Garota Problema
24 Capítulo 24 — Alguém como você
Notas iniciais
Charlie mediu Edward dos pés à cabeça.
— O que você pensa que está fazendo aqui, rapaz?
— Desculpe o incomodo, senhor Swan, mas eu gostaria de pedir oficialmente...
— Pedir o que oficialmente? — Riu sem humor, o interrompendo. — Olha, eu acho bom você pensar com muito cuidado na resposta.
Edward sorriu por dentro, pois não era homicida, sabia que se esboçasse qualquer reação que Charlie julgasse inapropriado seria provável que coisas ruins lhe ocorressem.
— Eu já pensei, senhor Swan. — Respondeu confiante e Charlie semicerrou os olhos, intimando-o a continuar se tivesse coragem.
— É mesmo?
— O senhor poderia me dá permissão para namorar sua filha?
— Quem é? — Bella berrou e se aproximou da soleira da porta, depois olhou para Edward boquiaberta. — O que você está fazendo aqui? — Rosnou e Edward arqueou a sobrancelha surpreso pelo modo como ela o recebeu.
Charlie olhou de Bella para Edward e depois esticou o braço até a mesa que ficava perto da porta e capturou seu celular e carteira.
— Vou dá uma caminhada. — Anunciou e passou por Edward, dando-lhe alguns tapinhas de solidariedade. — Tem a minha benção, garoto. Boa sorte. — Dito isso se afastou.
Edward não sabia o que pensar. Aquilo estava realmente acontecendo? Charlie permitiu que ele namorasse Bella? Mas como...? Quer dizer, ele estava feliz, mas imaginou que fosse ser mais difícil e... Uau! Ele sorriu em êxtase enquanto mirava as costas de Charlie e depois se virou na direção de sua morena, que estava com os olhos semicerrados e braços cruzados sobre os seios.
Seu sorriso foi desfazendo aos poucos. Oh-ou!
— Acho que...
— O que você está fazendo aqui? Está louco? Já não arruinou o suficiente minha relação com meu pai e... — Edward puxou sua mão, que estava escondida atrás das costas, para a frente, revelando uma rosa.
— Pra você. — A interrompeu.
Na verdade aquela rosa não estava ali, ele usou sua super velocidade para pegar aquela flor no jardim do vizinho. Precisava usar suas artimanhas a seu favor naquele momento um tanto quanto... delicado do mês para sua garota.
— Que linda. — Bella se derreteu e pegou a rosa, cheirando-a.
— Desculpa, amor, não quis vir piorar nada, na verdade eu conversei com seu pai e ele deixou eu te namorar. — Sorriu carinhoso e os olhos de Bella cintilaram.
— Oh, verdade? — Se emocionou e jogou os braços ao redor do pescoço dele.
Edward prendeu a respiração.
— Como você está? — Ele perguntou e ela se afastou.
— Por que a pergunta? — Arqueou uma sobrancelha, séria.
Certo Edward, cuidado.
— Acho que...
— Eu estou bem, ok. Só estou... — suspirou. — Não quero falar sobre is...
— Dias vermelhos, hm?
Ela ficou boquiaberta.
— Como você...? — Ficou confusa.
— Bem, seu humor foi um sinal. — Sorriu divertido e ela revirou os olhos, sorrindo.
— Touché. É isso que dá ser sempre um amorzinho de pessoa, por que quando eu estou naqueles dias eu... — Ela se interrompeu e estudou bem as feições dele.
Ele estava muito imóvel, como se prendesse a respiração.
— Ah, não. — A compreensão atravessou sua mente e suas bochechas coraram. — Deus, Edward. Sai daqui. — Tentou fechar a porta, mas ele não permitiu.
— Não é nada demais. — Tentou amenizar seu constrangimento. — É, eu sou um vampiro e tenho um olfato bastante sensível, principalmente para o — olhou na direção da feminilidade dela e depois para o rosto da morena — sangue, mas está tudo bem. Não é como se fosse a primeira vez que eu estivesse em um ambiente com uma garota naqueles dias. Já estive em um sala de aula com três garotas que...
— É nojento. — Apontou, fazendo uma careta.
Ele jogou de ombros. Por isso que prendia a respiração.
— De qualquer forma, hoje vou provar que não estou com você apenas pelo sexo. — Ele acariciou as bochechas dela. — Estou com você por ser essa garota encantadora e... menos em certos dias, mas ok. — Sorriu divertido e ela riu.
— E pelo o que mais?
— Por ser sexy, atrevida, corajosa, inteligente... — Bella o puxou pela nuca e lhe beijou.
Edward a abraçou, circulando a cintura dela com os braços. Ele afastou suas bocas, deixando suas testas coladas.
— Eu sinto que estou viciado em você, não consigo me manter longe.
— Ninguém aqui quer você longe. — Sorriu.
— Que bom. — Devolveu o sorriso e massageou com as pontas dos dedos a pele de sua costela por de baixo do moletom dela. — Você, garota que só me coloca em confusão — ela riu minimamente, fazendo cada pelo do corpo dele se eriçar com o som —, se tornou minha vida, você é a única coisa que eu me incomodaria em perder¹.
