Garota Problema
11 Capítulo 11 — Especulação com essência de sobremesa
Notas iniciais
Bella teria que trabalhar naquele domingo, já que no anterior era sua folga, contudo, por conta do jantar na casa dos Cullen, ela conseguiu convencer Lauren – a outra garçonete – a trocar com ela, então ela teria que trabalhar dois domingos seguidos, isso não a animava muito, então esperava que o tal jantar valesse realmente aquele esforço.
No dia anterior ela conseguiu escapar das investidas de Edward em saber o que raios ela estava fazendo em seu quarto, mas achava que não conseguiria escapar por muito mais tempo, principalmente por ele não parar de encará-la durante todo o jantar.
Ela usava roupas que tranquilizaram seu pai, algo mais “tenho pai” e não algo como “moro de baixo da ponte”. O frio em Forks estava mais rigoroso aquela noite também, o que contribuiu para suas roupas pesadas e que cobriam seu corpo. Ela vestia uma calça jeans (sem rasgos) clara, blusa social branca, sobretudo cinza – que retirara assim que entrou na residência dos Cullen –, cachecol – que também foi retirado – e calçava all star branco. Seu cabelo ficou solto, caindo como cascatas por suas costas.
— Então, Charlie — Edward olhou para o xerife, todos estavam sentados em volta da enorme mesa na sala de jantar —, Bella tinha o costume de subir em árvores, pular muros, fazer escaladas ou invadir residências quando criança? — Bella engasgou com o suco.
Charlie riu, confuso pela súbita pergunta de Edward.
— Não até o período em que ela morou comigo, por quê? — Olhou para a filha que ainda tossia. — Tem feito vandalismo, Isabella? — Arqueou uma sobrancelha e ela olhou para Edward como se pudesse feri-lo apenas com o olhar.
— Ai, pai. Que absurdo. — Revirou os olhos e limpou a boca no guardanapo. — Ouvi dizer que crianças que passaram muito tempo em orfanatos trazem muitos traumas consigo e acabam direcionando isso para a carência, então fazem perguntas ou tomam atitudes bizarras para chamarem a atenção. — Olhou para o ruivo. — Vai ver Edward aderiu esse transtorno e só está querendo causar.
Charlie chutou a perna de Bella por debaixo da mesa, que gemeu de dor.
— Edward. — Esme chamou a atenção do filho, que ria do outro lado da mesa.
Felizmente, para Bella, uma conversa sobre política se instalou na mesa, fazendo-os esquecerem da pergunta de Edward, mas não ela, ah, não! Ela sustentava seu olhar sem pestanejar. Tudo bem que ela realmente tinha invado a casa dele e etc., mas esse bocudo não podia ficar na dele? Quem ele acha que é? Acha que pode assustá-la com suas indiretas e com aquele olhar carregado de acusações? Ele não a assustava.
— ..., não, por que agora inventou de ter uma moto. Uma moto, Carlisle, essa garota está querendo me matar.
— Não começa, pai. — Bella choramingou na mesa.
Os irmãos Cullen riram.
— Ele a chama de máquina mortífera. — Ela continuou, sarcasticamente.
— E é o que ela é.
— Não é. Ela é ótima, perfeita.
— Perfeita para arrancar membros.
— Não aconteceu nada comigo desde que a peguei.
— Não tem nem 48 horas que você está com ela, admito que estou surpreso e muito feliz por você não ter parado na delegacia ou em um hospital.
— Não esquece do IML. — Sorriu, fazendo os pelos do corpo de seu pai se eriçarem.
— Não brinque comigo, garota.
— Para de me envergonhar. — Sibilou entredentes.
— É a minha função.
— Então não reclame da minha.
Charlie riu sem humor.
— Que seria?
— Infernizar sua vida.
— Não me faça te dá uns bons tapas, menina. — Apontou-lhe o dedo, que ela fez questão de empurrar para baixo.
— Não aponta isso pra mim, que coisa.
— Aponto quando eu quiser. — Voltou a apontar o dedo.
— Para. — Empurrou-o para baixo novamente. — Parece uma criança.
— Isso é resultado da convivência com você.
Bella enfiou o rosto entre as mãos e os Cullen riam alto da pequena discussão que tinham.
— Bella, você me ajuda a trazer a sobremesa? — Alice perguntou e a morena agradeceu-a internamente por tirá-la daquela situação embaraçosa.
— Claro. — Se levantou e caminhou com a baixinha até a cozinha. — Obrigada, já não estava mais aguentando meu pai. Ele anda me enlouquecendo.
— Eu sei como é, Carlisle pode não parecer, mas também é super protetor.
— Vocês parecem sempre estarem juntos, acho que ele não tem com o que se preocupar.
Alice a estudou, concordando com as palavras dela.
— Você está certa, mas isso ainda não o impede de se preocupar com a gente. É coisa de pais.
