Notas iniciais
Galera, desculpe não ter postado na semana passada. A luz caiu no domingo e com isso minha internet foi junto. Internet quando falta aqui em casa é uma merda. Falta hoje e não sabe quando volta. Só consegui fazer com que o técnico viesse hoje e está tudo bem.

As aulas tinham acabado e muita gente iria até a sala da Mesopotâmia. O primeiro foi Islândia, que a mesopotâmica recebeu com um ar infantil e cheio de expectativas.

– Como foi o seu encontro com aquela jovem, meu rapaz? Conte-me tudo e não me esconda nada.

– Não foi exatamente um encontro. Nossos irmãos mais velhos nos seguiram, encontramos alguns conhecidos, formamos um grupo, vimos um filme e fugimos dos nossos irmãos com o grupo ao estilo Scooby Doo.

– Vamos por partes. Seus irmãos os seguiram, não?

– Sim.

– O irmão dela eu até compreendo porque irmãos mais velhos são muito protetores em relação às irmãs mais novas. O que não entendo é por que o seu irmão te seguiu.

– Ele é muito superprotetor.

– Vocês dois estão bem arranjados, hein. Diga, como ela se comportou em público?

– No começo me arrastou para o banheiro feminino e se escondeu debaixo da pia.

– HAHAHAHAHAHA!

– Isso não é engraçado!

– Para você. Você deve acostumá-la a lugares públicos. Não estou falando de levá-la a um show de rock, um baile funk ou a uma aglomeração. Estou falando para saírem mais vezes e mostrar a ela que pode confiar em você.

– Entendi.

– E como era esse grupo?

– Ele era composto por Canadá, Seychelles, Zealand, Samoa e Samoa Americana.

– Você encontrou minha outra paciente?!

– Paciente?

– Zea vai começar a se tratar comigo. Essa garota tem muitos problemas.

– Que estranho. Ela parecia inofensiva apesar se suas alterações de humor. Groenlândia gostou muito dela, as duas pareciam amigas e conversavam sobre espíritos, rituais, deuses, eu não entendi bem.

– Isso se deve ao fato de ambas serem originalmente indígenas. – Disse lendo duas enciclopédias tiradas de sabe lá onde. – Groenlândia é inuit e Zealand é maori. São tribos indígenas completamente diferentes com deuses muito interessantes. Ambas são muito ligadas à sua cultura indígena.

– Entendo.

– Pelo visto Groenlândia está se socializando mais.

– É. Eu gostei disso também.

– Rolou alguma coisa? Um abraço, aperto de mão, beijo, tapa na cara?

– Um beijo.

– AÊW MOLEQUE! Diz aí, como foi? Ela não correu, correu? Ela desmaiou?

– Não sei, só a levei até em casa, a beijei e fui para casa.

– Saída de mestre! Não deu nem tempo de ouvir reclamação. Ela olhou para a sua cara hoje?

– Na verdade não nos encontramos e não nos falamos hoje.

– Então está esperando o que?! Que eu marque outro encontro?! Você já conhece o caminho, só precisa segui-lo.

– Está bem.

– Mais uma coisa! – Imita o tio do Jack Chan. – Não importa o que aconteça, não a pressione ou vai botar tudo a perder.

– Obrigado.

Islândia abriu a porta para sair da sala, mas quando o fez ele teve que pular para o lado para não ser atropelado por Tunísia, Seychelles, Prússia e Espanha, que carregavam França e Argélia.

– Mas que bagunça é essa?! – Gritou a conselheira.

– Dona Mesopotâmia, você precisa nos ajudar! – Disse Tunísia.

– Me solta porra! Me deixa matar esse puto pervertido bastardo filho de uma puta! – Gritou Argélia.

– Quanto palavrão! Ninguém deu educação a essa garota não? – A conselheira arregalou os olhos.

– Eu já disse que sinto muito, Angel! – Disse França.

Mesopotâmia pegou um livro grosso e o deixou cair em cima da mesa, calando a boca de todo mundo.

– Bem, Islândia está liberado, você não precisa ficar aqui e ver este circo. Nos vemos outro dia.

– Obrigado. – Disse saindo da sala andando rápido.

– Enquanto a vocês, sentem-se nas cadeiras da outra sala ou no divã, só não sentem na minha cadeira!

O grupo a obedeceu. Mesopotâmia pegou um bloco e uma caneta.

