Galena, A Protegida de Valfenda
7 Seis.
Os anões pousaram em Valfenda por mais alguns dias fazendo Galena ganhar tempo sobre sua escolha de ir ou não para a Montanha Solitária. Numa dessas noites, depois de ter jantado um maravilhoso prato vegetariano que sua mãe havia preparado, a jovem saiu para um passeio noturno pelas escadarias solitárias dos pátios de Valfenda pensando se contaria ou não para Gandalf sobre a saúde de seu pai. Pela reação de Gandalf quando a viu, Galena percebeu que Elrond não tinha contado para o mago que Ghromir estava doente há vários meses e a cada dia que passava Galena podia sentir que perdia seu pai pouco a pouco.
Mesmo perdida em pensamentos e com o coração latejando em dúvidas a moça se espantou quando trombou com um ser pequenino de cabelos cheios e pés grandes e peludos. -Minha nossa! Me desculpe! Bati de frente com a senhorita. -Não se preocupe. A culpa foi minha... Estava tão distraída que não te vi... Quer dizer... Não é por causa do seu tamanho... Eu só estava distraída... Eu... Droga! Porque eu sempre faço isso? -Não! Você não me ofendeu não! Acho que é esse lugar que faz isso com a gente. É tudo tão... Mágico. -É, deve ser Valfenda. Então você é o hobbit que acompanha os anões? -Isso mesmo. Bilbo Bolseiro, ao seu dispor madame. Bilbo fez uma longa mesura a Galena e quando ficou em pé novamente os dois se olharam espantados pois não muito distante dali Elrond e Gandalf conversavam exaltados. -É claro que eu iria contar a você. Estava esperando este momento e de fato acho que você pode confiar, pois sei o que estou fazendo. -Você sabe Gandalf? Aquele dragão dorme há 60 anos. O que acontecerá se o plano de vocês falhar se acordarem a fera? Instintivamente Galena e Bilbo se esconderam atrás de uma coluna para continuarem escutando a conversa sem serem vistos. Gandalf continuou: -E se obtivermos sucesso? Se os anões recuperarem a montanha, nossas defesas do leste serão fortalecidas! -É uma jogada perigosa Gandalf! A moça e o hobbit sentiram uma respiração pesada atrás de ambos e quando se viraram receosos viram Thorin também parado perto da coluna ouvindo a conversa dos senhores em absoluto silêncio. -Também é perigoso não fazer nada Elrond! Ora... O trono de Erebor é direito de nascença de Thorin! O que você tem? -Você esqueceu? A propensão a loucura é muito forte nessa família. Seu avô perdeu a cabeça, seu pai sucumbiu a mesma doença. Você pode prometer que Thorin, Escudo de Carvalho não irá enlouquecer também? Gandalf essas decisões não cabem somente a nós. Não somos eu ou você que devemos redefinir o mapa da Terra-Média. Os três apuraram os ouvidos para tentar escutar mais da conversa, mas Elrond e Gandalf já haviam caminhado para longe. A moça, o hobbit e o anão se entre olharam por alguns instantes, até que Thorin tomou iniciativa: -Vou reunir os outros. Devemos partir agora e continuar a nossa missão. Temos que chegar na Montanha Solitária a tempo. -Espere Thorin! Mas e Gandalf? Nós precisamos dele. -Acho que desta vez devemos continuar sem Gandalf, Bilbo Bolseiro. Sei que precisamos dele, mas talvez temos um guerreiro extra. Isso nos ajudaria também. Thorin lançou um brevíssimo olhar para Galena antes de abaixar a cabeça e caminhar pesaroso para reunir os outros anões. -Você vai vir com a gente, não é mesmo? Perguntou Bilbo. -Eu não sei pequeno hobbit. Estou dividida. Uma parte de mim quer ir, pois confio em Gandalf e por ele com certeza irei fazer parte disso tudo... Mas por outro lado tem meu pai que está doente e eu não quero deixá-lo. Bilbo deu um longo suspiro e abriu a boca para dizer algumas palavras quando Kili apareceu alvoroçado: -Galena! Elfos estão te procurando. Acho que é seu pai. O destino resolvia rápido as coisas para Galena. Ela sabia que a notícia não era boa e já estava preparada para isso. Seu pai havia descansado eternamente e agora ela tinha certeza do que fazer. Foi rapidamente aos seus aposentos, vestiu a sua melhor roupa de batalha, pegou duas espadas, duas adagas e um velho cutelo que seu pai usava para cozinhar. Com o cutelo na mão a jovem conteve as lágrimas e murmurou: -Honro a sua memória em batalha papai. Era triste não ter tempo para ficar no funeral, mas sua mãe e seus irmãos achariam o bilhete que ela havia escrito e entenderiam a sua decisão. Assim Galena esperava.
Fale com o autor