Garoto Americano

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Um pequeno especial com dois personagens que eu AMO da minha outra fic, não é necessário ter lido esta outra para entender. Só queria mostrar como tudo começou entre eles.
Espero que gostem.

Marcelo encostou a cabeça na poltrona do avião olhando a imensidão azul pela pequena janela. Sua vida havia mudado tanto em tão pouco tempo que a ficha ainda não havia caído para ele. Quando soube do programa de bolsas para estrangeiros em universidades da Califórnia, há quase um ano, não imaginava que conseguiria. Acabou se inscrevendo pelo calor do momento, após mais uma briga dentro de sua casa, com a intenção de sumir daquele lugar.

Seu pai nunca aceitara ter um filho gay e durante três anos ele teve de aguentar chacotas, indiferença e fúria da parte dele. Ele simplesmente não aguentava mais viver em tal ambiente hostil. Era uma chance de uma nova vida, iria para Santa Bárbara, seria um excelente arquiteto e não teria que suportar mais preconceitos por sua orientação sexual. Era tudo o que ele mais queria.

Estava ansioso e nervoso com o que lhe esperava. Era um novo país, novas pessoas e novas experiências. Sairia de sua zona de conforto em muitos aspectos, não tinha dúvidas de que amadureceria muito. Tantas mudanças que ficava assutado em como isso impactaria em sua vida dali pra frente.


3 meses depois


Marcelo foi para a aula contente naquele dia, finalmente havia conseguido um trabalho. Seria na lanchonete do campus, nada de especial, mas, pelo menos, poderia sair da residência estudantil da universidade. O lugar era legal, mas dividir o quarto com alguém não era algo que ele gostava, prezava pela sua privacidade. Em conversas paralelas na sua sala de aula, soubera que um de seus colegas estava à procura de alguém para dividir o aluguel. Esperava falar com ele ainda naquele dia.

A sorte parecia estar ao seu lado quando chegou na sala de aula, seu colega, Brad, já estava lá. O loiro era totalmente gato, porém era hétero e um cafajeste, nada muito indicado para ele se envolver.

— Oi Brad. – o cumprimentou. Ele o olhou um pouco confuso, já que nunca haviam conversado antes.

— Oi... Você é o brasileiro, não é? – ele teve que se segurar para não revirar os olhos, as pessoas lembravam sempre de sua nacionalidade, mas não de seu nome.

— Sim, sou Marcelo. – Brad apenas sorriu, esperando que ele continuasse. – Então Brad, eu soube que você está procurando alguém para dividir o aluguel.

— Estou, você está interessado? – ele apenas assentiu em resposta. – Se você quiser podemos dar uma passada lá depois da aula. É aqui perto e James, o outro cara que mora lá, vai estar lá nesse horário.

— Claro, por mim pode ser.

Conforme haviam combinado, no fim da aula eles foram até a casa. Ela era próxima ao campus e também da praia, não poderia querer algo melhor. Ali teria seu próprio quarto, e poderia pagar por ele. Aceitou a oferta prontamente, com a mudança marcada para o dia seguinte.

Quando voltou ao seu quarto compartilhado, antes de empacotar suas coisas, avisaria sua mãe e sua melhor amiga Manu que havia encontrado um lugar para morar. Ligou primeiro para sua mãe, ela sempre o aceitou como ele era e continuavam mantendo contato, e contou a história por cima, mas – é claro – teve de responder uma lista interminável de perguntas preocupadas. Para sua amiga mandou uma mensagem pelo facebook, ao ver que ela estava online.

Marcelo: Manu, consegui um lugar novo para morar.

Manu: Que bom Bee! Vai se mudar quando?

Marcelo: Amanhã mesmo. Você tem que ver meus novos colegas de quarto, dois gatos! Eu digo, você deveria ter vindo para cá comigo.

Manu: Você sabe que eu não largaria o Bruno assim, mas fico muito feliz por você.

Marcelo revirou os olhos, ainda não acreditava que ela preferiu ficar no Brasil com o namorado imbecil dela, ele nunca havia gostado dele.

Marcelo: Eu estou muito feliz. Agora tenho que ir arrumar a mudança. XO.

Desligou o notebook e tratou de organizar todas as suas coisas em caixas. Estava ansioso para ir para sua nova casa.