– Qual é o problema? Fale uma única pessoa!

– Conselheira, minha prima Argélia foi colônia do França e...

– Você é o França? – Perguntou ao loiro.

– Já ouviu falar de mim, não é?

– Seu filho da puta! Por sua causa metade dessa escola têm grandes problemas psicológicos que EU tenho que resolver!

– Só metade? – Perguntaram os outros.

– A outra metade tem o Inglaterra como causa. Mas continuando, a Argélia tem todos os motivos para odiar França.

– Isso mesmo. – Disse ela convicta.

– No entanto isso está se tornando uma obsessão sem tamanho e você está parando de viver a sua vida para se dedicar a matar esse puto.

– Hei! – Exclamou ele.

– Agora vamos ouvir o seu lado. O que tem a dizer?

– Ele ama a Argélia e não consegue manter o pau dentro da calça. – Acusaram Prússia e Tunísia.

– Ele ama a Argélia? – Perguntou Seychelles um tanto surpresa.

– Ama tanto que teve barraco na frente do prédio dela. – Confirmou Tunísia.

– Eu ainda quero esquecer aquela noite. – Disse Espanha.

– Deixa eu ver se entendi. – Disse Mesopotâmia. – Esse loiro, que é neto do Roma, foi metrópole desta garota, que é neta do Cartago. Ele fez merda, ela conseguiu independência, está puta com ele e quer matá-lo, só que ele caiu de amores por ela, mas não consegue manter o pinto e o cu dentro das calças. É isso?

– Resumidamente sim. – Disseram Espanha, Prússia e Tunísia.

– Puta que pariu, odeio terapia de casal.

– Não somos um casal! – Berrou a argelina.

– Ainda. – Disse o francês antes de receber uma cadeirada da argelina.

– Vocês dois vão passar por um tratamento intensivo de choque e convivência.

– Não me diga que ela vai morar com a gente! – Exclamou Prússia.

– Não me diga que ele vai morar com Chade, Nigéria e Líbia! – Dessa vez foi a vez de Tunísia.

– Não! Ninguém aqui vai morar com ninguém! Tenho uma ideia melhor. Vocês dois poderiam ficar perto daquela estante? Não é um pedido.

França e Argélia foram para perto da estante. Mesopotâmia acionou um mecanismo que os fez caírem em uma sala oculta, arrancando exclamações de todos e palavrões de alguns.

– Eu quero que vocês arrumem uma maneira de sair daí. Para isso terão de trabalhar juntos e cooperar. Se não saírem, viverão o resto de suas vidas aí. – Em seguida ela fechou o compartimento.

– VOCÊ É LOUCA?! – Berraram os acompanhantes.

– Convivência forçada demora muito, mas em casos extremos o tempo se reduz e o resultado sai mais rápido. Fiquem calmos. Minha filha Suméria construiu toda esta escola, inclusive esta sala e a debaixo. Ela colocou muitas passagens secretas pela escola, inclusive, a sala de baixo tem três passagens secretas além do alçapão. Se eles quiserem sair, eles terão de encontrá-las.

– Mas como vamos saber se eles estão bem e não estão de matando? – Perguntou Espanha.

– Simples.

Ela pegou um controle e um quadro na parede deu espaço a um telão. Ele mostrava a sala debaixo, que tinha um sofa, uma geladeira e uma porta que levava ao banheiro. O cômodo era iluminado por luzes nas paredes e não tinha nenhuma entrada ou saída. Havia um quadro enorme que continha uma pintura o labirinto de Creta.

– Viram, eles não vão morrer se ficarem aí uns dois ou três dias. O pior que pode acontecer é terem que dividir o sofa para dormir.

– Acha que isso vai dar certo? – Perguntou Tunísia.

– Se deu com Edom e Babilônia em Petra, pode dar certo com qualquer um. Podem ir para casa ou querem ver como o tratamento daqueles dois vai acabar?

Eles optaram por ficar e observar, mas quando Zea chegou acompanhada de New, Irlanda, Wy e TRNC, que só tinha ido por causa da Wy, a conselheira colocou todo mundo para fora. Seria um longo tratamento. Enquanto isso, o que acham de uma espiadinha na sala onde estão França e Argélia.

– Isso tudo é culpa sua, seu bosta!

– Mas é você que fica tentando me matar!

