Gateway - Camping Green hil

25 Qual a melhor maneira de reagir?


Notas iniciais
Boa Leitura!

Vigésimo primeiro – falta nove dias

Estava no meio do gramado perto da floresta. Não sabia exatamente onde. Havia neblina e era tarde da noite. Ajustei o foco e pude ver um lago próximo e a tenda principal. Conhecia aquele lugar, era perto da árvore que ficava com Elizabeth. O nosso lugar. Mas o que eu estava fazendo ali? Sabia que era sonho, pois estava habituado a incapacidade de mexer os membros. Ao longe duas pessoas conversavam. Flutuei para perto delas e reconheci Demétrius e Elizabeth. O que aquele canalha estava fazendo ao lado de minha Elizabeth? Será que era passado ou futuro? Ele estaria a chantageando novamente? Quando estava bem próximo ouvia o burburinho, mas não identificava palavras. Concentrei-me ao máximo e:

“-Você não pode se casar com ele.” Disse Demétrius.

“-Por quê? Eu o amo!”

“-Ele não é pra você! Não te merece!”

“-Ele foi feito pra mim, não foi? Não foi isto que você tentou me convencer a vida inteira?”

Percebi uma leve hesitação de Demétrius que rapidamente se recompôs, Elizabeth não pareceu perceber.

“-Foi sim. Eu convencia não só você como tentava convencer a mim mesmo. Mas depois destes dias com ele, percebo que não serve pra você. Ele não é bom, é imaturo.”

“- Foram somente cinco dias. Como pode saber? Ele é bom sim, pelo menos pra mim.” Ela disse cética. Tentava convencer a si mesma.

“-Você viu como ele atacou os seres das trevas esta semana? Não tinha nenhum preparo, foi inapropriado, imaturo.”

“-Ele vai se tornar rei com ou sem mim. Você não pode fazer nada com a imaturidade dele. Quem você vai convencer de que ele não é o escolhido?”

“-Não vou convencer ninguém. Ele vai se matar sozinho.”

“-Não vai” Ela gritou a plenos pulmões em resposta.

Eu usava toda a minha força para escutar o que eles falavam, mas estava agitado. Queria atacar Demétrius, aquele traidor.

“-Se ele não se matar, mato eu. Não me force a isto Elizabeth. Afaste-se dele senão vou ser forçado a dar uma ajudinha ao destino.” Ele disse num tom assustadoramente frio.

Cretino!

Agora Elizabeth tremia e chorava envolvendo o próprio corpo com os braços. E ele a abraçava suavemente, como se estivesse a protegendo e não chantageando.

Eu precisava interferir...... não conseguia mais assistir sem fazer nada e então me concentrei.

Pela primeira vez, consegui me mexer em meu sonho. Era só canalizar a energia para o braço, depois tentei canalizar para a perna. E assim eu andei para próximo deles, que ainda não tinham notado minha presença.

Eu usei o elemento surpresa e acertei um soco na cara de Demétrius. Devido ao esforço ao me mover, eu não conseguia falar nem escutar nada do que Elizabeth dizia pra mim. Demétrius estava mais surpreso com minha aparição do que com o soco que levou na cara. Pois olhava pra mim com olhos profundos e balançava a cabeça negativamente.

Depois de alguns segundos, ele levantou a mão e escutei suas palavras muito longe em minha mente:

“-Não interfira. Você está quebrando a principal regra dos sonhos. Não é permitido. Vou ter que arrumar esta bagunça agora. Apagarei a memória de Elizabeth e a minha para não dar tudo mais errado ainda. Nunca se esqueça, paciência é uma virtude.”

As últimas palavras de Demétrius confundiram mais ainda minha cabeça. Aquelas não eram suas palavras.... e com um tranco fui trazido de volta ao mundo real.

Estava deitado em minha cama e havia mãos duras envolvendo meu pescoço. Estava sendo enforcado por alguém. Não conseguia me mexer. Tinha interagido muito neste sonho. Perdido totalmente os sentidos. Não conseguia falar, escutar nem ver. Ia ficar parado por muito tempo, considerando a última vez que interagi a paralisia duraria por quase uma hora. Talvez eu não tivesse tanto tempo assim.

