Garoto Punk
1 One-shot
Notas iniciais
Faz algum tempo que, todas as segundas, quartas e sextas, um violonista passa correndo em frente de minha casa, sempre no mesmo horário. Sempre no seu próprio estilo: cabelo punk meio raspado e jogado de lado, uma blusa preta necessariamente sem estampas combinando com uma calça estampada seja qual cor for, mas já percebi que sua preferência é uma cor puxada ao vinho. Uma jaqueta acompanhada se estiver frio, um All Star de qualquer cor, e sempre, sempre com um violão com capa preta nas costas.
Está sempre correndo em passos muito apressados. Mesmo com o vento batendo em si por causa de sua velocidade, seu cabelo não se atrapalhava e não parece suado. Ah, a maioria das vezes tem consigo fones de ouvido. E sua expressão... Nunca parece cansada, muito menos expressiva. Sempre séria.
Sempre que estou livre nesses específicos dias, fico na janela à sua espera, e nunca, nunca ele me deixa esperando. Sempre está por lá, correndo impacientemente, desesperado pelo próprio atraso.
E hoje, segunda-feira, um terrível e tedioso dia na escola me fez mal. Estou com um humor baixo. Mas quem se importa? Tenho minha janela, meus olhos e aquele admirável violinista para observar. Sentei-me ali às três da tarde, em sua espera, ansioso, desejoso... Meio carente. E as cinco, como sempre, ele apareceu. Apenas para mim.
Ajoelhei-me sobre o encosto da janela e debrucei-me sobre esta, prendendo minha respiração e seguindo sua imagem com os olhos. Minha boca entreabriu-se em um sorriso com toda a emoção de vê-lo, como sempre.
Sua blusa preta larga e sem mangas deixava à vista mais de sua pele pálida e visivelmente macia. Sua calça colada vinho estampada de flocos de neves na cor preta desenhava perfeitamente suas coxas torneadas e aparentemente delicadas. Seu tênis All Star, dessa vez, cinza desbotado com uma estrela preta na lateral, tinha seus cadarços canhotos desamarrados, dando-lhe uma leve impressão radical. Fone de ouvido preto com um lado caído, cabelos negros arrumados batidos ao vento e seu violão às costas.
Seus passos eram rápidos, bem-dados e curtos pelo comprimento de suas pernas. Mas me pergunto... Por que sempre que ele passa, o tempo parece ir de vagar? E por que quando ele some de minha vista, parece que foi questão de milésimos? Sempre que sigo minha mão até meu peito, sinto meu coração acelerado, com uma estranha sensação de, ao mesmo tempo boa, ruim. Suspiro desejando que, um dia, eu o encontrasse.
Gostaria de lhe perguntar algumas coisas: como fazia pro seu cabelo estar sempre arrumado, porquê de gostar tanto de uma blusa preta e calças estampadas, porquê de gostar tanto de vinho, porquê de usar sempre All Star e pra onde sempre ia nesse mesmo horário.
Gostaria de perceber a cor de seus olhos, a cor certa de sua pele. Descobri a cor exata de seu cabelo e descobrir o mistério de sua expressão facial ser inexpressiva. Saber de seus mínimos detalhes como o tamanho dos olhos, dos cílios, suas sobrancelhas, se seu lábio era carnudo ou fino, se suas unhas eram arrumadas, se sua mão e seu pé eram grandes. Queria saber o quanto media, sua idade, onde mora, onde estuda, que estilo musical mais curtia, a música preferia para tocar... Mas, principalmente, o seu nome.
Mas onde e como eu perguntaria? Nunca o vejo voltar e sempre sou horrível em puxar assunto, sou um lesado! Porém, caso eu o parasse enquanto fosse seja lá aonde ele sempre vai, qual seria sua reação? Me ignoraria? Me xingaria por interromper sua pressa? Me bateria? Ele parece ser tão sério, anti-pessoas... E de fato já reparei rapidamente em seus músculos que por sinal, mesmo de longe, eram bem notáveis.
Nada disso passaria de uma simples atração na janela.
– Eren!! – gritou minha mãe, Carla. – Por favor, venha até aqui, preciso de sua ajuda!!
– Estou indo!! – gritei de volta descendo do encosto da janela. Como sempre, escondendo minha própria decepção e meu sentimento tão estranho.
•●๋°●•
Segunda-feira tristonha, sem vida. Um dia chuvoso e bem úmido. O meu motivo de ficar animado hoje e amanhã sumiu: eu não poderia ver o violonista. Suspirei. Ah, maldito clube de futebol! Por que não entendem que às quatro horas eu já necessito ir embora?! Só porque temos jogo daqui algumas semanas, não precisamos perder nossa vida nos treinos!
– Droga! Já são... – olhei no relógio murmurando aos dentes. – Cinco e dezessete!! Maldição! Como verei o violonista?! – suspirei outra vez, extremamente desapontado. Logo urrei abafado por raiva. Essa maldita chuva não está ajudando em nada! Firmava minha mão livre no guarda-chuva que insistia em voar. Sorte minha que deixei meus materiais no armário da escola, se não molharia tudo por causa desse forte vento!
Urrei uma nova vez, mas agora que tinha minha casa já em visão, mesmo o clima estando tão estranho, animei minimamente. Com meus passos talhados enfrentei o forte vento acompanhado das gotas grossas de chuva. Meu guarda-chuva era como um escudo. E assim, aproximando-me mais de minha casa, pude visualizar a pequena rotatória enfrente a ela. A enorme árvore tinha seu balanço e, descendo a visão, encontrava alguma coisinha meio colorida e opaca ao mesmo tempo. Estranhei.
Aproximando-me mais de minha casa com a visão fixa daquela imagem, descobri ser uma pessoa, aliás, um garoto. Um garoto protegendo um violão encapado preto. Arregalei os olhos e, forçando mais a visão, notei calças cor vinho com algumas coisas brancas, blusa preta, cabelo preto punk...
É o violonista!!
E subitamente, meu humor elevou-se o máximo. Se deixar ficaria ali mesmo onde empaquei, o olhando. Meu coração acelerou, meu estômago embrulhou e senti minhas bochechas arderem. Espera Eren! Seu idiota! O violonista está tentando se esconder da chuva, debaixo de uma árvore! Aproveite essa chance, aproveite que seu guarda-chuva é grande por causa de sua mãe coruja! Vá até ele e o salve, seu príncipe está à espera!
E como se eu fosse o Flash, corri até ele, inesperadamente sem fazer barulho algum. Assim que estive em sua frente, praticamente empacado, comecei a notar mais em si. O jeito que seu cabelo agora parecia meio bagunçado, como sua franja tampava seus olhos, nariz fino, lábios avermelhados e medianos, o tanto que parecia distante, distraído. Ainda não tinha me percebido.
Então resolvi chamar sua atenção:
– Ahn... O-oi!! – sem querer, acabei por gritar. Extremamente. Alto. Merda!! Eren, seu idiota!! Ele vai achar que você é escandaloso!!
… Hã? Não obtive resposta. Nem mesmo me viu e pareceu não ter escutado. Ele não está com fone.
– O-oi?! – tentei mais uma vez, dessa vez gritando novamente por querer. A chuva estava o atrapalhando?
Novamente não ouviu. Ele está me ignorando? Tentei outra vez, mas nada. Estava me desanimando, mas... Essa é uma chance entre cinquenta e duas! Não posso desistir! Dessa vez aproximando-me mais de modo que o tampasse da fina chuva que ora ou outra caia em si, despertou sua curiosidade. Levantou o olhar arrumando seu cabelo. Em uma perdição, descobri que sua mão parecia ser grande e suas unhas, bem-arrumadas, na verdade, pintadas de preto. Tinha alguns anéis e uma pusera preta de espinhos, estilo punk. Seus olhos, de uma cor surpreendente linda com um forte lápis preto em torno destes, correram em rumo à chuva, então franziu suas sobrancelhas finas em um leve desentendimento.
Assim que subiu o olhar, deve ter visto o guarda-chuva e ainda mais estranhado, olhou para mim, assustando-se. Seus olhos arregalados prenderam minha atenção, fixados aos meus. Seu corpo recuou tão rapidamente e desastrosamente que acabou por empurrar o violão, que, por velocidade, consegui o salvar. Parecendo um gatinho assustado, encolheu-se medrosamente em rumo da árvore, tentando fugir de mim.
