Garoto Dos Sonhos

1 "Não pode ser..."


Notas iniciais
Iniciando uma nova FIC.. vamos lá?
Enjoy.

Uma manhã comum, talvez (?). Os corredores da escola estavam movimentados como sempre, jogadores, líderes de torcida, nerds, asiáticos e todos os outros tipos de alunos passavam apressados e em um esquema impressionante que não permitia que eles se chocassem.

Eu, como de costume, estava escorado ao meu armário a espera de minha doce colega, Rachel Berry. Ela sempre se perdia ao meio da multidão por seu tamanho, ela era muito baixa. E sendo fraca, às vezes era levada por jogadores. Então, ultimamente, ela tem esperado os corredores se esvaziarem para vir a meu encontro.

– Até que enfim. – Falei ao ver a morena se aproximar.

– Me desculpe Kurt, mas você sabe do meu problema de locomoção. – Ela sorriu.

– Sei. – Sorri de volta. – As pessoas devem achar que você tem mesmo algum problema nas pernas, vive dizendo em alto e bom som do seu “problema de locomoção”.

– Que digam. – Ela passou seu braço ao meu. – Está frio.

– Jura? Nem reparei na neve lá fora. – Disse irônico.

– Muito engraçado, acho que em vez de estilista devia ser comediante. – Lhe encarei e comecei a rir.

– Já disse que ser estilista é um hobby. – Soltei seu braço desviando de uma garota. – Meu real sonho é...

– Oi Kurt. – Fui interrompido por um garoto a minha frente.

– Sim?! – Arqueei uma sobrancelha.

– Hum... eu... eu... – Ele parou a nossa frente sem falas.

– Diz logo, estamos atrasados. – Rachel bufou ao meu lado.

– Eu gostaria de saber se.. você gostaria de .. sair para tomar um café comigo? – O garoto permanecia a minha frente. Rachel ao meu lado sorriu.

Analisei o garoto da cabeça aos pés, ele era bonito. Vestia-se até que normal para um garoto de colegial. Cabelo legal, loiro. Olhos azuis, interessante. Rachel me encarava e o menino corava a espera de uma resposta.

– Sinto muito, eu estou ocupado. – Sorri tentando ser gentil.

– Mas eu nem disse o dia, eu não me importo qual seja, pode marcar quando quiser. – Ele corava cada vez mais forte e agora seus olhos azuis tinham um pequeno brilho.

– Estou ocupado todos os dias desse ano, sinto muito. – Sorri e saí com Rachel.

– Kurt, ele era lindo. – A morena me olhava incrédula.

– Não achei tanto. – Ela me encarou e revirou os olhos.

– Vamos para a aula, Miss Berry. – Sorri e nos encaminhamos até a nossa sala de aula.

Uma aula entediante de história na qual nem prestamos atenção. Apenas falávamos dos nossos planos após nos formar. Ambos tinham a mesma ambição, queríamos mais que tudo ingressar na renomada NYADA, uma das melhores faculdades de artes de Nova Iorque. Muitos de seus alunos estrelavam na Broadway antes mesmo de se formar.

– Precisamos achar um bom apartamento lá, próximo à faculdade. – Rachel disse anotando rapidamente algo que o professor passara na lousa.

– Mas e se forem caros? Não temos trabalho, e por mais que tenhamos um quando chegar lá será estágio ou temporário. A faculdade só nos libera algumas horas. – Disse copiando de seu caderno.

– Precisamos ver isso o quanto antes. Temos que chegar lá já com tudo pronto. – Ela falou um pouco alto demais e chamou a atenção do professor. – Desculpe.

– Temos tempo para ver isso, que tal um café após as aulas? – Sussurrei para o professor não nos ouvir.

– Achei que estava ocupado. – Percebi a ironia em sua voz.

– E estou, com você. – Sorri e ela sorriu de volta

– Você dispensou ele pelo mesmo motivo dos outros? – Ela largou o lápis e me olhou séria.

– Talvez. Eu não sei. – Disse sem animo.

– Kurt, você precisa se tratar, tem que.. – E o sinal tocou.

– Livres. – Um garoto sentado mais ao fundo gritou e todos saíram.

Desta vez Rachel não precisou esperar a multidão se dissipar, pois ela estava comigo. Agarrada ao meu braço, se garantido salva, caminhamos até o refeitório da escola. Uma fila enorme formada e todos atacavam seus pratos como animais selvagens.

– Não estou com fome. – Disse e indo em direção a uma mesa.

