Garota Problema
9 Capítulo 9 — Motivos (não) plausíveis
Notas iniciais
Pessenger — Let her go (Nicole Cross – Cover)
Como ainda faltavam alguns minutos até que Charlie batesse na porta do quarto de Bella ou gritasse do andar de baixo para que ela descesse e então pudessem sair para mais uma segunda-feira de manhã, a morena decidiu pegar seu violão e tocar, mas seu pai já estava na soleira da porta, ouvindo-a, mas ela não o viu.
Well, you only need the light when it's burning low
Only miss the sun when it starts to snow
Only know you love her when you let her go
Only know you've been high when you're feeling low
Only hate the road when you're missin' home
Only know you love her when you let her go
And you let her go
Bella, que estava com os olhos fechados, abriu-os e pegou seu pai no flagra.
— Tentando me pegar desprevenida pra ver se consegue alguma prova da delinquente que eu não sou, né? — Perguntou arqueando uma sobrancelha, marota.
— Engraçadinha. — Ele entrou e se sentou ao lado dela, na cama, que o assistiu com a testa franzida.
— Não estamos atrasados?
— Não, ainda temos alguns minutinhos e eu queria falar sobre ontem.
Bella ficou mais branca do que Mike Newton, o que em uma comparação sobre a cor branca é bastante grande.
— Do que você está falando? Eu não fiz nada, não sei o que senhor escutou, mas eu não escutei nada, dormir à noite toda, sério, não ouvi nada, nadinha de nada. — Disse rapidamente e foi a vez de Charlie de franzir o cenho.
— Do que está falando?
— Do que você está falando? — Retrucou nervosa e Charlie respirou fundo, sabia que a filha estava tentando mudar de assunto, pois não queria falar a respeito.
— Sobre a ligação da sua mãe ontem, Bells.
Bella relaxou, abaixando os ombros e respirando aliviada.
— Ah. — Colocou a violão encostado na parede e se virou para o pai. — Não foi nada de mais, ela só disse que não vem. — Jogou de ombros. — Melhor pra gente. — Suas palavras estavam carregadas de mágoa.
— O que aconteceu?
— Nada, pai. Ela só decidiu que não é a melhor hora. — Se levantou e pegou sua mochila. — Vamos, eu não quero me atrasar, a primeira aula é biologia, estamos estudando um ser muito interessante. — Sorriu com segundas intenções.
Seu pai se levantou, suspirando, sabia que a filha ainda estava chateada com a mãe, mas não conseguiria mais nada com ela hoje.
— Qual ser? — Se interessou enquanto desciam as escadas.
— Não vem ao caso.
— Vamos, eu quero saber.
Bella revirou os olhos.
— Procarionte.
— Por que ele é interessante?
— Por que ele não fica me torrando a paciência logo cedo com perguntas.
— Qual é a diferença dele pro eucarionte?
Bella bateu a porta da casa, frustrada, havia se esquecido que biologia era a matéria favorita de seu pai, diferente da dela, mas admitia que estava começando a mudar de ideia... Sorriu se lembrando do motivo, mas especificamente se lembrando da noite passada.
~*~*~
O sentimento que continuou com Bella ao chegar na sala de aula e ver a cadeira ao seu lado vazia foi frustração. Ela sabia que era besteira se sentir assim, mas não conseguia evitar, sua mente lhe criava armadilhas, dizendo que Edward não fora a escola hoje por sua causa.
Mas por quê? Será que ele...
— Bella! Bella! Terra chamando Bella. — Seus amigos Mike, Jéssica, Angela e Eric estavam sentados do lado de fora do colégio, pois o Sol havia resolvido aparecer aquele dia.
Parecia mentira e, claro que não era o Sol por completo e ainda estava fazendo frio, mas as meninas resolveram aproveitar o raro momento para expor suas pernas e braços, afinal era um milagre raios solares estarem atravessando as nuvens carregadas de Forks!
— O que? — Ela perguntou olhando para Mike com cara de poucos amigos.
— Estávamos conversando sobre sábado.
— O que tem sábado? — Arqueou uma sobrancelha.
— La Push, Bella. — Eric respondeu rindo do avoamento da amiga. — La Push, baby. É La Push.
— Ah. — Lembrou-se. — Para de falar assim se não vou acabar desistindo de ir. — Sorriu brincalhona.
— Pois é, se o tempo continuar assim até sábado vai ser ótimo. Vamos até conseguir entrar na agua. — Angela disse animada.
A questão é que sim, o tempo aquela semana permaneceu o mesmo. O Sol apareceu durante todas as manhas, poucos raios, mas ainda assim o que consideravam o tempo ensolarado em Forks e durante a semana toda Edward e os irmãos não apareceram na escola. Céus, Bella não conseguia parar de pensar que tudo era sua culpa, mas afinal, por que seria? É normal o cara transar com uma garota e depois evita-la durante a semana seguinte.
Ela passou os dias chateada e com o os nervos à flor da pele, a única coisa boa que aconteceu foi que Jacob a levou para conhecer o tal Paul, o cara que estava vendendo as motos, e ela acabou conseguindo fechar um negócio muito bom.
