Notas iniciais
Obrigado pelo suporte de todos os membros do grupo Os Gatos Guerreiros e para meu melhores amigos Gabriel e Aliane por todo o apoio e incentivo para começar esse projeto. Edit: Um agradecimento especial à beta reader Luiza Ponce

Havia apenas uma planície seca até onde a vista alcançava, o chão rachado começava a machucar as patas do gato listrado solitário, seus olhos amarelos estava quase cedendo a tentação de se fecharem, mas toda sua jornada falharia se isso acontecesse.

Para se localizar na vastidão deserta ele pôs o delicado emaranhado de folhas que carregava no chão e observou toda sua volta. “Estou perdido. Poderia estar andando em círculos esse tempo todo?”, ele pensou. Farejando um pouco não percebeu nenhuma marca de cheiro que deixou no caminho que passara, então não estava andando em círculos, e, de acordo com a direção do sol que descia do céu, ele estava na caminho certa pelo menos.

Decidiu fazer uma pausa para descansar, sentindo o sono acumula, lutou para manter os olhos abertos a tempo todo. Sua barriga começava a roncar novamente tudo que comeu durante o dia foi a carniça esturricada de um tatu velho e duro, a sede também o afligia, a água do último açude que encontrou estava barrenta e com um cheiro horrível da manada que passou por lá de manhã.

Ignorando seus desejos conseguiu avistar, bem no fundo do horizonte onde o sol se punha, novas formas que se revelavam no linear de luz vermelha alaranjada, era uma elevação na paisagem, mais alta que todas ao seu redor, lá estava, seu destino, ele havia encontrado. Do emaranha de folhas que trazia tirou os três últimos grãos vermelhos de café que tinha e mascou-os, os grãos logo tiveram efeito suas pálpebras pesaram menos e suas forças foram levemente revigoradas pelas sementinhas, logo, sua recomeçou jornada.

Atrás dele as estrelas já se mostravam como centenas de olhos que o seguiam, quando a escuridão cobriu todo a sua volta os pontinhos brilhantes no céu pareciam guiar o caminho traves da noite. Ao se aproximar a elevação se tornou um grande monólito que se elevava poderosamente sobre a terra seca, a Pedra do Sol Poente, o gato listrado se sentiu intimidado, da base o topo parecia inalcançável, principalmente para um gato em tal condição.

Admirando o topo se via as estrelas que o guiaram à sua espera, todos seus desejos físicos se esvaíram, não havia mais fome, ou sede, ou fadiga em qualquer sentido, tudo foi substituído pelo sentimento do dever de subir aquela rocha que crescia mais forte que qualquer medo ou relutância.

A escalada começou, seu coraçãozinho estava apertado no peito, o topo parecia tão distante, inexpugnável para as condições em que se encontrava, mas uma força sem explicação tomou conta das patas do gato listrado, suas garras escalaram a pedra desesperadamente tentando equilibrar-se nas fissuras estreitas, enquanto seus olhos não se desviavam das estrelas que se amontoavam em direção ao alto.

Quando o topo foi atingido havia uma pequena toca o esperando, mas, ao invés de ser enfurnar como uma cutia cansada, seu focinho estava apontado para a vastidão do céu. Podia se ver a linha que amontoava várias estrelas passando bem por cima das suas orelhas, o Caminho de Luz, o caminho o guiou para Pedra do Sol Poente e o guiaria para o Clã das Estrelas quando sua vida acabasse.

Ele sabia o que tinha que fazer agora, a oração que sua Mestra o encenou em segredo, a etapa final antes de ser aceito.

— Guerreiros que agora me observam de cima! Vocês guiam meus líderes no comando do meu clã, vocês me guiaram para que os encontrasse aqui nesta noite. Eu, Lombo Listrado, invoco que venham a mim pelo Caminho de Luz para que eu possa ser o Mestre que vai guiar meu clã até vocês.

Houve um longo silêncio. Lombo Listrado não esperava sequer chegar a Pedra do Sol Poente, mas agora, depois de duas noites sem dormir, ele se acomodou na toca no topo do monólito mais perto do Clã das Estrelas do que jamais esteve, e esse preparou para a noite de sonhos que selaria seu destino.

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Enquanto uma jornada chegava ao fim, um jovem gato marrom abril seus olhos verdes no escuro, silenciosamente ele examinou se sua companheira de toca estava dormindo, a gata tartarugada dormia pesado na pilha de penas, passou por ela e saiu da toca pisando leve para não acordar seus companheiros, o que foi bem difícil, já que o chão do acampamento era coberto de galhos secos e pedrinhas que apareciam no caminho do nada.

Com o corpo esguio, atravessou os arbustos espinhosos que cercavam o acampamento. Continuou em passos curtos e silenciosos até que o cheiro do seu clã se tornar distante. Ele disparou, seguiu em direção à fronteira do clã irmão. Um dia a divisão que partia os dois territórios fora uma poderosa torrente de água doce, e agora, apenas um leito lamacento que começava a secar.

Tamanha era sua pressa, que não se importou em sujar as patas com barro enquanto atravessava a lama, chegando à outra margem do rio seco percebeu o feixe de luz que se formava no horizonte atrás dele, com o sol nascendo seu tempo se esgotava, logo notariam sua falta no acampamento ou pior uma patrulha iria aparecer e ele não gostaria de ser pego no território errado, seria um problema para todos.

Ele correu, correu o mais rápido que suas patas podiam, sem se importar com o barulho que faziam. Abria caminho pelo arbustos e cactos que cada vez mais surgiam ao seu redor. Sua distração custou, um espinho longo e afiado entrou fundo na carne da pata traseiro do jovem.

Não havia tempo para protestar, já podia ver a alta serra verdejante a distância, estava muito perto para desistir, com um movimento rápido ele tirou o estinho da carne segurando um rosnado de frustração entre os dentes. Cambaleando com apenas três patas, viu o caminho onde os monstros subiam a parede de terra, se tivesse cuidado, poderia usa-la para subir e adentrar a mata.

Já podia imaginar o cheiro da água eternamente correndo no leito escondido na mata fechada, mas, ao invés disso, um cheiro forte o tirou do devaneio, era cheiro de gatos, a patrulhando do território estava correndo em sua direção, não havia como se esconder, lutar ou fugir naquelas condições, ele havia falhado...

Notas finais
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