Notas iniciais
Demorei, desculpe ;w;

Pata de Raposa estava correndo por uma floresta fechada, parecida com a do Clã da Madeira, mas ele não se lembrava direito o motivo. Ele sentia adrenalina e medo percorrer seu corpo, até parecia que tinha visto um fantasma, provavelmente fugia de algo. O gato alaranjado parou, atento a sua volta, ele tentava fazer o mínimo de barulho possível, mas sua respiração estava ofegante. De repente, a floresta a sua volta começou a mergulhar em trevas. O aprendiz tentou fugir, mas estava por toda parte, a floresta se desfazia sobre seus olhos. Então, assim que as trevas o engoliram, ele começou a cair na escuridão.

Estava na toca dos aprendizes, havia acordado em um susto. Pata Branca, seu irmão, ainda dormia do seu lado. O gato ainda ofegava por causa do sonho. Percebeu que ele e o irmão eram os últimos na toca, não gostava disso, era mais um motivo para que o zombassem. Então, ele levantou, se espreguiçou e decidiu acordar o irmão com uma lambida na orelha.

Pata Branca acordou de repente e seus olhos amarelos encontraram os do irmão. Ele então levantou imediatamente ao perceber que eram os últimos na toca.

— Pétala de Neve deve estar me esperando! — Ele miou. — Nos vemos por aí! — O gato branco com laranja tocou o focinho no peludo pescoço do irmão e saiu antes que o mesmo pudesse responder.

Ser aprendiz de curandeiro deve ser muito corrido, ele pensou frustrado e saiu da toca, vendo Estrela de Tempestade subir em cima da sua caverna.

— Todos os gatos que tenham idade suficiente para caçar sua própria presa compareçam a essa reunião. — O líder cinza escuro com uma listra preta nas costas miou.

Pata de Raposa correu até o irmão, que estava ao lado de sua "mentora", uma enorme gata prateada com barriga e parte do rosto branca. Ela olhou calmamente para o aprendiz alaranjado com seus olhos celestes por um tempo e depois voltou a olhar para o líder. Pata de Raposa se acomodou do lado do irmão enquanto observava os gatos se aglomerando perto do líder.

Então ele se lembrou do sonho que tivera. O que ele poderia significar? Aquela última parte parecia tão estranha. Porém, talvez fora apenas um pesadelo comum e ele estava pensando demais sobre isso. Afinal, ele não era líder ou curandeiro para sonhar com profecias. A voz do líder cortou seus pensamentos.

— Gatos do Clã da Rocha, eu os convoquei para falar duas coisas. — Os olhos verdes dele passaram por todos os gatos do clã — A primeira é que a patrulha de Pelo Rajado encontrou dois gatos do Clã da Madeira roubando presas perto das montanhas. Eles fugiram para seu lado da fronteira quando nos viram.

Vários miados de frustração foram ouvidos dos guerreiros, aprendizes e rainhas. O líder sentou-se e esperou que a bagunça parasse. Assim que parou, ele limpou a garganta e voltou a falar:

— A segunda é que os filhotes de Flor de Mel estão prontos para ser aprendizes.

Pata de Raposa levantou as orelhas e olhou para os filhotes que estavam brincando de luta na frente do berçário. A mãe, uma gata creme-amarelada tigrada de preto separou a briga e apontou para onde o líder estava.

Um dos filhotes, uma gata creme e branca correu até lá, enquanto o outro, um macho marrom claro listrado de preto foi normalmente. O representante, um gato castanho com branco que estava perto ao líder, deu uma lambida nos aprendizes, então Pata de Raposa deduziu que ele era o pai dos filhotes.

— Eu tenho saudades de quando éramos filhotes — Pata Branca comentou.

— Sim, não precisávamos fazer nada além de brincar... E ainda éramos mais próximos. — Ele respondeu, com certo desapontamento.

— Pata de Raposa, olhe para mim. — Pata Branca ordenou, olhando nos fundos dos olhos verdes do irmão. — Eu sempre estou pronto para te ajudar quando precisar, pronto para te ouvir quando estiver triste e precisar desabafar e para comemorar sua vitória — Ele falou, ronronando para o aprendiz e tocando sua bochecha com o focinho. — E acredito que você faria o mesmo.

Pata de Raposa afirmou, dando um sorriso para ele.

— Filhote de Carvalho, seu novo nome será Pata de Carvalho. — O líder miou para o filhote macho, que olhava para a multidão de gatos abaixo com seus olhos verdes. Estrela de Tempestade continuou. — Sua mentora será Pena da Noite.

Uma gata preta com patas brancas foi de encontro ao filhote e tocou seu focinho com o do recém aprendiz.

— Filhote Dourado, você agora se chamará Pata Dourada — A filhote balançou a cauda, agitada. — E seu mentor, por coincidência, será o irmão de Pena da Noite, Nuvem de Chuva.

O guerreiro de pelo escuro assim como o do líder, porém listrado, cumprimentou seus irmãos — Pena da Noite e Estrela de Tempestade — com a cauda e então tocou seu focinho com o de Pata Dourada.

— Por hoje é só. — O líder dispensou o clã e se virou para o representante castanho listrado com barriga branca — Listra de Tigre, depois que você conversar com seus filhotes, poderia fazer a patrulha do Sol Alto, por favor?

Listra de Tigre assentiu, descendo da pedra e correndo até seus dois filhotes, Flor de Mel também foi parabenizá-los. Pata de Raposa observou a família, ficando com certa inveja.

Pétala de Neve cutucou Pata Branca com a cauda felpuda e foi em direção a sua toca.

— Tenho que ir Pata de Raposa, até mais! — Pata Branca disse, correndo para alcançar a curandeira, que já estava sentada na frente da caverna com algumas ervas na boca.

Pata de Raposa observou o irmão até que ele entrasse na toca e quando se virou, um enorme gato creme-amarronzado listrado estava sentado atrás dele, seus olhos cor de âmbar os fitavam com raiva.

— Quero que cace para mim e para o clã. Não volte com menos de cinco presas! — O gato ordenou rispidamente.

Pata de Raposa abaixou as orelhas e olhou para o chão, depois de um tempo respondeu para seu mentor:

— Certo, Garra de Areia.

Notas finais
AEHO