Garota milagrosa
10 Presente de aniversário
P.O.V. Andy.
Eu ganhei um medalhão lindo de aniversário do meu pai. Foi o primeiro presente de aniversário que eu já ganhei dele.
—É lindo pai. Obrigado.
—De nada querida. Eu já perdi tantos aniversários seus, que não perco mais nenhum.
—Valeu. É lindo. Não é de prata é?
—Não. Aço, mas tem um feitiço de proteção, impede que se desgaste e oxide.
—Legal. Verbena?
—Com certeza.
—Pode colocar em mim por favor?
—Com prazer senhorita.
Eu levantei o cabelo e deixei ele colocar o colar em mim.
—Obrigado.
—De nada. Feliz aniversário minha filha.
Nos abraçamos.
—Eu te amo papai.
—Eu também te amo Andrômeda. O seu cabelo cresceu e muito.
—Eu sei. Ficou bonito?
—Lindo.
—Peraí, eu tenho uma coisa pra você.
—Pra mim?
—É.
Trouxe a minha caixa do papai. Eu sempre fazia desenhos dele, quando aprendi a escrever comecei a escrever cartas e todo dia dos pais eu escrevia uma.
—O que é isso?
—É a minha caixa do papai. Você vai gostar de saber que eu escrevia uma carta pra você todo dia dos pais e antes de eu aprender a escrever eu fazia desenhos.
P.O.V. Elijah.
Eu fiquei sem palavras.
—Feliz dia dos pais atrasado. Eu tenho que ir.
Ela saiu e eu fiquei com aquela caixa de sapato pintada com guache azul e cheia de glitter em mãos. Eu passei a tarde olhando aquela caixa, o conteúdo dela. Haviam desenhos meus, em todos os desenhos eu estava de terno e gravata e tinha cabelo espetado. Então, começaram as cartas.
Querido papai, meu nome é Andrômeda que nem a Princesa grega, você não me conhece, mas eu tenho seis anos agora, vou na escolinha com os humanos e eles são muito burros e vivem cutucando o nariz. As letras deles não são tão lindas que nem a minha, são tortas e feias, eu escrevo ao estilo vitoriano clássico que convenhamos é o mais lindo de todos. Mamãe me ensinou a falar latim, aramaico e um montão de outras línguas mortas porque ela é meio bruxa que nem eu. Pois é, eu sou meio vampira e meio bruxa. Espero que algum dia possamos nos conhecer. Beijinhos da Andy.
Ela contava sobre tudo, toda a sua vida. Todos os dias na escolinha e ela era bem detalhista na época da escolinha. Depois o ensino fundamental e o médio. A carta que mais me emocionou foi uma que ela escreveu aos doze anos.
Querido papai, eu sei que você fez coisas ruins, sei que você mata pessoas, mas eu ainda amo você e quero muito que você acredite na redação... não espera tá errado não é redação é redenção. Toda alma pode ser salva se ela quiser ser salva. O amor é a força mais poderosa do mundo, um beijo de amor verdadeiro liberta uma pessoa de um feitiço maligno. Eu li no livro, em todas as histórias tinha uma princesa e um príncipe, mas nas histórias era o príncipe que salvava a princesa. Mas, na nossa é ao contrário. Eu te amo papai, me deseje feliz aniversário.
—Ela te entregou a caixa do papai?
—Sim. Porque a escondeu de mim tanto tempo?
—Sabe essa resposta de cor.
—Se eu soubesse que ela existia eu...
—Ia mudar? Ia parar de matar? Ah, qual é? Eu não caio nessa. Conversa mole, você é bom de conversa, promete, promete, promete e nunca cumpre coisa nenhuma. Fala, fala, mas quando o bicho pega, quando chega a hora do vamo ver se vai correr atrás dos teus irmãos. Você é um nojento entojado que só sabe explorar. Não vale nada. Nem o ar que respira tu não vale. Traste.
—Se eu sou tão ruim assim porque foi ter uma filha comigo?
—Porque eu não tinha opção. Era você ou você, só um membro da primeira família poderia me engravidar porque eu sou metade vampira. Ta satisfeito?
—Eu não sabia. Me sinto... usado.
—Agora você sabe como é ser sua vítima. Sabe como é ser um de nós, uma pessoa que passa na tua mão e sobrevive se sente assim. É boa não é? É uma sensação maravilhosa.
—Começo a notar que tem uma razão pra tudo o que você faz ou diz.
—Uau! Primeiro sinal de inteligencia. Isso já é um progresso.
—Não está sendo irônica.
—Não.
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