Gateway - Camping Green hil
10 Quando tudo parece estar bem!
Estava tão envolvido em minha bolha particular que não percebi uma aproximação.
“- Oi”Ergui os olhos e encontrei Elizabeth, que se aproximou e sentou-se ao meu lado.Sorri timidamente e ela percebeu algo errado.“- O que foi que aconteceu? Porque está triste?”Bufei olhando para o lado e refleti profundamente se realmente queria conversar sobre isto. Nunca tive uma chance de falar com Elizabeth numa conversa decente, sem raiva, sem irritação e interferências que decidi que não iria estragar isto agora. Depois procuraria Kevin para esclarecer mais dúvidas.“- Não foi nada.” disse a ela. “-Só muita coisa nova para se pensar, mas hoje só sou seus ouvidos, não quero falar de mim, quero ouvir você.”Aproximei dela segurando suas mãos entre as minhas, senti a familiar corrente entre nós e o assunto pai estava quase superado naquele momento. Ela sorriu encarando nossas mãos. Será que também sentia?Ela me encarou com seus profundos olhos verdes:“-O que quer saber?”“-Que tal começarmos pelo início?” Sugeri.“- No meu mundo ou neste aqui?”“-No nosso mundo, não se esqueça que sou de Napta também.” Disse com um sorriso.“Muito bem. Napta é um mundo diferente deste aqui. Não é tão grande e não há tantos habitantes. Acredito que falando em tamanho, deve ser um quarto deste mundo e apenas cinco estados. A maior parte de Napta é verde, coberto de vales e florestas, água cristalina, não há água salgada como neste mundo. Todos os estados.......”Interrompi: “-Você já esteve aqui antes? Como sabe sobre a água salgada?”Ela sorriu timidamente constrangida antes de responder:“- Eu não vivi aqui, mas você viveu.”Continuei olhando em seus olhos ainda com o sorriso brincando nos lábios e toquei sua face delicada que imediatamente corou sob meu toque.“- Não tenha vergonha de mim. Eu não teria vergonha se soubesse tudo sobre você.”“-Embora você não soubesse de mim eu sabia sobre você. Não sabia sua aparência, mas todo o resto eu sabia. Seu mundo, tudo que tem nele, seu esporte, sua música, sua história.... simplesmente tudo.”Fiquei surpreso e ao contrário do que eu disse me senti um pouco constrangido, mas disfarcei bem, ela não percebeu. Elizabeth baixou os olhos envergonhados novamente.Ergui seu rosto e perguntei:“-O que foi?”“-Hum!! Acho que nada”“-Se eu soubesse sobre você teria estudado tudo a seu respeito e forçaria alguém a me levar até seu encontro. Nunca fique constrangida em dizer nada para mim, está bem?”Ela assentiu e nos encaramos, agora sem desconforto algum para ambos. Era natural olhar Elizabeth. Neste momento, já estávamos os dois sentados no tronco da árvore.Tive um impulso de me aproximar, tocar seus lábios, mas não queria perder nada do que ela falava, então me contive.“-Continue falando sobre você” Pedi.Ela suspirou profundamente, como se tivesse saindo de um transe e continuou um pouco perdida.“- Ah! Tá! Então...hum.. como dizia, todos os estados são governados com as mesmas políticas e regras. Os governantes se reúnem em conselho e decidem novas leis se necessário, mas em geral é um mundo muito tranqüilo e quase extinto do mal. O Rei de Napta não tem a função de reinar sob Napta, ele é Ministro dos portais dimensionais, como você já sabe, e em conjunto com a rainha, eles são os seres mais poderosos do universo.” Ela sorriu ao final da frase me hipnotizando com sua narrativa.“O Ministério que eles tomam contam para ser mais claro é o equilíbrio do bem e do mal. São os únicos reis que podem influenciar em outros mundos, se necessário. Todos os argumentos devem ser aceitos. Pois presumisse que o ministro e a rainha sempre farão o melhor para o equilíbrio do universo.”“- E sobre você?” Incentivei.“Fui criada em Napta, mas não foi junto com o ministro, foi num estado chamado Brunion, é o maior de Napta. Meus pais chamavam-se Duque e Helena, não tive irmãos, mas no castelo havia muitas crianças, com as quais passei toda a infância e parte da adolescência.”