Garotinho... Não Chore
7 Epílogo
Notas iniciais
Ainda ouço os sons do monitor cardíaco funcionando, porém é mera imaginação, faz algumas horas que ele parou e o meu amigo não receber mais ar em seus pulmões. Quero saber porque estou aqui ainda, minha única missão era guia-lo, porém parece que tudo está acabado, mas eu não. Continuo aqui e com o passar do tempo, percebo que possa andar livremente sem que ninguém perceba a minha presença. Vou em direção a casa do garotinho chorão.
A janela de seu quarto estava aperta, pela primeira vez, deste que eu me lembre. Entro por ela com as minhas pequenas patinhas macias. Não é o mesmo quarto dos pesadelos, esse era o seu verdadeiro quarto, mas tinha um porém, todos nossos amigos de pelúcia haviam desaparecido, talvez estejam cuidando de Dylan.
Caminho em direção a porta que estava aberta, vejo o relógio onde eu repousava e sigo para o quarto ao lado, o brinquedo quebrado no chão agora estava jogado em um cesto de lixo, volto para o recanto do relógio e sigo para a sala.
Da última vez não pude analisar o que tinha nela muito bem, mas agora vejo a mesa de centro, o sofá onde eu ficava, a televisão a sua frente, a janela mais afastada e é claro a porta de entrada.
Vejo o pai de Dylan bebendo várias e várias garrafas de vinho e cerveja, ele está descontrolado e mesmo que eu quisesse ajudar ele não poderia me ver. Perder o filho lhe foi desesperador. A porta abre e vejo o irmão do garotinho chorão entrar.
Ele tira os cabelos do rosto e observa as garrafas jogadas no chão, quebradas, junto a um quadro onde está uma foto dele e de seu irmão, ele está parecendo irritado na foto, porém o irmão é feliz. As lagrimas começaram a escorrer de suas pupilas.
Na pequena etiqueta que ele esqueceu de retirar de seu peito, está escrito “Nathan”, seu nome.
Abraçando o quadro ele aproxima-se do pai.
—Eu... eu sinto muito.
O homem apenas o ignorou.
—Era apenas uma brincadeira... foi um acidente...
Imediatamente o homem levantou o branco em seus olhos em direção ao seu filho, parecia tão desumano e fora de si, o álcool tinha mudado os seus pensamentos.
—Repita novamente o que disse. Uh...
A voz era calma, ele não estava se desponto a gritar e talvez teria sido melhor que gritasse.
—” Foi um acidente”?
Ele levanta um pouco cambaleante e tonto e coloca a mão no rosto, além da bebida o seu rosto estava completamente inchado pelas horas em que derramou lagrimas.
—Um acidente? Serio?
O menino olhar para o pai assustado, vê-lo daquela maneira era extremamente tenso, o homem que costumava se preocupar com seus filhos agora se entrega totalmente a perda e insanidade mental.
—Você o jogou na boca de um animatronic e chama isso de... acidente?
—Eu não tive a intensão! – Nathan se defendia, ele nunca iria se perdoar do que fez com o irmão.
O menino desviou o seu olhar ao chão, estava nervoso e comera a morder o lábio inferior com força.
—Juro que foi apenas uma brincadeira... eu não sabia o que iria aconte...
O homem não deixou o menino terminar as palavras e acertou com uma das garrafas quebradas o seu rosto.
Nathan coloca a mão no rosto assombrado, sentindo a dor latejante sobre a sua bochecha e o sangue escorrendo da sua boca, teu pai apenas olhava com ódio para o menino.
—Eu sinto muito. – Ele pegava o menino pela camiseta e o mesmo começava a se debater como um peixe fora d’agua. – Eu não tive a intensão. – Comentava sorrindo.
O homem bate com a mão fechada no rosto do menino.
—Foi um acidente.
O garoto cai estático no chão, nunca imaginou que o seu pai faria isto com ele, mesmo que merecendo.
—Apenas cale a boca e não se atreva a sair daí.
O menino não consegue conter as lagrimas, tudo o que está acontecendo é tua culpa e nada pode mais fazer.
Não tenho certeza do que aconteceu com pai de Dylan e Nathan, alguns dizem que o homem suicidou-se depois que agrediu o filho, outros dizem que perdeu o controle do carro, nada se sabe, apenas que naquele mesmo dia o seu corpo tinha sido encontrado gelado.
Voltando, Nathan, mesmo com os ferimentos, voltou a pizzaria, o local onde ocorrera o acidente com o seu irmão, não podia entrar sozinho naquele estado, então apenas observou do lado de fora enquanto um carro parava em frente a pizzaria.
—Está sozinho, Nathan? – Perguntava o mesmo homem que Dylan um dia viu colocando uma roupa de um animatronic em um funcionário do local, o que parecia ter uma silhueta roxa, ele era o tio dos dois meninos, irmão de seu pai.
—Sim. – Nathan dispensava poucas palavras, tinha recebido a notícia da morte de seu pai a alguns minutos, tudo estava dando errado por sua causa.
O som tinha sido curto e rápido, como a lamina prateada de uma faca sendo encaixada dentro de uma caixa completamente recheada de areia, o corpo do menino tombava contra o chão enquanto o sangue espalhava-se pelo chão.
O homem tinha uma mente frágil, perder o irmão querido e o sobrinho favorito tinha causado um grande impacto em sua mente, tal ponto que a loucura estava começando a domina-lo, o sedento desejo de matar o filho mais velho de seu irmão tinha sido realizado, mas o assino não pararia agora, vejo em seus olhos que ele deseja mais. Porém o meu foco não é este, estou do lado de Nathan, consigo vê-lo e posso perceber que ele também pode me ver.
Seus enormes olhos estão concentrados em mim, sinto que ele não poderá passar para o outro lado em paz, talvez um dia possamos ser amigos, até lá, observá-lo-ei junto de seu irmão.
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