oi. — Ele disse seco e sem ânimo.

— Olá. — Ele não parecia querer conversar comigo.

— Bom, você conhece algo de poções?

Pronto. Eu disse tudo que sabia: o nome de todas as poções da sala, seus ingredientes, como obtê-los e sobre envenenamentos nos quais parecia que o Ezarel nem conhecia. Tudo isso levou pequenos dez minutos. Ezarel ficou boquiaberto de tão impressionado e não falou por um tempo.

— Alguém te disse o que me falar antes de vir, não foi? Quem te passou a cola?

— Desculpe? — tímida — Não houve cola.

— Aham... Então faça o que deve fazer. A Ewelein passou uma lista de poções para fazermos. — Ainda desconfiado, Ezarel me deixou trabalhar nas poções sozinha.

— Achei que seríamos nós...! — Antes de terminar, Ezarel foi embora.

A lista que ela me passou precisava de alguns ajustes.

[...]

—Ewelein, eu fiz a poção do sono usando crina de cavalo de fogo e um pouco de veneno de musgo ao invés de usar jihaj.

— Ué? Por quê não seguiu a lista? O Ez te deixou sozinha, não foi?

— Sim, ele deixou, mas eu não segui porque a jihaj é tóxica para pessoas com baixo teor de ferro, enquanto a crina de cavalo de fogo deixa o sono por mais tempo no corpo. O veneno de musgo é ótimo para tipos de poções de anestesia. Junto com a crina a pessoa pode ficar anestesiada sem correr risco de uma fissura no coração.

— Nossa... Eu não sabia... — Ewe ficou surpresa. — Soube disso nas suas fugas à biblioteca?

— Sim, eu li a sessão inteira de poções...

— Você é simplesmente perfeita, Riza! — Ewelein estava com os olhos brilhando.

— Sou apenas estudiosa... — Corei, olhando para os lados.

[...]

— Tem algo estranho com essa menina. — Valkyon conversava com os outros rapazes em seu horário de almoço.

— Por que acha isso? — Leiftan perguntou.

— Ela aparece com um mascote extremamente bem treinado e obediente, sabe absolutamente tudo de poções, é uma médica melhor do que a Ewelein e eu já soube que ela fala os idiomas antigos.

— E é a mulher mais linda que já vi na vida, acrescentando. — Nevra riu ao fundo enquanto bebia vinho.

— Ela mentiu para nós quando disse ser uma camponesa. Eu não acredito nisso. — Valkyon terminou, sério.

— Ela é estudiosa, isso é fato. — Ezarel disse — A Ewe disse que ela entrava escondida na biblioteca real e leu os livros. Ela disse que conhecia gente lá dentro que a deixava entrar.

— Isso explica apenas parte dos problemas. No geral, ela não parece uma simples garota do campo. — Valkyon ainda insistia. — Eu vou convidá-la para treinar. Se ela souber manusear uma arma, ela definitivamente mentiu para nós a seu respeito.

— Essa eu quero ver pessoalmente! — Nevra disse ansioso.

— Valkyon, você está exagerando. Ela poderia ser uma camponesa que cuidava de outros da cidade real. Ela não nos disse com o que trabalhava. — Leiftan falava calmamente.

— Ela é legal, bonita, divertida... Acho que eu vou chamá-la pra sair. — Nevra.

— Ela é areia demais pra você. — Ezarel zombou.

— Vamos observá-la. Por hora, ela é uma intrusa. — Valkyon disse sério, pondo fim na discussão.