Agora era sacudido. Como se o agressor quisesse me acordar. Mas o silencio pra mim era absoluto. Eu ainda não havia identificado quem estava aqui. Então resolvi canalizar as forças para um único sentido como tinha acabado de fazer no sonho. Pensei em focar no tato, teria meus movimentos e daria uma surra em meu agressor mesmo sem ver, nem escutar. Mas logo mudei de idéia, não sabia o que estava acontecendo e mudei para focar na audição, precisava identificar quem era, poderia ser Elizabeth. Eu não me permitiria machucá-la, mesmo se ela estivesse querendo me matar para vingar a morte de sua irmã. Embora minha intuição não achasse que ela fizesse isto por mais raiva que sentisse de mim.

Mas quem seria? Por que me batia tanto. Eu não sentia dor, ainda. Mas provavelmente depois da paralisia eu teria hematomas por todo o corpo. Era socado, enforcado, sacudido. Com certeza era alguém tão forte quanto eu, um homem.

Enquanto uma pequena parte tentava deduzir quem estava me atacando, a maior parte canalizava as forças para os sentidos auditivos e comecei a ouvir ainda imóvel e sem ver nada.

“-....uma não foi suficiente, não foi? Precisava ser as duas? Não vou deixar você passar imune. Chega de ser o melhor. Davi, o prometido!” A última frase foi dita devagar e sarcasticamente. Depois ele cuspiu em mim.

Eu já havia escutado aquela voz. Era masculina, mas como ele estava nervoso, alterado e gritava muito dificultava a identificação. Pense Davi! Obriguei-me a pensar. Coloquei seu falatório em terceiro plano e procurei por todos os garotos que havia conhecido.

Enquanto tentava identificar, canalizei a forca para a visão e acabei reconhecendo a voz no mesmo momento que clareou sua imagem frente aos meus olhos.

Ramon!

“-Acordou, seu cretino!”

Levei mais um murro na boca e pude sentir o gosto de meu próprio sangue, não sentia qualquer dor. O tato não havia voltado ainda. Seria o próximo sentido.

“-Acha que pode vir aqui como o melhor cara do mundo. Roubar minhas duas mulheres e ficar por isto mesmo? Hoje você vai morrer. Vai cair nas mãos de minha Paula no inferno. Pois ela te seguirá em qualquer lugar que vá. Mesmo depois de morta.”

E ele desabou a chorar descontroladamente. Ora chamando Paula ora Elizabeth. Uma coisa me intrigava, se Jake tinha vindo direto pra cá me contar sobre a morte de Paula, como Ramon ficou sabendo?

Mais um murro na barriga. Estava demorando, demorei acho que uns vinte minutos para ter dois sentidos, mas estava demorando muito para voltar o terceiro. Até quanto meu corpo iria agüentar? Assim que vi o arco e flecha que estava as suas costas, parece que ele percebeu meu olhar e o tirou. Percebi que chegara à hora de ele me matar. Não ia despertar a tempo de poder me defender. Será que ninguém escutava sua gritaria? Eu já sabia a resposta. Magia.

Enquanto ele preparava o arco, me fez uma pergunta num tom frio e calculista. O desespero se fora.

“- Que ironia do destino.” Pegou a flecha e passava seus dedos lentamente por ela. “Você aqui disponível para mim e incapacitado. Como o destino te entrega de bandeja assim?” Preparou o arco e posicionou a flecha. “-Não vai falar nada mesmo? Rá rá rá.” Agora ele gargalhava.

Depois se afastou de mim e mirou de uma distância curta, mas suficiente para a flecha abrir um buraco em meu peito. Sabia que desta distância qualquer um acertaria meu coração. Pelo menos iria morrer rapidamente. Ele apertou os olhos puxou a flecha e um instante antes de soltar, minha voz voltou.

“-Ei Ramon, tudo bem em me matar. Mas não acha que eu tenho o direito de saber o motivo?”

Afrouxou a flecha do arco erguendo uma das sobrancelhas ceticamente:

Ele parecia cansado, o cabelo cor de palha estava grudado na pele pelo suor.

“-Nem imagina? Tem certeza?” Agora ele falava com o rosto bem próximo ao meu. “-Não acredito que eu ia fazer uma injustiça. Tirar uma vida sem contar o motivo. Rá rá rá.”

Eu queria tanto poder lutar com este lunático. Dar-lhe uma boa lição. Completamente maluco. Jogaria ele e Demétrius no mesmo lixo. Mas agora precisava prolongar meu tempo para despertar meu corpo. Canalizei energia para o tato e experimentei mexer as mãos. Nada!