“Pelo menos uma vez ao ano era enviada para passar alguns meses em outros mundos. Alguns deles fui várias vezes e para outros tive uma única passagem. Os mundos que estive várias vezes eram os que os habitantes se pareciam com nossa forma física, como elfos e fadas, mas também estive algumas temporadas em mundos que não havia pessoas como, por exemplo, Ugre, dos ursos. Foi muito interessante, mas depois dos primeiros dias, você percebe que realmente é fora do contexto do mundo, como se fosse um peixe fora d’água.”Podia entender, eu estava em meu mundo com muitos semelhantes e me sentia um peixe fora d’água.“-E seus pais? Você teve namorado ou algo do tipo?”“- Sei que meus pais de Brunion não são os biológicos, mas ninguém sabe quem eles são então não penso muito no assunto e assumo que eles são meus pais verdadeiros. Só sei que minha mãe é fada e meu pai é um guerreiro de Napta. E não bobinho, nunca tive namorado.” Ela disse soltando minhas mãos e tocando em meu rosto. “Nada de namorados. Até hoje.” Sorri em resposta tocando seu rosto com suavidade. Como sua pele era macia e delicada. Enquanto deslizava meu dedo suavemente, vi sua pele clara ficar corada novamente e suas pálpebras fecharem. Era fácil ficar admirado com sua beleza, seus cabelos caiam por sobre os ombros no meio das costas, me aproximei muito devagar tocando meus lábios nos dela. O mundo a volta poderia parar, eu não estava mais em minha bolha particular sozinho, eu a compartilhava com Elizabeth. Ela abriu um pouco a boca e continuamos a nos beijar suavemente. Sentia suas mãos em meu peito. Era reconfortante abraçar Elizabeth, tê-la em meus braços. Este beijo fez minha cabeça parar, era só nela que pensava, só seu hálito que sentia e a corrente que agora corria por todo meu corpo. Muito delicadamente afastamo-nos um dos outro e nos encaramos por alguns instantes antes de eu falar descontraidamente.
“- Então não é comprometida?”“- Sendo assim vou ter que pedi-la em casamento.” Sorri com a verdade que já estava em minha frase desde quando nascemos.Neste momento ela saiu da nossa bolha e me deixou lá sozinho, se retesou e afastou-se de mim ainda sem se levantar do galho da árvore. Eu não iria deixá-la fugir sem me dizer nada. Desta vez, peguei-a pelos braços e a encarei profundamente. Nosso romance tinha evaporado.“- O que há de errado?”Neste exato momento, vi uma lágrima em seus olhos e ela lutou para levantar-se. Ainda segurando-a firme disse com mais ênfase.“- Você não vai embora agora sem me dizer o que há de errado.”Ela soltou o corpo e abaixou a cabeça com as lágrimas rolando por sua face. Esperei calmamente até ela me olhar nos olhos. Tinham se passado vários minutos e ainda continuávamos em silencio até que perguntei com a maior delicadeza que pude, falando as palavras pausadamente.“- Elizabeth. Preciso. Que. Você. Me. Conte. Agora.” E acrescentei controlando minha raiva. “Por favor.”Ela suspirou, olhou em meus olhos, voltou para as mãos e sustentou meu olhar novamente.“- Vou te contar uma parte, mas você terá que prometer que hoje não vai me pressionar pela informação completa, é para nosso próprio bem. Já pensei em quem poderá nos ajudar, mas só posso te contar depois que conversar com esta pessoa. Está bem?”Concordei, pois percebi que não conseguiria tirar nada dela hoje.“- Estão me chantageando.” Ela deu uma pausa e respirou fundo dizendo de uma vez só. “Se eu me casar com você, vão te matar.”Eu a soltei neste momento e continuei a encará-la. Não fazia sentido isto, o mal já queria me matar, quem mais queria e por quê? Por incrível que parecesse isto não me assustou. Mas fiquei preocupado, por Elizabeth. Não queria que ela se preocupasse comigo.“- Você não pode me contar a informação completa, mas não me contou nem uma pequena parte. Esta pessoa ou ser ou força o que quer me matar não é o único.” Disse falando mais comigo mesmo em tom de desabafo.