Galway Girl

1 Chuva de Verão


Notas iniciais
Olá pessoal ~(º-º)~ pelo título será que deu pra perceber que a história se passa na Irlanda? Musiquinhas do Edinho me fazendo ter vergonha na cara e ir escrever, AMÉM, LOUVADO SEJA ESSE RUIVO.

A carruagem balançava de um lado pro outro, e meu pai reclamava com o cocheiro, que dizia não haver como impedir as imperfeições da estrada. Eu apenas suspirava, os amontoados de roupas me sufocando em meio ao verão, olhando para os campos que se estendiam através da pequena janela. Mexi no colar que minha mãe havia me dado para o meu noivado, escuro com pedrinhas brilhantes de um tom branco rosado. O contraste, que geralmente me acalmaria, me deixava inquieta.

“ ­— Isto aqui pertence à primeira rainha Irlandesa, quando ainda nem tínhamos um castelo pronto. Ela recebeu para o seu casamento com o rei Tyrone, o fundador de nossas terras, e tem sido passado de geração em geração, e agora dou para você. – ela sorria ternamente, mas eu me sentia vazia enquanto a servente arrumava meus cabelos castanhos em tranças. Meu reflexo no espelho se esforçava para sorrir educadamente de volta.

— A primeira rainha se casou por amor?

— Sim, eles eram de importantes famílias e se conheciam desde pequenos. – mordi o lábio, tentando impedir a pergunta de sair. Sempre fui repreendida por ser demasiadamente curiosa.

— Então por que eu tenho de me casar com o Príncipe Conor se o conheci semana passada? – pelo semblante educado da minha mãe passou uma sombra de desaprovação. Nesses momentos ela não era mais Edina, e sim Rainha MacCarthy.

— Você sabe como precisamos manter as boas relações com os reinos vizinhos e impedir futuras guerras. Além disso, seu pai sempre foi deveras amigo do pai do Príncipe Murphy. – ela deu ênfase em seu sobrenome, para indiretamente me corrigir de minha inclinação para informalidade. A servente apertou o espartilho em meu corpo magro, me fazendo arfar, impedindo uma possível resposta. Agradeci-a mentalmente. – E você já tem 16 anos, já passou do tempo de se casar, já é uma moça, quase adulta. Nós já fomos bastante generosos em lhe deixar escolher qual dos filhos queria se casar. – claro, porque eu tinha muita escolha. O resto eram todos velhos. – Estamos entendidas?

Observei meu rosto, com olhos castanhos e amendrontados. Eu quero a minha liberdade.

— Sim, mãe.”

Então eu me dirigia para uma nova vida, em um novo palácio. A viagem seria longa, e teríamos uma parada em meu tio, que se localizava perto dos Murphy.

-*-

Fui acordada com um baque e relinchar de cavalos. Uma chuva torrencial se fazia ouvir por fora da carruagem, impedindo minha visão de qualquer que fosse a paisagem escondida. Tentei me segurar em papai, mas perdi o equilíbrio e força enquanto ouvia o barulho de alguém caindo no chão, meu coração batendo forte em meus ouvidos e tudo virava de cabeça pra baixo. Meu pai se arrastou para fora e tentou me puxar, mas minha bota estava presa embaixo de uma das malas, que eu não conseguia retirar. Minha respiração estava descompassada e eu percebi que estava me movimentando de modo íngreme, olhei pra trás e vi as pastagens com uma diferença enorme de altura da estrada, me esperando, enquanto meu pai se desesperava sem conseguir entrar novamente sem empurra-la mais pra beirada. Fechei os olhos, esperando pela queda, quando uma voz aguda me grita.

— Segure! – e uma corda surgiu diante de mim, me deixando irritada.

— Se o problema fosse me puxar para cima, eu não precisaria disso!

— Amarra essa porcaria na mala que está te prendendo! – arregalei os olhos e fiz o que a voz me mandava, enquanto ouvia o meu pai bradir do lado de fora pelo linguajar de quem quer que fosse, não que eu realmente estivesse prestando atenção enquanto tentava não tremer para fazer um bom nó, coisa que não me foi ensinada.

— Pronto! – então a mala foi puxada com um solavanco, fazendo a carruagem escorregar mais um pouco, e senti o desespero tomar conta de mim. O esforço havia sido inútil, e qualquer movimento para tentar sair, me faria descer em queda livre mais rápido. Mas então uma pequena e calejada mão me surge, me fazendo exclamar.

— Segura em mim!

— O Senhor apenas cairá junto, se afaste!

— Vamos logo com isso! – respirei fundo, dando um pequeno pulo pra cima e segurando em sua mão com força, fechando os olhos enquanto ouvia o barulho da carruagem caindo, mas sem ouvir o seu baque. Fui puxada pra cima em meio à chuva, o coração a toda enquanto meus pés balançavam no vazio. Quando fui jogada em terra firme, a primeira coisa que pensei, após respirar fundo, foi:

— MINHA MALA!!! – levantei-me correndo, indo verificar se estava intacta. Ouvi uma risada, mas nem prestei atenção enquanto a abria, suspirando aliviada ao perceber meus livros e bugigangas a salvo. Fechei-a logo para que não se molhasse. Meu pai esbravejava.

— Eu lhe disse para parar de ser tola e não trazer este monte de inutilidades! Se fossem vestidos, não objetos inapropriados a uma dama, não teria ficado presa, e teria nos privado deste incômodo todo! Mas não, sua mãe tem de ficar lhe incetivando à essas baboseiras, eu a avisei, eu disse que isso não terminaria bem, e é claro que eu estava correto, mas mulheres não escutam... – eu já nem ouvia mais, apenas fechei os olhos, feliz por estar viva, enquanto a chuva me encharcava, enlameando meu vestido próprio para o Príncipe. Isso me fez sorrir. Me virei, ao sentir um delicado toque em meu ombro, então vendo a mão que me salvara. Levantei-me em um pulo.

— Muitíssimo obrigada por ter me salvado Sen... – minha boca se manteve aberta enquanto meus olhos absorviam a imagem diante de mim. Uma jovem, provavelmente da minha idade, completamente molhada, com suas roupas simples sujas de lama, me sorria. Com a escuridão da tempestade não conseguia ver muito bem, mas então um raio cortou o céu no momento apropriado, e eu pude me maravilhar com seus cabelos loiros e curtos, corte tão incomum para uma mulher. Suas bochechas rosadas e seus olhos castanhos como os meus. Era a única outra pessoa que eu já havia visto de olhos castanhos. Ela parecia um anjo.

— Acho que a Senhorita se equivocou. – ela riu, e meu coração pulou, mais do que quando estava prestes a morrer. – Não sou nenhum senhor. Sou Alanna, Alanna Byrne. E você? – eu sorri, estendendo a mão para ela. No momento em que nos tocamos, a tempestade diminuiu e nós olhamos para o céu, quase assustadas, antes de eu responder.

— Kiara. Kiara MacCarthy.

Notas finais
Vou pensar em uma sinopse melhor pra fic, pode deixar, uma que dê a entender melhor sobre o que que é. Por enquanto deixa essa mesmo hehe xD se alguém brotar por aqui, por favor comente ♥