“-Eu tinha Elizabeth, desde criança. Ela era minha!” Ele gritou. “Sabia que um dia teria que lidar com você, mas enquanto este dia não chegava, eu a tive.” Ele levantou os olhos azuis em direção a parede consultando a lembrança. “Embora eu nunca tenha tido um compromisso sério com ela, eu tenho muito a me lembrar, momentos calorosos, beijos roubados, além de, é claro, a ensinar o melhor que pude a lidar com as flechas. Assim eu a teria mais perto de mim nos treinamentos. Passamos vários anos juntos. Ela ficou tão boa arqueira quanto eu.” Ele apertou os olhos com a raiva explodindo através deles. “Mas daí, você tinha que aparecer!” Cuspiu no chão desta vez. “Eu busquei a ajuda daquela vadiazinha sentimental e imbecil da Laila. Consegue alguém ser tão vadia e sentimental ao mesmo tempo? Rá ra. A conquistei e tenho certeza que ela faria qualquer coisa por mim. Mas mesmo assim não deu certo. Tão bonita e tão incompetente.”

Tive pena de Laila. Ela não era tão diabólica quanto eu pensava. Só, carente. Eu estava começando sentir as conseqüências da surra que estava levando. O tato estava voltando. Mas ainda permanecia imóvel, continuei me concentrando. Não disse nada. Sabia que continuaria falando por mais um tempo. Ainda falaria sobre a segunda garota que supostamente eu arranquei dele. Elizabeth e supostamente não seria Laila, já que ele a oferecia numa bandeja pra mim.

“-Desisti de Elizabeth! Sabe que odeio desistir?” Ele disse com a voz esganiçada e com o arco apertando meu pescoço que consegui contrair um pouco. Só mais um tempinho e meus movimentos voltariam. A dor em meu estômago também estava grande. Provavelmente alguma costela quebrada. “Mas aí, conheci Paula no dia do Lual. A Idéia de enfeitiçar sua bebida foi dela, boa mesmo, não é? Queimou você sem você sentir. Esta era inteligente e esperta” Ele já tinha tirado o arco do meu pescoço e voltou a sorrir com a expressão distante.

Conseguia mover as mãos, mas tinha que esperar para me levantar, pois ainda não sentia minhas pernas. Acho que ele estava falando e me batendo por quase uma hora. Faltava pouco para eu lutar. Estava começando a sentir a necessidade de luta. O mal irradiava em Ramon. Ele continuou seu monólogo:

“Assim que a conheci fiquei encantado com ela e ela por mim. Tivemos ótimos momentos juntos. Elizabeth era muito ingênua, inocente perto de sua irmã. Paula era uma Elizabeth muito melhorada, mais madura, mais esperta, mais bonita, mais.....” A raiva aflorou nele novamente “Morta! Seu filho da puta! Você vai morrer agora!”

Mas antes que eu pudesse pensar qualquer coisa, alguém entrou no quarto e pulou em cima de Ramon. Laila estava em suas costas tentando enforcá-lo.

“-Você me enganou! Não acredito que cai em sua lábia barata. Mas isto não vai acontecer, nunca mais.” Ela ficou poucos segundos em suas costas, como num boi de rodeio, até que ele a jogou contra a parede. Ela caiu com um baque surdo, estava desacordada no chão.

Neste momento estava dono de meus movimentos novamente, mas não de meu autocontrole. Levantei-me da cama num só movimento e já estava com ambas katanas em punho. Não sentia dor alguma em meu corpo, somente o desejo de derrubar Ramon.

Ele proferiu o primeiro golpe com o arco, tentando tirar uma das espadas da minha mão. Não conseguiria armar o arco de uma distância tão pequena. Eu segurei firme a espada o que provocou a divisão do arco em dois. Ele pegou uma flecha em uma mão e uma espada curta que estava dentro de sua bota. Dei o segundo golpe arrancando a flecha de sua mão. Ele podia ser bom com arco e flecha, mas agora usávamos a minha especialidade, e eu era bom com espadas.

“- Você foi enganado Ramon. Paula não queria você. Ela queria o lugar da irmã. Tudo que a irmã tinha.”

Ele gritou: “-Não! Ela me amava!”