– A-acalme-se!! – gritei um pouco receoso, abanando as mãos. Pareceu não ouvir, ainda me olhando em puro pânico. – Acalme-se!! Está tudo bem!! Não vou te machucar!!
Não ouviu. Estava a ponto de se levantar para correr, mas voei em cima de si, bloqueando sua passagem. Apoiando minha mão sobre a árvore e a outra segurando o guarda-chuva, prendi-o sobre esta, logo o notando tremer com uma expressão mais séria, que agora, quem estava com medo era eu.
Já percebendo que não me escutava, levei minha mão delicadamente até seu peito, assustando-o ainda mais, mas recebendo um pouco mais de sua atenção. Agora, movendo lentamente meus lábios, disse:
– “Acalme-se! Eu não vou te machucar!” – aos poucos relaxou seu ombro um pouco mais musculoso do que havia percebido. – “Quero perguntar se você quer carona, já que estou com um guarda-chuva!”.
Após um pequeno silêncio, onde este parecia raciocinar, movimentou seus lábios:
– “Eu não atrapalharia?”.
Abri um grande sorriso, o qual fez o garoto recear. Acenei negativamente.
– “Não se preocupe!”.
Desviou o olhar, inexpressivo, e logo gesticulou os lábios:
– “Eu ficaria agradecido...”.
Assim que levantei, ajudei-o a se levantar, bem devagarzinho, e gesticulando com os lábios, perguntei se ele queria que eu levasse o violão, e logo aceitou, agradecendo. Ao meu lado, ele caminhava encolhido, bem pertinho de mim. Notei que, assim como seu violão, ele estava molhado, porém, ainda mais. Parece que pegou a chuva depois de sair de casa, despreparado, e protegeu seu violão.
Agora, perto de mim, senti seu cheiro. Um cheiro gostoso, perfumado, aparentemente caro e bem escolhido. Seu tamanho... Parecia ser por volta de dez, doze centímetros menores que eu. Aliás, mesmo com seus músculos desenvolvidos, seu corpo parecia ser delicado e percebia que estava com frio. Assim, ao passar por um lugar que tampasse de chuva, o mandei segurar o guarda-chuva e o violão para, enfim, tirar minha blusa de frio e jogar por cima de seus ombros. Notei que ficou sem graça, mas desviando o olhar agradeceu-me novamente. Tudo em gesticulações com os lábios.
Com suas indicações gesticuladas, chegamos ao local que ele sempre ia. Era um restaurante bem chique, com inúmeros casais à mesa, bastantes clientes, local bem luxuoso, enorme e arrumado. Fiquei meio envergonhado pelas minhas roupas simples, mas fiquei aliviado por não estar com meu uniforme.
– Levi!! Levi!! – uma mulher gritou correndo em nossa direção, acenando euforicamente. Então... Levi era o nome dele? Olhei pra si enquanto eu fechava o guarda-chuva. Ele tinha sua atenção grudada em qualquer outro ponto, distraidamente. – a morena de óculos chegou bem perto dele e tocou seu ombro, assustando a si que logo olhou furiosamente a ela. – C-calma, Levi!! – falou assustada, gesticulando mais a boca. – “Você tirou aparelho de escuta por causa da chuva, não é? Coloque-o, como vai trabalhar aqui sem ele?”. – estava com um enorme sorriso à face.
“Aparelho de escuta?” Então não era por causa da chuva... Levi é surdo...! Este acenou positivamente levando suas mãos até os bolsos da calça estampada, tateando delicadamente seu bumbum até achar o bolso correto, pegando os aparelhos e levando até os ouvidos. Ligou-os fazendo uma leve careta ao fechar os olhos, deve ter ligado muito alto...
– Levi? Está me escutando? – a mulher falou baixinho, gentilmente fazendo o teste. Levi acenou positivamente. – Ótimo! Despeça-se do seu... Amigo? Deveria chamar assim?
Corei até as raízes do cabelo enquanto Levi continuava silenciado fuzilando a mulher que saiu às pressas dali aos risos. Assim que o garoto virou a mim, sorri vergonhosamente, logo, gesticulou seus lábios:
– “Tem algo para eu escrever? Ficaria cansativo se comunicássemos assim...”.
Acenei positivamente buscando meu celular em meu bolso e logo o entregando com um sorriso ao rosto. Assim que destravei da senha, pegou este de minha mão. Notei que seus toques eram bem delicados. Digitou com um pouco de dificuldade, mas logo me mostrou:
“Obrigado por sua ajuda, eu mal sei como lhe agradecer.”.
Sorri ao perceber que, mesmo inexpressivo, era gentil.
– Não tem com o que agradecer, apenas vi que poderia te ajudar e fiz.
Desviou o olhar ao celular e novamente digitando, me mostrou.
“Não seriam todos que fariam aquilo. De qualquer forma, gostaria de ficar aqui e comer algo? Eu poderia pagar o que quiser.”.
– Oh, n-não! – acenei com as mãos, sem graça. – Não precisa, eu fico agradecido de apenas ter te ajudado!
“Tem certeza?”
Acenei positivamente, logo digitou no celular novamente.
“Ficarei devendo uma então. Bom... Talvez você tenha algum compromisso, mas se não tiver, fique aqui um pouco... Caso contrário, já pode ir, posso ganhar uma carona com aquela morena.”.
Bom, compromisso eu não tenho. Apenas tenho vergonha e medo de incomodar, sendo assim, recusei mesmo ele insistindo mais um pouco. Mesmo pedindo para esperar a chuva afinar, recusei. Já estava tarde, minha mãe já estaria preocupada. Ainda bem que ele não me pediu pra ligar pra ela pedindo... Mas enfim, resolvi perguntar algo curioso:
– Você é surdo e mudo?
Tombou um pouco a cabeça de lado, logo cruzando os braços em uma pose elegante. Por alguns milésimos, sua expressão ficou mais leve, mas logo foi chamado pela mulher, tendo que despedir-se de mim assim que entregou meu celular e minha blusa a mim.
Só isso podia descrever o estado atual de meu coração.
•●๋°●•
Segunda-feira, duas semanas após aquela maravilhosa chuva. Continuei a “encontrar” o violonista Levi nos mesmos dias, no mesmo horário. Mas agora estou na escola, mais exatamente no meu treino diário de futebol. O treinador anunciou que entraria um novo assistente do time e assim que todos os jogadores foram reunidos, o treinador chamou Mikasa, a nossa única assistente para trazer o novato. E não demorou: séria, veio em frente do rapaz que o treinador comentou.
Meu coração pareceu pular da boca quando vi o rosto do novato. Era o violonista! Não estava com o uniforme, estava com seu estilo de roupa. Um jogador, o mais idiota existente, reclamou por ver que não era uma garota. Outros, que pensei que reclamariam também, ficaram em silêncio, totalmente concentrados em si.
Elegantemente abaixou seu tronco em um leve agradecimento. Seu rosto ainda inexpressivo deixava-me confuso. O treinador Erwin foi em direção do novo assistente, pondo a mão amigavelmente em seu ombro, logo dando um imenso sorriso.
– Sou muito amigo desse aqui, ele foi transferido para cá, e assim que fui informado, não pensei duas vezes em chamá-lo. Até chamaria para ser um jogador, mas não acho seguro para si. Não é? – apertou a mão no ombro do menor que apenas o olhou fuzilando-o. O loiro, apenas riu. – Então, este é Levi! Tomem conta dele e sejam bem gentis, certo? Isso eu falo como obrigatório pra quem quer voltar pra casa inteiro.
– Inteiro? – perguntou um ao meu lado.
– O cara é violento! – Erwin riu e logo Levi afastou de si, mostrando a prancheta que tinha em mãos. – Ah, Levi quer que vocês assinem seus nomes aqui. – apontou com o olhar. – Mikasa, posso conversar com você? – com a confirmação da garota, os dois se afastaram.
Assim que Levi esticou a prancheta silenciosamente, os jogadores formaram uma fila assinando seus nomes. Não sei o que ocorreu comigo, mas viajei literalmente ao ver o moreno menor observando curioso a prancheta rodada pelos integrantes do time. Tanto que nem percebi que todos já tinham assinando e só faltava a mim. Assim que se aproximou de mim cutucando-me com a caneta, voltei à consciência, olhando aqueles olhos penetrantes azulados, percebendo que estes se encontravam muito mais claros do que antes.
