Gateway - Camping Green hil

12 Isto não podia acontecer!


Notas iniciais
Boa leitura!

Sétimo dia

Na manhã seguinte, com a cabeça mais tranqüila, lembrei-me da promessa de Kevin de esclarecer outro ponto importante das minhas dúvidas. Ele disse que iria falar sobre a chantagem de Elizabeth.
Chegando à área de treinamento, procurei Kevin antes de iniciar e o encontrei na lateral do campo perdido em pensamentos. Aproximei-me:
“- Bom dia!”
Ele se virou com um olhar preocupado e assentiu sem falar nada.
“O que há de errado?” Perguntei.
“-Não tenho uma notícia muito boa.” Ele olhou em direção as mãos e continuou. “- Lembra quando te disse que seu pai não estava no alojamento?”
“-Sim” Meu estômago congelou, sabia que não viria coisa boa.
“-Então, ele estava em uma missão para o conselho com os dirigentes de outro planeta e no caminho de volta desapareceu. Todo o grupo sumiu. Procuramos por todos os lugares possíveis, mas não havia qualquer sinal de onde possam estar.”
Não consegui expressar qualquer reação. O que será que tinha acontecido com meu pai? Meu pai! Perguntei pra mim mesmo. Naquele momento percebi que não tinha qualquer rancor em relação a ele e que era minha única segurança, minha família, meu pai. Só queria saber se ele estava bem.
Kevin esperou até eu me expressar. O que foi difícil, mas depois de poucos instantes saí de meu torpor e com um suspiro profundo tentando me acalmar ou pelo menos parecer mais calmo, disse:
“-O que aconteceu? Não me poupe, por favor.” Pedi.
“- Não pouparei, precisamos da sua ajuda. De seus instintos para ser mais preciso. Como disse, seu pai foi em missão do conselho para outra dimensão e estava demorando muito pra voltar. Ele deveria estar aqui há três dias. Estávamos procurando-o. Mas não conseguimos qualquer vestígio de seu paradeiro. Temos a suspeita que tenha sido capturado, mas como disse é apenas uma suspeita. Por isto, quando você me perguntou sobre ele não pude te contar o motivo de não estar no alojamento. Enquanto não soubesse de seu paradeiro correto não poderia dizer nada a você. Mas os dias se passaram e talvez você possa nos ajudar.”
“-Como posso fazer isto?”
“-Você é a pessoa que tem maior afinidade com Francisco e por isto, se ele conseguir pedir ajuda, será a você.”
“-Como ele faria isto?” Perguntei confuso.
Kevin suspirou pesadamente:
“-Como sabe, ele não é seu pai biológico.” Assenti e ele prosseguiu. “E esteve a serviço do ministro tomando conta de você por quase dezoito anos.” Assenti novamente sem entender por que ele estava enrolando para falar. “Para isto precisava de habilidades extras, pois não sabíamos se o mal poderia achar você e tentar matá-lo mesmo estando escondido na Terra. Esta é a razão pela qual Francisco foi escolhido para ser seu pai. Ele é um dos melhores guerreiros de Metamonia e podia defendê-lo e procurar ajuda com maior facilidade do que um humano.”
Demorou poucos segundos para eu entender que meu pai não era humano. Lembrei-me que Metamonia era o mundo que homens se transformavam em animais. E perguntei com um tom acima da conversa:
“-No que ele se transforma?”
Com um leve sorriso no rosto, Kevin esclareceu “-Lobo.”
Ficamos em silencio por alguns segundos enquanto eu refletia. Como nunca percebi uma coisa desta? Quando ele se transformava? Será que era algo como lobisomens da ficção que precisavam de lua cheia? Teria um botão de liga e desliga.
Conforme o tempo passava Kevin me conhecia cada vez mais e mesmo que meus questionamentos fossem mentais ele respondeu:
“-Ele se transforma quando quer e precisa. Não precisa se transformar em períodos específicos, mas também não pode simplesmente esquecer quem é e nunca mais se transformar no lobo. Precisa fazer de tempos em tempos. Não sei ao certo a periodicidade, mas pelo que estudei deste mundo é algo em torno de três em três meses.”
Fiquei surpreso com sua resposta precisa a minha pergunta não dita e acrescentei:
“-Como espera que eu o encontre? Faria qualquer coisa para ajudar meu pai.”
“-Quando ele está transformado, consegue uma habilidade telepática muito boa, todos os metaformos são assim entre as mentes que são mais próximas e dentro de sua freqüência. E como ele viveu bastante tempo com você, talvez a distância não prejudique em se comunicar com sua mente. Você só precisa se concentrar nele e esperar por algum sinal que identifique sua localização.” Suspirou profundamente e rapidamente prosseguiu como se esquece algum detalhe importante. “-Mas terá que me prometer que não irá atrás dele sozinho. Precisa me avisar que nos reuniremos com o conselho e enviaremos um grupo de buscas. Se necessário iremos juntos.”
Fiquei em silencio escutando atentamente, precisava ajudar meu pai. Como não respondi Kevin insistiu: “-Promete?”
Assenti positivamente.
“-Vamos treinar” Disse Kevin com a mão em meu ombro encorajando-me.
Naquela manhã treinei duramente, meus pensamentos vagavam em busca de algum sinal de meu pai, mas até então não havia sinal algum.
Num determinado momento do treinamento, fui em direção a arca de armas. Era uma arca enorme onde guardávamos vários tipos de espadas. Na verdade, elas eram extras já que cada um andava com sua espada as costas. Peguei uma espada japonesa usada pelos ninjas e cortei o ar testando seu corte. Escolhi outra espada do mesmo tipo e segurei-as uma em cada mão cortando o ar demoradamente experimentando, elas deveriam ter aproximadamente uns 70 centímetros.
Jake aproximou-se por trás de mim:
“-Tenho uma coisa para você.”
Eu o segui até outra arca que estava um pouco mais atrás desta primeira e que ainda estava lacrada. Antes de abri-la se virou para mim.
“-Estas espadas em suas mãos são Katanas e tem corte apenas de um lado, sua lâmina é ligeiramente curva e precisa habilidade para manejá-las. Se as está escolhendo não vou desconfiar de seu julgamento e te darei um acessório para carregá-las com você com maior conforto. Estará pronto para a batalha a qualquer momento.”
Virou-se novamente para a arca abrindo-a com facilidade e retirando uma peça escura de couro e me ofereceu dizendo:
“-Uma couraça de couro que já contem as bainhas para você guardar as katanas quando não estiver em combate.”
Agradeci a Jake e vesti a couraça por cima da camisa que usava com as espadas dentro das bainhas. Couraça é uma armadura para a área do peito originalmente feita de couro. Bainha é o lugar que guarda as espadas que fica as costas na couraça. Era muito mais leve e fácil de colocar do que parecia. Tanto que coloquei sozinho. Não era uma armadura como imaginava que seria uma couraça, mas cobria uma boa parte do peito, meu abdômen e minhas costas. Era de um couro tradicional, marrom com alguns detalhes costurados em negro. As espadas ficavam cruzadas as minhas costas. Não havia incomodo algum em carregá-las, eram relativamente leves, no início esquecia que estava armado.
O treino já havia finalizado esta manhã e segui em direção ao refeitório. Concentrei-me em meu pai Francisco e tentei descobrir algum sinal de como localizá-lo. Nada.