Nossas espadas se tocaram novamente.

“-Não amava! Ela esteve em meu quarto atrás de mim, poucos dias atrás.”

“-Você esta mentindo”

Outro choque de espadas, desta vez eu fiz um fino e profundo corte em seu braço.

“-Não estou, Ramon. Nenhuma das duas o ama e você sabe disto. Pare de se enganar.” Outra faísca pelo choque das espadas. “Como ficou sabendo sobre a morte de Paula?”

Ele riu loucamente.

“- Acha que também não tenho amigos, Davi?”

Eu esperei.

“-Sabrina! Minha mãe me ama Davi, faria tudo por mim.”

Mãe? Como assim?

Ele tentou me acertar e eu esquivei.

“-Ama? Ama tanto que fugiu. Você sabe que ela largou Paula para morrer sozinha? Ela traiu vocês. Na hora que se viu encurralada os abandonou. Por isto, Paula estava mais vulnerável e acabou sendo pega.”

A confusão tomou conta de Ramon. Ele não contava com a traição da própria mãe. Foi o golpe mais certeiro que eu poderia ter dado. Com isto, fiz um movimento de ataque, ele nem sequer ameaçou defender, e minha lâmina passou como navalha em seu pescoço. Ele deu dois passos pra trás e caiu ao chão.

Mãe de Ramon? Que história era aquela? Senti certa pena dele. Não teve sorte e não fez a escolha certa para mudar sua falta de sorte. Aproximei-me dele, mas já estava perdendo a vida.

Corri até o canto do quarto o qual Laila estava imóvel no chão. Procurei pelo seu pulso e não o encontrei. Será que tinha morrido também? Ela foi atirada com muita força contra a parede. Comecei sentir a dor me invadir, mas tinha que segurar firme. Consegui concentrar em meus sentidos e mesmo sem chegar à cabeça próxima a seu peito, escutei as batidas de seu coração, estava mais devagar que o normal, mas ela estava viva e era o que importava. Tomei-a nos braços e corri para a barraca das fadas deixando-a sob os cuidados de Ivy. Não sei o que ela tinha ido fazer em meu quarto, mas dei graças a Deus por ter aparecido. Ela conseguiu mais alguns segundos que foram vitais para recuperar meus movimentos.

Na barraca das fadas, Ivy havia insistido para eu ficar até me curar, mas recusei e ela jogou o pó cristal em mim. Embora estivesse cansado, já não sentia dor.

Estava amanhecendo e no caminho de volta encontrei Kevin.

“-O que está fazendo fora do alojamento tão cedo?” Perguntou.

“- Se eu te contar tudo que passei, não acreditaria.” Abri um sorriso cansado. Fazia um bom tempo que não falava com Kevin, desde a reunião do conselho.

“-Experimente.” Ele riu um tanto preocupado e eu despejei.

Falei sobre o seqüestro de meu amigo Juan. Sobre a inveja de Paula. O resgate trágico de Jake. A ira de Elizabeth quando ficou sabendo da morte da irmã. A traição da Sabrina. O ataque de Ramon enquanto eu estava paralisado até chegar ao Ramon morto em meu quarto e Laila machucada no hospital.

Ele escutava atentamente, sem fazer qualquer pergunta ou comentário. Quando acabei, Kevin quis saber:

“-Você já exterminou o corpo de Ramon?”

“-Não. Ainda deve estar meu quarto.”

“-Vamos pra lá agora exterminá-lo.”

Eu o olhei confuso não entendendo a urgência, mas seguimos rapidamente para meu quarto.

“-Pelo que disse, ele já estava tomado pelo mal. Se não usar o feitiço do pó de extermínio ele se transformará em sombra e levará todo seu conhecimento para o lado das trevas.”

Nunca tinha escutado uma coisa deste tipo. Expliquei o que Jake me disse sobre Paula.

“-Mas Jake me disse que se deixasse o corpo de Paula pra trás ela seria achada pelos humanos.”

“-Isto depende do nível da maldade, se não estiver muito tomado, isto acontecerá sim. Somente seres que não manipulam a magia podem movê-lo, mas quando estão tomados pela maldade, como sinto Ramon, em pouco tempo viram sombras do mal e preservam todo seu conhecimento voltado para as trevas.”