– “Assine aqui, por favor.”. – gesticulou labialmente e, vendo que meu nome seria o único da última página, fiz graça. Peguei a prancheta de si e assinei silenciosamente. Notei que ele estava curioso, mas controlava-se olhando ao outro lado. Quando entreguei a prancheta, corri em direção ao treino, vendo-o agora de longe, olhar-me desentendido ao ver minha imensa assinatura na diagonal, ocupando a folha inteira: “EREN JAEGER” bem, bem grande.
Talvez eu quisesse sua atenção mais do que os outros.
•●๋°●•
“Por que fez aquilo?”.
Perguntou ao meu lado, pelo celular, enquanto íamos ao vestiário.
– Aquilo o quê? – indaguei.
“A assinatura exagerada.”.
– Eu sou carente e arrogante. – falei divertido. – Acostume-se.
Franziu as sobrancelhas enquanto guardou o celular ao bolso da calça. Assim que entramos no vestiário, encontramos Erwin arrumando seu cabelo molhado.
– Ah, Levi! – o chamou. Após ver pelo reflexo do espelho que tinha a atenção do menor, voltou a falar. – Queria te perguntar... Por que está se fazendo de mudo?
Hum?
Levi passou reto, deixando sua mochila ao apoio que ali tinha.
– Ei, Levi! Não me ignore! – o loiro abandonou a tarefa que fazia e caminhou até o menor. – Vai ser complicado se continuar assim.
– “Já te expliquei, retardado.”. – mexeu os lábios, estressado.
– Não foi válido. – respondeu simplesmente, recebendo um olhar fuzilador.
– “Outra coisa do tipo e eu quebro esses seus dentes amarelos e tortos da frente, seu merda.”. – a expressão de Levi não era convidativa.
Erwin bufou e riu, mas logo sorriu de seu jeito gentil.
– Parece que conhece o Jaeger antes de vir... – comentou.
Levi ignorou e seguiu com suas roupas e toalha até a ducha, logo fechando a porta desta.
– Apenas dei uma “carona” quando chovia muito forte. – respondi sorrindo ao loiro que sorriu de volta.
– Entendi. – assim que pegou sua mochila, rumou à saída. – Até mais, então.
Despedi-me de si, logo pegando minha roupa e toalha para me banhar. Neste momento, entraram os outros jogadores no vestiário, então não pude escutar quando Levi saiu.
•●๋°●•
Okay, não vou mentir que, assim que acabei meu banho e me vesti, sai às pressas do vestiário em procura do novo assistente. Não vou mentir também que dei três voltas na escola inteira procurando por si, e que fiquei extremamente decepcionado por não encontrá-lo. Assim que cheguei em casa, já com uma hora de atraso do meu possível “encontro”, joguei-me com todas às forças em minha cama, suspirando pesado.
– Uhhg... – reclamei revirando meu rosto sobre o travesseiro. Ouvi algumas batidas na porta. – Pode entrar!
– Oi, Eren. – era meu amigo, Armin, que não demorou a fechar a porta e se jogar sobre minha cama, ao meu lado.
– Oi... – respondi sôfrego.
– Parece desanimado. – comentou.
– Não é nada. – sorri a este que voltou um sorriso pra mim.
– Você está ansioso pro jogo? – começou um assunto.
Armin também joga no time. Mas na verdade, tem preferência em ficar apenas na reserva, lendo algum livro ou conversando. Ele não é do tipo atleta e só está lá pelos amigos.
– Nem tanto. – suspirei. – E você?
– Bom, a princípio não estaria, mas ouvi o treinador Erwin conversar com o diretor Pixis sobre a viagem. Acho que será divertido.
– Ah, e quando vamos? – indaguei.
– Daqui duas semanas.
•●๋°●•
– Todos já estão aqui? – Erwin perguntou pela quinta vez, ao lado do ônibus. Dia da tão esperada viagem. Curtiríamos alguns dias fora e teríamos o jogo. Felizmente todos os jogadores puderam comparecer.
– Sim! – respondemos em coro.
– Então vamos checar! Levi ponha em pratica sua escrita e anote os nomes de todos e a data de nascimento, assim como o nome dos pais! – Mandou e com um gesto de Levi todos nós formamos uma fila enquanto Erwin conversava com Pixis e Mikasa. Bom, nesse termo de viagem, jogos e torneios, Mikasa não é como uma assistente, e sim, uma administradora. Pixis, como diretor, sempre a chama para ajudá-lo.
A fila andava rápido, Levi não demorava nas escritas, deve ter se acostumado com suas comunicações. Logo foi minha vez, e claro que antes de me tocar que deveria o informar dos detalhes pedidos, fiquei notando suas ires azuladas quase transparentes. São lindas... Como também parecem mudar radicalmente de cor.
Assim que todos o informaram, subimos ao ônibus e Mikasa nos explicou sobre a viagem, o hotel, o parque que iríamos, o nome do local do jogo amistoso, etc. Assim tratamos de começar a viagem. Como sempre, eu ficava no fundo, mais especificamente na janela destra, mas Levi me pediu para sentar lá, e como deixei, sentei-me ao seu lado, sentindo meu coração participar de uma banda punk.
A viagem foi tranquila de início – não entrando em detalhes ao meu estado pelo motivo da pessoa ao meu lado -, mas logo se iniciou uma conversa típica de qualquer outra nossa viagem:
– Hoje quem será o alvo da entrevista? – perguntou Armin animado, sentando-se virado para trás, já que estava ao lado de Mikasa lá na frente.
– Levi! – todos responderam juntos, menos Jean que respondeu Mikasa.
– Nós já sabemos tudo que deveríamos saber sobre ela Jean! – comentou Armin.
– É, Jean. Você sabe que a resposta do “interesse” dela sobre você continua a mesma! – comentei provocando alguns risos enquanto este se virava para trás para me xingar.
– Além disso, – começou Bertholdt – Levi é uma figura misteriosa, nós não sabemos nada dele!
– E acho que ele foi o mais misterioso que qualquer um de nós. – incrementou Connie.
Jean bufou enquanto observei Levi que olhava para a janela, desinteressado.
– Pra você tudo bem, Levi? – perguntou Erwin. O punk deu de ombros. – Ótimo! Vou responder por ele, já que sei quase tudo sobre ele. – comentou animado.
– Quantos anos têm? – começou por Connie.
– Dezesseis, como alguns de vocês. – respondeu Erwin.
– Quanto mede? – perguntou Reiner.
Levi automaticamente virou para si, fuzilando-o. – Um e sessenta. – respondeu Erwin ignorando agora o olhar mortal lançado para si.
– Nossa, só isso? – alguém murmurou rindo. Automaticamente Levi se levantou, correndo os olhos mortais pelo meio de transporte, procurando por quem comentou. Ficaram todos silenciados.
Assim que se sentou, as perguntas seguiram:
– É punk? – foi Berth dessa vez.
– Bastante, a mãe dele acha adorável. – comentou Erwin. Olhei para Levi encolhido olhando desinteressado à janela. “Que fofo.”. Um sorriso bobo nasceu em minha face.
– Só por curiosidade, é solteiro? – perguntou agora, Armin, ainda virado para nós. Sua pergunta gerou comentários impróprios e um tique sobre mim. – Falei que era por curiosidade!! – explicou-se vermelho, o que arrancou mais algumas risadas.
– Isso ai eu não sei, – respondeu Erwin. – você é, Levi? – o punk deu de ombros mais uma vez, desinteressadamente. – Sim, ele é. – traduziu o treinador.
– Há quanto tempo toca violão? – dessa vez foi eu quem perguntei, retribuindo todos os olhares impressionados dos outros, inclusive de Levi.
Erwin deu um pequeno sorriso em minha direção, assim como Pixis que se mostrou bastante satisfeito.
– Parece que temos alguém que sabe de mais coisas que outros. – comentou o diretor feliz, levando mais uma garrafa de “água” à boca.
– Levi começou a tocar com os cinco anos. – comentou Erwin bastante sorridente em minha direção.
– Qual música é de sua preferência? – continuei a interrogá-lo, sentindo minha barriga dar voltas.
– Ally Kerr, The Sore Feet Song. – respondeu ainda atencioso em mim. Já ouvi a música, uma opening de anime. E como o cantor não é muito conhecido, julguei que ele gostasse de animes. Olhei para si, notando o quanto estava de costas a mim, totalmente encolhido e virado para a janela.