— É. — Concordou, jogando de ombros ao se lembrar de sua mãe. Ela se importava com Bella sim, mas às vezes parecia ser forçado, ela não sabia como explicar, mas Renée não era uma mãe convencional. Então todo o trabalho de se preocupar e ficar neurótico recaia sobre Charlie.
— Adorei sua roupa, você se veste muito bem. — Alice comentou, retirando uma torta de dentro da geladeira, enquanto Bella recolhia as louças de sobremesa.
— Obrigada, vocês também tem um gosto muito bom com roupas.
— Voces? — Riu. — Não, eu escolho a roupa de todos, se dependessem de si mesmos para se vestirem — fez uma careta de dor. — Enfim, eles tem a sorte de terem a mim nesse quesito.
Bella gargalhou.
— Muito modesta.
— Fazer o que? Essa sou eu. — Jogou o cabelo, fazendo Bella sorrir, Alice era incrível. — Vamos? — Perguntou e a morena assentiu.
Elas retornaram para a sala de jantar e logo começaram a servir a sobremesa, Bella se ofereceu para ajudar Alice, e no momento em que ela ia colocar para Edward, derrubou a colher cheia de doce sobre a camisa dele.
— Oh — fingiu falso arrependimento —, desculpa, querido.
— Minha camisa favorita. — Grunhiu e Bella jogou as mãos para cima em forma de rendimento, mas acabou jogando mais da sobremesa na camisa e no rosto dele, que fechou os olhos e respirou fundo.
— Bella. — Charlie disse de modo reprovador.
— Foi um acidente. — Sorriu marotamente, mas não conseguiu esconder o sorriso, pois Edward a pegou no flagra e ela parou de sorrir na mesma hora.
Ele afastou a cadeira bruscamente e se levantou, Bella foi atrás dele, pedindo falsas desculpas.
— Viram só? É desastrada demais para ter uma moto e... — ouviu sem pai dizer e revirou os olhos.
— Desculpa, Edward.
Ele parou no meio do corredor, fazendo com que ela batesse no peitoral dele e cambaleasse para trás com o impacto.
— Você fez de propósito, assim como fez com o café. Eu não entendo qual é o seu fetiche em derrubar coisas em mim, mas acho bom você parar.
— Primeiro, o café foi um acidente e segundo, se não o que? — Cruzou os braços sobre o peito. — Vossa alteza vai jogar uma van sobre mim? Por que com a força que você tem, eu tenho certeza que você conseguiria fazer isso facilmente.
— Ainda com o assunto da van?
— Acho que sim.
Edward semicerrou os olhos, já que estavam trazendo conversas passadas à tona:
— O que estava fazendo no meu quarto?
— Só estava devolvendo a visita noturna.
Ele se aproximou e ela não se moveu, permaneceu com o queixo erguido e no mesmo lugar. O ruivo sorriu, ela era muito corajosa, pois ele a olhava de um jeito nada amigável, na verdade era carregado de desejo, de fome, um ar animalesco em suas íris.
— Talvez você pudesse voltar.
— Talvez eu volte.
— Talvez eu deixe a janela aberta.
Ela semicerrou os olhos.
— Ótimo.
— Ótimo.
Deram meia volta, cada um para um lado, mas com o mesmo sorriso nos lábios.
~*~*~
Bella trocou o sobretudo cinza por uma jaqueta de couro e o all star por um coturno, pegou sua mochila, seu capacete e pulou a janela. Estava ficando boa nisso, pensou, ao encostar os pés no chão úmido de seu quintal. Ela correu até sua moto e rapidamente a empurrou para o meio da rua deserta, só a ligaria quando tivesse a uma distância segura para que seu pai não a escutasse.
Logo montou nela e saiu em direção a floresta. Em direção a casa dos Cullen, mais especificamente, em direção ao quarto de Edward Cullen e dessa vez ela havia posto camisinhas na mochila.
Diferente do que todos pensavam, ela era uma ótimo pilota, seu cuidado era triplicado e ela sentia-se parte da “máquina mortífera” e não uma mera pessoa pilotando uma moto.
A garoa embaçou a viseira do capacete e ela teve que abri-la, fazendo com que seu rosto se molhasse – ela estava completamente ensopada, mas não precisaria de roupas para o que estava prestes a fazer mesmo e de qualquer forma trazia roupa extra na mochila –, ela aumentou o farol e notou que havia algo a alguns metros. Mas espera... algo não. Ela parou a moto e desceu, correndo em direção ao corpo estirado no meio da estrada.
— Deus! Tudo bem? Ei! — Ela tentou acordar o rapaz.
Bella sentia suas pernas bambas e o coração disparado, olhou ao redor, mas não havia nada, pra quem ela gritaria por socorro? Então logo puxou de sua mochila o celular para chamar a emergência, contudo ela foi impedida pela mão do rapaz, que puxara seu pulso com violência, fazendo-a encará-lo.
Um grito agonizante saiu da boca da morena ao constar que o rosto do homem estava contorcido em uma máscara horrenda, parecia o próprio demônio.
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