Já estávamos em frente ao corpo de Ramon enquanto ele me esclarecia. Ramon estava com uma névoa escura tomando as extremidades de seu corpo. Kevin tirava seu pó de extermínio da bolsa e despejava seu conteúdo no corpo de Ramon que ficava translucido e desaparecia no ar.

Eu estava tentando lembrar onde tinha visto aquela nevoa escura engolindo parte dos membros de Ramon. Como havia chegado lá? Meu quarto estava frio e lembrei-me da sensação de meu sonho no dia anterior. A bolsa que engolia pedaço das pessoas levando-a para a dimensão das trevas. Era a mesma coisa que estava acontecendo com Ramon.

“-Existe a Dimensão das trevas, Kevin?”

Ele assentiu.

“-E é paralela a esta não é?” Tive esta confirmação antes de acabar a pergunta.

“-É sim. Por isto o mal escolheu este mundo. Não é uma simples falha do portal. Esta desculpa é dada para os outros mundos não se unirem para destruir a Terra. Há alguns mundos paralelos a algumas dimensões do mal, não só a Terra. Destruindo este planeta uma boa parte do lado negativo será destruída com ele. Mas como você sabe o mundo precisa ter equilíbrio e o mal é algo necessário.”

“- Como se vai para esta dimensão?”

Kevin sorriu. Esta reação me confirmou que estava fazendo as perguntas certas. Finalmente estava tendo mais respostas do que perguntas.

“- Existem portais para a dimensão das trevas. Geralmente são lugares infectados pelas trevas.”

Lugares? Eu estava quase certo que a bolsa seria um portal das trevas. Mas prossegui.

“-Como as pessoas chegam neles?”

“-As pessoas que tem mais maldade dentro de si do que bondade são atraídas para estes lugares que as convencem a tirar a própria vida. Isto mata de vez a parte positiva tornando-as sombras negativas.”

“-E Ramon?”

“- No caso de Ramon, provavelmente foi se corrompendo até ser tomado pelo mal e quando morreu o mal estava pegando o que lhe era de direito. Se não fizéssemos nada, ele viraria uma sombra fria e sem vida. Quando chegamos aqui, somente a parte positiva estava morrendo sobrando apenas a negativa. É por isto que quanto mais maldade há no ser, mas rápido é levá-lo para a outra dimensão.”

Depois que cuidamos de Ramon. Eu continuei o interrogatório seguindo com Kevin para a área de treinamentos.

“- O que aconteceu com a família de Ramon?”

“-Só sei histórias, são de antes de eu nascer.”

“-Tudo bem” Eu o incentivei a contar.

“-Há quase trinta anos atrás, os pais de Ramon eram rei e rainha de Ethyn, quando Ramon era apenas um bebê. Eram ambos elfos e ótimos guerreiros. Sua mãe, Sabrina foi para uma missão aqui na terra, como é comum em alguns mundos. Mas ela se achava imbatível e numa distração foi capturada por forças das trevas. O rei Marcos, pai de Ramon, procurou por ela por anos, mas não encontrou aceitando o fato de sua morte. Ele se casou de novo e fez outra rainha. Uma madrasta que Ramon odiava, ele não aceitava o pai colocar uma substituta para sua mãe. Há uns dois anos atrás o Rei e a Rainha foram assassinados em seu reino. Ninguém conseguiu entender o que de fato aconteceu. Falaram que o rei enlouqueceu, matou a esposa e se suicidou. Mas nada foi comprovado. Um dia, um serviçal do castelo disse ter visto a rainha Sabrina com o filho Ramon no salão logo após as mortes. O serviçal era bem velho, já tinha passado os trezentos anos e acharam que o velho estava delirando. Gostava tanto da rainha Sabrina que a via em todos os lugares, não teria sido a primeira vez. A investigação continuou, mas ninguém conseguiu provar se Sabrina existia ou se Ramon havia contribuído de alguma maneira para a morte do pai e da madrasta.”

“- Ela existe e pelo visto usou o filho para fazer o serviço sujo.” Disse sentindo repulsa e alívio por minha mãe não ser assim. Neste momento lembrei-me de Demétrius. Meu pai era assim e iria pagar por isto e logo. Não iria contar para Kevin sobre ele, mas enquanto pensava num próximo assunto lembrei que Kevin me contaria sobre o chantageador e embora eu já soubesse gostaria de saber onde levariam suas suspeitas.