Garota Problema

29 Capítulo 29 — Viva sua vida ao extremo


Notas iniciais
Boa leitura! xD

Jackson

O caixão mogno, com o símbolo de uma cruz em dourado, era abaixado sobre a grande fenda no chão. O padre já havia terminado a cerimonia, belas palavras foram ditas e a todo momento as lágrimas molharam o rosto de Bella, nenhum som saiu de sua garganta, apenas suas lágrimas, que diziam por ela.

Diziam que sentia muito, diziam que não estava sendo fácil, mas sobre tudo, diziam que amava Renée.

Em volta, estavam alguns amigos de sua mãe, alguns vizinhos mais chegados, Phil e Chloe. A garota loura tinha apenas um pequeno corte em sua testa de porcelana. Maldita! Bella não pôde deixar de pensar ao ver a menina que lamentava pela morte de sua mãe.

— Eu sinto muito, Bella. — Phil, com os olhos vermelhos, disse. Ele a puxou para um abraço e Bella aceitou. Sabia que sua dor era tão real quanto a sua. Ambos perderam alguém muito especial e nada podia explicar o que sentiam, mas muito foi falado naquele abraço.

Chloe se aproximou e Bella se separou de Phil, olhando-a com indiferença.

— Bella, eu... — Antes que Chloe concluísse a frase, Bella lhe deu as costas, ignorando-a e saindo do cemitério de cabeça baixa.

~*~*~

Charlie encostou a sola de seus pés no chão e depois impulsionou-se para frente, rapidamente ele agarrou o cervo, violentamente, e o jogou contra uma árvore, depois o imobilizou e atacou sua jugular. O sangue encharcava sua boca e descia por sua garganta, preenchendo suas veias.

Era vampiro há exatos quatro dias e descobriu que não era nada fácil. Primeiro o fato de ter que acreditar que sim, ele não estava em um sonho louco, vampiros realmente existiam e ele era a prova disso. Segundo, a sede, ah! A sede era a parte mais difícil, ele não conseguia parar de pensar em sangue e a fome era devastadora.

Edward o estava ajudando, admitia que, do primeiro dia até ali, havia melhorado, mas ainda assim era difícil.

Nesse período, Charlie ligou para o policial Summers, seu braço direito, e pediu para que o rapaz tomasse conta da delegacia, pois se ausentaria por um tempo. Tempo esse em que ficou na casa dos Cullen, pois a sua havia sido destruída. Carlisle disse que, agora que ele é um vampiro, faz parte do clã Cullen – claro, se ele quisesse, pelo menos no primeiro ano, já que teria que aprender a se controlar e eles gostariam de ensiná-lo.

Charlie no início não gostou muito, não gostou mais por saber que se ele fosse fazer parte dos Cullen, Bella – como sua filha – também teria que fazer parte (não como vampira) e imaginá-la vivendo na mesma casa que Edward não o agradava em nada. Mas de começo não podia fazer muita coisa, pois sua casa ainda estava demolida, então até conseguir reergue-la, teria que ficar com os Cullen gostando ou não, pois se perdesse o controle perto de Bella, ele os teria para ajudá-lo a manter o foco.

— Charlie! — Ouviu seu nome ao longe e correu em uma velocidade sobrenatural até Edward.

Charlie admitia que havia julgado Edward mal, ele era um bom rapaz no fundo, na verdade descobriu que de rapaz não tem nada. Céus! O garoto tinha 116 anos. Sua filha namorava com um ancião. Certo, essa era a parte menos preocupante, já que ela namorava com um ancião vampiro.

— Ela voltou. — Edward o comunicou, assim que ele apareceu a suas vistas.

Charlie havia ficado com saudades de sua pequena cantora. Ele lamentava não ter ido ao funeral de Renée com ela, mas a situação exigia que ele continuasse em Forks, aprendendo a se controlar. Aprendendo a ser um vampiro vegetariano. Ele queria abraça-la e ampará-la. Sentia tanto pela morte de Renée, não fazia ideia de como estava a cabeça dela com toda essa confusão, pois ainda havia a questão dele ter sido transformado em vampiro.

Felizmente ele havia se alimentado durante a tarde toda, então não sentia a sede por sangue o dominar tanto.

Logo eles chegaram ao hall da casa dos Cullen, Charlie ainda estava se acostumando com suas novas habilidades, admitia que adorava principalmente sua velocidade, sempre gostou muito de correr, vez ou outra Edward e ele apostavam para ver quem alcançaria primeiro um leão da montanha ou um puma. Era divertido. Assustador, porém divertido. Edward estava tentando ser positivo e lhe mostrava as coisas boas das quais o vampirismo poderia proporcionar.

Com isso a relação deles cresceu, Charlie via o homem que sua filha havia escolhido, apesar do pequeno detalhe dele ser um ancião vampiro. É, esse era o novo apelido de Edward, nada mais de “rapaz” ou “garoto”, Edward era um ancião vampiro.

— Pai. — Bella abriu um pequeno sorriso e se conteve para não correr e o abraçar. Estava com tanta saudade e precisava do abraço dele, mas precisava tomar cuidado.

Ela notou que os olhos dele estavam começando a ficar quase na mesma tonalidade dos olhos de Edward, só que eles estavam um pouco diferentes, mais puxado para um laranja claro do que para um dourado.

— Vou dá privacidade à vocês. — Edward anunciou, passando por Bella e depositando em sua cabeça um beijo.

— Como você está? — Charlie perguntou e se aproximou dela vagarosamente, depois ambos se sentaram, um ao lado do outro, no sofá branco da sala de estar.