“- Mas é diferente, o mal você sabe que quer te matar e isto não.” A voz dela sumiu no final da frase.“- Não pode me dizer quem? Nem por quê?” Tentei arrancar mais alguma informação.“- Ainda não. Mas peço que você fique atento. Preste atenção em tudo e em todos.”“- Esta bem, mas já que você não vai dizer mais nada, não vamos mais nos preocupar com isto agora. Confio em você.” Disse isto a envolvendo em meus braços, como estávamos há pouco tempo atrás. Continuamos em baixo da árvore por mais uma meia hora e o interrogatório sobre nossas vidas prosseguiu. Ela confirmava algumas coisas sobre o mundo em que vivi e descobrimos que tínhamos vários gostos em comum, como o tipo de comida, gosto por esportes e outras coisas como o jeito de dormir. Foi ótima a hora que passamos juntos.A notícia que mais alguém queria me matar não me preocupou tanto, já que não ameaçava Elizabeth. Mas decidi que mais tarde procuraria mais alguma informação, uma que fizesse algum sentido.“- Temos que ir.” Disse Elizabeth ao perceber que já eram onze horas. Eu assenti e segurei sua mão para irmos em direção a nossa barraca dormitório. Demos um passo e ela soltou minha mão hesitando.“- É melhor não andarmos em público por enquanto, por causa do que eu te disse há pouco. É perigoso demais.”“- Não me importo Elizabeth”“-Mais eu sim” Ela disse numa voz triste.“Tá!” Disse soltando sua mão e dando um beijo no alto de sua cabeça.Tinha que confiar em Elizabeth por enquanto, mas não ia a deixar lidar com isto sozinha, eu ia investigar quem estava ameaçando-a. Não questionei para não a colocar longe de mim e então a puxei para dar um beijo de despedida.Ela foi embora primeiro e fiquei esperando alguns minutos até ela se retirar para poder ir embora também. De repente senti alguém tapando meus olhos por trás. Percebi que eram mãos femininas e sabia que não poderia ser Elizabeth já que tinha acabado de sair da minha frente.Antes de qualquer reação a mão se moveu rapidamente e o corpo da estranha parou colado ao meu, percebi que era Laila e dei um passo pra trás.“- Você estava me espionando?”“-Só a parte romântica. Foi tão lindo.” Disse Laila, percebi que estava voando, como se estivesse na mesma altura que eu. Ela era uns trinta centímetros mais baixa. Suas asas não estavam pequenas como estava acostumado a ver nas fadas que conheci. Era uns vinte centímetros mais alta que ela e acabavam na altura de sua cintura. Era como se fosse uma versão da sininho em o tamanho humano.Ela percebeu que eu estava vacilando vendo-a voar e fez de novo. Deu-me um beijo na boca. Eu puxei o rosto pra trás e segurei seus braços.“- Já falei para não fazer isto.” Disse empurrando-a para longe e me afastando da árvore.“- Você vai ser meu.” Disse Laila com convicção.“- O que a faz pensar isto? Não ouviu todas as histórias de que eu e Elizabeth somos predestinados a ficar juntos?”“- Ouvi. Mas como você mesmo disse são histórias e na vida real pode ser bem diferente. Sabe que já foi assim há algum tempo atrás?”“- Também ouvi esta e pelo que saiba foi há muito tempo atrás.” Disse enfatizando a palavra muito.Ela parou de voar e vi suas asas se encolherem, olhou em minha direção e se aproximou novamente me envolvendo em seus braços delicados.“- Você realmente vai ser meu. Não adianta fugir, vai perceber que sou melhor que ela.”Quem diria, eu rejeitando uma fada, ela era mesmo linda, mas eu estava apaixonado e naquele momento ela não passava de alguém que eu queria me livrar rapidamente. Livrei-me de seus braços e saí na direção em que Elizabeth tinha ido há pouco tempo atrás.“-Vai me deixar aqui sozinha?” Ela disse parada sob a árvore.Nem me dei o trabalho de virar o corpo para responder:“-Vou. E deixe-nos em paz”. E então segui para meu quarto sem olhar pra trás.
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