– Se ficasse longe de mim, eu não tentaria te matar e a gente não estaria nesse caralho de lugar!

– Angelina, por que você não pode simplesmente me perdoar? Muitos países tiveram colônias de exploração, mas foram perdoados por elas.

– Mas nenhum deles tirou a virgindade da colônia enquanto ela dormia.

– Eu só fiz isso porque...

– Por que eu não queria liberar para um puto pervertido feito você?! Por que você acha que os outros têm que abrir as pernas para você só porque é europeu loiro de olho azul?! Só por que é mais desenvolvido acha que pode tratar os outros como lixo ou seus escravos sexuais?!

– Eu...

– Você já parou para pensar em alguém que não fosse você mesmo?! Já parou para pensar como as suas colônias africanas se sentiam?! Pois eu tenho novidades para você, Francis. Não tem como eu te perdoar, você vai continuar o mesmo filho da puta que sempre foi!

– Tem razão Angelina. – Disse suspirando derrotado. – Eu sou egoísta, não controlo meus impulsos, te fiz muito mal e você tem todo o direito de me odiar. Mas eu não fiz aquilo com você por nenhum dos motivos que você citou.

– Então por que o fez?

– Depois de algum tempo de convivência com você, apesar de você sempre dizer me odiar, cuspir em mim e tudo mais, eu queria provar que era mentira, que você só aparentava ser assim, mas que na verdade queria ser amada por mim.

– Está me chamando de tsundere?! Nem toda pessoa irritada é tsundere!

– Eu sei, eu descobri isso da pior maneira. Quando eu te vi dormindo, eu não resisti a sensação de te beijar. Você parece um anjo quando está dormindo, um anjo boca suja e mais feroz que uma onça, mas ainda assim um anjo.

– Não adianta bajular.

– Não estava te bajulando. Naquela noite estava indo tudo bem, te toquei de leve de forma que não te acordasse e então... – Vendo a cara da garota, ele percebeu que tinha que ser breve. – Eu não gozei dentro de você Angel.

– Ah ta, e eu acredito em Papai Noel.

– É verdade! Nessa hora você gemeu outro nome, o do seu primo Marrocos. Foi então que eu vi que você realmente não me queria, então saí de dentro de você, mas já tinha rompido seu hímen e o estrago já estava feito. Tudo o que pude fazer foi tentar te limpar e te vestir.

– No entanto você me deixou com uma mordida, uma marca roxa e uma dor dos infernos entre as pernas.

– Angelina, eu não queria que terminasse da maneira que terminou. Se algum dia houver uma chance de perdão, sabia que farei qualquer coisa para que você possa me perdoar.

Enquanto isso, lá em cima. Zea estava deitada no divã enquanto os outros estavam nas cadeiras em torno do divã.

– Você sabe por que está aqui, não sabe? – Perguntou a conselheira à Zealand.

– Porque big sis me obrigou.

– Muito bem, me conte um pouco sobre você.

– Eu sou a ilha sul da Nova Zelândia, sou a irmã gêmea mais nova da ilha norte. Meu irmão e eu temos paisagens exorbitantes...

– Um segundo, vocês dois são gêmeos?! – Espantou-se a senhora apontando de um para o outro.

– Somos, mas não parecemos. – Explicaram-se os dois.

– Ok, Zea. Como é a relação de vocês?

– Meus irmãos me odeiam! – Vai para o cantinho da depressão fazendo New arregalar os olhos.

– Isso foi inesperado. Por que seus irmãos te odeiam?

– Por que eu tentei matar eles.

– Wy, te deixam viver com ela?! – Perguntou TRNC ou Chipre do Norte para simplificar.

– Alice jamais tentou fazer isso comigo. – Respondeu Wy.

– Nem olhem para mim. Só convivi com ela durante sua infância e ela nunca ficou brava comigo. – Disse Irlanda.

– New, pode me explicar isso? – Exigiu a anciã.

– Bem, Ela já tentou matar o Austrália algumas vezes por causa de discussões em que ambos perderam a paciência. Ela tentou matá-lo também quando o pegou comigo em flagrante. Mas todas as vezes que ela fez isso, ela tentou se matar e eu tive que impedi-la. Teve até uma vez que ela pôs fogo na casa...

– Ta bom, e quanto a você?

– Bem, ela já tentou me matar uma única vez, mas isso não foi o pior. O pior foi quando eu estava tendo um caso com o País de Gales...

