Garota Problema
14 Capítulo 14 — La tua cantante
Notas iniciais
Na quarta-feira de manhã, Bella recebeu alta do hospital e foi direto para casa, nesses dois dias que passaram ela tentou convencer seu pai a irem embora de Forks, mas foi um fracasso. Ela sabia que a vida dele estava ali, ele havia plantado um legado naquela cidadezinha pacata. Ele era o xerife Swan! Não, ela não poderia ser tão imatura, mas também não conseguia ser corajosa o suficiente para continuar ali e a hipótese de voltar para Jackson havia ido pelo ralo.
Bella não sabia o que fazer, estava perdida e assustada.
Olhava no espelho a marca em seu pescoço e sentia cada pelo de seu corpo se eriçar. Uma parte de si não queria acreditar que Edward havia realmente feito aquilo. Ela tentava se convencer de que tudo não passou de um pesadelo, mas... mas as cicatrizes estavam presentes.
Felizmente ela não viu Edward durante os dias que se passaram, contudo foi impossível não ver Carlisle, afinal de contas era ele o médico responsável por ela... claro que seria, ela não pôde deixar de pensar com sarcasmo.
Aquilo tudo era surreal demais, ela tinha consciência de que havia uma grande chance de seu pai não acreditar nela e provavelmente, com otimismo, apenas a internaria em um sanatório. Mas havia uma grande parte dela que tinha esperança de que seu pai acreditasse e então fossem embora.
— Oi, posso entrar? — Charlie colocou a cabeça dentro do quarto, olhando para a filha que usava moletom lilás, ela estava sentada em uma cadeira, de frente para o espelho, e assim que ele apareceu, voltou a colocar o curativo no pescoço.
— Pode. — Virou-se para ele e descansou as mãos no colo.
— Como você está?
Ela jogou de ombros.
— Acha que amanhã já consegue voltar para o colégio?
Não, ela não queria voltar, ela não queria ter que olhar para os Cullen novamente, não, não sabendo o que eles são de verdade.
— Acho que sim. — As palavras quase não saíram. Ela estava fazendo aquilo por Charlie, pois percebeu que seu pai ficou bastante preocupado com tudo o que aconteceu e principalmente com seu novo comportamento “paranoico”, na visão dele.
Não queria deixa-lo triste, ele estava sendo ótimo com ela. Ela devia aquilo à ele, no mínimo.
— Tudo vai ficar bem, meu amor. Foi só um susto. — Ele acariciou a bochecha dela e ela assentiu, forçando um pequeno sorriso.
— Espero não perder o emprego no senhor Johnson.
— Acho que não vai. Soube de algumas infrações e...
— Pai. — O acusou. — O senhor não fez isso.
— Eu não vou fazer nada se ele não fizer nada. — Sorriu de orelha a orelha, fazendo Bella rir.
O coração dele se aqueceu com o som.
— Obrigada, pai.
— Não tem o que agradecer — sorriu —, eu te amo muito.
— Eu também te amo. — Ela se levantou e o abraçou com todas as suas forças. Desejava ficar dentro daquele abraço por muito tempo. O para sempre ainda não seria o suficiente.
~*~*~
Quinta-feira
Chega de sentir medo, chega de querer se isolar. Aquela era a sua vida e ninguém a impediria de vive-la, certo? Certo! Bella amanheceu mais disposta aquela manhã com o objetivo de ignorar qualquer Cullen – principalmente um ruivo – que se aproximasse.
Iria para a escola, depois para seu trabalho, voltaria para casa, nos finais de semana sairia com os amigos, iria a shows, iria ler livros e quando chegasse a hora de se formar? Iria para bem longe dali, sempre pagando passagens áreas para seu pai lhe visitar no Havaí, isso! Iria para o Havaí! Sol, praia e nada de vampiros!
Ela vestiu uma calça jeans clara folgada, camiseta preta e uma de lã por cima, bastante grossa e grande. Calçou adidas e deixou o cabelo preso em um coque frouxo, logo pegou sua mochila e capacete, por fim desceu os degraus da escada.
Estava pronta para enfrentar o dia, só precisava comer uma grande tigela de cereal e ficaria tudo ok outra vez.
— Bom dia, pai. — Ela o cumprimentou com um beijo na bochecha e largou no chão a mochila e o capacete.