Os meses se passaram sem maiores surpresas. A sua vida na nova casa e no trabalho era tranquila e ele não saía muito, já que sua graduação exigia muito dele. Ainda não havia feito amizades ali, conversava bastante com alguns colegas de aula e trabalho, e também com James e Brad, porém nada de especial. Ele até agradecia pela calmaria após a sua adolescência turbulenta.

O inverno tinha chegado, mas considerava o clima apenas ameno, teria de ir para outro estado se quisesse ver neve. Seu turno de trabalho era antes das aulas, quando a lanchonete não costumava encher muito.

— A bailarina dark chegou. – riu Tracy, sua colega de trabalho, fazendo Marcelo se virar para a entrada.

A garota baixinha de cabelos castanhos havia ganhado esse apelido entre os funcionários da lanchonete universitária. Ela era estudante de dança e sempre vinha ali depois das suas aulas, usando tutu preto, jaqueta de couro e os cabelos presos em um coque. E sempre pedia a mesma coisa: torradas e chá Twinings.

— Boa tarde, o mesmo de sempre? – perguntou ele quando ela se aproximou do balcão.

— Boa tarde, vou querer um expresso e um brownie.

O pedido surpreendeu a ele, assim como a expressão da garota. Parecia abatida, ao invés da sua alegria de sempre. Ele atendeu ao pedido dela, mas em vez de se afastar após servi-lo, ficou a observá-la.

— Dia difícil?

— Até demais, mas eu realmente não quero falar nisso. — ela balançou a cabeça antes de sorrir para ele. — Sou Natalie, e você?

— Marcelo, prazer.

— Você não é daqui. — ela afirmou.

— Não, sou brasileiro. — o sorriso dela se expandiu.

— Legal, gostei de você. Senta aí. — ele ficou surpreso com o convite, mas fez o que ela disse. Não tinha muito o que fazer naquela hora na lanchonete, sobreviveriam sem ele.

Em pouco tempo a amizade entre ele e Natalie se formou. Ela era extrovertida e extremamente ácida, se divertia muito com ela. Sempre que ela ia até a lanchonete ele dava um jeito de parar para conversar um pouco.

Naquele dia em especial estava mais frio, o inverno chegara no seu ápice. Natalie conversa animadamente sobre um solo que faria quando seus olhos foram para a entrada da lanchonete, ela sorriu.

— Ei garotos! — disse em voz alta, erguendo a mão para chamar-lhes atenção.

Marcelo virou-se naquela direção. Dois garotos vinham até eles, um era negro e alto, com andar confiante e um belo sorriso. Porém foi o outro que lhe chamou atenção. Era um pouco mais baixo, tinha espessos cabelos cacheados castanhos, e lindos e expressivos olhos azuis, uma barba por fazer completava o visual. Seu andar era mais reticente, parecia meio envergonhado. E isso só fez Marcelo o achar ainda mais encantador.

— E aí Nat? — quando o negro falou, Marcelo percebeu que encarava o outro sem piscar, desviou o olhar sentindo-se envergonhado.

— Daniel! Se perderam do departamento de Direito? — ela riu, antes de virar-se novamente para Marcelo que observava curioso. — Marcelo, esses são Daniel e Matthew. Dan e Matt, esse é meu novo amigo Marcelo. — ela os apresentou.

Como ela se dirigiu ao que falara como Daniel, logo supôs que o de cabelos cacheados seria Matthew. Os cumprimentou, tentando parecer o mais normal possível com Matthew, ele apertou sua mão e desviou o olhar rapidamente, as bochechas adquirindo um tom rosado. Não pôde deixar de achar aquilo extremamente fofo.

— De onde você é? – perguntou Daniel.

— Do Brasil.

— Legal, já conheceu o Rio? — ele quase revirou os olhos com a pergunta, mas conteve-se.

— Não, minha cidade é longe de lá.

— Não a cidade. A boate brasileira aqui em Santa Bárbara. – interveio Natalie. Ele apenas negou com a cabeça, confuso. – Puxa, a gente precisa mesmo levá-lo lá. Você vai adorar.

— Cuidado com a Nat, ela vai te levar para o mau caminho. – disse Matthew pela primeira vez, sorrindo para ele. Seu corpo inteiro derreteu igual manteiga, o sorriso dele era maravilhoso.