– Eu sabia que vocês tinham tido alguma coisa! – Comemorou Irlanda. – Escócia me deve dois barris de seu melhor whisky.

– Vocês apostaram?!

– Deixem a droga da aposta pra depois, vamos continuar aqui! – Gritou a anciã. – Continue meu jovem.

– Bem, eu estava tendo um caso com o Gales, já tinha tido uma experiência nada boa com o Inglaterra e tive algo com Holanda também...

– Você só não deu mais a bunda do que o Inglaterra.

– Hei!

– Foi mal, continua.

– Bem, uma noite ela começou a discutir comigo por causa disso, por que eu deixava os outros se aproveitarem de mim, quando ela surtou, me jogou na cama e me beijou. Ela se sentiu mal por isso, vomitou em mim, saiu desesperada do quarto gritando por desculpas, vomitou no corredor, foi ao banheiro, vomitou algumas vezes no vaso, socou o espelho e se eu não tivesse chegado na hora, ela teria rasgado a garganta com um caco de vidro. Eu passei a noite inteira segurando o cabelo dela para que ela pudesse vomitar, cuidando do ferimento no braço dela e sem roupa porque as minhas estavam vomitadas.

– E depois? – Perguntou Irlanda preocupada. – Alice desistiu de cometer tal loucura não foi?

– Quem me dera. Por sorte ela tinha vomitado tanto que ficou tão fraca que não conseguia ficar em pé e se jogar pela janela e não conseguia pegar nenhum objeto para se cortar ou perfurar.

– Você a odeia? – Perguntou Mesopotâmia.

– Claro que não! Alice é a minha irmã! Eu jamais conseguiria odiá-la ou a qualquer pessoa nesse planeta!

– Pois você e o Austrália contribuíram para a insanidade dessa garota aumentar!

– O que?!

– Austrália já disse a ela que eles não são irmãos de verdade?

– Sim, mas...

– Mais merda para eu corrigir. Sua irmã é bipolar, ela tem constantes alterações de humor! Algumas vezes ela é consciente do que faz, mas em outras vezes ela age por impulso e quando volta a si, ela vê o resultado que fez e é atingida por uma enorme culpa! Vocês não podem gritar com ela em hipótese alguma!

– Mas...

– Essa garota enfiou na cabeça que vocês a odeiam, certamente vocês deram motivos a ela para pensar assim. Sua bipolaridade é de nascença, mas sua insanidade foi construída através de traumas. Ela considera Austrália e Wy como seus irmãos, não adianta dizer que não são irmãos porque isso a aborrece e cria uma confusão mental em sua cabeça. Gritar com ela só piora as coisas porque ela acha que vocês estão bravos por culpa dela e ela associa o grito como uma forma de desafeto, achando que vocês a odeiam.

– Eu não sabia disso.

– E tem mais. Irlanda me contou da sua experiência com Inglaterra quando você era criança.

– Nem me lembre disso.

– Ela associa esta cena com o que vê quando te pega no flagra com alguém. Ela só quer te proteger, mas acaba demonstrando isso de forma exagerada. Por acaso, ela te protegia quando era criança? Por que pelo que eu posso ver de você, você não é muito de brigar.

– É verdade. Eu não sou de brigar, sou de correr e me esconder. Alice quem passou a me proteger do Inglaterra, ela quem brigava. Eu sou um péssimo irmão mais velho.

– Dá tempo de consertar isso. Vamos ao próximo. Canadá, vocês dois transam, não é mesmo?

–Sim. – Respondeu vermelho.

– Espere um pouco. – Disse Irlanda. – Até onde eu saiba, Zea é virgem!

– Era. – Responderam Canadá, New e Wy. Canadá contou tudo sobre a primeira noite que tiveram, inclusive era a primeira vez de Zea.

– Por favor, digam que vocês conversaram sobre sexo com ela antes. – Disse Irlanda para New e Wy.

– Os mais velhos que têm que conversar sobre isso com os mais novos. – Disse Wy.

– Nem eu e nem Ralph falamos de sexo com ela, mas devo admitir que ela rouba os vídeos do Ralph.

– PUTA QUE PARIU! – Exclamaram Irlanda e Mesopotâmia.

– Aqui vai o tratamento da guria. É bom que você siga tudo à risca Dick ou essa garota vai ter mais problemas do que já tem! – Apontou para Zea, que dormia no canto da depressão. – Você vai parar de se pegar com o seu namorado até que abra o jogo com ela.