– Aquela opening de Mushishi, Erwin? – indagou Armin que recebeu um aceno de aprovação. O loiro menor apenas lançou um olhar animado para mim.
– Mais algo que gostaria de perguntar, Eren? – apertei minhas mãos sobre a minha blusa e apenas acenei positivamente, tentando conter um imenso sorriso. Me conteria também nas perguntas, que surgiram tantas à cabeça no momento. – Pergunte!
– Por que ele gosta tanto do conjunto blusa preta lisa, calça estampada e All Star? – perguntei animadamente, fazendo com que todos os jogadores levantassem e olhassem ao moreno do meu lado, confirmando exatas vestes. Até mesmo Mikasa se mostrou curiosa.
– Opa, essa eu não tinha reparado. – comentou Erwin curioso. – Mas pensando bem... É verdade. De roupas diferentes, só pijamas e ternos...
– Pode responder para nós? – perguntou Marco sorridente, virado para nós.
Levi pegou no celular de modo descuidado, quase deixando o aparelho cair, logo entrando em mensagens e digitando um texto. Logo me entregou e pus a ler. – “Nunca parei pra pensar. Mas acho confortável descobrir novas combinações de um estilo igual.”.
– Por que gosta tanto de vinho? – fiz uma nova pergunta que fez assustar-se.
– Espera ai, Eren. – interrompeu-me Jean. – Vocês já se conhecem?
Senti minhas bochechas queimarem e apenas neguei com um aceno negativo. Assim que virei para Levi, vi uma expressão diferente em si, como se ele tivesse se lembrado de algo.
– Acho que ele gosta porque a mãe dele tinha essa cor de cabelo. – respondeu Erwin pensativo.
– “Tinha”? – perguntou Mikasa.
– Ah, não, calma! Ela não faleceu. – explicou rindo levemente. – Apenas que estava recebendo algumas reclamações em relação ao cabelo e teve que voltar ao negro. Levi sentiu-se desapontado, adorava a cor na mãe.
A esta altura, Levi estava com a cabeça fora da janela, olhando desinteressadamente a paisagem. Foi repreendido por Pixis e voltou-se ao normal.
– Levi parece alguém medonho, mas é fofinho. – comentou Berth intrigado e logo Marco confirmou.
Olhei novamente Levi que agora se descabelava com a mão.
– Acalme-se pessoal, o Levi é muito tímido pra essas perguntas, respostas e comentários ao mesmo tempo. – recebeu um olhar furioso e depois de rir, incrementou: – Olhe para as orelhas dele, Eren. Veja a cor que estão. – quando lancei meu olhar a si, colocou tampões de ouvido, que impediu de visualizar. O pessoal riu. – Alguém tem alguma pergunta?
– Alguém aqui já ouviu Levi falar? – perguntou curiosamente Mikasa, virada ao pessoal que se mostraram curiosos ao perceber que a resposta seria não.
– Ah, é mesmo... Levi é mudo? – indagou, desta vez, Pixis, deixando de lado mais uma garrafa de “água”. Me surpreendeu até mesmo o diretor não saber.
– Sobre isso... – começou Erwin suspirando. – Posso contá-los Levi?
O moreno ao meu lado destro apenas olhou Erwin sem expressão alguma, lançando suas ires à paisagem e apoiando a cabeça sobre a mão.
– Alguns já perceberam que Levi tem que usar um aparelho auditivo, não é? – comentou recebendo alguns olhares surpresos. – Quando criança, Levi sofreu um acidente. – sua voz veio com um pesar enorme, que silenciou todos os sorrisos que ainda continham ali. – Lembram quando comentei que até o chamaria para ser um jogar, mas seria arriscado? Seu corpo é frágil e naquele tempo caiu da imensa escada de sua antiga casa e danificou uma parte de seu cérebro. – deu uma pausa, suspirando. – Perdeu, se não me engano, mais de oitenta e cinco por cento da audição com a queda e, de acordo consigo, sua voz nunca foi a mesma. – eu nunca tinha visto o treinador com uma expressão tão triste. – O garoto perdeu então o costume de falar, a vontade... Parou com suas lindas canções que dedicava aos pais, parou os inúmeros xingamentos dirigidos a mim e aos outros amigos...
Levi suspirou ao meu lado de modo que apenas eu ouvi, logo se levantando e deixando o fone em seu banco. Recebendo a atenção de todos, caminhou até Erwin. Comunicou labialmente.
– Tudo bem, vou pedir ao motorista, vá sentar-se novamente. – Erwin levantou-se e foi em direção ao referido e se pôs a conversar. Não demorou muito até que voltasse. – Consegue aguentar, Levi? – perguntou preocupado, recebendo um aceno positivo. – Okay, daqui alguns minutos chegaremos lá.
– O que há? – murmurei para si, logo fixando o olhar ao seu celular, que era escrito uma resposta:
“Dor de cabeça.”
– Dói muito? Quer se deitar? – indaguei muito preocupado, mas recebi apenas um aceno negativo. – Tem certeza? Pode escorar sobre meu ombro ou apoiar sua cabeça em meu colo. – continuei insistindo e, depois de algum tempo, apenas cansei puxando-o até meu colo. Como não percebi nenhum ato vindo de si em negação, concentrei-me em massagear levemente seu ombro.
Recebemos alguns olhares, entretanto continuei até que percebi que ele havia adormecido.
– Eren, – chamou-me o treinador. – ele dormiu? – acenei positivamente, recebendo um sorriso. – Ótimo! Vou comunicar ao motorista. Aliás, alguém quer descer para comer algo, ir ao banheiro...?
Todos responderam que não precisavam, e assim Erwin foi avisar ao motorista que não seria necessário uma parada. Em meu colo, notava o jeito gracioso em que Levi dormia. Encolhido, com uma leve expressão. Sua mão estava em minha coxa, em frente ao seu rosto e sua respiração estava calma.
Era uma fofura vê-lo dormindo confortavelmente com a boca semiaberta e as orelhas levemente avermelhadas.
•●๋°●•
A primeira parada foi em um restaurante, já que estava no horário de almoço. Acordei cuidadosamente o punk em meu colo que não demorou a abrir os olhos lentamente depois de piscar frequentemente, até coçaria-os, mas lembrou-se que estava de lápis bem preto ao redor dos olhos, e se coçasse, não ficaria muito bom. Levantou-se preguiçosamente olhando ao ônibus que se esvaziava. Seus atos fizeram eu o assemelhar com um gatinho bem delicado.
Assim que almoçamos, fizemos alguns minutos vagos e retornamos à viagem. A conversa rumou a um rumo legal, sobre músicas. Cada um falava seu gosto, banda preferida, música preferida e, depois de insistimos bastante, Levi topou tocar algumas músicas algum dia.
Quando chegamos à cidade, resolvemos que já ficaríamos no hotel hospedado por estarmos cansados, mas para relaxar, Pixis nos deu a ideia de ir ao local de lazer, onde tinha piscina, jogos, televisão e um canto para música.
Já estávamos vestidos, cada grupo para um lado. Alguns na piscina, outros conversando, outros nos jogos e outros comandando a música. Corri meu olho ao local e vi Levi isolado, olhando a piscina, sentado em uma cadeira. Resolvi fazê-lo companhia.
– Levi? – o chamei assim que aproximei de si. Recebi sua atenção. – Posso te fazer companhia? – perguntei tentando ser o mais gentil possível. Com um aceno positivo, sentei-me na cadeira mais próxima de si. Sua roupa de banho era uma legue negra com alguns detalhes vinho, a cor escura destacava bastante seu tom pálido de pele, deixando-o mais aparentemente delicado. Subi meu olhar ao seu cabelo, notando algo que não havia notado antes. – Não tinha percebido que você tinha alargador na orelha esquerda.
Olhou surpreso pra mim, rapidamente tampando a orelha. Desviou o olhar para a piscina.
–“Geralmente não percebem por ser pequeno e meu cabelo tampar. Gosto desse tipo de estilo, desde que não seja exagerado.”. – comentou gesticulando labialmente. Agora pensando, ou Levi tem muita paciência para comunicar assim e “dizer” as coisas devagar a modo que eu possa entender fácil, ou eu peguei seu ritmo. Sorri abobado para si.
– Há quanto tempo você é punk? – indaguei tentando render um assunto, atraindo novamente sua atenção.