Eles continuaram conversando, mas sua mente foi longe. Matthew com seu jeito fofo e tímido já havia o conquistado de certo modo. Sabia que ele estava sendo ridículo, já que não sabia nada sobre ele. Não sabia se ele era gay ou se era comprometido. E se ele e Natalie tivessem alguma coisa? Descartou logo essa ideia, eles não pareciam ter nada. Se ela tivesse alguma coisa com alguém ali, apostaria em Daniel. Natalie sorria amplamente para ele e seu corpo inclinava-se na direção dele, que parecia alheio à linguagem corporal dela.

Ele voltou a atenção para o belo homem de olhos azuis, seu coração quase saiu pela boca quando viu que ele também o olhava. Os dois desviaram o olhar constrangidos. Marcelo teria de tentar descobrir qual era a dele, talvez pudesse perguntar a Natalie, como quem não quer nada, para ela não desconfiar.



Alguns dias depois Marcelo resolvera passear pelo departamento de Direito do campus — nada a ver com um certo cara de lindos cachinhos e olhos azuis que não saia da sua cabeça, é claro – apenas para passar o tempo depois da aula. Seus pés praticamente o levaram até ali e até agora seu lado racional estava o xingando pela idiotice. Demorou um pouco a vê-lo, ele estava saindo do prédio e, para sua sorte, estava sozinho, distraído folhando um grosso livro.

Seu lado racional começou a falar muito alto agora. Que tipo de imbecil ele era para ficar atrás de um homem com quem ele nem ao menos sabia se tinha alguma chance? Virou-se na direção oposta à de Matthew, disposto a ir embora dali.

— Marcelo? – ele virou-se em direção à voz, sorrindo amarelo e com o rosto corado. Matthew o olhava com curiosidade, um sorriso fraco no rosto. Ele era mais lindo do que ele lembrava. – O que faz aqui?

Vim atrás de você, pois não paro de penso de você desde aquele dia na lanchonete e estou louco de vontade de te beijar. Mas, é claro, que ele não diria isso.

— Oi Matthew. Só dando um passeio, saí da aula a pouco tempo. – mais uma pequena mentirinha, sua aula havia acabado a horas.

— Pode me chamar de Matt.

— Eu gosto de Matthew. – deu de ombros.

— Então me chame de Matthew. – o sorriso dele se alargou, fazendo o corpo dele tremer. – Estava indo tomar um café, quer ir comigo?

Conteve sua vontade de fazer uma dancinha comemorativa. Respirou fundo dizendo para si mesmo que aquilo não significava nada.

— Sim.

Ele voltou para casa quando já anoitecia. Queria poder dizer que, após a conversa durante o café, ele havia parado com esse encantamento todo que tinha por Matthew, mas não foi bem assim. Ele era tão doce e era tão bom conversar com ele que diria que esse encantamento até aumentou. E para piorar, ainda não tinha um parecer definitivo se teria alguma chance com ele. Matthew sabia ser misterioso também.

Após chegar em casa e tomar um banho, seu celular tocou avisando que recebera uma mensagem. Ele sorriu bobo quando viu.

Matthew: Chegou bem em casa?

Assim que seu surto básico de felicidade passou ele respondeu, tentando não parecer histérico.

Marcelo: Cheguei sim, não se preocupe. XO.



Assim que Natalie entrou na lanchonete no dia seguinte, Marcelo a abordou. Precisava retirar alguma informação sobre Matthew, da forma mais sutil possível, é claro. Esperou chegar a um certo ponto da conversa — para não parecer desesperado — para fazer a pergunta que os levaria para aquele tópico.

— Então Nat, você e Daniel estão ficando? Ou você e Matthew talvez? – sabia que ela não tinha nada com ele, mas precisava introduzi-lo no assunto de alguma forma. Ela sorriu misteriosa antes de responder.

— Não. Daniel é meu amigo de infância, não vai acontecer. – Marcelo teve de se segurar para não rir, ela poderia não perceber, mas era claro que no seu íntimo Daniel não era seu amigo de infância. – E Matt está totalmente livre, vai fundo.

Marcelo arregalou os olhos assim que assimilou o que ela havia dito, Natalie apenas o olhava com uma expressão divertida. Ela desconfiava de algo e talvez, se ele negasse, poderia voltar ao seu plano original.

— Não sei do que você está falando, Nat. – apressou-se em dizer.

— Qual é, sinto lhe informar isso, mas você não sabe disfarçar. – ele suspirou frustrado, não adiantava mais esconder.

— Ele é gay? – de nada adiantaria se ele não fosse. Ele já teve sua cota de paixões por heteros e não pretendia cair nessa de novo.