– O que?!

– Isso mesmo. Vocês vão conversar sobre relacionamentos, sexo, decepções amorosas e também você vai impedir que alguém grite com ela. Você, nação esquecida...

– Hei! – Resmungou Canadá.

– Nem ouse quebrar o coração dessa pobre garota agora!

– Mas eu jamais faria isso!

– Ótimo! Quanto a vocês, meninas, vocês estão indo bem, só mantenham esses dois na linha.

– Pode deixar!

– E você... O que você está fazendo aqui mesmo?

– Eu não podia deixar Wy acompanhar a irmã dela sozinha, só não imaginava que ia vir mais gente. – Disse TRNC.

– Ah sim. Você vai passar a frequentar a casa deles.

– O que?! Mas como isso vai ajudar?!

– Acho que eu sei. – Disse Irlanda dando um sorriso maroto.

– Você não nega que é filha da Celtic. Dispensados, eu ainda tenho que ver como aquele casal problemático está se saindo.

O grupo saiu, sendo que foi Canadá quem carregou Zealand até em casa. Mesopotâmia pegou um balde de pipoca e foi ver pelo telão como França e Argélia estavam se saindo. Os dois não estavam se matando e ainda estavam inteiros. Alguma coisa interessante tinha acontecido e ela perdeu. Sorte que colocou para gravar.

– Droga, não há portas ou janelas! Não há como sair! – Exclamou a garota.

– Com licença, mon ange...

– Son ange o caralho!

–Mas eu já fiquei preso algumas outras vezes e talvez eu saiba como sair.

– Ficou preso aonde?

– Eu não me lembro. – Argélia capotou.

– Como não se lembra, infeliz?!

França foi até o banheiro e viu privada com a tampa levantada. Ele ficou fitando a privada por um bom tempo, como se algo atraísse sua atenção. Sua expressão era de nostalgia, mas ainda assim ele não conseguia se lembrar.

– O que está fazendo?!

– É como se fosse um déjà vu.

– Pardón?

– Pardón, mon ange. Tive um déjà vu com uma privada que vendia cerveja e bolos de arroz.

– Você andou bebendo vinho demais, puto pervertido. E não sou son ange!

– De qualquer forma, deve haver uma passagem em algum lugar. Temos que encontrar algo que não se encaixe na cena, uma parede oca ou algum buraco.

– Em uma sala estranha como essa, nada se encaixa no lugar. Não creio que Suméria deixaria buracos nas paredes.

– O que acha daquele quadro? Parece grande o suficiente para uma passagem.

– Pode ser.

Os dois voltaram para a sala e moveram o quadro. Havia quatros círculos como estes: http://leviathyn.com/wp-content/uploads/2012/11/01.jpg

– Você tem alguma ideia de como resolver isso? – Perguntou a garota.

– Nenhuma.

– Olá!

– AAAAAAAAHHHH! – Francis pulou no colo de Angelina, mas ela o largou e ele caiu no chão.

– Eu sou Ártico.

– E eu sou Antártida.

– E nós somos os padrinhos mágicos da World Academy! – Disseram juntos e fazendo pose.

– Eles existem! – Exclamou o francês.

– Isso é bem estranho. – Comentou a argelina.

– Esta sala possui três passagens que vocês não podem ver e elas só são abertas após resolverem os puzzles. – Disse Ártico.

– Vocês encontraram um puzzle que abre uma das três passagens. – Disse Antártida.

– Para resolver este puzzle, basta girar os círculos vermelho, verde e azul.

– Boa sorte e até a próxima.

Os padrinhos sumiram, deixando apenas flocos de neve caindo no lugar onde estavam. França e Argélia ainda tentavam entender o que tinham visto. Eles seguiram o conselho e começaram a rodar os três círculos até conseguirem concluir o puzzle. Eles ouviram alguma coisa se abrindo, mas não tinha nenhuma porta visível.

Eles tatearam as paredes e não encontraram nada. Foram ao banheiro, mas também não tinha nada. Arrastaram o sofa e encontraram um alçapão que tinha sido destrancado. Ambos abriram e viram uma escada iluminada por uma fraca luz natural, mesmo não tendo janela. Eles tiveram que descer com cuidado.

– Ah!

– Te peguei!