– “Há alguns anos.”. – pareceu pensativo abraçando a perda destra. – “Acho que comecei com doze anos... Por quê? Você não gosta?”.
– Ah, eu acho bonito. – respondi sorrindo para si, que logo evitou meu olhar. – Até gostaria de vestir, mas sou uma pessoa calorenta. – desabafei, logo ouvi um leve som nasal de um riso, olhei-o surpreso ao reparar um levíssimo curvar de lábios.
– “De fato é calorento sim.”. – o leve curvar sumiu, e, após um silêncio e eu olhar para a piscina, ouvi ele estalando os dedos, recebendo minha atenção. – “Desculpe. É assim que eu chamo a atenção dos outros.”. – explicou com palavras simpáticas.
– Não tem problema algum. – respondi sorrindo a si.
– “Você é gentil, Eren. Uma pessoa que sabe falar quando deve, uma pessoa que não gera assuntos incômodos. Uma pessoa sociável.”. – comentou abraçando ambas as pernas e encostando seu rosto aos joelhos. Fiquei sem palavras, abobado. Podia jurar que, se eu não mantivesse meu controle, poderia imitar um vulcão em erupção. – “Achar pessoas sociáveis não é uma coisa normal para mim.”. – um olhar divertido brotou em seus olhos e, se não tivesse tanta gente ao nosso redor, juraria que o atacaria.
– O-obrigado, Levi... – foi tudo o que consegui dizer, com a voz trêmula. Agora que fiquei sem graça, tive vontade enorme de me bater. Justamente quando ele me elogia de sociável, eu não fico assim! Aaahr!!
Disfarçadamente observei-o e notei que este observava bastante a piscina, concentrado. – Você quer nadar? – perguntei.
Notei que assustou pela minha pergunta súbita, mas logo se recuperou.
– “Não sei nadar.”.
– Posso te ajudar. – me ofereci.
– “Não posso molhar meu aparelho.”. – explicou.
– Tire-o então! – falei animado levantando-me e caminhando até sua frente. – Tomarei cuidado com você, então não se preocupe! – recebia seu olhar sério, meio desinteressado. Mas olhando sua orelha, percebi que esta estava na cor de uma pimenta.
– Tch. – arregalei os olhos surpreso enquanto ele desviou o olhar e bufou. Eu poderia contar isso como uma “palavra dita” por si? Droga! Foi tão rápido e de repente que não pude me concentrar e imaginar como poderia ser sua voz!
Levantou-se e caminhou até sua mochila, colocando o aparelho cuidadosamente nesta. Assim que levantou novamente, virou lentamente a mim e pude perceber que estava inseguro. Com a finalidade de transferir segurança a si, caminhei lentamente esticando as mãos ao seu rumo, e quando encontrei as suas em um singelo toque, pressionei-as trazendo-as para mim. Encarei seu rosto levemente assustado e sorri para si, logo o levando até a piscina.
Todos tinham suas devidas atenções em nós, porém apenas ignorei. Desci as escadas primeiro que ele e virei para si, logo o assistindo descer receoso pelas mesmas. Assim que seu quadril foi coberto pela água, segurei-o pela cintura enquanto dava passos para sermos mais cobertos pela água. Levi permanecia apertando suas mãos, encolhidamente.
Assim que alcançou um pouco abaixo do rumo de seu ombro, Levi travou. E assim, levei seus braços até circundarem meu pescoço e o abracei, levando-o até a água cobrir um pouco abaixo de meu pescoço. Senti suas pernas rodearem minha cintura, apertando-me mais.
Abracei-o mais forte enquanto pedia com todas as minhas forças que não sentisse ou ouvisse o palpitar alto e acelerado de meu coração.
•●๋°●•
– Então vou começar com as escolhas. – ditou Erwin. O treinador estava decidindo quem ficaria com quem nos quartos, visto que só tinham disponíveis para metade de nós. – O diretor Pixis vai ficar sozinho, sabem o porquê. – numa das viagens, quando Pixis foi obrigado a dividir quarto com alguém, a primeira escolha foi com Armin, que mal suportou o cheiro forte da “água” e os roncos vindo do parceiro. A segunda escolha foi Reiner, que também roncava bastante e tinha sono pesado, Pixis foi esmagado. A terceira escolha foi Mikasa, mal entrou no quarto e sentiu a intuição que seria abusada. Pixis se recusa a dormir com Erwin, então... Sozinho.
– Eu e Mike, Mikasa e Marco, Reiner e Berth, Jean e Armin, Connie e Thomas, Frans e Samuel, Eren e Levi, e por último, Nack e Millius. – Erwin deu uma pausa tentando ignorar as reclamações de Jean. – Pare Jean, assim como não tenho motivos exatos de te colocar com Mikasa, ela não quer. Então, todos menos Jean de acordo?
Com a resposta positiva, rumaram aos seus devidos aposentos enquanto Erwin me chamou.
– Sim, treinador?
– Vá com calma, Jaeger.
– Do que está falando? – indaguei.
– Levi é inexperiente em todas as ideias que você tem em mente. – corei dos pés à cabeça. – Vá com calma. Além disso, creio que todos querem ter um bom descanso.
– N-não fale como se eu fosse fazer algo!
– Vi como vocês estão juntinhos, eu até apoio, você é um bom rapaz.
– Não fale de mim assim! – reclamei. – Não seria você e o Mike que teriam de seguir isso?
Agora quem corou ligeiramente foi Erwin.
– O que sabe sobre isso?
– Eu sou um lesado, mas quando Armin comentou comigo, eu realmente percebi que era verdade. Há quanto tempo estão juntos? – Erwin apenas riu.
•●๋°●•
Assim que sai do banheiro secando meus cabelos, encontrei Levi arrumando algo em sua mochila.
– Levi? Você já tomou banho? – indaguei, recebendo um aceno positivo. – Se importa se eu dormir sem camisa? – perguntei, logo recebi um aceno negativo. – Obrigado. – Onde deixou sua toalha? – virou-se para mim ainda olhando a mochila e apontou ao banheiro. – Obrigado! – reparei que ele não estava usando maquiagem. Seu rosto é muito bonito mesmo não usando.
Juro que mal tinha notado a toalha, mas assim que reparei nesta bem esticada, percebi que ele era delicado nisso também. Resolvi deixar a minha esticada, assim como a sua. Assim que voltei ao quarto encontrei-o pegando seu travesseiro de sua mala.
– Você quer dormir de qual lado? – deu de ombros. – Posso ficar com o lado direito? – acenou positivamente. – Obrigado!
Não demorou até que me jogasse na cama, logo abraçando o travesseiro já posto. Assim que Levi levantou, lançou um leve curvar de lábios em uma expressão leve, deixou o travesseiro.
– “Vou tirar o aparelho, ok?”. – acenei positivamente, e assim ele fez, colocando-o sobre a cômoda. E quando se deitou, virou-se para mim. – “Boa noite.”.
– “Boa noite.”. – depois de um curto trocar de olhares, desligamos juntos as luzes.
E assim o silêncio tomou-se. A única coisa que eu escutava agora era o leve som da respiração de Levi, minha e a palpitação do meu coração. Ora ou outra o punk remexia-se na cama, até uma hora que se tornou constante e encolheu-se.
Pensei que seria algo a respeito de algum sonho, frio, incomodo, mas começou a tremer de uma forma estranha, enquanto sua respiração tornava-se mais alta.
– Levi? – o chamei logo me lembrando que não seria possível de me escutar. Levei minha mão até onde julguei ser seu ombro, percebendo uma repreensão de susto seu. Sua respiração ficou mais pesada, assim como tremeu mais.
Remexi-o mais vezes, tentando acordá-lo sem muita pressão. Com um ato mais forte vindo por si, estapeou minha mão e revirou-se na cama protegendo-se com os braços e pernas, assustando-me. Não conseguia ver seu rosto, mas parecia desesperado.
Rapidamente peguei seus braços e levei-os para cima de sua cabeça, sentando-me acima de sua barriga, escorregando até posicionar-me sobre sua coxa. Ainda tentava se debater, retirar seus braços, e admito que só não conseguiu por desvantagem de posição.
Vendo que não pararia tão cedo, encostei minha testa na sua, percebendo que recebeu um choque de surpresa. Permaneceu intacto enquanto eu sentia sua respiração misturando-se com a minha. Ambas alteradas. Visto que se acalmou, soltei lentamente um de seus braços e desci minha mão até seu rosto, acariciando este lentamente.
