Gay BoyFriend
2 Capítulo 2 - Ao meu lado.
Notas iniciais
Você alguma vez já se sentiu
Como se estivesse enterrado
A sete palmos
Você grita, mas parece que ninguém ouve nada
Você sabe que há
Uma chance para você
Pois você tem um brilho
Você só tem que
Acender a luz.
P.O.V Annabeth

Thalia tentava de todas as formas me acordar, me balançando, gritando em meu ouvido e até pulando em cima de mim. Mas ela não conseguiu.
Desde a morte do vovô o advogado dele fica me enchendo o saco para ir a reunião acertar os termos do testamento. E eu não quero ir. Não quero ter que aceitar a morte dele.
– Annie, você precisa ir! – Thalia ainda insistia.
– Eu. Não. Vou . – o sono já tinha ido embora, só me faltava levantar.- Não tente me obrigar. – disse caminhando até o banheiro, Thalia ia atrás. – Não quero vê-lo em um caixão, e muito menos falar sobre o testamento com um velho pelancudo, igual ao Dionísio.
– Deuses, Annie, você terá que ir. É o funeral do seu avô!
– Tente me obrigar, Lia. – disse fechando a porta na cara dela.
A água estava quente, deixando minhas costas, braços e pernas vermelhas. Talvez eu devesse pelo menos dizer um adeus ao vovô. Passar quinze minutos lá e depois voltar para casa e chorar com um balde de brigadeiro na mão.
Quando sai devidamente vestida do banheiro, Thalia não estava mais lá, e vi um bilhete em cima de meu travesseiro.
“Venho que buscar as três para irmos.
XOXO.
Thalia”
Ainda tinha tempo para chorar mais um pouco.
***
Thalia e eu estávamos a caminho do funeral. O céu estava acinzentado e triste, parecia que ia cair uma grande tempestade daqui poucas horas. Provavelmente vovô estaria brigando com o deus dos céus para ter o comando de tudo. Ele sempre fazia isso. Tendo sempre o controle da situação.
Chagando perto do tumulo de meu avô pude ver vários paparazzi’s, será que eles não descansam nem mesmo quando as pessoas estão de luto? Aparentemente não.
Alguns seguranças – provavelmente contratados por Dionísio – tentavam controlar a bagunça que se acumulava.
Consegui passar pelo aglomerado de pessoas e câmeras e vi o caixão de meu avô sendo enterrado, e dentro dele, a única pessoa que admirava. Eu sabia que não iria aguentar. Que choraria até ficar desidratada, mas meu plano era aguentar chegar até o carro. Mas isso não aconteceu. Assim que vi os primeiros grãos de terra serem jogados em cima do caixão, tudo que estava segurando, toda a dor e sofrimento ia por água baixo.
Senti o chão sumindo dos meus pés enquanto caia, e braços fortes me segurando, lágrimas rolavam soltas pelo meu rosto, eu gaguejava palavras incompreensíveis e soltava soluços esganiçados, como pedido de socorro.
Não enxergava nada por conta das lágrimas. Minha respiração estava pesada, e minhas pernas se debatiam, buscando o chão. Para poder sair correndo e me jogar naquele buraco junto com vovô.
Ele nunca fora o melhor avô ou pai, mas foi ele que me criou, me alimentou e me amou por doze anos. Sem ele eu seria uma garota órfã que ninguém quis em um orfanato. Eu agradecia aos deuses por tê-lo comigo por tanto tempo, e se pudesse mataria para tê-lo novamente.
Senti alguém afagando meus cabelos, como só dois homens conseguem fazer. Mas um deles estava morto.
–Ei, vai ficar tudo bem, eu estou aqui. — Senti o sussurro da voz calma e reconfortante de Percy próximo ao meu ouvido. Eu não tinha ideia de nada em minha volta, as únicas coisas que tinha certeza era de Percy ao meu lado e que estou tremendo, mas não de frio, e sim de dor. – Você pode ficar lá em casa por um tempo, se quiser, eu e Thalia estaremos sempre com você. – ele me reconfortava, mas não adiantou. Uma onda de pânico me acertou, o que eu faria agora? Sem vovô? Não poderia ficar na casa de Percy para o resto da vida, ele tem seu dia-a-dia, e eu o incomodaria. Muito menos na casa de Thalia, com aquela mãe problemática dela e com seu irmão que só sabe pegar, usar, fazer a garota de apaixonar e largar. Eu até poderia pegar vários garotos, mas nunca fiz nenhum se apaixonar por mim, muitas vezes ele nem sabiam meu nome ou telefone. O fato era que eu não teria dinheiro nem para pagar as contas, já que nunca exerci nenhuma profissão, só tinha meu diploma de arquiteta e o que mais? Não tenho currículo nenhum. A empresa ficaria para mim, isso eu tenho certeza, mas como eu cuidaria dela? Em dois meses ela – provavelmente – já estará falida. Se não antes.
