Gateway - Camping Green hil
7 A felicidade dura pouco
Notas iniciais
Naquela noite, deitado na cama fitava o teto e não tinha descoberto onde estava Elizabeth. Será que realmente estava na mesma barraca que eu? No dia seguinte eu pensaria em como encontrá-la. Adormeci e tive outro sonho com minha mãe.
Ela estava com os mesmos cabelos esvoaçantes, uma túnica branca e comandava os tralhos. Estavam na beira de um lago. Na verdade, minha mãe estava dentro do lago, as águas se abriam, sem tocá-la, em uma fenda. Estava conjurando uma magia que comandava a água direcionando-a para cima.
Do lado oposto aos tralhos, havia mais guerreiros. Estes se vestiam com trajes negros, estavam com couraças de um metal escuro protegendo o peito, botas negras e mascaras cobrindo parte do rosto, somente os olhos estavam à vista e flamejavam como fogo......
Acordei repentinamente como se tivesse tido um pesadelo, estava suando, com o coração disparado. Era estranha esta reação, a primeira vez que sonhei com ela tinha sentido o mesmo, mas na ocasião estava em frente a minha cama dois tralhos enormes e um coelho gigante, tinha motivos, mas agora não fazia o menor sentido. Não estava entendendo nada.
Levantei da cama impaciente e fui procurar por água, a do meu quarto tinha acabado. Estava sem camisa, apenas de calças de algodão clara e pés descalços, o cabelo desgrenhado, mas a esta hora da madrugada não podia encontrar ninguém nos corredores. A copa ficava no final do meu corredor, saí do quarto em direção a copa ainda pensando no meu sonho. Quando cheguei para minha surpresa, estava Elizabeth sentada em uma cadeira no canto do cômodo com um copo de água na mão fitando-o em silencio.
A copa tinha um tipo de forno, uma geladeira, um armário grande, um balcão, uma mesa de madeira com umas dez cadeiras estofadas em volta e um bebedouro. Tudo muito branco, as paredes e os pisos também eram de uma cor clara. O lugar era grande, maior que a sala da minha casa.
Elizabeth se assustou com minha repentina aparição e se levantou de imediato da cadeira que estava no lado oposto à entrada e seguiu em direção a saída o mais rápido que conseguia, dei a volta na mesa e me coloquei a sua frente impedindo sua passagem. Ela paralisou, fechou os olhos. Por um momento achei que estava refletindo e que enfim teríamos uma conversa amigável, sem insultos. Mas ela abriu os olhos e pude ver a raiva surgir neles, ela prendeu seu olhar ao meu, afastou um passo e descarregou sua raiva:
“- Não quero te ver nunca mais, você não passa de um conquistador barato.”
Não sei por que eu fazia isto, mas eu ia fazer de novo. Enquanto ela falava, segurei-a pelos cotovelos e a trouxe junto ao meu corpo. Ela estava tão nervosa que seu corpo tremia. Passei a mão pelas suas costas e quando ela percebeu o que eu ia fazer, tentou fugir. Eu não avancei, mas ainda a segurava em meus braços. Então, olhei dentro de seus olhos e perguntei.
“- O que há errado Elizabeth?”
Ela pensou por um momento ainda agitada, até que desistiu de lutar contra meus braços, suspirou profundamente:
“- Não sei.” Abaixou a cabeça e fitou o chão. Tinha desistido de fugir.
Ergui seu queixo, olhei-a com ternura e me aproximei delicadamente. Ela continuou a me encarar em silêncio. Percebi minha deixa e a beijei delicadamente. Foi suave, mais intenso, diferente do primeiro beijo que estávamos agitados e podia sentir a ferocidade entre nós. Agora, eu podia sentir a delicadeza de seus lábios, o perfume de sua pele. Suas mãos me seguravam com força, me puxavam junto a seu corpo. Sentei-a no balcão e deslizei minhas mãos pelas laterais de sua cintura e quadril. Eu comecei o beijo e ela terminou, mas não como da última vez, agressivamente, virando as costas e correndo com raiva, foi natural.
Encaramo-nos em silencio por um minuto, até que o silencio foi quebrado por um barulho externo a copa. Ela pulou do balcão e colocou o dedo na minha boca me pedindo silencio.
“- Não podemos ser pegos aqui, não é permitido.” Ela sussurrou para mim.
Com a maior delicadeza me deu um selinho e continuou.
“- Acho que precisamos conversar, mas vai ter que ser amanhã. Meu treinamento será na barraca dos metaformos, nos encontramos lá”.
Assenti e fugimos em direções opostas cada um para seu quarto. O barulho vinha de outro corredor, então fui tranqüilo e sem a água que eu tinha ido buscar. Mas não importava, embora não tivesse conversado com Elizabeth, já sabia que estava meio caminho andado para o nosso entendimento.
Deitei em minha cama e tive um sono sem sonhos.
Quinto dia
Na manhã seguinte acordei bem disposto, era o quinto dia, me arrumei, tomei café e fui em direção a área de treinamento de espadas. O treinamento neste dia foi duro, lutei com o próprio Kevin que era um dos melhores guerreiros. Foi uma luta justa, perdi muitas vezes, ele era muito habilidoso, mas eu também era e sendo assim, também ganhei várias vezes. Foi gratificante perceber que eu aprendia facilmente o aprendizado de uma vida inteira. Tinha gostado desta história de gene e estava acreditando nisto.
Em meio a uma luta e outra, pensava em Elizabeth, realmente estava muito envolvido com ela, ainda me perguntava se era porque todos diziam que ela foi criada para ser minha, se era por se parecer muito com Paula ou se realmente estava me apaixonando por ela. Ainda precisava esclarecer a história de Elizabeth ser igual a Paula. Não havia muito sentido nisto. Será que era só uma coincidência? Sabia que sobre este fato Kevin não deveria saber a resposta. Então, não falei nada, pois deveria ser uma resposta dada pelo ministro provavelmente. Tinha uma lista de dúvidas sobre minha vida. Minha mãe, por exemplo, onde estava encaixada na história? Saberia de tudo como meu pai? O sonho que eu tivera várias vezes. Será que ela fazia parte do mundo encantado?
Enquanto questionava a mim mesmo o que tinha e o que iria acontecer, fui pego de guarda baixa e Kevin me derrubou no chão com o mínimo esforço.
“- Sempre tem que estar preparado para a luta.” Afirmou apontando a espada em minha direção. Pra compensar, eu havia sido desarmado.
Não lutávamos mais com espadas de madeiras, mas com espadas de aço, lamina de dois gumes, com aproximadamente 1 metro de comprimento. Era leve e ágil, com uma lâmina mais larga na base o que evitava o risco de quebrar em contato com uma lamina mais pesada. Usávamos algumas proteções que reduziam o impacto, como capacetes e acolchoados em torno dos ombros e abdômen. Mas ainda assim, os hematomas insistiam em aparecer.
Arquivei a informação de ficar sempre preparado e continuei a treinar.
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