— Olha, na verdade eu não sei. Eu nunca o vi com ninguém desde que eu o conheço, seja homem ou mulher.

— Então eu não tenho chance alguma. – seu coração afundou, mas sabia que não adiantava de nada se iludir.

— É claro que tem. Vamos no Rio sábado e eu não aceito um não como resposta. – ela disse rápido, já sabendo que ele negaria. — Tenta. Você já viu como o Matt é tímido, ele não vai tomar uma atitude. O “não” você já tem, tente conseguir um “sim”. – ele apenas negou com a cabeça, sabia que isso era loucura.

Porém parte de si ficou a considerar a ideia, depois de um tempo até que ela não lhe parecia mais tão absurda assim.


Marcelo se encontrou mais uma vez com Matthew naquela semana, porém ele não parava de pensar no que Natalie havia falado. Ele ficou o tempo todo que esteve com Matthew tentando tomar coragem para falar algo, mas o medo de ser rejeitado sempre o impedia.

No sábado, mesmo a contragosto, aceitou ir ao Rio com eles. Sua primeira impressão do lugar foi boa, a batida da música eletrônica alta fazia ele sentir vontade de dançar. Assim que chegaram, Natalie agarrou Daniel pela mão puxando-o para o meio da multidão. Antes de desaparecerem ela piscou para Marcelo, sabia que ela havia feito de propósito, e agora ele estava sozinho com Matthew. Não conseguia deixar de se impressionar em como ele estava ainda mais bonito naquela noite.

— Quer beber alguma coisa? – perguntou Matthew próximo ao seu ouvido, só assim para se fazer ouvir ali dentro. Ele apenas assentiu em resposta. Não pôde deixar de notar que ele também estava muito cheiroso.

Os dois foram até o bar, onde Matthew fez o pedido. O barman colocou duas bebidas de cor clara no balcão, que ele não soube identificar. Quando bebeu, o líquido desceu queimando a sua garganta, era muito forte.

Quando terminou a bebida, estava meio tonto, mas ainda não o suficiente para seu constrangimento passar. Queria matar Natalie por fazer aquilo com ele.

— Onde estão os outros? – perguntou, inclinando-se para perto dele.

— Eles sempre fazem isso. Chegam e vão direto para o meio da pista dançar. – ele também se inclinou para responder. Seu perfume e o cheiro do álcool formavam uma mistura inebriante.

— E quanto a você?

— Eu não sei dançar. – ele corou. Ele achava a timidez de Matthew extremamente adorável.

Eles estavam muito próximos quando seus olhos se encontraram e nenhum deles foi capaz de desviar o olhar. Marcelo se permitiu perder-se dentro da imensidão azul dos seus olhos. Em vez da calma de sempre, dessa vez eles estavam turbulentos. Seus lábios vermelhos nunca lhe pareceram tão apetitosos e convidativos.

Ele não sabia dizer se foi a bebida, o seu desejo crescente, ou uma mistura dos dois, mas quando deu por si seus lábios estavam grudados nos dele. Sentiu o choque inicial de Matthew passando aos poucos e sua boca abrindo em resposta, foi a deixa para invadi-la com a língua. O outro correspondeu ao beijo, aprofundando mais as bocas. Suas línguas se tocavam e o todo barulho a sua volta silenciou. Era como se apenas existissem eles no mundo.

Cedo demais Matthew se afastou, deixando-o frustrado. Aos poucos a compreensão foi voltando a sua cabeça, ele tinha o beijado. Envergonhado, ele não foi capaz de olhar para o rosto do outro, tinha medo do que veria ali. Em vez disso, levantou-se de seu lugar e saiu dali o mais rápido possível, entrando no primeiro táxi que surgiu.

Ele deixou a cabeça cair no encosto no carro, estava frustrado e irritado com si mesmo. Aquele beijo havia superado todas as suas expectativas, mas foi no impulso que ele aconteceu, sabia que tinha estragado tudo. Naquele momento ele apenas queria sumir.


Nos dias que se seguiram Matthew não deu sinal de vida. Nenhuma ligação ou mensagem, nem apareceu depois de sua aula. Marcelo estava chateado com a situação, queria ao menos manter a amizade, Matthew havia se tornando importante para ele.

Se Natalie sabia de alguma coisa, agiu como se não soubesse. Ficava o tempo inteiro dizendo que ele tinha que ter contado tudo a Matthew. Quando aquela semana chegou ao fim, ele já tinha total certeza de que havia estragado tudo.