– Vamos para minha casa agora, você vai tomar um belo banho e depois descansar bastante.
– Eu não estou com sono... – resmunguei, recuperando a voz e enxugando meu rosto molhado e inchado. — ... nem fedida.
Percy soltou um riso abafado e me sentou no banco. E só agora percebi que parecia uma criança em seu colo e que os paparazzi’s tinham filmado e tirado fotos de todo o meu mini ataque de pânico.
– Venha, temos que ir rápido antes que os paparazzi’s voltem.
– E para aonde eles foram?
– Eu falei que tinha visto Zac Efron pelado no meio da praça. – nós riamos enquanto corríamos até o carro.
– Tecnicamente você já viu ele pelado, só que em sites de fofoca.
Percy solta uma gargalhada e me empurra – lê-se joga – no banco do carro.
– Por ser gay você deveria ser mais cuidadoso.
– Só porque eu sou gay, não significa que eu tenho que ser mariquinha.
E com isso seguimos para o apartamento nem tão pequeno de Percy.
***
– Uhw, aqui está com cheiro de sexo gay e perfume masculino . – disse assim que entrei no apartamento dele. E eu não estava mentido. O pior não era o cheiro e sim toda aquela bagunça, tinha cuecas e roupas masculinas por todos os lados, e como eu iria saber qual roupa era dele ou não?
– Pensei que sexo tinha o mesmo cheiro sempre. – ele diz debochado. – Não precisa ficar me olhando com essa cara, o seu quartinho está intocável. – diz me entregando uma chave azul e verde. Suspiro aliviada, lembrando que eu venho tantas vezes – e reclamava da bagunça e do cheiro todas as vezes — aqui que Percy resolveu fazer um quarto apenas para mim, que não tinha cheiro nem bagunça gay.
– Ainda bem, odeio bagunça gay. – gritei quando já estava abrindo a porta do meu quarto cheiroso e bem – nem tanto – arrumado
– Uau, minha melhor amiga tem homofobia, ganhei meu dia com isso. – ouvi seus passos até a cozinha.
Entrando no meu quarto tive a maior decepção da minha vida.
– Peeeeeeeeeeercyy, venha cá já, seu energúmeno. – gritei com a voz mais esganiçada possível .
– Oi? O que foi? – ele veio correndo e cambaleando até a porta. Assim que viu o corpo pálido esparramado na cama, gelou . – Oun...
– Percy . Não . Acredito . Que . Você . Transou . Com . Seu . Primo. Melhor Amigo. E. Namorado da Thalia.
–Ei, ei, eu não fiz nada com ele! Ele só precisava de um lugar para ficar depois que brigou com Hades. – Percy caminhou até Nico e o chacoalhou. – Ei cara, acorda e levanta essa bunda gorda da cama. – Nico apenas resmungou, então decidi ajudar.
– Temos McLanche Feliz, Nico! – na mesma hora o garoto pulou da cama com a cara mais feliz do mundo – Que bom que acordou cara, agora vou ligar para Thalia, para vocês explicarem isso ai. – disse pegando meu telefone e ligando para Lia, que já viria para cá. Encarei os dois, mesmo sabendo que não tinha acontecido nada, eu e Lia iriamos zoar um pouco com esses panacas. Dei uma gargalhada só com o pensamento. Eu sou tão má.
***
Thalia tinha acabado de chegar e estava encarando-os com o olhar mais assustador da história dos olhares assustadores.
– Agora poderia me explicar o por que de não ter ido para minha casa? E sim para a casa do boiola do Percy ?
– Porque sua mãe biruta me expulsou a pedradas dela.
– Primeiro, ela não é minha mãe, só minha madrasta que teve de ficar comigo e Jason depois da morte de papai.
– Mesma coisa. – Nico resmungou . –Serio que vai me torturar só por ter vindo dormir aqui?
– Oh querido, não irei te torturar. – pude ver os brilhos nos olhos negros de Nico.
– Não? Serio mesmo? Você é a melhor namorada de todas! – ele estava indo abraça-la quando a mesma o empurrou de leve.
– Vou fazer algo bem pior. – Nico estava com uma cara engraçada, encarando Thalia. – Vou fazer greve! – o terror de Nico chegava a me dar dó – ou não — .
– Greve? Greve de silencio? Greve de fome? – Nico estava desesperado .
– Não. Greve de sexo, e vai ser por duas semanas. – Thalia estava com uma cara assassina – E se você tentar algo, eu corto seu amiguinho fora e depois costuro na sua testa quando estiver dormindo.
Nico estava emburrado, mas se protestasse poderia perder seu coleguinha.
***
Aparentemente eles conseguiram o que queiram. Conseguiram fazer eu ficar feliz e esquecer um pouco a morte do vovô.
Eles são os melhores amigos que eu poderia ter. E talvez fosse a hora de admirar outras pessoas.
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Fiz uma capa nova, vejam qual é a melhor e me falem pelo review
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