– Eren...? É você...? – arregalei meus olhos sentindo meu coração disparar ainda mais. L-Levi havia... Falado...? – senti suas mãos alcançarem meu rosto e tateá-lo. – Não consigo te enxergar, nem mesmo escutar... Nem mesmo a mim... – apesar disso, continuava sussurrando.
Sua voz... É linda...
– Pode ligar a luz para mim...? – afastei-me lentamente de si, sem retirá-lo de minha visão, alcançando a luz do abajur ao lado de sua cômoda de forma desastrada e trêmula e ligando-a. Um leve irritar nos meus olhos presenciou, mas logo passou. Sua mão foi até a cômoda, a fim de pegar o aparelho e pôr em si.
– Levi... S-sua voz... – ainda estava abobado. – É-é linda... – estava realmente abobado, sem raciocínio algum e sem poder refletir o que acontecia.
Apenas deu um leve curvar de lábios, fechando os olhos e deixando ambas as mãos caírem sobre o travesseiro. Notando o movimento de seu tórax, notei que ainda estava com a respiração descontrolada.
– Será mesmo...? Não acho que alguém como você mente, mas... – suspirou. – Faz tanto tempo que não falo... Não consigo nem falar sem deixar de sussurrar...
– Sua voz é linda, Levi. – repeti, acariciando sua face enquanto apoiava-me sobre meu antebraço canhoto. – É linda.
– Você diz isso, Eren... Por que nunca ouviu minha voz de antes.
– Para dizer que é bonita, Levi, não preciso compará-la. – arranquei um leve susto seu. – Se quer que eu compare, que tal eu dizer que sua voz é, com toda a certeza, a mais bonita que eu já ouvi?
– O quê...? – arregalou os olhos. – Pare com isso, Eren.
Aproximei cautelosamente meu rosto do seu, e como não olhava para mim, não percebeu.
– Me diz, Levi... O que aconteceu agora a pouco? – mudei de assunto, não queria forçar algo que não quise-
Olhou de volta a mim, encontrando seu olhar com o meu. Um redemoinho se fez presente em meu estômago, sentindo minhas bochechas corarem, assim como suas orelhas. Meu coração imitou a máquina de lavar da minha mãe.
– Seus olhos sempre foram lindos, Eren. – começou Levi. – Mas de perto... Nunca poderia imaginar que conseguissem ficar mais lindos ainda.
– Falando dos meus? Deveria falar sobre os seus. – confirmei olhando seus olhos que, agora, permaneciam escuros. – Uma ora azul gélido, outra azul chuvoso. Às vezes penso que usa lentes.
– Eu? Seus olhos variam dos verde-esmeralda até o azul cor de céu. – sorriu levemente. –Quantas lentes trouxe consigo? Porque agora, reparando melhor, tem algumas cores amarelas misturadas ai. – pausou enquanto eu respirava profundamente para controlar minha cor. – Pra quem você exibe esse show tão belo de suas ires? – indagou em um leve tom de brincadeira.
– E se eu dissesse que... Seria pra você...? – arregalei os olhos por ter falado algo tão confidencial sem perceber, ou até mesmo, pensar. Assim como eu, sua expressão era de surpresa e permaneceu-se em silêncio.
Afastei minha mão lentamente, assim como me levantava e saia de si. Droga... Falei besteira na hora errada.
– Desculpe. Só ignore. – virei-me pro outro lado, pronto para deitar-me, porém senti sua mão sobre minha costa, em um leve contato que se intensificou e pousou sua cabeça sobre mim.
– Eren... Você... É aquele garoto que fica me olhando sempre que eu vou trabalhar, não é? – me senti sem reação, pego em surpresa.
– Como você...?
– E-eu... Ah... Você é um garoto muito bonito, Eren... – sua voz parecia trêmula, assim como suas mãos sobre minhas costas. – N-não tinha como não ver... Tamanha beleza... – respirou bem fundo, talvez procurando como se tranquilizar. – Mesmo estando em frente a sua casa, deu-me carona para um restaurante relativamente longe... – encolheu-se timidamente agarrando meus ombros desnudos. – Você está quentinho... – deu um leve riso acompanhado de mim.
– Não sabia que você era tão tímido. – comentei rindo.
– Vá se ferrar...
Virei-me para si, pegando delicadamente suas mãos e pondo-as sobre meu tórax. O jeito gracioso que abaixou a cabeça por vergonha foi algo que me fez sorrir sem pensar.
– Me abrace, Levi... – pedi e receoso, abraçou-me de modo encolhido, extremamente envergonhado. Rodeei sua cintura trazendo-o para mais perto de mim e sentindo-o tremer.
– E-eu vou... Morrer...! – comentou choroso escondendo o rosto em meu pescoço, logo rindo. – Caramba... E-eu... N-nossa...
Ri levemente aspirando seu cheiro delicioso de um leve perfume e cheirinho de shampoo. Beijei o topo de sua cabeça, trazendo-o mais tranquilidade. Afastei-me e pus ambas as mãos na lateral de sua face, fechando os olhos e encostando nossas testas. Respirou fundo olhando para baixo.
– Eu acho que estou apaixonado por você, Levi... Desde o dia que eu te vi pela primeira vez.
Sua mão percorreu meu pescoço em uma leve carícia.
– Paixão dura apenas três meses, Eren.– explicou.
– Tudo bem, só não falei que te amo porque pensei que te assustaria. – arranquei um leve riso de si.
– Já me assustei tanto hoje, mais uma vez não teria problema. – olhou-me provocantemente com um sorriso irônico aos lábios.
– E se eu te beijasse? Teria problema em te assustar?
Agora, seu nariz envermelhou-se e abaixou um pouco o rosto.
– P-problema algum.
Abaixei meu rosto até alcançar seus lábios, descobrindo o quão macio eles eram, ainda mais do que pensei. Fechei meus olhos à medida que Levi desfazia o franzir de suas sobrancelhas. Seus lábios, que estavam muito pressionados, não se entreabriam mesmo que eu passasse minha língua por ali diversas vezes. Afastei-me devagarzinho segurando o riso enquanto ele mordia o próprio lábio.
– F-fiz errado, não é?
Acenei negativamente e peguei em seu queixo, levantando-o um pouco.
– Apenas deixe seus lábios mais soltos, deixe-os mover tranquilamente, Levi. – uni novamente nossos lábios e, dessa vez, seguiu o que falei. Mas como ainda não abria totalmente a boca, separei-me de si, e, antes de falar algo, levei meu polegar ao seu lábio inferior e fiz com que abrisse dando-me a chance de adentrá-la.
Senti que se arrepiou e, timidamente, levou ambas as mãos aos meus cabelos, puxando-os. Gemi entre as carícias e ele me acompanhou. E quanto mais eu explorava seu doce gosto bocal, mais eu me sentia nas nuvens.
•●๋°●•
– Hey, Levi. – chamei-o e este me olhou. – Acabo de me lembrar... Você me enrolou e não disse o que realmente aconteceu naquele dia.
Desviou o olhar, meio encabulado.
– “Depois eu te explico.”. – afirmou gesticulando os lábios enquanto andávamos na fila.
– Dentro da Roda Gigante você me fala? – insisti e apenas me respondeu com um leve balando de ombros. E seguindo a tradução do treinador, isso seria um sim. – Oba!
Não demorou muito, e quando chegou nossa vez, sentamo-nos de frente um pro outro, em bancos diferentes para não suspeitar de nós. E assim que a cabine se fechou, pulei pro seu banco, abraçando-o em seguida. Poderia me sentir despreocupado, já que de fora não dá pra enxergar aqui dentro.
– Comece explicando-se.
– Nem um beijo para me incentivar? – indagou olhando a paisagem.
– Até dois. – capturei seus lábios gentilmente, mantendo um leve movimento contra os seus, ora ou outra estalando. E assim que nos separamos pela segunda vez, esperei ele começar.
– Okay, se você rir-
– Sabe que não vou. – alcancei sua mão e a segurei.
Ouvi um suspiro de si.
– Desde quando sofri aquele acidente, a minha vida realmente nunca foi a mesma. – desviou o olhar. – No início comecei a desenvolver alguns traumas. Traumas idiotas. Medo de meu aparelho estragar e nenhum ser o suficiente para mim, nunca mais ouvir nada; Medo de alguém me menosprezar por uma coisa que não consigo evitar; Medo de evitarem andar comigo porque simplesmente seria irritante conversar com alguém que se recusa a falar... Mas, fora essas idiotices, desenvolvi um medo que nunca contei pra ninguém.
