"I'll turn to something you won't like
Heartless tonight, you'll hate me in time
I'm warning you now this is it?"

("I'm about to break you", New Years Day)

♥ ♦ ♣ ♠

Hisoka não pretendia parar. Não enquanto não extraísse de Machi tudo o que queria, tudo o que vinha querendo desde a primeira vez que a viu, que trocou com ela a primeira dúzia de palavras, que sentiu a perfeição com que ela controlava cada aspecto do seu Nen.

Ela era difícil. Difícil de um jeito que ele gostava. Difícil de um jeito quase profissional — apesar do amadorismo encantador com que às vezes deixava transparecer certas emoções. Uma dicotomia deliciosa que ele não se cansava de desejar.

Vê-la sucumbindo daquele jeito era quase motivo para dar-se por satisfeito. Mas Hisoka queria mais. Queria conhecer os limites de Machi, queria provocá-la até o extremo, queria alcançar sua fronteira entre dor e prazer e parar ali, no limiar, ameaçadoramente se equilibrando entre os dois lados.

E, acima de tudo, queria vê-la suplicando por ele.

Oh, isso seria muito divertido!

Hisoka a olhou de soslaio enquanto ainda se ocupava com seus seios. Machi tinha os olhos fechados, a boca entreaberta e os dedos ainda firmes entre os cabelos do mágico. Por pura provocação, ele a mordeu. Apertou seu mamilo entre os dentes enquanto a observava e a viu empurrar a cabeça ainda mais para trás, abrindo a boca como se tentando puxar o ar. Os dedos repuxaram seu couro cabeludo e Hisoka sorriu diante da reação. Pensou em repetir o gesto, mas se conteve. Voltaria a ele mais tarde.

Desceu o rosto pela cintura de Machi, fazendo as mãos o acompanharem. O short que encontrou no meio do caminho foi arrancado com pressa, deslizando pelas pernas da garota junto do resto das roupas — polainas, meias e sapatos.

A admirou por um segundo, tão forte e vulnerável ao mesmo tempo. Entregue, mas ainda assim, contida. Machi era seu desafio particular, sempre fora. Quebrar aquela proteção que ela erguia sempre que ele se aproximava demais era quase sua obsessão. A deixar nua, por dentro e por fora. A fazer escancarar os seus desejos mais íntimos, aqueles que ela não ousava admitir nem para si mesmo.

A deixar de joelhos.

Machi reabriu os olhos e agora o encarava ofegante, apoiando os dois cotovelos no chão para conseguir erguer um pouco o corpo. Ele a olhou de volta. Ofereceu um sorriso de segundas intenções e continuou a fitando nos olhos enquanto demoradamente retirava sua calcinha. A respiração de Machi ficou ainda mais pesada quando ele a despiu por completo. Hisoka podia ouvir dali seus batimentos cardíacos. Fez questão de manter os olhos fixos em seu rosto ao se debruçar sobre ela, a língua umedecendo os próprios lábios como se antecipasse o gosto que Machi teria.

Ela não aguentou.

Desabou com as costas no chão no mesmo segundo em que ele a tocou. O vidro entrou ainda mais fundo na pele, espécie de sintonia com o homem que ela deixava se afundar também entre suas pernas. Seu gemido foi inevitavelmente mais alto dessa vez.

Tentou alcançar seus cabelos novamente, mas tudo que conseguiu foi tocar de leve nas pontas. Desistiu, contorcendo o corpo. As garras de Hisoka apertavam suas coxas, as segurando abertas, o dando espaço mais do que suficiente para a devorar.

E ele podia sentir o tremor de Machi. Os gemidos que ela não se preocupava em abafar. A maneira como puxava o ar, como se lhe faltasse oxigênio o suficiente para dar vazão ao seu coração acelerado. Hisoka previa os espasmos que ela teria em breve e, conscientemente, apertou ainda mais suas coxas. Deixaria marcas em Machi que demorariam a sumir.

Mas, em vez de continuar, parou. Interrompeu o ato de uma maneira estratégica e cruel, impedindo por pouco que ela alcançasse o clímax que vinha ansiando.

Machi arfava. Mais uma vez esticou os braços, procurando por ele e não o encontrando. O lançou um olhar inquisidor, quase colérico, como se aquela interrupção tivesse sido uma das decisões mais imperdoáveis de Hisoka.

— Para que a pressa? — ele perguntou. Se inclinou sobre suas bochechas coradas, que pareciam arder em brasas — Estou apenas começando — cochichou.

Hisoka levantou e deu as costas para ela. Tirou a parte de cima das vestes, exibindo a faixa que envolvia seu tronco. Começou a desenrolar com cuidado. Machi o olhou incrédula.

— É irritante como você acha que tudo tem que ser do seu jeito — disse, começando a levantar também.

Ele se virou. A viu se esticando para alcançar os shorts e as outras peças de roupa. Imediatamente atirou uma de suas cartas, que cortou o ar rente aos dedos de Machi. Ela instintivamente retraiu o braço.

— Você não vai precisar disso — falou.

Hisoka foi até ela e a puxou para cima. A empurrou contra parede de novo. Machi tinha chamas no lugar dos olhos. Abriu a boca para falar alguma coisa, mas ele não permitiu. Colou seus lábios no dela em um beijo violento, demorado, que a deixou sem ar.