– Seu puto pervertido bastardo, deveria ter me deixado cair!

– Não dessa vez, mon ange. – Para e pensa um pouco. – Você prefere rolar escada abaixo a aceitar minha ajuda?

– É lógico que sim!

– Só por isso eu vou te ajudar.

– Merde! (merde: merda em francês)

– Angelina, eu só quero o seu bem.

– Agora né!

– Não precisa jogar na minha cara que eu fiz merda, mas ao menos estou tentando consertar tudo! Já você só fica reclamando e me xingando!

– Claro, você queria o que?! Que eu abraçasse meu estuprador e dito “eu te perdoo, agora vamos pra cama”?!

– Também não é assim! Eu sou tão pervertido assim?

– Quer mesmo que eu responda? Você roçou na perna da minha prima!

– Eu pensei que era a sua.

– Você dormiu com a Chade, o Níger, um dos Congos, a Polinésia Francesa, o Taiti, a Guiana Francesa, Inglaterra, algumas colônias dele, Laos, Vietnã, tentou passar a mão no Líbano na frente da Síria... Aposto que tem mais gente envolvida que eu não estou sabendo.

– Caramba, eu sou mais pervertido do que eu pensava!

– Suas ex-colônias africanas que o digam.

– O que acha de começarmos do zero?

– Não acha que é tarde demais para isso?

– Angelina, me dê essa chance. Eu não vou fazer mais nada de ruim com você e nem desrespeitar sua prima. – Ela pensou por um bom tempo.

– Está bem, mas se tocar em mim de novo, é bom já ter um caixão te esperando.

– Pode deixar, mon ange.

– Quer parar de me chamar assim?!

– Pardón, mas não consigo.

À medida que desciam as escadas, mais claro o túnel ficava. Eles puderam avistar o final do túnel. Quando o alcançaram, eles se viram no jardim da escola. A passagem atrás deles se fechou, mas não precisavam mais dela. Agora estavam livres daquela sala.

– Quem diria, saímos. – Disse a garota.

– E isso não foi tudo. Eu diria que é um recomeço, mon ange.

Notas finais
As cenas fortes nos diálogos França e Argélia foram devido à colonização da África, um período negro (sem trocadilhos escrotos) na história da humanidade. Ser comercializado como mercadoria foi o de menos. Durante a colonização africana houveram muitas mortes, estupros, vendas de pessoas não só para prestar trabalho escravo, mas para fins sexuais também, genocídios e verdadeiros banhos de sangue. # Por causa da colonização africana, muitos países agregaram tribos rivais ao território de suas colônias e isso gerou consequências até hoje. Crises políticas, sociais e econômicas na África começaram por conta do tipo de colonização que a África teve. # Há bons filmes para se assistir que retratam os problemas que a colonização trouxe. Um deles é Diamante de Sangue, filme baseado em fatos reais, muito triste e emocionante. Outro se chama Hotel Ruanda, esse também foi baseado em fatos reais e é brutal. Há milhares de filmes do Nelson Mandela também, seria interessante ver, pois fala como ele conseguiu unir uma nação fragmentada após a política do apartheid. Qualquer filme sobre o apartheid também é recomendável. # Há um easter egg de HetaOni na fic. Para quem não jogou ou não viu o gameplay, mas têm interesse e não quer spoilers, não irei revelar. # Aquele puzzle é do jogo Resident Evil, só não me lembro de qual. # # # Como não pude postar semana passada e vocês ficaram sem o capítulo, vou recompensar vocês com o que terá no próximo. Para quem não quer spoilers, não veja. Será que tudo irá se resolver entre ex-colônia e ex-metrópole? E a sanidade da Zealand? Islândia vai ter coragem de chamar uma garota para sair sem correr para uma geladeira? # # # # # # # # - Cara, isso é difícil! - A Gália deu isso aula passada. Onde você estava com a cabeça? - Nas férias. - Você não tem jeito. # - O que faz aqui? - Isto é uma biblioteca e as provas estão chegando. O que mais eu faria aqui? - Filho da puta. - Pelo visto todo mundo se reuniu aqui. – Disse Arábia Saudita aparecendo do nada. - SERMÃO NÃO! # - Niue, cadê nossas moedas Pokémon?! # - Aqui, leia esse livro, ora, pois. - Um manual que ajuda a lidar com tsunderes? - Vai precisar, ora, pois. # Acho que já chega.