Bella ficou sem reação ao ouvir aquelas palavras pronunciadas com tamanha intensidade.
— Eu sempre soube que algo me faltava, eu não vivia, eu apenas existia. — Olhou dentro dos olhos dela. — Até eu te conhecer. Você virou meu mundo de cabeça para baixo, Bella. Em busca de algo que eu nunca soube, você veio e me mostrou que esse algo era alguém. É você.
Bella sentiu vontade de chorar e isso não tinha nada a ver com seus hormônios, mas com o que sentiu ao ouvir as palavras de Edward.
De três coisas ela estava convicta. Primeira, Edward era um vampiro. Segunda, havia uma parte dele – e ela não sabia que poder essa parte teria – que tinha sede de seu sangue. E terceira, ela estava incondicionalmente e irrevogavelmente apaixonada por ele.²
— Eu achei que um coração morto, gelado, não podia bater de novo, mas parece que o meu pode e graças a você³. — Ele a abraçou mais forte, sentindo-se quente por dentro.
— Eu te amo. — Ela sussurrou e ele sorriu lindamente. Não acreditava que havia realmente escutado ela dizer aquilo.
— Repete. — Pediu e ela sorriu.
— Eu te amo, Edward Cullen.
— Você está me fazendo o homem mais feliz do mundo. — Ele roçou seus lábios sobre os dela mais uma vez. — Eu te amo, Bella. Com todas as minhas forças.
Ela se sentiu segura e feliz. Sentia-se de um jeito único e inexplicável. Só queria que esses bons sentimentos nunca se esvaíssem.
~*~*~
A semana passou voando, havia sido provas atrás de provas, então Bella não teve muito tempo para ficar com Edward – até por que seu pai havia sido bastante rígido quanto aos horários, mas aquilo não significava que ele não podia burlar as regras e entrar pela janela.
Bella ficou bastante preocupada com Jacob, pois não o viu no trabalho durante toda a semana, ele disse ao senhor Johnson que estava doente, mas ela sabia que era mentira. Assim que possível ela iria até La Push lhe fazer uma visita, eles não eram melhores amigos, mas haviam se aproximado e Jacob era um cara legal, não queria que nada de ruim o acontecesse, mesmo que já houvesse acontecido. Ela queria saber como ele estava lidando com tudo aquilo.
Durante a semana Edward também esteve ocupado. Notou que não eram apenas James e Laurent que estavam ao redor de Forks. Tinha certeza que o cretino do James havia reunido alguns amigos, provavelmente mais três, ou seja, os desaparecimentos e “ataques de animais” estavam aumentando consideravelmente e Carlisle não estava gostando nada daquilo. Eles precisavam dá um basta na situação. O patriarca dos Cullen era contra batalhas, mas James estava pedindo por aquilo.
— Sinceramente, eu acho que meu pai deve ter caído e batido a cabeça. — Bella comentou enquanto caminhava em direção ao hall da casa de Edward.
— Por ter deixado você almoçar aqui? — Sorriu divertido. — Ele só estava louco pra se livrar logo de você, ao que parece você o assustou bastante durante a semana com seu humor inconstante.
— Ele é meu pai, tem que me amar acima disso. — Resmungou. — Detalhes. — Revirou os olhos.
— Detalhes que podem leva-lo a morte. Você ainda não tem aquela arma de eletrochoque?
Os olhos de Bella brilharam.
— Tenho. — Sorriu orgulhosa.
— Mais um motivo pra ele te querer afastada. — Entraram na casa. — Instinto de sobrevivência.
— E você não tem esse mesmo instinto?
— Sou um vampiro. Já estou morto. — Lhe piscou o olho e ela riu.
— Você está meio morto, posso te matar por completo. É verdade sobre as estacas? — Arqueou a sobrancelha e ele a olhou sério.
— Não vou te responder isso. Tenho cara de homicida?
Bella riu alto.
— Ok, ok. Melhor não me contar mesmo, posso usar isso ao meu favor se você me irritar muito e, visto que você me irrita com uma frequência bastante desnecessária, eu diria que não seria inteligente da sua parte me dizer como te matar mesmo.
— Oi, Bella. — Alice a cumprimentou, interrompendo o que Edward ia dizer. — Que bom te ver.
— Oi, Alice. — Se abraçaram.
— Você vai? — Perguntou quicando no mesmo lugar, fazendo Bella rir de sua animação.
— Pra onde? — Perguntou confusa enquanto disparava um olhar inquisitivo para Edward.
— Ainda não tive tempo para tocar no assunto, Alice. — Se explicou e voltou sua atenção para Bella. — Vamos jogar beisebol hoje à tarde. Quer ir?
— Ah, eu trabalho. — Disse triste, pois realmente gostaria de ir.
— Seu pai não é o xerife? Use isso à seu favor. — Emmett comentou, entrando na sala de estar junto com Rosalie.