Apertei sua mão automaticamente, demonstrando-lhe segurança.
– Quando se dorme Eren... É necessário tirar o aparelho auditivo. E, sem ele, posso ouvir alguma das coisas, só que muito, muito baixo, ou nem mesmo é verdade, e sim, fruto de minha imaginação. – suspirou. – A partir dai, fico com medo de algo acontecer e eu não saber. E se alguém entrar ao meu quarto e eu nem perceber, Eren? E se esse alguém me machucar, me abusar...? Ou, se algo acontece com minha família e não posso estar lá para ajudá-los porque não ouvi...? – sua mão tremia, mostrando que realmente tinha medo.
– Então naquele dia, pensou que eu seria alguém suspeito? – perguntei e acenou positivamente. – Desculpe.
– Hã? Pelo quê...?
– Eu devia ter dormido de conchinha com você desde o início, pra te trazer conforto. – suas orelhas avermelharam.
– Tch.
– Se quiser, Levi, eu adoraria dormir todo dia com você desse jeito, pra você não ficar com medo!
– O-olhe as besteiras que está falando...! – encolheu-se vergonhosamente enquanto me pus a rir.
– E você gosta dessas besteiras, Levi? – encolheu-se um pouco mais. – Aliás, Levi! – chamei sua atenção. – Aqui uma volta é meia hora, certo? – acenou positivamente. – Quer usar o tempo restante para uma diversão?
– “Diversão”?
Ajoelhei-me sobre o “chão” e abri suas pernas, parecia desentendido. Mas assim que levei minha mão até o meio de suas pernas, recuou pavorosamente e, por reflexo, chutou-me o nariz, o que me fez cair brutalmente.
– Eren!!
•●๋°●•
Depois daquele leve “incidente”, expliquei para Levi que era apenas brincadeira, o que fez ficar com mais peso na consciência ainda. Mas não resolveu nada, nas minhas outras brincadeiras, acabei desmaiado novas vezes, o que trouxe um trauma bem profundo para mim.
No jogo amistoso daquela viagem, acabamos por vencer de lavada – 3 x 0. E para minha própria comemoração, ao término, abracei sem pensar duas vezes Levi e o levantei rodando. Quando o voltei ao chão, o beijei, o que acabou por receber a atenção de exatamente TODOS do estádio. Algumas garotas gritaram e bateram palmas, outras até jogaram sutiãs pro nosso lado, enquanto os jogadores, os treinadores e os diretores nos olharam espantados. Mikasa ficou atormentada. Além disso, paramos no telão.
Assim que nos separamos, Levi grudou o rosto em meu peito e começou a soluçar, fiquei desesperado quando entendi que ele estava chorando. Peguei-o no colo e comecei a correr para longe dali. E depois de muita insistência, pedi para vê-lo, descobrindo que, mesmo com a maquiagem incrivelmente borrada, ele ficou lindo, com seus olhos azuis gélidos bem úmidos. Desesperou-se quando viu o estado de minha blusa por causa de si.
Quando voltamos de viagem, contamos aos pais e, imediatamente quiseram se reunir. Levi os levou para minha casa e surgiu uma conversa desesperadora. Ficamos incrédulos quando percebemos que eles gostaram da ideia por simpatizarem com os pais e os filhos e no final, minha mãe até pediu Levi para me namorar.
Ficaram tão unidos que passou ser obrigação aos sábados almoçar na casa deles ou vice e versa. Uma vez por mês, íamos ao cinema em casais em trio. Levi sempre me abraçava escondendo-se por causa da vergonha.
Hoje, sábado, era nossa vez de irmos para a casa de Levi. Depois do almoço, como sempre, estavam conversando aleatoriamente, até que seu pai começou um novo assunto:
– Quem de vocês é o ativo?
– O-o quê? – fiquei incrédulo enquanto Levi encolhia-se ao sofá.
– É mesmo, – confirmou o meu pai. – estava me perguntando nesse momento também.
– N-nós nunca fizemos isso! – expliquei extremamente sem graça.
– Quer que nós demos licença? – indagou a mãe de Levi. – Depois eu e a Carla queremos um áudio de vocês dois.
– M-mãe!! – Levi falou. Aliás, já tinha se acostumado com a própria voz. – Que diabos de espécie de pais vocês são?!
– Somos pais que amam o namorado do filho e aprova qualquer coisa. – afirmou minha mãe.
– Exato! – confirmou a mãe de Levi.
Imitei Levi, encolhendo-me sobre o sofá.
– Ora, não fique assim! – começou o pai de Levi. – Nunca encontrei alguém que fizesse Levi tão feliz! – exclamou sorridente. – Ainda mais que o fizesse falar novamente!
Olhei para Levi que começou a soluçar de leve.
– Não chore meu garotinho lindo! – pediu sua mãe. – Estou achando que o ativo será o Eren...
Os pais riram e eu caminhei até Levi, acariciando seu cabelo.
– Não fica assim, Levi... Se você quiser, pode ser você...
– Cale a boca, Eren!! – gritou e me pus a rir também.
•●๋°●•
Alguns anos se passaram, já estávamos na faculdade. Nossos pais estavam em uma viagem coletiva, aproveitando bastante as férias. Em troca disso, eu e Levi estávamos sozinhos e nossas mães QUERIAM, COM TODAS AS FORÇAS, que nossa primeira vez fosse agora, independente de ter o tão pedido áudio ou não.
Chegamos do cinema sem graça por ter assistido a um filme impróprio para menores e nós nem sabermos, aliás, foi exatamente a Carla que comprou o ingresso. Mães desnaturadas. Sem contar que era casal homo. Percebi que Levi lançava-me alguns olhares no cinema, mas depois que saímos, ficou com tanta vergonha que nem pode levantar o olhar do chão.
Quando estava tirando sua blusa de frio, o abracei por trás, colocando meu rosto sobre seu ombro. Percebi que estremeceu.
– Não se sita forçado se não quiser, Levi... – depositei um leve beijo em seu pescoço que se arrepiou novamente. – Podemos apenas falar que fizemos.
– N-não, Eren... – sua mão foi de encontro à minha. – E-eu... Eu quero...
– Tem certeza...? – indaguei manhoso, dando um leve chupão em seu pescoço. Pendeu a cabeça para trás, puxando meu cabelo com a mão.
– Tenho...
Comecei por dar alguns beijos em sua nuca, onde sabia que recebia mais arrepios. Quando o senti bambo, peguei-o no colo e subi as escadas, chegando até seu quarto e trancando a porta. Não tem ninguém além de nós, mas não quero ter o risco de nossas mães aparecerem de repente e ver tudo.
Depositei-o sobre a cama e não demorei a subir em cima de si, apoiando meu peso sobre meus joelhos e antebraços. Capturei seus lábios já trocando carícias com sua língua. Recebi sua mão sobre minha costa e outra sobre minha face, acariciando-me.
Separei-nos um pouco e fitei seus olhos já escuros. Alcancei seu cabelo com minha mão e acariciei suas mechas.
– Apesar de eu gostar de seu cabelo como antes, estilo punk, prefiro-o assim, só raspado na nuca. – comentei recebendo um sorriso de si.
– Mesmo? – fechou os olhos por um momento, acariciando meus cabelos também. – E eu gosto de seu cabelo assim, um pouco mais longo.
Sorri para si também, logo o beijando outra vez.
– Por favor, Levi. Não me desmaie dessa vez. – brinquei enquanto descia minha mão até o cós de sua calça, subindo a mão e infiltrando-a sobre sua blusa preta, acariciando de leve seus músculos.
– Já te pedi desculpas! – desviou o olhar fazendo um leve biquinho. – E-eu não vou fazer de novo.
– Tudo bem, acalme-se. – ri de leve, lambendo seus lábios e tocando levemente seu mamilo. Assim que o belisquei, Levi apertou os olhos, abraçando minha nuca. – Hm... Você gosta que eu brinque aqui? – perguntei inocentemente para saber se eu deveria parar.
Desviou o olhar.
– Não me faça responder isso.