Machi se acendeu novamente, sentindo o torso nu de Hisoka comprimindo o dela, apertando seus seios ainda doloridos. Ela levou as mãos até suas costas e o pressionou, trazendo seu corpo para ainda mais perto. Fez o mesmo com a nuca, agarrando-o pelos cabelos e o forçando em sua direção. Em um momento, o mordeu — não de leve, mas com ardor, com o mesmo desejo sôfrego de antes.

E não o deixou interromper dessa vez.

Logo, o gosto metálico do sangue invadiu suas bocas, e Machi soube que ele estava se deleitando com aquilo tanto quanto ela. O podia sentir, pressionando sua virilha, ainda mais forte do que sentira da outra vez.

Sua vontade, no entanto, era o de sentir por inteiro, sem aquela calça folgada atrapalhando o contato. Queria o tocar, assim como ele a havia tocado. Queria — e Machi sentiu um arrepio ao pensar isso — também o causar dor.

Afastaram o rosto por um instante. Ela tentou alcançar a cintura do mágico, mas com um gesto brusco, ele a virou de costas. Voltou a espremê-la contra a parede, passando a mão pelas marcas que o vidro causara em seu corpo.

Afundou a unha em uma das feridas. Machi gritou, contraindo o corpo. Finalmente sentiu seu membro, já completamente livre. A acariciava por trás, em uma ameaça provocativa do que aconteceria em breve.

E ela sabia que ele não seria gentil. Que a invadiria com força, repentino, sem a menor delicadeza. E pior, que o faria por onde bem entendesse. Mas Machi não poderia evitar. Ela não queria evitar. Todo seu corpo clamava por ele, de um jeito tortuoso que parecia alimentar ainda mais sua libido. Aceitava resignada as dores que acompanhavam aquela volúpia. Mais do que isso: cobiçava-as.

Machi sentiu as unhas afiadas subindo pelo pescoço. Pressentiu o ataque. Sua cabeça se esticou para trás ao ter os cabelos puxados de maneira brutal por Hisoka. Ela arquejou, se desmanchando em um suspiro. E com total domínio sobre seu corpo, Hisoka a penetrou, impetuoso e selvagem como ela imaginou que seria.

Ali, naquele túnel abandonado, naquele lugar inóspito e sujo, ela foi dele.

Se deixou possuir, com uma violência que nunca pensou que permitiria antes. Ofereceu seu corpo e seus gemidos, um sacrifício que fazia em troca daquele prazer carnal. O deixaria a matar naquele momento, se ele assim quisesse.

E a julgar pelas investidas truculentas, era o que ele pretendia. Forçava seu corpo sobre o dela, aprofundando-se mais a cada movimento, mantendo os cabelos presos em seus dedos, a deixando sem espaço para ação.

Machi estava quase delirando quando sentiu ser libertada por um instante. Ela mal teve tempo de pensar; com mais uma brutalidade, Hisoka a virou novamente, deixando-a de frente. Agarrou-a pela cintura e a ergueu, para se encaixar mais uma vez enquanto ela o enlaçava com as pernas. Empurrou com força suas costas machucadas contra a parede de pedra.

Ela gritou ao sentir a pele esfolar. A visão estava completamente nublada, fosse pelas pálpebras que caiam pesadas de prazer, fosse pelas experiências sensoriais que bloqueavam qualquer tentativa de se manter racional.

Os gemidos de Hisoka também lhe invadiam os ouvidos, se misturando aos seus. Eram dois corpos em sincronia, sangue e suor se mesclando em um contato visceral, quase animalesco.

E de uma maneira completamente imprevisível, ela o sentiu novamente nos seios. A mordida veio abrupta, inconsequente, dolorosa, carregada de luxúria. A fez explodir na mesma hora.

Um som gutural escapou da garganta. Machi se desmanchou, sentindo o gozo a invadir uma, duas, múltiplas e infinitas vezes.

Se esqueceu de quem era, de onde estava, com quem estava. Queria apenas segurar aquela sensação pelo máximo de tempo possível, a prender entre as pernas e prolongar o quanto pudesse. Até o grito de Hisoka lhe pareceu distante.

Pois ele também se desmanchava dentro dela, quente e abundante. Intenso. Deixou que a secreção se escorresse pelas coxas, a sujando, a impregnando com seu cheiro. A contaminando de sua essência.

Relutou em se afastar, mas por fim a soltou, deixando uma Machi de pernas trêmulas no chão. Ela precisou se escorar na parede, afastando os cabelos do rosto.

Hisoka esboçou um sorriso vitorioso. Ajeitou os cabelos e se aproximou para beijá-la, mas Machi virou o rosto.

— É assim que me agradece? — perguntou, o tom de ironia na voz.

— Eu ainda não acabei com você.

Hisoka riu, se sentindo subitamente excitado de novo.

Machi também sorriu, com uma frieza que em qualquer outro momento seria assustadora.

Ela não precisou nem mexer as mãos para que os filamentos de Nen surgissem pelos antebraços do mágico, prensando seus músculos.

Hisoka prendeu a respiração.

Era exatamente o que ele queria.