— Não posso abusar muito. — Respondeu sorrindo.
— Claro que pode, você não pode ter uma arma e deixar de usá-la. — Rosalie apontou e Bella refletiu.
— Bem, acho que...
— Está decidido então. — Alice disse contente. — Vamos daqui a pouco. — Se virou para Edward. — Alimente-a e depois nós vamos.
— Não diga “alimente-a”, amor. Soa como se Edward estivesse com uma animal de estimação. — Jasper disse rindo, enquanto se juntava à eles.
— Oh, lamento, Bella, não foi minha intenção. — Desculpou-se.
— Tudo bem. — A tranquilizou. — Melhor “alimente-a” do que “se alimente dela”. — Todos riram de seu senso de humor.
— Você é boa com esportes? — Edward a perguntou.
— Você não se lembra daquela história trágica que meu pai contou sobre o ballet? — Respondeu com outra pergunta.
— Oh, sim! — Emmett explodiu em uma risada estrondosa. — É verdade, precisamos assistir a esse vídeo.
— Ah, eu descordo. — Respondeu sorrindo.
Após mais alguns minutos de conversa com os irmãos, Edward a levou até um cômodo da casa que muito gostava e tinha certeza que ela também iria gostar.
Ele abriu uma grande e alta porta de mogno, revelando uma sala ampla e clara. No centro havia um piano de calda.
— Que lindo, Edward. — Ela entrou e caminhou até o instrumento e o tocou com as pontas dos dedos.
— Pensei que talvez pudéssemos tocar juntos. — Comentou, indo até um canto da sala e trazendo outro instrumento, Bella sorriu.
— Um violão?
— Sim, você disse que sempre quis fazer um dueto.
— Eu nunca disse isso. — Ela comentou, pegando o violão das mãos dele, enquanto franzia o cenho.
Edward refletiu.
— Ah, você disse isso na quinta-feira durante o sono.
— Eu falo dormindo? — Se sobressaltou e Edward riu do constrangimento dela.
Ele foi até o piano e sentou-se.
— Às vezes.
— Argh. — Fez uma careta. — Você está proibido de dormir comigo.
— Me proíba de existir, mas não de tê-la em meus braços enquanto dorme. — Pediu e ela ficou sem palavras. — Eu acho fofo. — Comentou e ela riu nervosamente.
— Eu acho constrangedor. O que mais eu disse?
— Que sou gostoso, que você se sente a mulher mais sortuda do mundo em me ter como namorado e que eu sou...
— Seu nariz vai crescer, Edward. — Ela comentou alisando a ponta do nariz dele, fazendo-o rir gostosamente.
Bella tocou alguns acordes do violão e sentou-se ao lado dele, que colocou os dedos sobre as teclas do piano e separou os lábios, cantando a introdução de uma linda música, seguindo a melodia com o piano.
Kings Of Leon — Use Somebody (Boyce Avenue feat. Hannah Trigwell acoustic cover)
Bella admirou a voz de Edward e, se possível, se apaixonou ainda mais por ele.
Tenho andado por aí
Sempre menosprezando tudo que vejo
Rostos pintados preenchendo lugares que não alcanço
Você sabe que eu preciso de alguém
Você sabe que eu preciso de alguém
Bella o acompanhou e logo eles iniciaram o dueto.
Alguém como você, e tudo que você sabe, e como você fala
Amantes incontáveis disfarçados nas ruas
Você sabe que eu preciso de alguém
Você sabe que eu preciso de alguém
Alguém como você
Edward e Bella já haviam conversado sobre um provável futuro juntos. Ele sabia que ela não queria ser vampira e ela sabia que ele não queria a transformar, ele não seria capaz de tornar a vida dela aquele inferno que a dele havia se tornado há um século.
Ela iria envelhecer, mas ele não, contudo, Edward permaneceria ao seu lado (seja como namorado, seja como apenas seu anjo da guarda). Um dia ela iria morrer e naquele dia Edward partiria com ela, pois não conseguiria viver em um mundo no qual ela não existisse.
Espero que isso faça você notar
Espero que isso faça você notar
Alguém como eu
Alguém como eu
Alguém como eu, alguém
Bella amava Edward, ela sabia disso e sabia que talvez não fosse possível ter uma vida ao lado dele, não se ela não se transformasse em vampira e consequentemente abrisse mão de seus sonhos e de uma futura família. Ela não sabia se o amava o suficiente para tomar aquela decisão.
E Edward não era egoísta ao ponto de tirar as oportunidades que Bella teria no decorrer de sua jornada, ela era tão talentosa e tão cheia de vida, não conseguia imaginá-la como ele. Presa a uma eternidade obscura.
Então eles estavam apenas vivendo o momento. Vivendo aquele sentimento avassalador que os dominava de um jeito único. Eles não estavam perdendo tempo, pois um acrescentava na vida do outro, um ensinava coisas ao outro, um marcava a vida do outro de um jeito extraordinário. Um ficaria para sempre nas lembranças do outro.
Não, aquilo não era o fim, era apenas o começo.
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