Ri outra vez, acompanhado de si. Levantei sua blusa, logo alcançando seu outro mamilo já rígido com a boca, mordiscando-o. Começou a se contorcer e à medida que eu brincava consigo, sua respiração descontrolava-se. Desci a boca sobre seu abdômen, distribuindo alguns beijos e minha mão desceu até seu íntimo coberto, acariciando-o de leve.
Dobrou os joelhos e abriu as pernas com um leve espasmo, dando-me mais acesso à sua região. Desfiz o botão de sua calça estampada e abri o zíper, descendo-a por fim, descobrindo sua cueca branca e um pouco úmida. Para minha própria segurança, abracei suas pernas. Aproximei meu nariz de sua ereção, passando-o levemente e logo dando uma lambida sobre todo o membro coberto, que ganhou uma boa elevação.
Subi meu olhar para si, que me olhava vergonhosamente enquanto descia sua peça íntima. Quando a retirei, envolvi seu membro ereto com a mão, fazendo leves fricções enquanto concentrava círculos com o polegar sobre a glande. Não demorou até que Levi começasse a suspirar frequentemente.
Por um momento, soltei seu membro, resultando em um gemido de contra gosto vindo de si. Mas logo desci minhas vestes e posicionei-me melhor, retirando também sua blusa que estava levantada. Peguei ambas as suas pernas e levantei-as aos meus ombros, aproximando meu íntimo do seu.
Ao juntar ambos os membros, gememos juntos, assim, pus a masturbar nós dois, o que era um pouco difícil por eu não querer machucá-lo. Pendeu a cabeça para trás e rodeou meu pescoço com seus braços, deixando-me mais perto de si. Escutava seus gemidos ao pé de meu ouvido, o que só me deixava cada vez mais descontrolado.
– Ahh, Eren... Está vindo... – prendeu a respiração por um momento, puxando levemente os cabelos em minha nuca.
– Levi... V-você quer ir mais do que isso? Ahn...
– Q-quero... – separei nossos membros lentamente. – V-você quem vai...?
– Sim... T-tudo bem pra você? – levou sua mão ao rosto, enfrente à boca e apenas acenou positivamente. – O-okay... Eu vou então...
Peguei suas pernas e abri-as um pouco mais, tendo a deliciosa visão inteira de si. Percebi rapidamente que fechou os olhos, envergonhado, tampando o rosto com ambos os braços. Desci minha mão sobre sua virilha, tocando sua entrada, percebendo que esta se contraiu. S-será que darei conta...?
Engoli seco, um pouco medroso. Com medo de machucá-lo ou até mesmo não ser suficiente para si. Porém, balancei a cabeça tentando retirar tal pensamento e rumei minha outra mão até sua parte mais vermelhinha. Com ambos os polegares, abri sua entrada, tendo uma visão mais específica de si. Gemi abafado por prazerosa visão enquanto ele urrou baixinho, bastante envergonhado.
– P-pare de olhar, seu idiota! – me repreendeu enquanto bagunçava seus próprios cabelos.
– D-desculpe! – desci meu rosto até estar enfrente a específica região e depositei uma leve lambida ali.
– Uhh!! – Levi espalmou, levantando ambas as pernas. – N-não coloque a língua ai!! – gritou agora arrancando os próprios cabelos. – Idiota!! Idiota!! Idiota!!
– A-acalme-se, Levi!!
– Acalme-se a bosta, Eren!! Aliás, segure minhas pernas, antes que eu de desmaie outra vez!! – dito isso, rapidamente agarrei suas coxas, o que o provocou uma leve descontração. – Está com tanto trauma assim?
– Você não faz ideia...! – ri juntamente a si e guiei meu membro até sua entrada, rodeando-a um pouco para umedecê-la. – Ahh...
Levi também gemeu, deitando-se de lado e agarrando os lençóis de sua cama. Observando tal cena, onde Levi estava tão gracioso, tão submisso, tão delicado, que o assemelhei a um frágil jarro de flores, sentindo o peso na consciência atacar-me.
– C-chega, Levi!! – gritei o assustando. – Seja o ativo você!! E-eu não consigo imaginar algo entrando em uma coisa tão frágil e linda assim...!
– Cale a boca e entra logo, seu merda!! – gritou enquanto mordia o lençol.
– N-não consigo!! – choraminguei.
– Seja homem e entre, Eren!! – insistiu.
– Seja homem você!!
– Eu não!!
– Waah!! – fechei os olhos fortemente e comecei por adentrá-lo. Levi alterou, por um momento, o tom de voz em um gemido, mas logo cessando enquanto mordeu novamente o lençol. – D-desculpe!!
– C-cale... A boca...! – sua voz saiu trêmula.
– Me perdoe, Levi!! – repeti.
– Cale essa porra... De boca!! Ahh!
– L-Levi...! – de pouco em pouco alcançava mais e mais fundo em si, recebendo gemidos de desconforto. Assim que adentrei o máximo, pausei por um momento. – T-tudo bem ai...?
– M-me abrace, Eren... – pediu Levi manhoso, com uma expressão dolorosa. Soltei suas pernas e agarrei suas costas, trazendo-o mais perto de mim.
– É-é tão bom quanto aquele cara demonstrou parecer...? – indaguei apertando-o um pouco mais sobre meus braços.
– N-não sei...! Está doloroso... Ahnn...
– E-eu devia ter comprado um lubrificante...
– J-já foi, Eren. – respirou fundo. – C-comece a se mover...
Acenei positivamente, dando a primeira investida, sentindo suas unhas cravarem profundamente sobre minhas costas. O punk gemeu alto. Após mais algumas estocadas, Levi começou a gemer muito mais alto e muito mais descontrolado, pendendo a cabeça para trás e rodeando meu quadril com suas pernas, me ajudando chegar mais forte em si.
– Ahh!! Que merda!! – gritou me assuntando um pouco. Mordeu os lábios. – I-isso, Eren...! Ahnn!! O-oh...
Senti minhas orelhas esquentarem. Levi gemia TÃO alto que não duvido que tenha chamado a atenção de nossas mães sejam lá onde estiverem. Cheguei até a olhar sua janela inúmeras vezes para ver se tinham dois pares de olhos esbugalhados nos espionando. Lembrei, de repente, no filme de antes, o cara ativo comentar que acertou a próstata do outro o levando a loucura. Sendo assim, procurei intensificar os movimentos para achar tal ponto.
– Ahh caralho!! – gritou mais uma vez estremecendo. S-séra que acertei? – Ai, céus. Eren, sua bicha, m-mais forte...!
Repeti os movimentos, fazendo-o revirar os olhos.
– L-Levi...! Você é virgem mesmo?! – suas unhas cravaram mais em mim enquanto revirava os olhos. – V-você parece uma puta faminta!!
– A-ah!! C-cale a boca!! – comecei a rir descontroladamente, levando um tapa de si. – Depois você ri, seu bastardo!! – zangou comigo. – Concentre-se no que faz!! Ahnn...
– Acho que deveríamos... Ter filmado. – comentei. – Ahh... Imagino você mais tarde, quando acordar e lembrar-se de todos esses gemidos que proliferou.
Levi ignorou, arranhando-me o torço. – A-ahn, Eren!! I-isso é...! Oh, c-céus…!
– E-está bom... L-Levi? – indaguei sem certa razão. Até mesmo um cachorro da rua em outra cidade perceberia tal resposta.
– Ahh, m-muito!! – atacou-me rapidamente, devorando meus lábios em um beijo feroz, como antes nunca demos. – Q-quero fazer isso muitas vezes, Eren!! – comentou em um tom quase gritado, dando sequencia a gemidos em meu nome.
– Ah, Levi... E-eu vou liberar os filhos!! – gritei.
– Q-que porcaria de aviso foi esse...?! Ahh!! – até que, por fim, gozou primeiro, sujando nossos abdomens e depois de três ou quatro estocadas, liberei-me também.
Praticamente desmaiamos. Levi caiu duro na cama e eu cai duro em si.
– C-céus... I-isso sempre foi tão bom assim...? – perguntei rodeando seu pescoço com meus braços.
– N-não faço a mínima ideia... – Levi suspirou forte. – De qualquer forma, Eren... Que tal fazermos isso todos os dias, até não podermos mais?
– Hm... E isso foi em um sentido romântico ou travesso...?
– Que tal os dois? – deu uma leve pausa beijando meus lábios. – Não seria ruim me casar com você.
– E isso foi uma proposta?
– Se você quiser...
Fim ♥
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