— Acordou cedo. Bom dia. — Sorriu, mas logo o desfez ao ver o capacete. — Não quer que eu a leve?
— Não precisa. — Colocou leite na tigela e começou a comer o cereal.
Comia tão rápido que seu pai a assistia com uma sobrancelha arqueada.
— Tudo bem eu ir em Port Angeles hoje à noite?
— Port Angeles depois das nove, Bella?
— Por favor, pai. É o tempo que eu tenho, preciso de algumas coisas.
— Que coisas?
— Coisas.
— Que seriam?
— Coisas. — Insistiu sustentando o olhar do pai, que revirou os olhos.
— Me ligue quando estiver indo, quando chegar lá e quando estiver voltando.
— Nossa, vou precisar de dinheiro para colocar créditos desse jeito.
Charlie se levantou e foi até ela.
— Você trabalha, se vira. — Depositou um beijo no alto de sua cabeça e saiu da cozinha, rindo.
— Uau, você era mais generoso.
— Era. — Ouviu ele dizer da sala.
Bella riu.
Certo, o café da manhã foi como o planejado: cereal e uma pequena e divertida briga com seu pai. Podia riscar isso da lista de tarefas do dia.
~*~*~
Infelizmente, para Bella, não seria tão fácil ignorar Edward quando esse último era seu parceiro de biologia, visto que, a primeira aula era exatamente a de biologia.
Ela sentou-se a sua cadeira e abriu o livro, começando a folheá-lo, o ignoraria sim e pronto! Conversaria o básico e somente.
— Bom dia, Bella, como você está? — Mike perguntou, sentando-se ao seu lado.
— Oi. — Ela sorriu, virando-se para ele surpresa, mas feliz por não ser Edward. — Estou bem, obrigada. Foi só uma gripe terrível. — Antes fosse só isso, pensou.
— Ah, menos mal, então. Achei que tivesse acontecido algo mais sério. — Sorriu aliviado. — Eu fiz algumas anotações da aula nos dias que você não veio, quer que eu te passe?
— Não será necessário — quem respondeu foi Edward, em pé, diante deles —, eu passo pra ela, Newton, queira sair do meu lugar agora. — Pediu educadamente, mas era visível sua irritação.
— Certo. — Mike jogou as mãos para cima e piscou para Bella antes de se levantar, a morena o viu se afastar com tristeza, preferia mil vezes ser parceira de Mike do que dele.
— Eu sei falar por mim mesma. — Ela comentou, olhando para frente, após ele se sentar em seu lugar.
— Estamos hostis hoje.
— É — o fitou —, estamos. — Depois voltou seu olhar para o livro.
Ignore-o, ignore-o, ignore-o. Esse era seu mantra.
— Queria conversar com você, será que podemos nos encontrar na hora do almoço no estacionamento?
— Eu só acho engraçado você querer me convencer de que é diferente dos outros — olhou ao redor e se aproximou dele, sussurrando — vampiros e logo depois me ataca como um animal.
Certo, ela podia marcar ao lado de “Ignore-o”, em sua lista, um grande X, pois falhara miseravelmente nesse quesito.
— Eu sinto muito por aquilo, Bella, eu não consegui me controlar, mas não é assim sempre, por favor, se você me ouvir, eu prometo te explicar o porquê de ser tão mais difícil eu manter o controle com você.
Edward sabia que havia agido imprudentemente, mas caramba! Ele não conseguiu manter o foco, ele é um vampiro, vampiros não pensam com clareza quando estão com sede e muito menos quando la tua cantante está sangrando a menos de um metro de distância.
Bella o estudou. Ele parecia desesperado para lhe dar respostas das quais ela não queria saber – ou pelo menos era disso que ela tentava se convencer.
— Eu não estou curiosa para saber sobre sua espécie, Edward, eu só quero que você fique longe de mim.
Ele tocou o pulso dela por cima da blusa e ela paralisou, seu coração acelerou e ela reprimiu um grito. Qualquer atitude que ele tivesse, a partir de agora, ela imaginária que seria atacada novamente e... morta.
— Eu não consigo ficar longe de você.
Bella perdeu o ar com a intensidade de suas palavras, ele a olhou dentro dos olhos, era como se ele estivesse vulnerável e disposto a deixar que ela o lesse por completo.