– Eu estou. – Rachel largou meu braço. – Vou pegar alguma coisa, tudo bem? – Concordei com a cabeça. – Quer um suco?

– Sim, de... – Ela me interrompeu.

– Laranja, já sei. – Sorri e vi a morena sumir na multidão.

Meu celular foi minha companhia enquanto Rachel não retornava. Olhei as redes sociais, baixei algumas músicas e finalmente a baixinha sentou à mesa. O rosto vermelho e uma bandeja posta à mesa.

– Aqui seu suco. – Ela pôs o copo à minha frente.

– Obrigado. – Larguei o celular e retomamos a conversa que estávamos tendo na aula.

– Hoje mesmo vou ver alguns anúncios de apartamentos. – Tomei um gole do meu puro suco de laranja.

– Certo. Vou ver se procuro algo também, mas não garanto nada. Tenho que estudar. – Revirei os olhos.

– Droga! – Ela exclamou.

– O que foi? – Perguntei preocupado.

– Tenho prova amanhã. – Ela afundou na cadeira. – Acho que minha pesquisa vai ser adiada por um dia.

– Tudo bem. – Sorri.

As próximas aulas tínhamos separados, o que era muito triste. Sentei-me ao lado de Mercedes, outra amiga. Fomos grandes amigos nos primeiros anos de escola, mas conforme os anos iam passando fomos nos distanciando.

Não conversamos tanto, pois a matéria estava exposta na lousa e eu realmente precisava copiar. Uma matéria difícil que necessitava de uma atenção maior que as demais disciplinas. Física. Após uma longa demora o sinal soou pelos corredores e alunos saíram de todos os cantos.

– Kurt? – Ouvi a voz de Rachel e não pude conter o riso.

– Rachel, você está bem? – Segurei seu braço evitando que ela fosse, literalmente, arrastada pelos jogadores.

– Não ria. – Ela mesmo começou a rir. – Vamos para o nosso café?

Caminhamos até uma cafeteria próxima, que em minha opinião tinha o melhor café de Lima. Tinha uma fila, como de costume. Mas não me importava, a espera valia a pena.

Fizemos nossos pedidos e sentamos a uma mesa, bem ao centro. Podia ver a neve que ainda caia lá fora. Era um dos invernos mais frios em tempos. Eu estava com um casaco longo preto, cachecol, dentro de uma cafeteria aquecida e mesmo assim tremia de frio.

– Eu estou congelando. – Tentei aquecer as mãos com o copo de café.

– Talvez se tivesse aceitado o convite, aquele garoto poderia estar te aquecendo agora. – Seus olhos se fixaram aos meus.

– Não comece. – Revirei os olhos.

– Kurt você tem que parar com essa obseção. – Ela pegou minha mão.

– Não sei do que você está falando. – Passei a olhar para a porta.

– Você sabe sim, daquele seu maldito sonho. – Lhe olhei sério.

– Não é maldito. – Tomei um gole do café me sentindo um pouco aquecido.

– Sim ele é. Você não aceita sair com ninguém porque não esquece esse sonho doentio. – Permanecia lhe olhando sério.

– Agora ele é doentio? – Passei uma mão na outra tentando aquecê-las.

– Kurt. – Ela tornou a pegar minhas mãos e me olhava nos olhos. – Por favor esqueça isso, já fazem quatro anos.

E foi então que me dei conta. Já faziam quatro anos que eu havia sonhado aquilo. Em uma noite comum eu sonhei com um homem estranho, não o conhecia, mas ele falava comigo. Ele era baixo, menor que eu para ser exato. O estranho foi que nunca mais tornei a sonhar com ele de novo, apenas naquela noite e sua imagem ficou gravada em minha mente.

– Você sempre compara os garotos que conhece com esse “garoto dos sonhos”. – Ela revirava os olhos e eu voltei a admirar a neve que caía lá fora. – Ele não existe, Kurt. Pare com isso.

– Rachel. – Minha boca estava aberta, eu estava perplexo.

– Agora você vai ter que me ouvir, não quero desculpas desta vez, isso tem que..

– Rachel. – Tornei a chama-la e dessa vez ela me olhou.

– O que? – Ela retrucou.

– É ele.

Estava em total choque, o homem na qual sonhara há quatro anos estava à minha frente. Na fila esperando para ser atendido. Rachel virou e seguiu meu olhar.

– Você só pode estar brincando. – Ela disse e meu olhar se mantinha fixo ao homem.

Kurt Hummel, o seu homem dos sonhos está em sua frente.

Notas finais
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Capitulo dedicado a sweet Carol :3
Até o próximo.. xoxo'