Na sexta, Natalie tentou arrastá-lo para fora de casa, mas foi bem enfático que não queria sair naquele noite. Aproveitou que estava sozinho em casa para comer sorvete e curtir a fossa.

A campainha tocou fazendo xingar quem quer que fosse, mas em vez de atender, resolveu fingir que não tinha ouvido até a pessoa desistir. Porém ela foi insistente e continuou tocando até ele ceder e atender a porta.

— Matthew? – gaguejou ao ver quem estava parado do lado de fora.

— Podemos conversar? – ele não esperou Marcelo respondeu e entrou na casa, fechando a porta atrás de si.

— Olha, me desculpa pelo o que eu fiz. Eu tinha bebido e... – começou nervoso, sem consegui encará-lo. Matthew ergueu seu rosto pelo queixo, obrigando-o a olhá-lo nos olhos.

— Só me escuta. – o interrompeu. Matthew estava tão sério que temia o que ele tinha a lhe dizer. — No início eu estava gostando muito de passar o tempo com você, gostava de sua companhia. E era tão diferente, senti uma conexão com você tão rápido, de um jeito que eu não sinto com outras pessoas. A conversa fluía, era fácil estar com você, já o considerava um amigo. Porém depois daquele beijo, minha cabeça ficou completamente confusa. Eu gostei muito, não apenas gostei, como também, de repente, me vi só pensando nisso. E agora eu estou aqui, querendo saber se eu tenho alguma chance de ficar com você de novo.

Ele ficou longos minutos digerindo o que havia escutado. Procurava algum sinal no rosto de Matthew de que aquilo havia sido uma brincadeira, mas não encontrou nenhum, ele apenas aguardava tenso a sua resposta.

— É sério isso? Por que se for brincadeira, não tem graça. – ele estava nervoso, ao mesmo tempo que queria que tudo fosse verdade, tinha medo de ser apenas uma piada de mau gosto, mas Matthew não parecia ser alguém que fazia esse tipo de maldade.

Em resposta, o outro sorriu e acariciou seu rosto, tomando seus lábios em seguida. O beijo foi breve e suave, mas o suficiente para fazer seu corpo pedir por mais.

— Isso responde sua pergunta?

Marcelo apenas sorriu feliz e voltou a beijá-lo, não queria mais perder nem um segundo longe da sua boca. Aquele beijo foi diferente, era devorador e urgente. Matthew o comprimiu contra a parede atrás de si e colou seu corpo no dele, as línguas não pararam de se tocar nem por um instante. Marcelo gemeu quando sentiu a ereção do outro, fazendo a sua própria surgir também.

— Vamos para o meu quarto? – perguntou quebrando o beijo, sua voz estava ofegante.

Ele apenas assentiu sorrindo, e juntos subiram até o quarto. Nenhum dos dois jamais tinham feito isso, mas tudo o que Marcelo queria naquele momento era sentir o outro dento dele.


Marcelo despertou com os raios solares que entravam pela janela. Estava aconchegado no peito de Matthew, que já estava acordado e o olhava com um sorriso nos lábios.

— Está acordado a muito tempo?

— Não muito. – sua pele se arrepiava sob o toque suave dele. — Você fica tão lindo dormindo. – os dois sorriam. Marcelo queria eternizar aquele momento, estava tão feliz. Os cachinhos de Matthew estavam bagunçados e os olhos azuis o fitavam com adoração. Nunca tinha visto alguém mais lindo do que ele. – Acho que estou me apaixonando por você.

O sorriso de Marcelo alargou-se, ainda não acreditava que estava tendo uma chance com ele. A ideia de que seus sentimentos eram correspondidos então, parecia utopia.

— Eu fiquei encantado por você desde a primeira vez que o vi. E te conhecer e ver a pessoa maravilhosa que você é fez eu me apaixonar. — disse, vocalizando pela primeira vez toda a verdade do que sentia dentro dele.

— Você aceita namorar comigo?

— Sim, é claro que sim!

Ele selou o pedido com um beijo. Não sabia se daria certo, as dificuldades que enfrentariam ou se algum dia o amaria como nos filmes. Porém estava disposto a tentar, e a felicidade que encontrava agora em seus braços valia mais que tudo.

Notas finais
Não esqueçam de dizer nos comentários o que acharam.
Obrigada por lerem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!