— Foi terrível não ter você comigo. Mas eu não posso reclamar. — Os olhos dela lhe passavam tanto carinho e gratidão pelo simples fato de ele estar vivo.

— Eu lamento.

— Eu também, pai. Bem, pelo menos de certa forma, por que eu não lamento pelo senhor continuar vivo, eu lamento por não ter dado a você uma opção. Eu escolhi por você.

— Bells, querida. — Charlie segurou as mãos dela. — Eu no seu lugar teria feito a mesma coisa, eu entendo que você fez isso para me salvar e não pense que eu não faria o mesmo se estivesse em sua situação. Eu também teria pedido para Edward te transformar.

— Então... — um pequeno sorriso traçava seus lábios —... você não está com raiva de mim? Não me culpa por nunca mais poder sentir o Sol na sua pele e por ter te condenado a uma vida em que você precisa de sangue para sobreviver?

— Claro que não, Bella. — Franziu o cenho e balançou a cabeça negativamente. — De jeito nenhum, jamais eu sentiria raiva de você. Como eu poderia? Eu te amo tanto. Entregaria minha vida se isso garantisse sua felicidade. — Não conseguindo mais se conter, Bella o abraçou e Charlie prendeu a respiração, se controlando tanto por conta do cheiro como para não sufoca-la em seus braços, ainda estava controlando a força e velocidade que havia ganhado. — Sabe, nunca fui muito fã do Sol mesmo e até que o sangue de esquilo não é tão ruim como o Jasper disse. — Bella sorriu, seu pai era único.

— Eu te amo, pai! Eu te amo demais!

E era por Bella amar tanto Charlie que ela havia decido tomar aquela decisão.

— E é por eu te amar tanto, pai — Bella se afastou e o fitou —, que eu quero me tornar uma vampira.

Charlie ficou boquiaberto, sentindo uma corrente atravessar sua espinha.

— O que? — Engasgou com a própria saliva.

— Eu te amo e eu não quero te perder nunca, eu quero passar o resto da minha vida ao seu lado. Por que o para sempre com você valerá cada segundo, pai.

Charlie sentiu seus olhos lacrimejarem. Ele admitia que não esperava ouvir aquelas palavra de Bella, admitia também que ficara feliz e triste, pois ele não queria que ela se transformasse.

— Bells — sorriu e passou as costas das mãos sobre os olhos, limpando as teimosas lágrimas que ameaçavam cair —, filha, eu estarei com você pelo resto da sua vida, isso não basta? — Inclinou a cabeça para o lado e Bella semicerrou os olhos.

— Você não quer que eu vire vampira?

— Na verdade não.

— Por quê? — Ficou confusa. — Por que não?

— Você já pensou em cada coisa que você vai ter que abrir mão, Bella? Eu vivi minha vida, não me arrependo de nada. Mas e você? Você só tem 17 anos, há um mundo ai fora te esperando.

— Mas pai, eu não quero, eu quero ficar com o senhor. — Levantou-se chateada. — Por favor, não tire a chance de eu passar a eternidade com você.

Charlie também se levantou.

Ele cresceu sabendo que os filhos enterram os pais e não o contrário, mas o seu caso era diferente, pois ele era imortal, então sim, a ideia de ter que enterrar sua filha um dia, seja por acidente, por alguma doença ou velhice, quebrava seu coração. Sentia sua garganta se fechar e um sentimento de impotência o tomar, então saber que ela queria se tornar vampira acabava com todas essas sensações, mas a questão é que ele não faria aquilo. Ele não permitiria que ela abrisse mão de sua vida assim.

— Bella — ele se aproximou, capturando mais uma vez suas mãos —, me escuta.

— Por favor. — Ela implorou, os olhos cheios d’água, ela sempre temeu o momento em que o perderia e esse temor apenas piorou após o ocorrido com James, então saber que ele era imortal a trazia paz, mas ela sentia um grande buraco em seu peito ainda, ela sentia que precisava de seu pai para sempre e não era até o resto de sua vida humana, era para sempre mesmo.

Já que eles descobriram que era possível viver por toda a eternidade, então ela queria vive-la, mas antes de seu pai se transformar ela não tinha certeza, pois a ideia de ter que abrir mão das coisas, do seu amado pai, não permitia que ela decidisse isso. Mas agora? Agora as coisas haviam mudado e ter que abrir mão do Sol e de várias outras coisas não significavam nada diante de passar a eternidade ao lado de seu melhor amigo, ao lado de seu super herói. Ao lado de seu pai.

Charlie viu seu reflexo dentro dos olhos dela e, naquele momento, ele compreendeu o mesmo que ela. Eles precisavam um do outro.

— Eu aceito que você se transforme com uma condição.

Bella amenizou sua expressão, sentindo seu coração martelar.

— Qual condição? — A ansiedade a dominava.

Charlie abriu um pequeno sorriso. Ele conhecia Bella como a palma de sua mão, ele entendia essa decisão dela, mas ele não queria que apenas ela fizesse algo por ele, ele também iria fazer algo por ela.

— Um ano sabático. — Respondeu satisfeito e Bella franziu o cenho. — Quero que você tire um ano para viajar, você vai ter a missão de conhecer cada canto desse mundo, quero que viva sua dia ao extremo. Componha músicas e conheça pessoas tão extraordinárias quanto você. Viva ao máximo! E depois — levantou um dedo no ar —, só depois, se você ainda quiser se tornar uma vampira — sorriu —, eu mesmo a transformo.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Beijoos e fiquem com Deus ;**