— Por favor, é a única coisa que peço. — Implorou em um sussurro.
Ela respirou fundo e puxou o braço gentilmente, Edward estava pronto para voltar a insistir quando ela se levantou, puxando sua mochila e livro. Ele não entendeu sua atitude até o momento em que ela arqueou uma sobrancelha e gesticulou a porta. Ela queria que ele a seguisse.
E foi o que fez.
Ela caminhou pelo corredor com ele logo atrás. Teriam que ser rápidos se não seriam pegos, pois o segundo sinal já havia tocado.
Bella foi até o estacionamento e sentou-se no meio fio, no mesmo lugar em que passara mal com a aula de amostra de sangue, aula na qual Edward também não havia ido e não por que ele era hemofóbico, mas por que era um vampiro e agora ela sabia disso.
— Pode começar. — Disse o olhando de baixo.
Edward assentiu e se sentou ao seu lado, eles estavam escondidos pelos carros, então ninguém poderia vê-los, mas havia pessoas perto o suficiente para que Bella gritasse caso se sentisse ameaçada. Ela ainda não estava cem por cento certa quanto a Edward.
— Você não é qualquer humana, pelo menos não pra mim, você é o que minha espécie denomina de la tua cantante. — Ela franziu o cenho e ele tratou logo de explicar. — Significa que o cheiro do seu sangue me atrai, ele é mais convidativo pra mim do que para qualquer outro vampiro. Seu sangue canta para mim.
Bella não se lembrava de ter lido nada semelhante àquilo.
— Então, por que você não se afastou de mim ao invés de — fez uma careta confusa —, você sabe.
Edward riu sem humor.
— Eu não sei. — Umedeceu os lábios e a fitou. — Penso que não é só o seu sangue que me atrai em você, Bella. — Ela sustentou o olhar dele, mas não por muito tempo, pois começou a sentir coisas que estava tentando ignorar e nisso ela teria sucesso, senão não se chamaria Isabella Swan.
— Por isso você me atacou? Por que eu estava sangrando?
— E por que eu estava com muita sede, talvez eu tivesse conseguido me controlar se estivesse satisfeito. — Semicerrou os olhos, sério, lembrando-se do terrível momento em que a atacou, mas se pôs a esquecer, pois a lembrança trazia consigo o gosto delicioso dela e ele não podia voltar a perder o controle. — No domingo à noite eu estava caçando na floresta, para que eu pudesse manter o foco com você mais tarde — sorriu, teria sido uma noite carregada de prazeres se não tivesse sido pelo maldito do James, e Bella não saberia de seu segredo e nada disso estaria acontecendo, seu sorriso se desfez —, mas eu senti o seu cheiro na estrada, contudo, você não estava sozinha e isso chamou minha atenção, eu fui até lá e o encontrei... — Cerrou os punhos.
Bella sentiu um frio percorrer sua espinha com a lembrança do rapaz que a atacou.
— Quem era?
— James. Eu não consegui mata-lo, o miserável trouxe amigos e acabou usando-os para me distrair. — Sorriu diabolicamente. — Pelo menos consegui acabar com a raça de um deles, mas da próxima vez que eu me encontrar com ele — travou o maxilar — será a última.
— De onde você o conhece? — Perguntou curiosa.
— Essa é uma longa história — abriu um pequeno sorriso —, vamos deixar para uma próxima. O importante é que você compreenda que minha família e eu somos diferentes sim, Bella, eu sei que não foi o que pareceu, me perdoa. Eu prometo que não vou perder o controle outra vez.
— Pra você ter tanta certeza disso só se você não se aproximar mais de mim.
— Não. — Sua voz aumentou uma oitava e Bella arqueou uma sobrancelha, surpresa. — Não me peça para ficar longe de você, por favor, eu não sei o que se passa comigo, mas — ele franziu o cenho, tentando encontrar respostas para perguntas que a há muito se fazia —, eu não sei, só, por favor — tocou o rosto dela, massageando sua maça do rosto com o polegar e fazendo-a fechar os olhos, perdida naquele gesto, perdida em seu toque.
Naquele momento, naquele em que ele se aproximou e colou seus lábios, Bella concluiu que seu nome não era Isabella Swan. Não, não se para isso ela tivesse que se afastar.
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