Jacob disse que faria alguns ajustes na moto e levaria para ela no sábado de manhã, mas já que no sábado de manhã Bella estaria em La Push, eles marcaram de ela ir depois até a casa dele e então poderia busca-la. Jacob se atrevia um pouco na área de mecânico também. Bella o chamava de Chefe Graxa, apelido ao qual ele rebateu com Mendiga por ela ter ido um dia para o trabalho com a calça que havia usado no domingo, no jantar com os Cullen.
Ah, jantar com os Cullen!
Eles haviam convidado ela e Charlie para jantarem na casa deles no domingo, mas na quarta-feira (quando já faziam três dias que os Cullen não apareciam no colégio) ela tentou convencer seu pai de desistir de ir, contudo ela não conseguiu, até por que quando seu pai pedia um motivo plausível a única coisa que ela conseguia era um motivo, mas nada plausível.
“Mais duas bocas para alimentar? Me parece uma coisa complicada.”.
“Ouvir dizer que eles moram no meio da floresta, vai que eles nos convidou só para nos matar e espalhar nossos restos pelas montanhas?”.
“Provavelmente a comida deve ser diferente, vai que eu tenho alergia de alguma coisa que não sei e ai morro? Vou te culpar pra sempre... ok, ok, eu sei que estarei morta, mas eu dou um jeito, você sabe, eu sou louca, volto e te assombro pra sempre.”.
— Já é a segunda vez que você fica distraída olhando pra mesa onde os Cullen geralmente almoçam. — Jéssica comentou.
Era sexta-feira e eles terminavam de comer no refeitório.
— Não é nada. — Ela voltou a se virar para eles.
— Eles fazem isso às vezes. — Ela continuou comentando.
— Isso o que? — Bella se interessou.
— Geralmente, nas raras vezes em que o Sol aparece, o senhor e a senhora Cullen levam os filhos para fazerem trilha e acampar.
Bella soltou a respiração pesadamente. Aliviada por finalmente ter um motivo pelo qual eles não estavam vindo para o colégio, não tinha nada a ver com ela. Edward não estava dando um gelo nela ou algo do tipo. Mas ele não podia avisar? Que maldito! Quase a enlouqueceu durante a semana toda por uma trilha e acampamento idiota.
— Por que não falou isso antes?
— Porque você não perguntou. — Respondeu rindo da expressão de trouxa que Bella fazia.
— Mas por que tanta preocupação com os Cullen? — Mike se meteu.
— Nada, ué. Eles ficaram sumidos a semana toda, vocês não se perguntaram o que houve?
— Não. — Os quatro responderam e Bella jogou as mãos para cima em uma demonstração de que havia desistido do assunto.
— Amanhã a gente se vê na praia. — A morena disse se levantando.
— Até amanhã. Leva biquíni. — Mike disse sorrindo.
— Cria vergonha na sua cara, Newton. — Jéssica disse revirando os olhos.
Bella não conseguiu mais ouvi-los, pois sumira entre os corredores a caminho de sua aula de francês.
~*~*~
— Uma moto? Uma moto, Isabella? Você enlouqueceu de vez? Quer se matar? — Charlie bufava, Bella quase conseguia ver a fumaça saindo de suas narinas. — Pior, quer se matar e levar algumas vítimas com você? Você não se conhece? Você não sabe que é um desastre? Que é a única pessoa na face da terra que cai em uma pista plana?
Aquela magoou.
— ‘tá bom, ‘tá bom. Já deu dos elogios, né? Eu sei que o senhor me ama e tudo mais, mas podemos pular essa parte?
— A resposta é não.
Bella jogou a cabeça para o lado, refletindo.
— Mas eu não me lembro de ter te pedido, paizinho lindo.
Charlie a olhou como se pudesse eletrocutá-la apenas com o olhar. Sorte que a mesa os separavam.
— Eu só comentei que comprei uma moto e que vou pegar ela hoje.
— Só por cima do meu cadáver.
— Com a sorte que eu tenho é capaz de eu passar com ela por cima do senhor não é mesmo? — Disse caindo em uma gargalhada estrondosa, mas, ao notar que ria sozinha, parou imediatamente. — Ah, qual é, pai. Eu não posso mais ficar dependendo do senhor pra tudo, não aguento mais ficar indo de viatura para a escola.
— E essa é a sua solução brilhante? Uma máquina mortífera de duas rodas?
— Não é uma máquina mortífera.
— É perigosa.
— É pratica.
— Só se a intenção for uma morte pratica.
— É econômica.
— Já que desgosta tanto da viatura, ande! É mais econômico e faz um bem danado pra sua saúde.
— Não tem como conversar com o senhor.
— A resposta é não!
Bella se levantou da mesa e pegou sua bolsa, jogada no pé da mesa e caminhou em direção a saída, irritada.
— Bella! — Charlie a chamou. — Eu te levo até La Push.
Ela se virou para ele, com o rosto vermelho de raiva.
— Não precisa! Eu tenho duas pernas, posso andar, é mais econômico, lembra? — E bateu a porta.
Charlie revirou os olhos e continuou lendo o jornal.
— Uma moto — bufou —, esses jovens. Agora só falta ela me aparecer com um namorado estranho.
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